Mostrar mensagens com a etiqueta páscoa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta páscoa. Mostrar todas as mensagens

18 abril 2011

Semana Santa

6comentários

Tudo o que tem peso e densidade exige espaço onde ficar e permanecer. Entra sem avisar, impõe-se em dignidade e respeito. Existe, manifesta-se. O mistério não pertence às coisas etéreas ou impossíveis, se não, nem sequer nos levantaria questões, nem precisaríamos de fazer perguntas.

Porque é mistério, não se explica. Mostra-se, permite e obriga a uma espécie de ruptura. É quase incómodo suave e persistente, um esboço do sonho que um dia poderei ver concretizado. Um desejo que começa a ganhar carne.

É significativo que este tempo do mistério apareça numa semana que se chama santa. Porque é próprio de Deus exibir-se de modo fascinante: pão que se parte, mãos que lavam os pés, uma cruz levantada, uma luz a despertar no meio da noite mais escura. O mistério vai acontecendo. O Santo fala de Si mesmo. 

04 abril 2010

Boa Páscoa!

5comentários


"Porque procurais entre os mortos Aquele que está Vivo? Não está aqui, ressuscitou!"


12 abril 2009

Vida Nova

6comentários

Qual é a certeza que temos da ressurreição? Há uns anos atrás, era esta a minha questão principal. Às vezes, é bom pormos em questão as coisas que nos habituamos a acreditar sem nos termos perguntado o porquê. De facto, a ressurreição de Jesus não teve testemunhas, para além do grupo dos discípulos que depois tiveram algumas experiências de O terem visto vivo. Mas isso poderia ter sido qualquer ilusão...



Mas olhando a história simplesmente, dá-se conta que não houve nenhum movimento religioso que, no espaço de 50 anos, se tivesse espalhado por todo o mundo conhecido da altura. O que teria acontecido para que um grupo de homens e mulheres judeus, de baixa condição social, tivessem anunciado que alguém com quem contactaram fisicamente tinha ressuscitado e este era o Filho de Deus? Na mentalidade judaica, isto era impensável. Além disso, este anúncio era feito no meio de perseguições e quase todos os apóstolos morreram mártires por causa disso. Deveria ter sido uma experiência de tal modo forte, que os obrigava a não estar calados, mesmo à custa da própria vida. Esta para mim é uma prova muito grande da ressurreição.



Mas o que isso poderá dizer-me hoje? Faz-me crescer num optimismo sem fim, acreditar que serei feliz e completo, apesar de tudo. A ressurreição não é uma espécie de momento mágico que apaga a dor e a tristeza. O corpo de Jesus ressuscitado tem as marcas da paixão. É toda a nossa história, e a história de cada dia que pode ser hoje, já, transformada em Vida Nova, com criatividade, entrega e desejo de nos superarmos. São estes os sinais mais claros que podemos viver já como ressuscitados.


10 abril 2009

Mistério da paixão

2comentários


É inevitável que esta semana santa, aqui em Itália, esteja marcada pela tragédia que aconteceu no dia 6, em Aquila, Abruzzo. Tenho seguido muito o que vai acontecendo, não tanto por ter sentido o tremor de terra aqui em Roma, que não teve consequências para além do susto normal destas situações, mas por saber que a poucos quilómetros daqui vivem-se momentos de dor e sofrimento muito grandes.


O mistério da morte de Jesus não é, de modo nenhum, um acontecimento longínquo, que celebramos de forma mais ou menos tradicional. É algo que está muito presente em cada dia. Simplesmente, não há explicações para dar nestas alturas. Vive-se um silêncio de incompreensão, de tristeza, de não conseguir perceber o porquê. O que tenho rezado, para além de rezar pelas vítimas deste terremoto, é o modo como Jesus se torna presente.


Acredito num Deus que assumiu a nossa condição humana. Que levou até ao limite a nossa existência. É muito óbvio ver Jesus nos rostos de quem perdeu a família, a casa e todos os seus bens. Jesus morreu abandonado pelos seus amigos, foi despojado da sua dignidade, sofreu um julgamento injusto e uma morte atroz. Porque Ele quis que fosse assim. Para que percebesse e experimentasse na pele os meus pequeninos dramas e os dramas imensos de quem sofre, como estas pessoas de Aquila.


É isto que me fascina mais na minha fé. Um Deus totalmente próximo, que me percebe e acompanha em tudo o que me possa acontecer. Nisto há uma misteriosa fonte de esperança e Vida. Vendo as centenas de voluntários civis, não so os bombeiros ou a protecção civil, que trabalham e escavam, até com as próprias mãos, na tentativa desesperada de ainda encontrar alguém vivo... não é este um sinal de que a Vida e o Amor vence a morte? De como somos capazes de coisas grandiosas e que nos poêm tão fora de nós?

05 abril 2009

Semana Santa

6comentários

Hoje, Domingo de Ramos, começa a semana santa, na qual se celebram os acontecimentos centrais da fé cristã, a morte e a ressurreição de Jesus. É um tempo particular e forte, que tenho sempre a sensação que não vivo com a intensidade que deveria viver. Ao menos, este ano é muito desejo meu que possa ser um tempo de uma interioridade grande e proximidade de um mistério que me diz muito mais do que posso imaginar.


Acompanhar Jesus na dor, na entrega, na morte e na alegria da Vida é fazer uma viagem pelos meus espaços ausentes, onde não sou capaz de encontrar um rumo certo dos desejos que tenho de ser mais santo e mais perfeito. Sinto-me longe disso e quase me assusta tocar a perfeição de Deus, sabendo que isso implica mudar muitas coisas em mim.


Talvez o grande segredo seja um silencioso caminhar através de incompreensões, solidões e derrotas. Aquelas que assombram o nosso presente e o nosso futuro. Viver com isto presente faz tocar a terra na sua dureza e na sua beleza. Mas assim a Vida tem capacidade de ser verdadeiramente transformadora, sem limites, sem medos, sem egoísmos. Desejo muito ter uma Páscoa assim.


Boa Semana Santa!

07 abril 2007

À espera

4comentários

O momento antes de nascer, antes de ouvir o primeiro grito de Vida. O momento antes do primeiro raio de sol, que surge atrás da montanha. O momento em que o maestro levanta os braços, antes da orquestra tocar.

Não há silêncio mais completo que o instante antes daquilo que se espera. Quanto mais se isso for pensado desde sempre. Quanto mais se o que vier transforma radicalmente o mundo e o que somos. Para sempre.

Não deve ser possível imaginar o silêncio do último instante, o preciso momento em que Jesus volta à Vida. O Universo deve ter caído, completo, no contemplar e acolher aquilo que estava a acontecer.

Hoje, nesta noite....

04 abril 2007

Um quase Adeus

1 comentários

Os dias de semana santa são uma espécie de despedida. Pelo menos, para quem conheceu Jesus, foram os dias que mais marcaram a relação entre Ele e os amigos mais próximos.

Não percebiam onde tudo poderia acabar. E foram tendo gestos incompreensíveis... sem perceberem os sinais. Despede-se, parte e dá como memória de Si o pão e o vinho. Lava-lhes os pés.

Seria tanta a vontade de partir como a de ficar? Mas decidiu pelo A-Deus. São estes gestos que, passados dois mil anos, continuam a ser recordados. Não foi, de todo, uma experiência banal para quem a viveu. Arrancou o coração de forma definitiva dos limites da amizade, levou à entrega.

Memórias dos gestos, sinais de Adeus, a eternidade das palavras. São pistas para estes dias =) Boa viagem!

28 março 2007

Sabes o que te fiz?

1 comentários

Não sei... sinceramente é difícil perceber a totalidade daquilo que me ultrapassa. Tenho sentido esta intuição e esta pergunta nos dias antes da Semana Santa.

Olhar para a cruz é o que me move a ser feito. Sem perguntar nada nem querer saber nada, com uma só pergunta... Sabes o que te fiz?

Quando recebemos algo grande de mais, ou não acreditamos, ou não somos capazes de ver tudo. Às vezes por medo ou preguiça de corresponder.

Nas coisas do amor, não se devolve nada. Apenas se pode transformar. Isso é grandioso... Um mistério de alguém que morre por mim, só pode fazer mudanças em mim. Não me deixa indiferente, senão, seria uma pedra, ou um lago de águas paradas... E não quero mesmo ficar com esta ideia de que já tenho tudo e preciso fazer pouco.

Não estaria a responder à pergunta.

23 novembro 2006

Ressurreição

3comentários

"Alguém me sorri, do balcão corrido, alguém que me faz sentir:
Que há lugares que são pequenos abrigos para onde podemos sempre fugir".


Entrei no meu lugar de todos os dias, o espaço das visões passadas, das contemplações agitadas de ventos trocados, mas de olhares serenos em metas sonhadas e já feitas em caminho.

E não foi preciso ir muito longe para além do mais fundo, de não me procurar nas paisagens onde me pudesse perder, mas de me deixar cair de braços abandonados em cima do colchão e ficar ali, quieto, a ouvir bater o coração. E sentir-me só, sem a percepção de nada para além de uma vitalidade que está presa a limites tão frágeis para quem tem a coragem de romper com dor as ilusões coloridas e seguras.

E no fim, ao entrar no meu lugar de todos os dias, cansado, mas desejoso, deixar que lágrimas felizes fizessem brilhar os meus olhos. Para ver através delas Quem me olhava. Está Vivo!
 

Cidade Eterna © 2010

Blogger Templates by Splashy Templates