
É inevitável que esta semana santa, aqui em Itália, esteja marcada pela tragédia que aconteceu no dia 6, em Aquila, Abruzzo. Tenho seguido muito o que vai acontecendo, não tanto por ter sentido o tremor de terra aqui em Roma, que não teve consequências para além do susto normal destas situações, mas por saber que a poucos quilómetros daqui vivem-se momentos de dor e sofrimento muito grandes.
O mistério da morte de Jesus não é, de modo nenhum, um acontecimento longínquo, que celebramos de forma mais ou menos tradicional. É algo que está muito presente em cada dia. Simplesmente, não há explicações para dar nestas alturas. Vive-se um silêncio de incompreensão, de tristeza, de não conseguir perceber o porquê. O que tenho rezado, para além de rezar pelas vítimas deste terremoto, é o modo como Jesus se torna presente.
Acredito num Deus que assumiu a nossa condição humana. Que levou até ao limite a nossa existência. É muito óbvio ver Jesus nos rostos de quem perdeu a família, a casa e todos os seus bens. Jesus morreu abandonado pelos seus amigos, foi despojado da sua dignidade, sofreu um julgamento injusto e uma morte atroz. Porque Ele quis que fosse assim. Para que percebesse e experimentasse na pele os meus pequeninos dramas e os dramas imensos de quem sofre, como estas pessoas de Aquila.
É isto que me fascina mais na minha fé. Um Deus totalmente próximo, que me percebe e acompanha em tudo o que me possa acontecer. Nisto há uma misteriosa fonte de esperança e Vida. Vendo as centenas de voluntários civis, não so os bombeiros ou a protecção civil, que trabalham e escavam, até com as próprias mãos, na tentativa desesperada de ainda encontrar alguém vivo... não é este um sinal de que a Vida e o Amor vence a morte? De como somos capazes de coisas grandiosas e que nos poêm tão fora de nós?