
Hoje numa conversa que tive, surgiu a palavra docilidade acerca do modo de estar na Vida. A pessoa que a referiu falava disso como a coisa com que mais se identificava. Fiquei a pensar nisso. Talvez porque tenha mexido mais comigo, e tocado num dos meus medos principais, uma daquelas coisas que nos assustamos só de pensar que possa vir a acontecer connosco.
Ter a docilidade como modo principal de estar na Vida desperta em nós a sensação de simplicidade, aceitação e acolhimento. Os doces são a alegria de uma refeição, dá a nota de festa, surpreende e causa elogios e bem-estar. Uma pessoa dócil tem esta mesma alegria como ponto de referência. E não quer dizer que seja ingénua, ou afastada da realidade, ou alguém que esteja continuamente a ser ultrapassada. Tem uma força especial... e fascinante.
O contrário do doce é o amargo. Uma pessoa amarga está continuamente desiludida, critica tudo e todos, nada está bem. E alguém que critica continuamente não ajuda a construir, parece que é o único que tem todas as soluções e, no fundo, é um incompreendido. Acredito que isso deve ser uma enorme fonte de tensão. Mais tarde ou mais cedo, acaba por não ser levado a sério. Já se sabe o discurso que virá... Uma pessoa dócil, pelo contrário, dá mais importância ao que a vida oferece, para a fazer própria e bonita, não destrói presentes logo à partida. E para isso é preciso coragem, coração e olhar grandes e alegria.