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05 junho 2009

Vento

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Perguntaram-me no outro dia qual era uma das minhas metáforas preferidas. É difícil, porque normalmente associo imagens a estados de espírito, que mudam consoante o humor e aquilo que tenho presente no momento. Mas creio que uma das mais constantes é o vento.


O vento é mistério, alívio, e originalidade. É algo que passa sem tomar conta de nada. Esquece-se rapidamente. É um momento de toque da Natureza. Para mim tem um significado de recordações. Um vente quente do fim da tarde traz o calor do dia e sua história. Que passou por mim, fez-me e continuou.


O vento traz-me lembranças e desafia-me a ser livre e despojado. Muitas vezes trazemos aos ombros coisas tão pesadas que nunca levaríamos para encontros fundamentais. No encontro connosco mesmo, o vento purifica, torna mais ligeiro, olha mais para o futuro que para o presente. Perde e encontra ao mesmo tempo, porque pôe cada coisa no seu lugar certo.

03 janeiro 2009

Ondas

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Hoje senti falta de ver o mar... lembrei-me do verão, do som húmido das ondas. O que mais me conforta no mar é o seu ritmo, a diversidade e a sua perseverança. O mar sempre foi um mistério, esconde mais do que mostra, é demasiado grande para caber num simples horizonte. É sempre o mesmo elemento, água verde, azul, turva, mas sempre novo, calmo, agitado.


Será esta a característica que gostaria de ter? De ser imenso e espelhar o céu, de poder mostrar mistérios escondidos, ser caminho para viagens longínquas? Somos pequenos, e ao mesmo tempo capazes de tanto.


Não há duas ondas iguais, nem ondas paradas. O que faz parte do mar é o movimento e a originalidade. Que molha os meus pés parados na areia, mas leva-me ao mesmo tempo com ele... quase como um regresso à calma do mistério e uma partida para a novidade da Vida.







PS: Proponho esta música "Le onde", de Ludovico Einaudi. E ver-me reflectido neste espelho. Boa viagem =)

28 novembro 2008

Dias de chuva

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Hoje está um daqueles dias de chuva, chá e cobertor... há sempre uma interioridade própria do tempo que vivemos. A chuva pode ser desconforto se estamos fora de casa, mas não há nada melhor que saborerar o bom que é estar dentro, e fazer do meu tempo uma qualidade oferecida a coisas que não distraem tanto.

Sem chuva não haveria fecundação da terra, faz trabalhar no íntimo, é uma oferta que comunica uma vida escondida. Nós precisamos da chuva como do ar que respiramos. De deixar que ela se faça silêncio e contemplação, adesão total àquilo que sou e sonho de modo completo.

Imagino que estes dias sejam os melhores para escrever e fazer poesia, é muito saudável ocuparmos o espírito com as nossas criatividades, termos tempo para expandir o melhor de nós e ficar acesos numa luz agradecida.

25 outubro 2008

Por entre as cores

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O Outono é fascinante. É a despedida da energia do Verão, o calor forte passa a ser um quentinho agradável, o contraste de cores de ervas, árvores e frutos vai caindo lentamente em ouro e amarelo. É um tempo de início de morte, uma despedida... e por isso será tão bonito?

Os testamentos e últimas palavras são o desejo de presença através das coisas bonitas, que fiquem para sempre... A nossa vida é, no fundo, um desejo enorme de chegar ao fim e ter muito para contar, ou um álbum de fotografias cheias de paisagens incríveis. Quererá isso dizer que, no fundo, acreditamos que podemos conseguir, no fim de tudo, uma bondade fundamental e essencial da Vida?

Queremos o Bem, trabalhamos em Beleza, conseguimos o Gesto que seja mais autêntico nosso. Por entre penas e contrastes, é um desafio enorme acreditar nisto... muda muito na forma como damos qualidade ao que vivemos.

27 junho 2008

Fim de tarde

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O entardecer tem um ambiente de tranquilidade, começam a diminuir os rumores do dia, sabe bem a brisa que corre. Começa uma parte do dia que quase nunca é dedicada a trabalhar, ou a ter de lidar com o relógio. É o tempo de chegar a casa, estar com os amigos, ter a noite por sua conta...

O final de um ano, com a perspectiva das férias, de regressar aos lugares de origem, tem muito deste sabor de sol laranja, em que se respira profundamente e se deseja aproveitar melhor o que se pode viver. Rever caminhos e dias feitos em meses-de-todos-os-dias.

Antes do tempo de estar pacificado, há um gesto de apertar as mãos diante da janela, resumindo e esmagando as sensações perdidas e os lugares que ficam para trás. Começam saudades. É preciso agradecer sempre, sem cessar. Se não, ficamos com tesouros de cristal nas prateleiras da memória, com pó, por não ter cuidado deles. Arrumar, limpar, maravilhar.

09 abril 2008

Contraste

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Quando anoitece em Roma, nestes dias, depois de um dia de sol, o céu fica de um azul forte, muito forte, antes de começar a escurecer. É verdadeiramente estar envolvido num azul intenso, sentado nas escadas da igreja a ver a Cidade regressar a casa, apressada e ruidosa.

Alguém me disse que, de facto, o céu não está assim tão azul. As luzes amarelas das ruas e as cores laranja e vermelho das casas fazem com que haja um contraste grande entre o azul e o amarelo. O azul aparece mais azul e o amarelo fica mais amarelo... Ainda bem que existem contradições e opostos, senão, os meus fins de tarde não seriam mergulhados em ouro e topázio, como uma coroa que envolve o silêncio desta hora.

E fiquei a pensar que tantas vezes seria melhor que tudo fosse linear, que não houvesse motivos de escolhas difíceis... mas é esta a riqueza da Vida... são as escolhas que me levam à busca de ser autêntico e construir-me de forma eterna.E sem contrastes, tudo seria uma pacífica monotonia, bonita, mas monotonia...

07 abril 2008

Mar

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No mar não se fazem muros, nem estradas. Não posso marcar um território só meu e um reino de animais marinhos e algas que me pertençam. No mar só consigo viver na superfície, e ir lá ao fundo é uma aventura que me supera.

O mar tem tanto de assustador como de tranquilizante... é horizonte e é fim. Serve para o atravessar, entre riscos e descobertas. Ir ao fundo do mar é encontrar paisagens que não vejo habitualmente. Fico rodeado de água, na qual não me movo habitualmente.

O mar é livre e quando me recebe, fá-lo totalmente. Não me impede de passar através dele, nem de entrar nele quando quiser. Mas nunca o trago completamente comigo... apenas o ficar molhado e a emoção de ter estado dentro de algo gigante e precioso.

E é este mar eterno que trago comigo, águas criadas pelo espírito de Deus que me levam a entrar em mim, na liberdade, no risco, no encanto, e na Beleza.

01 abril 2008

Dias de sol

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Começou já a primavera, com sol e calor... dias de perfumes intensos e vontade de estar a olhar para fora da janela a completar pormenores interiores que precisam de arranjar o seu lugar melhor.

Quando algo muito grande nos é dado, fica esta oportunidade de sentirmos a pequenez, de tentar dizer em palavras tímidas que não era preciso tanto... tudo porque somos olhados assim, de forma completa e amada.

Pergunto se valerá muito a pena gastarmos pensamentos em pensar que recompensas devemos ter dos nossos esforços e esforçarmo-nos por termos um quadro completo do que sucederá daqui a alguns dias, meses ou anos... Da experiência vamos ganhando a certeza de que as surpresas são mais e maiores do que imaginamos. Se algo de nós pomos nas nossas expectativas, acredito que muito mais deve ser posto no modo de estarmos abertos.

Porque senão, o sol aquece sem nos aquecer e vivemos rodeados de sons e perfumes sem os ouvir e sem os cheirar.

29 janeiro 2008

Enquanto espero o sol

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Gosto de ver as árvores despidas no Inverno... não sei porquê, sinto que são imagem de qualquer coisa de solitário que sempre me acompanha, e com a qual não é possível deixar de viver.

Porque se a coisa de que mais temos medo é de ficar sós, também é verdade que não há experiência mais completa que aquela de viver uma solidão preenchida. E há tantos modos de fugir a nós mesmos, enchendo agendas de compromissos mais ou menos úteis, ou procurando relações que acabam por nos dispersar.

Um coração que sabe habitar a sua solidão como espaço de encontro feliz, não se perturba se tiver dias em que não acontece nada de espacial... porque saboreia uma amizade contínua. E depois, o que acontece no mundo das amizades parte de algo feliz, porque os amigos não servem para preencher os espaços que me pertencem. Pelo contrário, são as paisagens que me acompanham e me enchem de beleza, enquanto estou ao sol...

10 novembro 2007

Faz frio

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Há muitos motivos pelos quais gosto do mês de Novembro... é o coração do Outono, e uma tarde de sol tem uma luz muito especial, a cor dos dias é diferente.

Olhar à minha volta e perceber aquilo que me é dado em cada dia enche-me de uma alegria enorme. Tenho sorte, muita sorte com aquilo que Deus faz em mim. Se é um dom percebê-lo, maior ainda é vivê-lo.

E hoje está sol e faz muito frio. Apetece estar em espaços quentes que acolham intimidades. É um momento de estar em casa e saborear laços e frutos. E penso tanto em quem não tem a mesma sorte que eu... que sente o frio e não o sol, que não tem casa ou frutos para saborear.

E, no meio do dom, sente-se esta incompleta fragilidade de partilhar mais do que aquilo que existe para todos. E gostaria tanto de chegar a outras intimidades e levar algo do meu calor...

14 maio 2007

Conversas do vento

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Por onde passo, trago qualquer coisa de passageiro. Por não ser visto, e só sentido, trago conforto em dias de calor. Acaricio de modo completo, quando se sai de casa.

Levo para longe, sem levar nada comigo. Transporto esperanças e faço regressar passados felizes. Apareço em sonhos, em que faço bater portas e janelas, indicando uma presença. Entro onde posso, sem estragar nada.

Arrasto os sons da natureza, ao mesmo tempo que dou vida às cores. Como a alma, sinto-me livre. Faço mover os barcos e os moinhos, sou forte no meu descanso. Sei a minha origem, não preciso de mais nada que uma Vida que possa abraçar, infinitamente. Para quê mentir-me e fugir do meu destino?

15 dezembro 2006

Vento

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"Não sabes de onde vem nem para onde vai"

Recordações de uma tarde de chuva, junto ao mar. Nada de comum das paisagens habituais, frio, vento, humidade, sem guarda-chuva. Olhos fechados, o bater das ondas é forte, ajudado pelos gritos das gaivotas. Um mundo de sensações.

Quando o vento é tão forte que o ouvimos passar nos ouvidos continuamente, perdemos o equilíbrio, deixamos de estar com os pés no chão e viajamos para dentro de nós, à procura do nosso lugar de abrigo.

A sensação de desagrado é sensível. Por dentro, a alma procura-se apenas no esforço de não se perder no meio dos ventos.

O vento passa, não sei de onde vem, nem para onde vai. Levou-me para dentro, para o sonho, para a fé, para a vontade de apenas ser.

18 novembro 2006

Outono

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O Outono é a despedida mais bonita. Como se a Natureza resolvesse dizer um até já e deixar um presente. Despede-se em cada dia de sol quente e céu frio, com o calor do Verão ainda impresso nas folhas caídas.

E estas cores lembram o aconchego e a presença de uma luz acolhedora que nos vais preparando para uma ausência fria, mas branca como a neve. Até que as flores tímidas aparecem a dizer olá! e vão plantando alegrias pequenas nas nossas paisagens.

Uma despedida adivinha um tempo de distância, mas deixa as marcas do que se viveu. E um tempo mais tarde, aparecem as mesmas sementes mais desenvolvidas e esperadas, e acompanha-nos de novo um sol onde se percorrem planícies ainda há pouco desertas e que oferecem agora espigas para serem tocadas nas palmas das mãos. E levadas pelo coração até onde for possível, que é sempre muito longe, para quem gosta da cor.

01 novembro 2006

Santidade

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O mês de Novembro é o meu preferido. É o mês do Outono, em que começa o frio, mas que é cheio de cor e luz. Também faço anos este mês. Inspira-me coisas bonitas.

Lembro-me sobretudo dos meus dias preferidos, de muito frio e o céu completamente azul. Em que se agradece cada raio de sol, em que todas as viagens são momentos de contemplação, olhando pela janela e vendo passar paisagens de árvores, campos e casas que transmitem aconchego.

E há uma paisagem acima de tudo. Em que se percorre a planície e se toca a cor com alegria. Os sentidos e o coração completam-se com o que rodeia cada passo que dou.

Viver este caminho completo da Vida é ir percebendo pouco a pouco que a santidade é possível. Que tudo parte de uma possibilidade que nos é oferecida cada dia, de viver em comunhão com os ideais sonhados para nós desde sempre. Que a atitude mais coerente é a alegria profunda, a humildade de amar e ser amado, a capacidade de agradecer cada coisa que acontece.

E fazer da Vida uma oferta tão simples como inconcebível, vivida na fidelidade de cada dia, num abraço ao Mundo até sempre.

06 outubro 2006

Lua

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11.30h da noite, 5 de Outubro.

É tão especial deixar-se levar. Não fazer sequer um esforço de tentar explicar porque é que, diante de mim, está a lua com um dos brilhos mais intensos que vi, e que se reflecte no mar. Ondulante. A luz de um barco ao fundo.

E sentir o vento frio passar-me pela cara e pelo cabelo e vozes alegres de amigos, a falar atrás de mim.

Dizer que esta paisagem é bonita, é talvez um lugar comum. Que tenho sorte em estar ali, é outro lugar comum.

Que me senti vivo, e fazendo parte de uma Vida feita de grandiosos espectáculos comuns e pequenos pormenores que passam pelos sentidos, aí talvez seja diferente.

Que a minha Vida é aquilo que faço com o coração e com as mãos, ao amar e deixar-me ser amado, aí ainda é mais diferente.

Ser-se autêntico como a luz da lua que não faz mais que iluminar o mar. E isso é extremamente bonito.
 

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