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25 novembro 2009

Deus em nós e nós em Deus

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Sugestão de Lídia
Aprofundamento de Deus em nós. Ir à raíz. 
O lugar de Deus em nós e o nosso n'ELE, à luz da Fé e da Sociedade actual. 
Confrontar a inquietude que consome com a não existência que resiste.



Cada uma destas frases daria para um tema! Mas vou tentar focar os pontos principais que possam unir estas questões. Muito ficará por dizer, mas se for necessário, é só sugerir algum aprofundamento, que o farei com o maior gosto.

Uma das frases que mais me tem acompanhado ultimamente nas minhas reflexões sobre Deus e a Vida é que não servem muitas definições. Deus não se define, não é uma ideia ou um conceito, uma projecção do melhor de nós ou uma simples expressão do divino que não se vê no quotidiano. O máximo que se pode afirmar é que Deus é Amor... mas amor, como o definimos? Quem é capaz de definir o que é amor sem logo a seguir estar a trair a definição, nas incoerências da vida, numa pálida imagem da força que é amar? Amor não se diz, vive-se, estamos nele como uma surpresa que nos invade e nos leva para dentro e para fora de nós. Quando o dizemos, já o perdemos, mas quando o realizamos, quando este acontece, o Amor mostra-se na sua verdade tocada, na vida que Ele próprio dá.

Daí que o Amor, Deus, é um ambiente, a expressão profunda e verdadeira da Vida, na Bondade, na Alegria, na Compaixão, na Entrega, na Humildade, na Esperança. Deus é a realização já conseguida, desde sempre e para sempre, de juntar toda a nossa experiência da Vida e transcendê-la além do egoísmo e dos pequeninos horizontes. Toda a nossa Vida, pelo simples facto de ser, é já tocada e provocada para rasgar tudo o que é inútil ou sinal de uma vidinha que teimamos em considerar grande. Descer em nós é encontrar esta originalidade, de perceber a vida tal como é, como dom e como promessa. Por isso se diz "criados à imagem e semelhança de Deus", com a mesma potência do amor, e nunca conseguida totalmente.

Não somos divinos, e é ilusório o discurso de que Deus é o melhor de nós, que é o bem que fazemos ou que se mostra no mundo. Esta é uma projecção e simplificação banal e fácil de nós mesmos. Não fazemos assim honra à nossa divindade. Somos contraditórios, pouco livres, egoístas. É este o drama de ser imagem do Amor e ao mesmo tempo livres de querer sê-la ou não.

Descer a nós mesmos é subir ao dom que nos foi dado, que acredita em nós apesar de tudo. Podemos ser indiferentes a este dom, mas este  dom não é indiferente em relação a nós. Está e estará sempre, é a nossa luz  por detrás da nossa sombra, o diamante que nunca se apaga, mesmo fechado com mil cadeias. Encontrar esta luz é descobrir-se amado no mais profundo, só porque se tem este Dom, imenso, único, intransmissível, a Vida. Descobri-lo é depois querer, com todas as forças, realizá-lo e expandi-lo. É a verdade de nós mesmos que se manifesta em toda a sua glória, onde nós e Deus coincidimos, onde por um momento fomos capazes de deixar de ser pequenos mundos e amar como quem abraça o universo.

A inquietude actual nasce precisamente de estarmos já fartos de respostas fáceis e imediatas. Procuramos e viramos tudo do avesso, em distracções contínuas, em comprar o ultimo grito da moda e da tecnologia, em horas de consulta psicológica, e busca de harmonia cósmica. Por mais que estas coisas possam ajudar, na medida certa, estamos só à superfície. Enchemos um mundo de coisas que não nos servem e só escurecem a nossa luz, escondem-nos de nós mesmos. Apenas vivemos e existimos verdadeiramente quando nos assumirmos como fragilidade amada, acreditada, perdoada. Quando nos deixarmos abraçar pela Verdade, quando deixamos que Deus seja o nosso ambiente. E vivemos n'Ele, com Ele e para Ele.


22 junho 2009

Construídos na verdade

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Regressei hoje dos Exercícios Espirituais, e ainda estou a aterrar, como é normal nestas ocasiões. Passeava hoje à tarde pela cidade para comprar algumas coisas que precisava e já não estava habituado ao ruído. Voltar ao dia-a-dia é sempre um momento de cair na realidade.


Faz bem poder ter distância dos nossos cansaços, porque ajuda a cairmos na conta do valor que tem cada um dos nossos esforços. Ficámos sempre muito aquém de nós próprios quando não temos nem o tempo nem o espaço para perguntarmos o porquê daquilo que fazemos.


E assim, fazemos as coisas porque têm de ser feitas e estamos longe e tantas vezes alienados da nossa actividade. O nosso esforço merece mais de nós, e nós merecemos também a recompensa do nosso esforço. Aquilo que fazemos serve à nossa construção. E essa construção mostra-nos a nossa verdade.


Verdade que estes dias descobri em cores de simplicidade e em perfumes de floresta. Verdade pacífica nascida de tempestades interiores. Verdade reconciliada com histórias passadas que somos desafiados a amar, por serem as nossas. O facto de sermos amados, porque vivemos aquilo que vivemos oferece-nos a possibilidade de termos consciência do quanto possuímos quando damos valor à Vida. Ela merece todo o nosso respeito e adoração, porque é preciosa, é de Deus, é o próprio Deus.


07 junho 2009

O último tema

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(sugestão de Missé, sj)

Se eu fosse enviado para um país onde não houvesse internet e tivesse que fechar o Blog, qual seria o tema que deixaria para o final.

Deixei ainda alguns temas para trás, mas que irei tratar logo que possa, porque exigem mais algum conhecimento e reflexão, mas este trata do que me move agora e por isso é mais fácil. Ou não... Especialmente porque estou a pouco mais de um mês da minha ordenação sacerdotal e os sentimentos são complexos e intensos. Por isso, escrevo sobre aquilo que sempre me tocou mais: o Acreditar contra tudo o que pode suceder. Isto é um testemunho muito pessoal.

Sempre vim a dar-me conta, nos últimos anos, do facto que não nos podemos iludir em relação à nossa própria bondade. Porque ela existe, se não, a Vida não faria muito sentido. Não consigo imaginar a minha Vida sem ser orientada para coisas grandes e bonitas. Acreditar nisso faz-me ter a confiança necessária para perceber a minha falta de perfeição e, ao mesmo tempo, a perfeição que sempre tive.

Nada é linear em nós, seja estados de espírito, seja aquilo que acontece na alma por causa de pessoas e situações que nos questionam. A nossa condição é uma fronteira e um limite entre poder e sofrer, domínio e derrota, sonho e desilusão. Aquilo que mais me cansa é saber tantas coisas sobre o Bem e dar-me conta que fico muito longe de o fazer presente. Presente actual em mim, ou dá-lo como presente ao que acontece em cada dia.

A fronteira é lugar de passagem, não nos deixa ficar donos de nós próprios e dos acontecimentos. E sempre que o tentamos fazer, imediatamente nos damos conta que há muitas coisas que deixamos escapar, ou que fogem de nós. Isso exige um esforço e um sofrimento para perceber que a liberdade é um desafio constante. Uma surpresa irritante.

Se a nossa condição é viver neste espaço e neste tempo que passa e não conseguimos controlar, seríamos muito desgraçados se nos resignássemos a deixar andar o relógio e ir cumprindo mais ou menos bem o concreto de cada dia. No fundo, sem termos nada de sólido, nada que permaneça além das mudanças do vento, das mãos que se fecham ou dos caminhos que deixam de esistir. E essa base sólida está em nós e é a bondade do nosso coração.

Nunca conheci uma pessoa má, e acredito que nunca virei a conhecer. Há pessoas, sim, que a Vida as fez defendidas, amarguradas, sem distância para pensar além do imediato. Que as fazem viver em mundos tão estreitos e angustiosos que precisam explodir para sobreviver.

E esta Bondade Universal é um dom. Como se o facto de estarmos vivos resultasse deste magnífico acontecimento de termos mergulhado no Amor, e nunca mais poderemos apagar as marcas que isso nos fez e nos continua a fazer. Temos uma perfeição incompleta, uma liberdade contraditória, mas também temos a perfeição que é dada e que não depende de mim.

Acreditar nesta perfeição faz-me melhor, porque me faz olhar como sou. As nossas experiências de Amor por alguém são fonte de vida para o mundo. E o Amor de Deus será então está fonte mais segura que tudo. Quem gosta de si, ama a Deus. Quem ama a Deus, gosta de si.

Porque para Deus somos os mais importantes, e por isso, acarinhados, sustentados, acompanhados. A marca desta presença é o desejo que todos temos da felicidade. E quando não a encontramos, quando a Vida nos tira todos os motivos para pensar nisso, então é a nossa parte sólida que se revolta. Chega de sermos pequeninos e confusos. Há sempre um ponto de partida um gesto que seja capaz de criar harmonia no caos, e uma luz que parta toda a escuridão. Eu e Presença de Deus, este acreditar que vence tudo e transforma todas as coisas.
PS: Obrigado pela sugestão Missé, fez-me bem escrever isto ;)

15 abril 2009

Regresso

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Ontem foi a ordenação diaconal dos meus companheiros de comunidade, aqui na Igreja do Gesù. Foi também ordenado o Afonso, que é o jesuíta que viveu mais anos comigo na mesma comunidade, o que acrescentou muito a minha alegria! =)


Desta vez, eu não estava nos bancos da frente, mas do outro lado do altar, a celebrar como diácono. É inevitável que não viajasse um ano atrás, ao dia da minha ordenação e não recordasse aquilo que vivi e rezei, como sonho e promessa cumprida. Ao mesmo tempo, dei-me conta dos poucos progressos que fiz, mas sobretudo do muito que Deus fez em mim.


O momento mais importante, para além da emoção de os ver a serem ordenados, foi quando desci com o bispo para dar um abraço aos novos diáconos, como sinal de boas-vindas à ordem. É um gesto de acolhimento numa história que ultrapassa os séculos e que se faz presente ali. Somos pequenos e ao mesmo tempo tão privilegiados! São os nossos dons que entram ao serviço dos outros, e isso desafia-nos a ser melhores e mais eternos. Parabéns! =)




Foto dos neo-diáconos. Atrás, da esquerda para a direita: P. Joseph Daoust (Delegado das Casas Romanas), Marjan (Eslovénia), Petr (República Checa), Sebastian (Alemanha), Mons. Piero Marini (Bispo), P. Janez (Reitor da comunidade), Flavio (Itália) e Afonso (Portugal). À frente, da esq para a direita: Léonard (Madagascar), Paul (Estados Unidos), Oleksiy (Ucrânia), Rogério (Brasil), Gabriele (Italia) e Joachin (Madagascar).



E, já agora, também eu! ;)

25 março 2009

Faço anos!

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Hoje faço um ano da minha ordenação diaconal aqui em Roma. Parece que foi o mês passado. As memórias ainda estão tão vivas, o dia de hoje está praticamente igual, dia de muito sol com algum frio, de uma primavera que está a chegar pouco a pouco. =)

É um mistério poder explicar o que significa isto na minha Vida. Certeza de caminho feito e consciência de tanto que poderia ter feito e não fiz. Santidade conseguida e fragilidades desconcertantes. Contudo, um Deus que continua a acreditar em mim. É impressionante como os nossos gestos de boa vontade se transformam em atitudes gigantescas. Faz-me cair na conta do pouco que dependemos dos nossos desejos e promessas, se estes não vão acompanhados pela confiança e pela certeza de que temos tesouros entre mãos e no coração que nos impedem de ficar fechados no passado.

O dom maior de Deus é a sua Vida. Entregá-la a Ele não é simplesmente um dar de volta. É assumir o que se é, ser levado em braços pela felicidade de ser pequeno e grande ao mesmo tempo. Ter tudo presente nas minha decisões e ao mesmo tempo não ter nada para dar de meu, a não ser eu próprio. Quando Deus nos toca, não ficamos indiferentes... acontece aquilo que sempre desejámos: ter diante de nós os caminhos mais eternos e divinos da Vida, profundos e superficiais, mas que são os nossos, feitos na nossa verdade.


10 fevereiro 2009

Tempo de Deus

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Partindo da base que escrevi no post anterior, que penso ser uma forma bastante visível de perceber a minha relação com o mundo e a forma como faço parte dele, gostaria ainda de dedicar alguns pensamentos ao modo concreto como poderei no meio de um tempo ocupado, encontrar tempo para olhar a Vida com Deus.

O tempo de oração não é apenas um momento de paragem e dedicação exclusiva à meditação. É sobretudo uma atitude que posso - e devo - transportar nos momentos do dia a dia. Especialmente os seus frutos. Porém, temos necessidade de um tempo exclusivo para a oração, como o corpo precisa de respirar a plenos pulmões para se encher de maior vida e energia. E sabemos bem como é importante respirar profundamente.

Às vezes, chego a ser duro comigo mesmo, dizendo que para aquilo que realmente quero, encontro sempre tempo. De facto é assim, coisas urgentes podem esperar quando aparece improvisamente aquilo que mais quero fazer no momento. Se o que mais quero é estar no silêncio, eu e Deus, então consigo estar. Se quero mais ou menos, ou só alguns dias, então raramente estarei.

Cada pessoa encontrará no seu dia o tempo e o modo de rezar. É essencial que o queira e que precise dele como de ar para viver. O exercício que propus no post anterior é um bom início, partir do dia concreto, e amar-me enquanto o amo, perdoar-me enquanto o perdoo, ser melhor amanhã. Os frutos da constância vão surgindo e, da mesma maneira, a vontade de continuar e aperfeiçoar. Um ciclo virtuoso, rezar bem, faz querer rezar melhor. Mas só experimentando cada dia se poderá verificar como isto acontece.


PS: Este é um dos muitos modos de rezar, amanhã falarei de outro, que pessoalmente sigo, como me foi sugerido! Por hoje ficam estes conselhos, espero que ajudem. =)

02 fevereiro 2009

Ver, sentir, confiar

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(sugestão da Carolina)

Se escrevesse num diário os sentimentos de cada dia, certamente iria visitar muitas vezes as páginas mais coloridas. Temos a necessidade de regressar aos tempos em que um dia ouvimos claramente o nosso nome e encontrámos a nossa casa perfeita, arrumada, na paisagem que criámos. Porém, à medida que passa o tempo, vamos escrevendo páginas com canetas gastas e as cores vão perdendo força, sem percebermos porquê.

A Vida faz-nos crescer, somos cada vez mais completos e mais complexos; e o que um dia seria óbvio acontecer, hoje é uma miragem, ou uma saudade. Temos nas mãos uma possibilidade de escrever cada dia a nossa história. Mas o que já existiu, não serve para escrever o que hoje sou e me acontece. Simplesmente vamos virando páginas... sucessivamente.

Acredito que aquilo que uma vez foi dado e conquistado não se perde nunca. É esta a nossa marca de eternidade, o poder criar a partir da matéria que são os nossos dias, mesmo que seja terra seca e vasos quebrados. A força que um dia moveu as minhas mãos não deixa de as fazer mover agora. O que tem de ser construído é mais exigente, mas confio que o resultado será uma obra mais perfeita do que posso imaginar.


PS: A questão da ausência de Deus, tenho-o sentido muito pessoalmente, aparece nas alturas em que as coisas se complicam. E quando mais precisaria de Deus, mais encontrei um silêncio incapaz de responder às minhas perguntas. Mas fui-me dando conta de que fui eu que mudei e deixei de estar atento à minha profundidade, sem a fazer crescer comigo. Entretanto a vida muda, mas as raízes permanecem pequenas e com pouca força para me agarrar quando há vento forte. Regressar à profundidade ajudou-me a descobrir respostas que nunca tinha pensado. E percebi que Deus falava, mas de um modo que eu já não conseguia ouvir. Falava-me daquilo que me assustava e preocupava, precisamente aquilo que evitava pensar. E Ele foi paciente comigo e eu fui paciente comigo. Amei o hoje. E as raízes cresceram...

13 maio 2008

Ter esperança

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Hoje numa aula consegui perceber uma coisa que há muito tempo estava à procura, apesar de parecer óbvio, mas há um conhecimento que ilumina aquilo que se estuda e se consegue passar para a Vida como um consequência. E, em termos de fé, é quase inevitável que isto aconteça.

Que a história que Deus tem para o Mundo não é algo abstracto, e que se poderia traduzir com palavras fáceis e pouco compreensíveis de que Deus salva a história. Porque, de facto, a história que vivo é a que sinto todos os dias, a que vejo na rua, a que leio nos jornais. É esta a história que me faz e à qual tenho acesso. E esta é cheia de perplexidades e contrariedades, misturada com momentos de amor e sentido. Vivemos nisto, cada dia que passa.

É esta a minha história que, desde dentro, é tomada por Deus para se realizar numa plenitude de alegria. De um modo visível e invisível às vezes, mas sempre presente. E é a esperança a que ajuda a ver tudo o que acontece como promessa de plenitude, de desafio a ser e a fazer melhor. Porque não estamos longe... Mais uma vez, isto não se faz apenas por palavras ou discursos bonitos, as nossas mãos e o nosso olhar serão a melhor mensagem que podemos dar desta certeza.

30 março 2008

Vida e Luz

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Estamos em tempo de ressurreição, e isso deve tocar as nossas vidas em profundidade. É já um lugar comum aceitar - de forma mais ou menos automática - o facto de Jesus ter ressuscitado. Se parássemos para pensar melhor, talvez caíssemos na conta do que isto significou nos dias em que tudo aconteceu.

Um amor perdido e desiludido que aparece de novo. Assusta, custa reconhecer. Somos pequenos para aceitar a totalidade da Vida, o sem limite dos nossos acontecimentos. A ressurreição trouxe para os primeiros discípulos, para além de uma inacreditada alegria, uma paz e uma certeza. E aquela coragem de superar todos os medos e ir além de todos os desejos e programas.

Um pescador de uma pequena aldeia da Galileia vem morrer a Roma... o que estaria no coração dele? A ressurreição faz adivinhar uma Luz de presença forte na Vida, uma transformação em pessoas corajosas, pacíficas e que vão longe, sempre mais longe...

28 fevereiro 2008

A subir

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Acho mesmo curioso, quando penso e estudo estas coisas, de perceber que há coisas comuns em todas as culturas, mesmo as da Antiguidade, espalhadas por diversas partes do planeta e em alturas em que o contacto entre elas era impossível.

É qualquer coisa de estrutural no ser humano que expressem o seu olhar para Deus ou para o Transcendente, olhando para cima... também por ser óbvio que o céu é o lugar por excelência do impossível de chegar e conhecer. Mas o que fazemos instintivamente quando olhamos Deus é tirar o olhar do chão e das coisas que estão à nossa volta, e entreter o coração com a impossibilidade... que, todavia, se pode ver.

Tem a ver com a humanidade nossa o esforço de subir além de todos os acontecimentos interiores e exteriores. Como uma espécie de nostalgia de uma única realidade, em que o mais profundo e o mais eterno são a mesma coisa. E nós estamos aqui no meio, entre liberdade e prisão, mas sempre com imensidade por cima das nossas cabeças.

17 janeiro 2008

Os modos de ler

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Muitas vezes ainda ouço uma pergunta que me foi feita, enquanto noviço, quando fiz uma visita ao Colégio S. João de Brito em Lisboa, para falar da vocação de jesuíta: "Dizes que Deus te foi dando sinais, mas que tipo de sinais são esses, como é que Deus fala?"

E hoje ainda teria dificuldade em responder sem ser de forma abstracta, - como me parece que foi no momento - , que Deus fala através do que vou desejando para a vida como horizonte mais completo, onde me sinta livre e total num espaço onde me encontro, ou através de pessoas e experiências, pequenos momentos em que as coisas começavam a fazer sentido e a apontar numa direcção.

Hoje percebo que Deus continua a falar em várias línguas, às vezes difíceis de perceber, porque são palavras grandes de mais para os meus ouvidos, ou porque são silêncios que me deixam parado nas perguntas. Às vezes é mesmo uma luta entre a pressa e a paciência, entre o sonho ideal do que eu deveria ser e a realidade de ser frágil todos os dias e ter de viver com isso sem me resignar.

Importa continuar, porque Deus é uma Palavra que não pára de se dizer, tão genialmente criativa que só em momentos de espaço em branco posso deixar escrever linhas e letras nas cores mais inesperadas.

02 novembro 2007

O meu nome

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Há palavras certas para dizer aquilo que somos? Não é mesma coisa que descrever um estado de ânimo. Descobrir o nosso nome e o modo de o expressar às vezes pode ser um exercício que requer tempo, dias ou mesmo meses.

Qualquer coisa parecida com uma referência. Ou um nome divino de nós, ao qual regressamos cada dia e nos encontramos com esta linha que une a nossa história. As certezas acerca de nós próprios podem iludir-nos tantas vezes. A experiência de nos ser dado um nome que não escolhemos, como quando nascemos, é algo que nos acompanha sempre.

Quando Deus nos diz o nosso nome, percebemos uma força que alimenta os nossos modos de estar e de agir para com o mundo e as outras pessoas. O meu será coragem, ou vento, ou chuva... será aquilo a que fui chamado, como algo que tem uma missão única e completa.

30 outubro 2007

Sinais

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Aquilo que conhecemos bem faz parte de nós e serve para classificar o que acontece à nossa volta. São as nossas seguranças e, ao mesmo tempo, as nossas propostas de Vida para os outros.

Sempre me questionei muito com uma pergunta que me fizeram um dia: "Mas como é que Deus te fala?" De facto, não é fácil explicar. Fala através de sinais.

E estes sinais são coisas estranhas à minha classificação e às vezes bastante surpreendentes. É uma outra proposta de Vida, que me ultrapassa mais do que sou capaz de perceber. E as minhas seguranças jogam-se em algo novo e na abertura a outras possibilidades. Que não me fazem deixar de ser eu mesmo, mas fico, sem dúvida, transformado em muitos aspectos.

Mais santo, talvez, ou pelo menos com maior vontade de o ser...

26 outubro 2007

Palavras certas

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Hoje numa aula, foi dito algo que me fez pensar... que os autores do Antigo Testamento tinham muita dificuldade em pôr determinadas palavras referindo-se a Deus. Por exemplo, em vez de amaldiçoar Deus, usam a ironia e dizem: "verás se bendizes a Deus".

Há realidades da nossa Vida que tratamos com tanto cuidado, que há palavras e sentimentos que não pomos junto delas. De alguma maneira, fazem sombra à grandeza de algo essencial. Nos momentos de dúvida, sempre há uma resistência que nos impede de deitar tudo ao chão e não acreditar nas promessas que um dia nos fizeram sonhar.

Será este o espaço que Deus tem para manter a esperança... uma espécie de ladrilhos coloridos que são referências sempre presentes, mesmo que não se tenha forças para os voltar a pisar... mas estão lá...

28 setembro 2007

Intimidade

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Entre nós e Deus existe uma linha transparente vertical. Uma experiência de contacto com simplicidade que não é construída de qualquer maneira, exige tempo, um espaço aberto de não egoísmo, com dores acariciadas e desejos que vão para muito além do adquirido.

Faço um desenho na areia que acaba no mar, onde a criatividade se dissolve num sonho maior que não se sabe como vai acabar. Talvez seja este o segredo de uma entrega pressentida desde sempre.
Um toque concreto, uma voz que não deixa ninguém confundido. Que parece quase impossível que um dia possa ser ouvida por ouvidos habituados aos ruídos e à pressa.

Muito mais que um castelo construído solidamente em aparências que foram levadas por um vento que vem de longe. Vai mais fundo que os fundamentos, transforma de modo inexplicável este Acontecimento, que é estar somente, para o que puder começar agora.

13 junho 2007

Testemunho

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Às vezes pergunto-me: que faço naquilo que dou? E o que mostro daquilo que faço? É difícil não me deixar ir ao ritmo do que vou sentindo no dia a dia, e das coisas que me vão acontecendo.

Se cada pessoa é única, também aquilo que deixa tem uma marca muito pessoal. E queremos que se lembrem de nós como algo de bom.

É um desafio a mostrar a alegria que tenho, porque nasce de uma felicidade mais certa do que se supõe. Que se veja liberdade, paz, e entrega. E insisto às vezes em me queixar, e fica-se tão pequeno... que dá vontade de rir. É a minha melhor arma.

Ser cristão tem uma marca que não passa só por acreditar numa série de coisas fundamentais. Se isso não passa pela simplicidade mais radical, e pelo olhar mais verdadeiro, há qualquer coisa que falha... De facto, a fé é um caminho de vida, e nasce de mistérios que só o coração conhece. A fonte e o caminho são a mesma coisa... será isto a união com Deus?

07 junho 2007

Proximidade

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Ontem regressei por mãos de memória e sentimento a lugares que são abrigo e conquistas. Descobri um lugar para mim, uma cadeira vazia à minha espera, a vontade de cantar com o coração.

Em momentos particulares que falam de formas de existência completas, livres por se saberem íntimas, como o voo de uma gaivota em dia de chuva, por cima do mar.

Não há lugares longe de nós, quando estes são o chão da nossa alma, e ardem como um fogo aceso, numa casa que estará sempre para recordar o sonho e continuar a Viagem.

"Em toda a parte, onde quer que o Sonho me leve, hei-de lembrar-me de Ti..."

27 maio 2007

Espírito

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É como o vento que não se vê. Mas traz as certezas mais profundas. Faz vencer o medo, e conhecer a Presença.

O Dom de Deus mais precioso, que é a sua própria Vida. Na vida espiritual, não é fácil lembrar-se que existe um Espírito Santo. Contudo, o facto de pensarmos em Deus e querermos seguir Jesus, é o Espírito que o dá.

Como se fosse Porta e Caminho para o céu que vivemos, quando a Vida faz todo o sentido. Quando sentimos que nada pode vencer o Amor, e este tem sempre a última palavra.

Quando superamos a debilidade e nos sentimos fortes na capacidade de trazer Luz aos corações. Mais do que deixar que o Espírito venha, somos desafiados a sê-Lo. Sem prisões e laços, livres como a brisa, belos na maior plenitude. E tudo isto ao nosso alcance, como a semente que cresce, devagarinho, e nos faz ser Santos.

09 maio 2007

Ser salvo

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Ontem, numa aula, o professor falava da linguagem que usamos para falar da nossa fé. E como expressões que, no tempo em que foram escritas, faziam muito sentido, hoje são quase incompreensíveis. Dizer, por exemplo, que Jesus é Deus, ou que Jesus é Senhor, é muito mais compreensível dizer que Jesus é Deus. Apesar de, no Novo Testamento, se usar quase predominantemente a expressão "Jesus é Senhor".

Esta expressão existe como outras. E hoje pensava na salvação. O que é ser salvo?

Não é apenas uma felicidade plena depois desta Vida. Começa já aqui, não é apenas ser salvo, mas estar salvo. Uma imagem: A mão que segura Pedro na tempestade. Uma frase: "Não tenham medo, sou Eu". São imagens e frases que se repetem na Vida de Jesus, entre nós. Como hoje.

Estar salvo é viver a minha verdade, na confiança de saber como sou olhado, de me sentir seguro. De tentar caminhar com os passos certos, de não ter medo do que vier.

04 abril 2007

Um quase Adeus

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Os dias de semana santa são uma espécie de despedida. Pelo menos, para quem conheceu Jesus, foram os dias que mais marcaram a relação entre Ele e os amigos mais próximos.

Não percebiam onde tudo poderia acabar. E foram tendo gestos incompreensíveis... sem perceberem os sinais. Despede-se, parte e dá como memória de Si o pão e o vinho. Lava-lhes os pés.

Seria tanta a vontade de partir como a de ficar? Mas decidiu pelo A-Deus. São estes gestos que, passados dois mil anos, continuam a ser recordados. Não foi, de todo, uma experiência banal para quem a viveu. Arrancou o coração de forma definitiva dos limites da amizade, levou à entrega.

Memórias dos gestos, sinais de Adeus, a eternidade das palavras. São pistas para estes dias =) Boa viagem!
 

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