27 dezembro 2006

Cultivar a alegria

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Tenho vindo a pensar no que me é dado viver nos dias depois do Natal. Sempre se pensa no Natal como um ponto de chegada, depois de uma preparação mais ou menos cuidada, mais interior ou mais exterior...

Mas chega o dia de Natal, faz-se toda a festa e começa-se já a pensar na passagem de ano. Rapidamente se esquece, fez parte de mais um acontecimento bonito no calendário do fim do ano. Mas quero viver o Natal como um ponto de partida, onde o novo Ano acaba por aparecer, por estar, este sim, no calendário.

É um desafio muito bonito à alegria mais profunda, de ter a certeza que Deus nunca desiste de nós e que está sempre connosco em tudo. Estas dias até ao Ano Novo, é uma espécie de adornar o início de um caminho mais entregue à Vida mais completa. Talvez aí se possa pôr o início do Ano como o primeiro passo, mas já com as metas estabelecidas. Boa viagem até 2007!


PS: Vou estar fora até dia 3 de Janeiro, pelo que desejo desde já um primeiro passo em 2007 cheio de confiança e a caminho da realização de sonhos tocados com as mãos e contemplados no coração, cada dia.

25 dezembro 2006

Natal

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o consigo imaginar um Deus cansado. A minha imagem do Céu é ver o Pai a correr durante todos os dias da eternidade para que nada falte aos seus filhos. Desde sempre Ele foi assim, até é excessivamente preocupado, uma milésima parte do que ele já fez seria tudo o que nós precisamos para ser felizes. Nasce o sol, surgem as estrelas, chove, e os campos pintam-se com as flores. Criam-se vidas e obras, ganham-se laços, é tudo tão cheio de perfeição.


E os homens fecham os seus braços… estão ocupados a olhar para as próprias estradas e o coração fica do tamanho de uma casa ou de um escritório. Vive-se numa só rua, ou num único número de telefone. São as coisas essenciais? No tempo dos homens, parece que sim.

E este Deus a correr na eternidade não quis esperar mais… Fez as malas, apanhou o primeiro comboio. Destino: Belém. E chorava durante a viagem, alargava já no coração o abraço gigante que não podia suportar mais que não pudesse dar. Contou os milénios, os séculos, os anos, os meses, os dias… as horas...


Chegou. Fechou os olhos e abriu os braços, para fechar neles todos os homens de todos os tempos. Abriu os olhos. Estava frio e começou a chorar. Uma jovem mãe acariciou-lhe a face. Era muito bonita e tinha os olhos brilhantes com lágrimas. Adormeceu no seu regaço.

PS: Desejo um Natal vivido neste abraço de Deus com o Homem. Rezo por todos os que me acompanham neste Blog e agradeço todo o apoio e entusiasmo manifestado. Feliz Natal! =)

24 dezembro 2006

Antes do momento

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A véspera de um acontecimento importante é preparada com uma série de preparativos que transformam a rotina e dão sentido àquilo que vai acontecer.

Para mim, felizmente, a Véspera de Natal é sempre um dia de muita calma, talvez por não saber cozinhar e não ter que passar o dia na cozinha a preparar a consoada. Mas multiplico os meus gestos e o meu agir para fazer que à minha volta tudo se prepare para um momento de simplicidade. Que não é uma festa mais ou menos arranjada que faz com que o Natal seja mais bonito.

É tentar fazer do Mistério que prepararo um exemplo para a minha Vida, que passa mais por acolher e iluminar. O modo para mim mais bonito de preparar o Natal é deixar o espaço vazio para o Encontro. Para me deixar abraçar nos abraços que dou, para me fazer pequeno para receber a grandeza. Para ter um olhar simples.

22 dezembro 2006

Quase

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Estar a viver as vésperas do Natal como um pressentimento.

De tentar isolar-me dos lugares comuns dos embrulhos e dos meus inevitáveis e desconfortáveis mails colectivos. Pensar nas músicas que iremos cantar dia 25, nos telefonemas que deverei fazer e encontrar o tempo para poder estar nas comemorações marcadas.

Mudam os lugares de Natal na minha vida, com outros olhares à minha volta e outras cidades. Mas o mecanismo das ruas de sacos de compras é universal. É certo que vou ter um Natal muito bonito, e farei por isso.

Esta tarde, enquanto fazia de guia turístico nos quartos de Sto Inácio aqui no Colégio, a única pessoa que apareceu durante a tarde, numa conversa bem engraçada, perguntava-me o que diria Sto Inácio se visse as transformações do espaço que envolve a simplicidade dos locais onde viveu. Pois... não sei... acho que não ficaria chateado, mas diria um desinstalador: porquê?... ou mais... para quê?

E olho agora para o meu programa das festas de Natal, muito bonito. E porquê?...Para quê? O mundo gira de um modo diferente porque nasceu um Menino. Mas até este girar diferente é o mesmo de sempre, ou pode vir a ser.

Talvez a novidade não esteja tanto nos programas, que servem de abraço ao Mistério. Voltar a ouvir o primeiro choro de Jesus, o mais original, a primeira voz humana de Deus. Pressinto este Mistério...

21 dezembro 2006

Atraído

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Neste modo de alargar as nossas fronteiras, somos percorridos por um entusiasmo vestido de ousadia, coragem, auto-confiança. Que nasce da nossa casa, do que nos rodeia intimamente e nos faz acreditar que podemos mudar muitas coisas no mundo e nos outros.

É perceber que somos feitos de uma força eterna e veloz, que quer ser sempre nova e original. E não precisamos de nos defender, sabemos a certeza a que fomos chamados, que a História tem um final feliz. E caminhamos, corremos, viajamos, voamos para longe, para tão longe...

Até que me encontrei sozinho num outro planeta, o da minha impossibilidade. Tantas coisas feitas, parecia hoje que a maioria estava perdida. Tantos gritos de aclamação, ouve-se agora o rumor do desalento. Um deserto de areia escura e um sol escurecido por nuvens tristes. Os vestidos da força estavam gastos e sem cor.

E só me restou aproveitar o último reduto da minha força original e eterna para me pôr de joelhos e esquecer-me. E não tentar encontrar motivos, só deixar-me estar a navegar no desejo de me perder num destino incerto. Num mar sem fim que se foi abrindo pouco a pouco em ondas de confiança.

Senti-me levantado por aquela mão que um dia tocou a Terra e fez o Homem. Que finalmente me alcançou na mais pequena humanidade, quando não pude fazer mais nada, quando não pude pensar mais nada, quando não pude amar mais nada.

E agora os passos cansados retornavam no olhar de quem contempla e adora, e nas mãos de quem cura e sustenta. Como o olhar e as mãos que agora iam comigo, agora para sempre, agora até ao Céu.

20 dezembro 2006

É assim...simples

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"Estou muito contente por preparar-me para a primeira Comunhão,
porque depois finalmente serei uma boa discípula de Jesus".


Ontem deram-me a revista do Colégio dos Jesuítas de Roma, onde preparo um grupo de meninos e meninas de 9 anos para a primeira comunhão. Alguns deles escreveram pequenos testemunhos sobre o facto de estarem neste ano de catequese.

É emocionante ver todas as semanas a Giorgia nas lições que dou e depois ler isto escrito por ela. As crianças têm o dom de dizerem coisas muito profundas com toda a simplicidade. Não é tanto pelo que entendem ser um bom discípulo de Jesus e a alegria que sentem em o desejarem ser. Nós grandes é que pensamos muito nisso.

O que é mais fundamental é o facto de a experiência de estar perto de Jesus, de o querer receber, ser uma alegria muito espontânea. Isto faz todo o sentido. Com estes pequeninos tenho aprendido tanto sobre o que é a felicidade do Reino.

19 dezembro 2006

Possibilidades

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As nossas mãos são o espelho das nossas possibilidades. O que leva o que o nosso coração tem, o que abraça a novidade da Vida. E depende dos dias o modo de olhar as nossas mãos.

Um dia são bonitas, criativas, capazes de segurar. Outros dias são egoístas, ferem, abandonam. Confio em pleno nas possibilidades de umas mãos abertas. Se eu experimentasse um dia inteiro estar com assim, passaria por um conjunto enorme de situações, desde as surpresas do que lá me colocam, ou o medo que me tirem o que lá tenho. Não me importo.

Acredito nas possibilidades das mãos, e de muitas que toquei, suaves, cuidadas, sujas, rugosas, àsperas, de várias cores... Aprendo com elas que as mãos exprimem as pessoas... e posso falar tanto de mim, não tanto pelo modo como as apresento, mas segundo a atitude com que as disponho.

18 dezembro 2006

Não tenhas medo

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Dei-me conta no outro dia que esta é uma das frases mais repetidas por Deus na Bíblia, quer no Antigo Testamento, quer no Novo Testamento. E é curioso que mudam as personagens, mas o estilo é mais ou menos o mesmo. Esta frase aparece antes da argumentação, antes do pedido e antes da resposta. É quase como o modo divino de dizer: Olá!

Para mim, isto significa muito. Que quando Deus fala, pede coisas que parecem à partida difíceis. E vem já com intenção de as propor. Não quer deixar de ser criador e eu criatura criativa. E mais... que já sabe que eu vou ter medo com o que vai pedir... às vezes somos mesmo preguiçosos por dentro. E o que é mais extraordinário, é que ninguém lhe disse que não, e normalmente a explicação do pedido não é muito descansativa.

Talvez o sim seja a confiança, e depois um enorme agradecimento por se saber confiado. É impossível resistir a quem ama... Deus deve ser algo mesmo fascinante! =)

17 dezembro 2006

Tatuagens

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Nunca estamos sós =)

16 dezembro 2006

Poucas coisas

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É importante, na busca do nosso equilíbrio interior, encontrar algumas pedras que nos sirvam de fundamento, uma espécie de linha espiritual que guie o nosso dia e a nossa acção. Pode ser uma palavra, um sentimento, algo que seja o fundo e a base daquilo que colorimos.

E quando as coisas caem na monotonia, independentemente de serem bons ou maus momentos, a reacção mais provável é tentarmos novas coisas, encontrar mais lugares onde caminhar, porque parece que estes não funcionam ou já deram tudo o que tinham a dar.

E lembrei-me de duas expressões dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio: "Em tempo de desolação não fazer mudança" e "saborear internamente". Nos momentos menos bons, procurar novos pontos de apoio, pode ser uma precipitação, se não partirem de bens já adquiridos e solidificados. Quando se está bem e se procura novidade pela novidade, é bom ver antes se o que se percorreu até agora deu todos os frutos que tinha a dar.

A pressa não é boa amiga da paz de espírito. Nem sequer por bons motivos. Se o coração encontrou paz numa paisagem, também alí se deve contruir uma morada, escrever menos linhas, mas viver mais a fundo a Vida.

15 dezembro 2006

Vento

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"Não sabes de onde vem nem para onde vai"

Recordações de uma tarde de chuva, junto ao mar. Nada de comum das paisagens habituais, frio, vento, humidade, sem guarda-chuva. Olhos fechados, o bater das ondas é forte, ajudado pelos gritos das gaivotas. Um mundo de sensações.

Quando o vento é tão forte que o ouvimos passar nos ouvidos continuamente, perdemos o equilíbrio, deixamos de estar com os pés no chão e viajamos para dentro de nós, à procura do nosso lugar de abrigo.

A sensação de desagrado é sensível. Por dentro, a alma procura-se apenas no esforço de não se perder no meio dos ventos.

O vento passa, não sei de onde vem, nem para onde vai. Levou-me para dentro, para o sonho, para a fé, para a vontade de apenas ser.

14 dezembro 2006

Construção

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A experiência comum com pessoas que conhecemos bem leva-nos a fazer coisas muito bonitas. Ontem ajudei a fazer uma oração. E iam saindo ideias misturadas com experiências de Deus e recordações. Mais as novidades e os apartes de quem tem sempre muito para contar.

E pouco a pouco foi nascendo um projecto simples de um caminho. Que parte de um mesmo Deus, por dois corações diferentes, e que leva ao mesmo Deus.

Ser verdadeiramente tocado pela missão de "levar os meninos a Jesus" torna natural um tipo de conversa que não é fácil ter numa mesa de café, ou durante os ruídos do dia. É descer a uma sala com lume aceso e preparada para um encontro futuro. É apenas uma passagem tão simples, uma pausa antes da viagem. Feita por nós, pelos outros.

As amizades que tenho o dom de ter como jesuíta são estes espaços de intimidade e distância. Parece um equilíbrio difícil. Mas para quem confia nas marcas de Deus na Vida, é tão espontâneo como consolador.

Avisos =)

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Era um compromisso meu. Escrever quase diariamente, sai-me com naturalidade transmitir espaços da alma, mas algumas vezes demora... Não é um pedido de desculpas, e hoje até tenho uma: pus-me a ver blogs uns atrás de outros e pus uma selecção deles na coluna da direita. Aconselho a visita, são também Vidas bonitas e partilhas que nos aproximam.

É bonito ir conhecendo pessoas através da blogosfera, e descobrir outras profundidades, que falam do mesmo Deus de uma forma tão própria de cada um.

E pronto, escrevo eu agora! =)

12 dezembro 2006

Departure place

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Vivemos tantas vezes nesta fronteira do Essencial, na dificuldade de encontrar o chão seguro para por os nossos pés antes de voar. E encontramo-nos a saltar entre opções e momentos de Vida bonita, na avidez de que nada nos escape, há sempre tanto para mudar à nossa volta.

E em tantos compromissos que assumimos, nenhum acaba por ser o nosso único. Ou, explicando melhor, o compromisso definitivo no qual tudo se vive, não como mais um acrescento, mas como uma consequência.

E é tão fácil enchermo-nos de vazios coloridos e musicais... que nos fazem voar na fantasia, mas longe das raízes da alma.

Se no meu tempo tão disperso tiver lugar para encontrar todos os dias o meu ponto de origem, é sinal que os meus compromissos partem do meu rosto e não de uma pintura minha. E o meu rosto mais autêntico é compromisso com a Vida, e compromisso fiel às outras vidas... descobrir a verdade no Mundo.

10 dezembro 2006

Landing-place

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Há dias assisti a uma ópera-concerto de encerramento do ano centenário de Xavier. Trouxe comigo as letras e tenho-as estado a ler várias vezes. Com Xavier tenho embarcado também na minha Viagem e fazendo funcionar as mesmas cordas dos movimentos da alma de quem tem o mar como horizonte.

E passa-se por dúvidas, em que não se sabe, nas grandes e nas pequenas coisas, quais os melhores caminhos. Sobretudo quando as escolhas por um ou por outro não nos levam a coisas más ou coisas boas, mas a coisas boas ou coisas melhores. Nos sonhos de ser grande sem limite sonhado, o óptimo é uma fronteira irresistível.

Os campos de aterragem do nosso sonho comportam dúvidas. Pôr os pés no chão é já arriscar uma direcção. Com um mapa cheio de sinais passados em paisagens tão novas como presentes. Os sinais são guias que confirmam e que desviam, quando não se sabem ler com o olhar mais acertado.

A meio do concerto, ouço a frase: "Help me to doubt, oh my Lord, help me to love, oh my Love".

Não faltam respostas... =)

09 dezembro 2006

O Mundo meu

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Vou tornar o meu mundo bonito. Em silêncio, sentado no espaço mais bonito do eu coração, com todas as coisas diante da minha mesa.

Trago a música, as paisagens, a poesia, os quadros, a luz que brilha em todos os acontecimentos. E vou colorindo os sons, escrevendo casas e pessoas, cantando os caminhos. Ouvir bater o coração ao ritmo de um Absoluto quase impossível de descobrir no tempo em que tudo corre a grande velocidade.

Na calma e na paz construo um sim gigantesco, de entregas e mãos abertas, de abraços recebidos mais que dados. Com humildade na minha inteligência e descoberta dos desejos mais bonitos da existência.

E faço castelos de chegada e partida, sempre abertos e em festa. Com lume aceso e mesas preparadas para o banquete.

Como Maria, que num sim mudou a sua vida e a Vida dos homens. E a minha própria Vida. O Advento é o tempo da construção mais bonita dos meus passos e da minha espera. O tempo do Sim e da fidelidade, o tempo do abraço que me espera desde sempre.

08 dezembro 2006

Roma

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Hoje escrevo sobre a cidade que me acolhe. Onde vou chegando cada vez mais dentro. Passo pelas ruas cheias de pessoas de todo o mundo. O ruído dos carros, das vozes, das motas... uma Vida em movimento constante, dia e noite.

Viver e morar numa cidade de catálogo turístico tem uma beleza especial. Por saber que não se passam aqui apenas alguns dias de sonho, mas alguns anos que vão contruindo o meu sonho.

E sinto-me diminuto nos milhares de anos destas pedras, pisadas por imperadores e soldados, peregerinos de todos os tempos, por Pedro, Paulo, Inácio de Loiola, Xavier... Sinto-me esmagado com a força da história dos homens, que aqui conheceu tanto do que hoje é. Um antigo centro de um Império, hoje o centro da Igreja a que sou chamado. Tremenda na sua grandeza.

E a luz cada vez mais impossível, uma cidade que todos os dias é ouro, prata, diamante, pedras preciosas, espelho... Que até dói de tanta beleza!

Chegar a esta Cidade para aqui ficar é um dom, um privilégio que agradeço constantemente. Porque passa por mim de forma inexplicável toda uma Vida passada, que me faz viver um presente cada vez mais intenso e entregue.

07 dezembro 2006

O meu espelho

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Não fujo à minha imagem. Porque gosto dela assim.

Fazemos tantas coisas pelos outros, quando somos movidos por grandes ideais, ou mesmo pelos laços naturais que se vão criando entre nós. Sabemos ser verdadeiramente amigos, quando somos criativos numa amizade e descobrimos o tanto que podemos fazer na vida uns dos outros. Isso é muito especial.

Os outros são sempre espelho daquilo que somos e fazemos e a qualidade e verdade das nossas relações dependem de como encaramos o nosso próprio modo de estar perante a Vida. O coração exprime-se como é, quando não há defesas nem barreiras à nossa autenticidade.

Cultivar a minha liberdade leva-me a poder olhar para mim mesmo a partir do que faço. E vou percebendo que o que faço parte do que sou. E se faço coisas bonitas, é porque tenho algo de bonito.

E dou tempo a mim mesmo, para me olhar e admirar. Sem vaidade, mas também sem falsa modéstia. Amo o que sou, gosto de me olhar, gosto de me ter como o meu maior amigo. Se todos os dias tiver um gesto criativo comigo mesmo, é impossível não ser melhor pessoa. =)

06 dezembro 2006

Estupefacto

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Alguns dias é mais complicado lidar com os limites. Primeiro os meus, por aquilo que, por mais que pense e me esforce, não consigo atingir na plenitude que desejo. Caminho para lá, e só o desejo de olhar para a meta me leva como essa mão invísivel que sabe melhor que eu mesmo para que coisas sou criado.

Há depois estes limites da rua. Aqui por Roma é tão comum ver imagens de crianças assim. E não se pode fazer muito, nem sequer entendo o seu mundo, o que está por detrás das histórias familiares. E depois, mais fundo, o que está por detrás da História da Humanidade, perfeita e criada para ser plena no Amor. Mas à nossa volta tudo parece ser tão impossível...

Estes olhos que contemplo, como tantos outros, de todos os dias, são verdadeiramente os olhos de Deus que vem até nós, e que celebramos neste tempo de Advento. Mas parece tão fácil este discurso... Porque é que preparo uma Vi(n)da que salvará tudo, quando, depois do Natal, não vou deixar de ser confrontado com os mesmos olhares?

Acredito que seja um convite à minha não-tentativa-de-tentar-perceber. À minha humildade. No fundo, existe o mistério de Deus, nascido, morto e ressuscitado por mim. Apesar de tudo. Estes olhares são o mistério mais profundo de Deus-no-mundo. Apesar de tudo.

05 dezembro 2006

Procuro

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No fim da tarde. Quando a luz é mais do que cor e se vai transformando nos passos que regressam a casa. Ainda não há luzes na rua, só trago comigo os quadros pintados ao longo do dia, distraídos nos mil pensamentos de um coração que precisa descansar.

Abro a porta e não me atrevo a entrar. As escadas da porta são o trono, o chão, o tapete mágico... de onde vejo o mundo e o que a vida me fez. Um mundo no qual viajo e não consigo trazer a mim, foge-me em cada porta que atravesso, tento levar-me no desejo inexprimível de voar sem fim e sem destino.

Ficaria eternamente nesta espera de perceber o meu destino, de saber porque entro e saio das casas. De perceber o que procuro quando paro e quando penso que sei voar. Quando acredito que já soube voar.

Acende-se a luz dos candeeiros. E volto ao mundo das portas, das casas e das cadeiras confortáveis. Acabei de passar pelo Mundo Antigo, aquele Eterno que me sonhou desde sempre. E existo... persisto... resisto... consisto neste Amor que me criou.

04 dezembro 2006

Luz

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Encanto-me com a luz. Sem olhar a mais nada do que maravilhar-me com este poder indecifrável de tornar visíveis a meus olhos todas as coisas.

Se há algo que está ligado com a minha própria percepção dos acontecimentos da Vida, esse algo é a luz. Às vezes tão suave e encantadora que não se pode fazer mais nada que contemplá-la. Outras vezes tão esclarecedora, de me apresentar diante dos meus próprios mistérios. Não se vêem corações e rostos às escuras.

E todos os momentos são iluminados, às vezes de forma tão dolorosa, mas a luz é verdadeira. Se há algo que une o bem e o mal, é a luz que permite ter este mesmo olhar. Para mim, gosto desta luz que abraça o bem e o mal, para fazer de tudo um só Bem.

E há pessoas que me falam desta luz. Que são para elas mesmas, que me permitem sê-la para elas, que são também para mim. Porque me descobrem em coisas tão essenciais, em que se fica sem defesas e só no desejo de ser mais verdadeiro.

O Amor de Deus na vida das pessoas tem algo a ver com isto.

02 dezembro 2006

O Bem e o Mal

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Às vezes é mesmo um cansaço... fazemos uma opção clara pelo Bem, aquilo que de bom queremos para nós e para os de quem gostamos. E somos craitivos nos modos de amar, vamo-nos realizando como pessoas entregues a coisas muito positivas da Vida.

Apesar de não chegarmos a tudo e a todos. É um facto que o mundo continua a girar, apesar dos nossos esforços, às vezes pensados tão pequenos e inúteis. No fundo, é o suficiente para mudar qualquer coisa à minha volta. Mas não chega.

Apesar de não querermos ver para além da Beleza. Há pessoas que, de facto, não vale a pena, não iriam perceber o meu amor. E aquelas que não gostam de mim, não aceitariam nenhum dos meus tesouros. Sou bom para quem gosta de mim. Mas não chega.

Apesar de não querermos ver o bem para além do estar, e gostar de estar bem, reunir com o suor do rosto aquilo que mereço por ter feito por isso. Mas não chega.

E continuo cegamente agarrado ao bem... Mas não chega. Porque é que me custa ver algum tipo de mal nos limites do meu bem? Porque é que sinto esta atracção irresistível a querer atingir um Bem maior que o meu? Porque é que nunca digo que já é suficiente?

O Bem transcende-nos completamente. Ser fiel ao meu Bem só me faz querer sair da minha casa quente e aconchegada e abrir a porta, enfrentar o vento e a chuva. Se conseguir sair de casa, acho que quer dizer que o meu Bem é verdadeiro.

01 dezembro 2006

Escrita

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Encontrei um livro de frases soltas. Sem nexo aparente, algumas frases sublimes, outras incompreensíveis, outras apenas se resumiam a uma palavra. Umas tinham datas precisas, e outras parecia que permaneciam durante semanas... e até meses.

Não foi preciso pensar nem investigar muito, era a história de uma Vida. Também a minha própria história.

Passar para o papel as impressões digitais da Vida, para que nunca se apaguem, para que sejam públicas a meus olhos e aos olhos de quem as puder vir a ler. São sempre palavras de terra, pedra, mar, nuvens e sol. Tocadas com abraço, com lágrimas ou simplesmente deixadas no abandono de não darem nehuma resposta.

Escrever é para mim o mistério de deixar marcado o instinto de perceber a minha Viagem mais profunda. Percebo o que me move, o caminho que quero fazer, e vivo nesta certeza insegura de não saber o que amanhã será escrito na página seguinte. Não interessa muito.

Daqui a um tempo, a muito tempo, saberei ler o que escrevi, daquilo que a Vida me fez e foi ensinando. E é isso que me faz pensar que nada é banal, quando se exprime em profundidade.

29 novembro 2006

Através dos olhos

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Tive ontem uma das conversas mais bonitas dos últimos tempos. Com uma pessoa com quem não falava há bastante tempo e que por acaso, no meio de sabermos como estávamos, fomos recuando a tempos de uma partilha muito especial.

E ver depois de tudo o que somos agora e como nos tocámos mais do que supúnhamos. Foi ter a noção clara que ajudamos tanto mais quanto aquilo que fazemos e dizemos aos outros nos fazem sair de nós mesmos.

E das coisas profundas e com sentido que às vezes digo, tenho a certeza que as digo a mim mesmo. É comprometer-me a fundo naquilo que expresso. E depois descubro um único lugar de encontro, que é tão frágil, mas que constrói Vidas de força.

E sinto-me pequeno naquilo que faço, não sei ser boa pessoa sem os outros... são como o nosso próprio espelho, e recebo tantas mais lições de entrega e optimismo que aquelas que algum dia poderei dar.

É um olhar para além das distâncias, que é previligiado no face a face, mas vive-se verdadeiramente e para sempre naquilo que dois corações sabem que foi decisivo. E sempre sem fazer demasiadas perguntas....

28 novembro 2006

Trouxe refresco!

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É tão bom estar ao sol! =)


Fotografia e título de Pedro Moreira.

Quando não houver mais nada

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O que fica no fim de tudo? E, afinal, o que é o fim de tudo?

Será o fim da minha história, não o fim dos meus dias. Talvez exactamente o contrário. Que o posso ver hoje, sim, é possível, e não me assustou. Apesar de não ser confortável ver-me aqui parado e sozinho a olhar para cada uma das minhas mãos. Uma tem o medo, outra a confiança.

No fim de tudo, é o medo de perder aquilo que fui, aquilo que fiz e aquilo que tive. Ainda por cima porque são coisas muito importantes, verdadeiros dons do céu. Atira fora o medo.

Olho a outra mão. No fim de tudo, a confiança de que não sei o que foi feito dos meus tesouros. Nunca me pertenceram. A confiança é o chão que pisam os meus pés. Aquilo que verdadeiramente é o meu sustento. O que não me deixa deixar de ver. Abro a mão. A confiança cai como uma pedra na água. Fez-se o mar.

Dei um passo.

27 novembro 2006

Marcas

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Definitivamente, não fomos feitos para viver sozinhos. Desde que somos sonhados para a Vida, desde que nascemos, enquanto crescemos, temos sempre junto a nós pessoas que nos ajudam a ser aquilo que somos hoje.

E da minha experiência pessoal, não posso negar que sou aquilo que as pessoas com quem vivi fizeram de mim, os meus pais, especialmente.

Depois, chega a altura em que o facto de tomarmos a nossa Vida nas mãos, nos faz responsáveis por nós mesmos, ao cumprir de alma e coração o sonho que acreditamos ser o nosso.

E pouco a pouco surgem pessoas, mais novas e mais velhas, a quem o nosso sonho e a nossa Vida não são indiferentes. Antes pelo contrário, temos a noção de estarmos a ajudar a construir o sonho de alguém. Às vezes de uma forma que nos ultrapassa. Como jesuíta sinto isso de uma forma particular.

E encho o meu coração de Deus para o poder dar, sem me querer dar a mim mesmo. Livre e completo. E quanto mais entrego a minha experiência de Deus aos outros, mais sinto que sou eu, no fundo, que me dou... por ser mais d'Ele.

26 novembro 2006

O Momento

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É um exercício tão simples, mas tão difícil de ir percebendo o que é realmente. Sobretudo o que pode vir a ser e onde pode levar.

Nos últimos tempos tenho feito o exercício de tomar em cada dia um momento e fazer dele algo. O que se pede da minha parte é um pouco de atenção e algum tempo para o amadurecer. Podem ser tantas coisas, que acontecem a partir de uma frase que se ouviu, de um rosto que passou por nós na rua, de algo bonito que fiz ou senti. De algo até que me fez sofrer. E reter esse momento como uma fotografia, para a ver depois, mais tarde, no coração.

No fundo o olhar que descobre é o mesmo que é capaz de amar o que descobriu. É um mistério de pegar num momento da Vida e transformá-lo em existência plena, que vai do mais fundo ao mais pleno, do mais sensível ao mais eterno.

É deixar que o coração leve este momento a uma entrega ao plano de Deus para nós. Somente deixar que a Vida seja amada. E o que acontece não se percebe nos nossos sentidos, só se sabe que é esta mesma força que nos vai modificando e santificando. E os momentos multiplicam-se, até chegarem a ser a totalidade da Vida.

24 novembro 2006

Tesouros

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Fazer uma viagem dentro de nós mesmos é um mundo de descobertas.
Passear tranquilamente pelo nosso coração, fazendo perguntas a quem passa por nós, maravilhando-nos com os quadros do passado, descansando em tantos lugares de abrigo, onde sempre existem fontes de água fresca, sobretudo quando os nossos passos estão cansados.

Existem dentro de nós tantos caminhos percorridos, alguns tão difíceis, que parece impossível que um dia fomos capazes de passar por eles, autênticos desertos.

O que mais me maravilha é uma infinidade de caminhos dos quais não se vê o fim, tantos e tão diversos. Uns que nos levam para o fundo da nossa terra, outros que se perdem longe no céu. E há uns que parecem tão bonitos e tão fáceis e outros que me chamam irresistivelmente a percorre-los, esses mais desanimadores à partida.

Fazer uma história dos meus caminhos é perceber que os mais bonitos não são necessariamente os que levam as grandes paisagens da Vida. E alguns de tão áridos que foram, acabaram por ser a chegada aos locais mais importantes dentro de mim, os verdadeiros tesouros meus.

23 novembro 2006

Ressurreição

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"Alguém me sorri, do balcão corrido, alguém que me faz sentir:
Que há lugares que são pequenos abrigos para onde podemos sempre fugir".


Entrei no meu lugar de todos os dias, o espaço das visões passadas, das contemplações agitadas de ventos trocados, mas de olhares serenos em metas sonhadas e já feitas em caminho.

E não foi preciso ir muito longe para além do mais fundo, de não me procurar nas paisagens onde me pudesse perder, mas de me deixar cair de braços abandonados em cima do colchão e ficar ali, quieto, a ouvir bater o coração. E sentir-me só, sem a percepção de nada para além de uma vitalidade que está presa a limites tão frágeis para quem tem a coragem de romper com dor as ilusões coloridas e seguras.

E no fim, ao entrar no meu lugar de todos os dias, cansado, mas desejoso, deixar que lágrimas felizes fizessem brilhar os meus olhos. Para ver através delas Quem me olhava. Está Vivo!

21 novembro 2006

Fragilidade segura

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Na comunidade onde vivi o ano passado, havia uma jarra de água com um formato muito estranho. Quase sem sítio para se pegar, que parecia que a qualquer momento se iria romper. O que era um facto, é que já durava há mais de dois anos. E interrogavamo-nos como era possível!?

E cheguei à conclusão que pelo facto de ser assim tão frágil, sempre pegava nela com todo o cuidado, enquanto a enchia de água ou a lavava.

No meio de todas as nossas grandezas de alma, temos sempre a noção que nos acompanha uma fragilidade grande, que às vezes parece partir-nos por dentro e tudo o que foi sendo construido e arrumado corre o risco de se perder.

Estou convencido que a nossa fragilidade é aquilo que nos faz maiores. Porque nos é dedicada uma atenção especial, somos levados com carinho, preservados neste desejo de servir a Vida com todas as nossas forças. O que podemos fazer é a nossa força. E o até onde podemos levar a força na fragilidade está nas mãos de quem nos leva.

E essas mãos sabem bem de que somos feitos e para que fomos feitos.

20 novembro 2006

Casal Estátua

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É preciso estar na vida de uma forma muito diferente! Passar por uma das avenidas de Roma, cheia de pessoas, com o risco permanente de ser atropelado por mapas da Cidade que passeiam abertos à frente de olhos encantados. E ao longe, uma pessoa-cor. Dourada. A puxar um carro com caixas e flores de papel. Douradas. Pintado dos pés à cabeça! Ia para o seu trabalho, como tantas pessoas na mesma rua.

Não é normal encontrar alguém assim, mas fiquei a pensar em quantas almas coloridas estariam a passar por ali também! Reconheço-me como uma delas, com cores bonitas.

Quando regressei pela mesma rua, mais de uma hora depois, o homem-ouro já não andava, e nem estava sozinho! Era agora uma estátua, acompanhado por uma senhora da mesma cor, e oferecia-lhe uma flor, de ouro apaixonado.

Já soube o que é estar apaixonado por alguém. Mas nunca soube o que é querer viver um sonho para uma Vida dois a dois. O que é algo a que não me sinto chamado. Só tenho a experiencia de pessoas grandes que o vivem há muito tempo e de tantas outras que sonham verdadeiramente com isso.

É um mistério difícil de tocar, o que é partilhar tudo até ao fim? Quando os dois forem uma só alma e uma só carne. É algo tão consolador e grande, pensar que o Amor tem no mesmo gesto o esquecimento e a entrega, e que o Sonho não é nem de um nem do outro. Não é só uma vida nova, é uma só vida nova.

Felicidades a quem sonha juntamente =)

19 novembro 2006

À tua espera (oração)

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Porque às vezes custa tanto acreditar que há sempre um lugar de abrigo, onde o tempo se encontra a deixá-lo passar no seu ritmo. E a espera torna-se sentido e comunhão. De quem nunca se perdeu, porque sempre preparou o nosso lugar. E da melhor maneira possível.

Uma imagem como essa cresce o desejo de estar simplesmente, olhar e deixar-se olhar, ouvir e deixar-se ouvir, tocar e deixar-se ser tocado.

18 novembro 2006

Outono

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O Outono é a despedida mais bonita. Como se a Natureza resolvesse dizer um até já e deixar um presente. Despede-se em cada dia de sol quente e céu frio, com o calor do Verão ainda impresso nas folhas caídas.

E estas cores lembram o aconchego e a presença de uma luz acolhedora que nos vais preparando para uma ausência fria, mas branca como a neve. Até que as flores tímidas aparecem a dizer olá! e vão plantando alegrias pequenas nas nossas paisagens.

Uma despedida adivinha um tempo de distância, mas deixa as marcas do que se viveu. E um tempo mais tarde, aparecem as mesmas sementes mais desenvolvidas e esperadas, e acompanha-nos de novo um sol onde se percorrem planícies ainda há pouco desertas e que oferecem agora espigas para serem tocadas nas palmas das mãos. E levadas pelo coração até onde for possível, que é sempre muito longe, para quem gosta da cor.

16 novembro 2006

Sereno

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Não querer ter pressas. Quando tudo à nossa volta parece querer ser para ontem, e quando os nossos desejos nos parecem longe ainda de serem concretizados. Vivemos nesta tensão entre o querer e o esperar.

Porque é bom querer e desejar, no fundo é que nos faz avançar, sobretudo quando temos metas claras do que queremos para nós. Mas é também uma fonte de instatisfação e impaciência, é difícil esperar os momentos em que tudo será perfeito!

Até lá, vivo na serenidade. De uma busca abraçada pelo sonho, dos sinais de que as coisas vão sendo diferentes e melhores, mesmo sem saber porquê. Desconfio e acredito que é uma força amorosa e paciente que nos vai enchendo ao seu ritmo.

Amo o ritmo da minha espera. E isso é serenidade. E é tão bonito perceber isto como uma meta, que não se consegue por querer, mas consegue-se por ter sido dado, assim, tão simplesmente, tão próprio das grandes surpresas escondidas.

15 novembro 2006

A Vida

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Hoje alguém mais velho da minha comunidade me dizia: "Eu já vi o que a tinha para viver durante todos estes anos! E com o que vejo estou muito feliz! Tu ainda tens tudo para ver..."

E vejo tantas coisas... hoje memórias e promessas.

Memórias que se fizeram de conquistas e opções, e outras, a maior parte, de deixar acontecer. Quantas coisas na vida, às vezes as mais significativas, não dependem de nós. As oportunidades levam a agir e a optar. E as minhas opções e acções fazem-me o que sou hoje. Sempre optei por me sentir conduzido, e continuo a optar por me deixar conduzir. Porque este sonho de ser grande e feliz depende de mim em tão poucas coisas...

E hoje vivo sobretudo as promessas... de acreditar em mim, e num destino infinito e pleno. Que não o descubro todos os dias, mas que se pode intuir a partir de uma visão do coração cada vez mais honesta comigo e cada vez mais simples no toque. Quero tanto ser uma atitude pessoal de agradecer e confiar!

Um sonho infinito de Deus para mim... a Vida!

14 novembro 2006

Avó Emília

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Hoje lembrei-me da minha avó Emília, que já está no Céu. O último contacto que tive com ela foi o seu postalinho de aniversário, a dar-me os parabéns pelos meus 16 anos, quando eu fazia 17! =) Morreu poucos dias depois...

É a pessoa mais próxima a quem posso pedir ajuda quando preciso. Sempre a recordo viva, faladora, comprometida em tudo o que fazia. Tão simples no seu modo de ser, tão grande no acolher quando íamos visitá-la pelo menos uma vez por mês à sua casa, perto da Covilhã. E a alegria que ela tinha por eu querer ser padre. Nunca me viu como Jesuíta, agora sinto-a como fazendo parte da minha vocação.

E isto faz-me pensar e rezar nas ausências da minha vida. E de como se pode ir vivendo com a dor e a saudade de não termos quem amamos sempre ao nosso lado. As que já partiram e as que ainda cá estão e que vamos deixando de ter contacto. E não é de todo uma experiência triste.


É olhar para um céu bonito e perceber que memórias não são coisas perdidas, são lugares de encontro com existências felizes que nos completaram e nos completam eternamente. Olho este céu e alegro-me sem rir, e consolo-me nesta certeza de ser verdadeiramente Amigo, Companheiro, Filho, Irmão e Neto.

13 novembro 2006

Querer Bem

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Quase sempre acontece. Receber na segunda feira de manhã algum mail ou mensagem a desejar uma boa semana. E isto também sucede mesmo em dias normais em que alguém diz tem um bom dia, ou um dia muito feliz!

E é algo assim gratuito, sem querer saber nada, sem perguntar o que se está a fazer. Apenas desejar o bem para alguém que se quer bem.

E fiquei a pensar quantas vezes o gostar de uma pessoa e quere-la bem passa por isto, que é tão pequeno, mas que pode ser tão profundo. Desejar-te bem, que te aconteçam coisas boas, que faças o bem, no fundo, que me alegro com o teu Bem.

Quando já não existem muitas palavras nem possibilidade de demostrar o quanto uma pessoa é importante para nós, alegrar-se com o seu Bem faz-me bem. É uma força de comunhão, vivida em oração, que aqui até nem é tanto de súplica, mas de agradecer e confiar em anticipação a Bondade de cada dia.

Boa semana! =)

11 novembro 2006

Conformismo? ... Nem por isso!

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Há acontecimentos que são tão habituais na nossa vida. E memórias que nos vão levando nos anos, que deixam de nos impressionar como no primeiro momento, mas que trazem sempre as mesmas sensações, vistas com outra experiência.

Esta imagem da bola no telhado é uma das mais recorrentes da minha infância. Uma linda tarde de jogo acabava subitamente num espectáculo de olhar para um telhado, e já farto de atirar pedras a ver se resolvia o problema, até que se fazia noite.

E passam as semanas e o espectáculo desiludido do acessível inacessível permanece. Mas a vida continua, até que uma bola nova e mais bonita faz esquecer a antiga.

E são estas as emoções pequenas da Vida. Particulares de uma existência que se vai afastando do impossível e que se quer centrar cada vez mais em abraços mais completos e mais reais. E horizontes acima dos telhados das casas. Para o Mundo, para um Universo chamado a ser transformado pela criatividade que me foi confiada.

É de alguma maneira participar de uma Criação impossível para as minhas forças, mas capaz de ser verdadeira quando é muito sincera em gestos pequenos de fazer o Bem.

10 novembro 2006

A Bondade

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É um facto do qual cada vez mais estou convencido. Que a Bondade de Coração é a qualidade que mais aprecio nas pessoas.

É como se fosse o chão de onde nasce um abraço que acolhe o mundo e as outras pessoas, que faz possível ser humilde, ser simples, ser generoso, ser alegre, apesar das dificuldades.

Por vezes é fácil confundir bondade e ingenuidade. Acho que é porque a Bondade sabe esperar e não retribui o mal com o mal, que está mais pronta a perdoar do que a reagir com amargura.

E mais uma coisa... quem é verdadeiramente bondoso no seu coração sabe que o é. E não se orgulha disso, mas tem a capacidade de o agradecer cada dia. Porque a Bondade não é conquista, é um Dom que se pede e acolhe. É a das marcas mais simples do Amor de Jesus por cada um, e é muito consolador olhar para si mesmo e rever-se nesta Bondade.

08 novembro 2006

Saber Esperar

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São assim coisas pequenas. Estar à tarde com um amigo, sentados nas escadas da fonte da praça do Panteon, como turistas. A comer um gelado ao sol de Novembro.

A falar da vida, de preocupações agarradas por sonhos e desafios futuros, de querer acertar mais com coisas essenciais.

São assim as coisas pequenas, momentos privilegiados de uma Vida que se procura e se encontra na paixão de ser cada vez mais pronto para Ser Tudo.

Esperar é uma sabedoria. Esperar que o coração pouco a pouco se vá arrumando nas memórias e sonhos que um dia o alimentaram. E que as memórias sonhadas vão sendo cada vez mais momentos de agradecer com simplicidade, sem querer complicar muito.

E é assim um tempo de procura e encontro de Paz, de cultivar novos espaços. Espaços esses que nos vêm ao encontro cada dia, com novas partilhas, novos projectos, novas dimensões.

A espera vem sempre associada com a confiança. Deixar-se levar na confiança de um Sonho de Deus para a minha Vida, pouco a pouco, quase sem dar por isso, vai alargando o meu coração para aceitar tudo. É quase imperceptível, mas é a experiência mais completa destes meus últimos dias.

07 novembro 2006

O Menino que queria ser Poeta

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Era sempre o esforço de todos os dias. Fazer cada dia uma coisa nova, procurar ser original, surpreender aqueles que o acompanhavam. E conseguia-o muitas vezes, o que ainda mais o confirmava nesta opção de vida, ser o Sr. Novidade.

O facto é que aos poucos se começou a cansar. Sobretudo quando via que tinha cada vez menos paciência para as coisas pequenas do dia a dia. E quanto mais ia pensando nisso, menos energia tinha quando se levantava de manhã da cama. E a fonte da criatividade começava a secar, pensava ele, nos momentos inspiradores de pôr do sol ou de lua cheia.

Estava a deixar de ser menino e queria ser poeta. E tinha toda a sensibilidade para isso, papéis de paisagens coloridas e memórias de desenhos tão completos. E uma caneta de inspiração que o podia fazer escrever as linhas mais belas da literatura mundial.

Faltava-lhe só a força para olhar as suas mãos e perceber o que podia fazer com elas. E as mãos não se perdiam em papéis, mas pediam-lhe Corações e Vidas.

Foi só uma questão de arrumar a escrivaninha. E sorrir para quem encontrou ao sair da porta de casa. E não foi nada fácil este primeiro passeio ao Mundo Humano. Mas regressou cheio de ideias para o seu próximo livro.

06 novembro 2006

Dar a Vida

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Ainda estou abalado com a notícia que recebi hoje do assassinato de um jesuíta brasileiro, o P. Waldyr e de uma Leiga para o Desenvolvimento, a Idalina, na Missão de Fonte Boa, em Moçambique. E de mais um jesuíta ferido, de Moçambique.

Não consigo dizer nem pensar muitas coisas... deixar sentir a revolta pela injustiça, de não perceber o sentido destes acontecimentos. O facto é que não os conheci, mas sinto a sua morte como a perda de alguém muito querido. Porque partilho com eles o mesmo sonho e o mesmo desejo de entregar a Vida a Jesus.

E é tão fácil ter discursos bonitos sobre dar a Vida, até ao momento em que nos sentimos pequenos perante os limites, que nos tiram a existencia em situações extremas. Que nunca chegam a ser verdadeiramente queridas nem desejadas... mas que acontecem, de forma que nos tiram o alento e nos deixam sem reacção possível...

E olho para mim, para os meus desejos de ser mais de Jesus, de dar a Vida Toda. E como sou pequeno na minha oferta, em como digo com gestos, pensamentos e palavras, tantos nãos.

Há uma frase que diz: "Sangue de mártires é semente de cristãos". São duas vidas que vejo dadas assim, e que todos preferiamos que não fossem. Mas agora são caminhos e intercessões para ser mais Crist(ã)o, mais igual a Jesus, menos preocupado com o meu mundo pequeno e os meus nãos ridículos, e a pedir a força de ser Mais.

Mesmo sem perceber, olhar as minhas mãos e perguntar-me se posso tocar tudo o que a Vida mais completa me pede.

05 novembro 2006

Razões para a felicidade

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Ontem tive uma conversa com um amigo pela internet, com o qual não falava há algum tempo. E deixou-me muito consolado. Por duas coisas: que os laços profundos não se perdem na distância e no tempo, porque o que se construiu, mesmo sem se dar por isso, mantem-se sempre, quando as relações nascem a partir da relação com Jesus. E senti essas marcas...

E porque lhe fui contando o que tenho feito e como tenho vivido. Foi assim uma espécie de repassar as consolações. E no fim tinha uma lista enorme de coisas tão bonitas para partilhar. A maior parte delas são as coisas do quotidiano, que tem a sua novidade, mas que são oportunidades tão preciosas de amar e ser amado, todos-os-dias.

Acho que não é de todo impossível termos em cada dia mais coisas a agradecer do que a pedir perdão. A questão está em olhar para elas. É inevitável que os pequenos - e também grandes - desassossegos nos perturbem... Mas se não me deixar limitar o olhar, se olhar para a planície mais preferida que encontro, quando quero, nas paisagens da alma, e agradeço.

E se quiser, não posso fugir a ser feliz todos os dias. Como o sou hoje.

03 novembro 2006

Limits are options

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Não foi assim num contexto muito profundo que ouvi esta frase. Mas faz pensar.

Limites são opções. E quando vivemos o limite, é quando nos sentimos mais movidos a optar. E não é nada fácil algumas vezes.

Querer superar o limite é sempre um instinto de vida, às vezes quase de sobrevivência. Mas é um terreno tão escorregadio. O querer sair depressa demais do limite, pode fazer-nos tomar opções de modo precipitado e acabamos por nos (des)iludir e constrir novos limites. Ou tomamos opções que não têm tanto a ver com outras opções fundamentais tomadas em momentos anteriores.

Tenho visto que na minha vida a grande opção perante o limite é parar... olhar e escutar. Tomar consciência dos traços deste desenho, de como se chegou aqui. E seguir a inspiração daquilo que me leva a ser consequente com o que quero para a minha felicidade.

O limite parece um obstáculo a ser feliz. Talvez seja mais uma oportunidade de confirmar as minhas escolhas. Aí um verdadeiro limite, por maior que seja, não me deve levar ao desespero, mas sim a querer ser mais firme. Isso exige calma e paciência... mais que isso, exige amor à Vida.

02 novembro 2006

Além de tudo

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Tens a atitude saudável perante a vida! =)





03 - singin'in in the rain
03 - singin'in in ...
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01 novembro 2006

Santidade

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O mês de Novembro é o meu preferido. É o mês do Outono, em que começa o frio, mas que é cheio de cor e luz. Também faço anos este mês. Inspira-me coisas bonitas.

Lembro-me sobretudo dos meus dias preferidos, de muito frio e o céu completamente azul. Em que se agradece cada raio de sol, em que todas as viagens são momentos de contemplação, olhando pela janela e vendo passar paisagens de árvores, campos e casas que transmitem aconchego.

E há uma paisagem acima de tudo. Em que se percorre a planície e se toca a cor com alegria. Os sentidos e o coração completam-se com o que rodeia cada passo que dou.

Viver este caminho completo da Vida é ir percebendo pouco a pouco que a santidade é possível. Que tudo parte de uma possibilidade que nos é oferecida cada dia, de viver em comunhão com os ideais sonhados para nós desde sempre. Que a atitude mais coerente é a alegria profunda, a humildade de amar e ser amado, a capacidade de agradecer cada coisa que acontece.

E fazer da Vida uma oferta tão simples como inconcebível, vivida na fidelidade de cada dia, num abraço ao Mundo até sempre.

31 outubro 2006

Silêncio?

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Será que temos sempre mais medo do silêncio quanto mais pensamos na sua necessidade? Tenho estado a pensar nisso estes dias, também a partir de alguma conversas. Que é tão fácil dizer que é tão importante parar, nem que fosse quinze minutos por dia... que estava mesmo agora a precisar de um retiro...

O silêncio é um espaço de encontro muito fundamental. E talvez o desejo de que esse momento seja total e possa mudar coisas na nossa vida, nos faça perder o tempo. Porque o coração tem de estar preparado, tenho que saber que coisas devo pensar, que objectivos estabeleço para estes momentos.

E assim vão passando as horas, esperando pelo sopro e pela inspiração de que agora é o momento.

E não me dou conta de que não sou dono do meu silêncio, quando deixo que o deserto seja o meu lugar e que seja ele a falar e não eu. Isso deixa-me sozinho, ao sol e à chuva, dependente do que vier a acontecer. Sentir-me pequeno por ter a possibilidade de ser chamado a coisas tão grandes, talvez por não querer ter capacidade para elas!?

Mas o desejo do deserto já é a certeza de que Alguém ali me espera. Ao encontrá-lo, não poderei fazer muito mais que ficar sentado e escutar....

29 outubro 2006

Ante(s)ver

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Bem... acabei de torcer o pé no jogo de futebol... Espero que não tenha acabado a minha época, mas não me parece ser muito sério...

E regressei ao quarto a coxear, mais triste com o facto de ter deixado o jogo que preocupado com o que se passa no tornozelo... Ainda são as minhas coisas de criança, gosto de jogar à bola.

E ser obrigado pelas circunstancias a fazer o que não apetece é uma boa lição. Depois de descansar um pouco, ver que hoje devo ter uma noite mais calminha, ir ao cinema, ter algumas boas conversas.

Deixar pressentir os Mistérios da Vida, o que se me oferece de forma tão gratuita e tão pacífica. Nunca pedi para ver um por do sol bonito, só me coube a admiração e a consolação de me ter sido dada essa visão.

Por isso, hoje, sinto-me tão chamado, amorosamente chamado, a antever, ver antes que aconteça o Mistério. Sem perder a surpresa, não deixar de ter o coração vestido para o que vier. Às vezes, tempos vazios... quase sempre completos... mas sempre capazes de plenitude.

28 outubro 2006

Desde o alto

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O tempo de Outono aqui em Roma é qualquer coisa indescritível. Ontem tive a oportunidade de contemplar duas paisagens. O nascer do sol e a luz dourada sobre edifícios e monumentos e, à tarde, o mar.

São os grandes acontecimentos do tempo que envolvem o nosso espaço e os nossos passos quotidianos. E temos tantas vezes o previlégio de perceber a grandiosidade do que nos cerca, quando temos a coragem de olhar para além do comum e deixar-se levar e surpreender por coisas tão presentes como inacessíveis.

Apenas pressentir palavras trazidas pelo vento aos nossos desejos mais profundos.

E ouvir aquela voz, que Alguém me diz e que me chama a dizer a outros:

"És precioso. Olho-te do alto, para as tuas grandezas. Para aquilo que és e que ninguém pode ser por ti. Contemplo-te na força de poder mudar coisas em ti e poder chegar a criar um mundo cheio das tuas cores e dos teus sons, onde os teus laços não prendem, mas aconchegam, onde os teus sonhos não te isolam, mas te comprometem. Onde a tua beleza brilha mais que as estrelas do céu."

26 outubro 2006

Caminho autêntico

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Conhecer-me a mim mesmo. Sempre se diz que é muito importante e que não é fácil. Mais, diz-se que até pode ser um caminho às vezes doloroso. Porque entrar dentro de si é também estar face a face com coisas que nos incomodam. Os erros sempre repetidos e sempre conhecidos. E ver que tudo vai tendo uma razão de ser, que faz parte de nós, e devemos ir-nos aperfeiçoando.

E isto é verdade. Mas tantas vezes me esqueço que o ponto de partida tem de ser outro. O primeiro olhar sobre mim mesmo tem de ser um olhar de misericórdia e simplicidade. É verdade que nos complicamos tanto tantas vezes. Porque quero ser melhor a partir do que ainda não tenho... mas que espero vir a ter.

Sem perder o horizonte de um futuro positivo, tenho sentido que a minha maior coragem é olhar-me com simplicidade. De estar ligado à terra que sou. De me descalçar e fazer caminho. Estar descalço diante do meu mistério é muito bonito... e pressentir um Mistério profundo, sagrado e amado acima de tudo.

Quando se toca com os pés no nosso chão e se fica feliz com o terreno que pisamos, então, o caminho para coisas maiores não é uma viagem tão difícil, é mais uma consequência do que se é no mais fundo. E o que somos no mais fundo é inacreditavelmente bonito... e tantas pessoas já nos disseram isso e custa-nos mesmo assim aceitá-lo! =)
 

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