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10 novembro 2008

Sozinho nunca

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Não seria preciso fazer um inquérito para saber qual é a coisa que todos mais tememos. A solidão é algo que tentamos nem sequer pensar como horizonte dos nossos dias. É demasiado assustador e, felizmente, acaba por não ser sempre uma realidade presente, mas existe como uma espécie de fantasma.


Muitas vezes, a forma de evitar sentimentos é enchermo-nos de cores artificiais e ruídos à nossa volta. Talvez o medo da solidão seja um modo de nos afastarmos de nós próprios e não querer dar atenção ao que somos e fazemos verdadeiramente.


Se acreditássemos mais profundamente que somos capazes de contruir à nossa volta espaços de relações de qualidade, em que não fôssemos máscaras, mas verdade. A nossa verdade é bonita, e essa é a nossa melhor companhia. A partir dela os outros e o mundo encontram um desafio para a entrega. Porque a nossa qualidade é bonita, cheia, nunca sozinha, desde o início.


23 maio 2008

Sozinho?

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Verdadeiramente, aquilo que mais me assusta é a solidão. Creio não haver pior experiência do que querer falar, partilhar, amar e não ter ninguém com que se possa fazer isso. Já me encontrei com algumas pessoas assim, sobretudo em visitas a lares de 3a idade, e é mesmo difícil confrontar-se com esta resignação triste de não ter ninguém.

Na vida do dia a dia, apesar de normalmente estarmos rodeados de pessoas com quem nos damos bem, pode faltar este espaço único de dar o melhor que temos a alguém. É uma questão muito delicada e em grande medida, pode ser causada por opções de vida, mudança de lugar, e tantas circunstâncias que nos afastam de quem gostamos.

Nas nossas mãos está a capacidade de podermos fazer algo. Primeiramente, gostar de estar connosco mesmos, saborear a riqueza que somos, maravilharmo-nos da nossa beleza interior. Aí se cria um espaço de autenticidade que não nos fecha em nós, mas procura coisas novas. E, fundamentalmente, apaixonarmo-nos por aquilo que nos é dado por Deus, sabermos estar com Ele, senti-lo sempre presente. O amor de Deus leva a uma comunicação de Vida para além dos limites das coisas que fazemos e das coisas que nos acontecem. Fica-se mais leve, mais disponível e mais corajoso.

29 janeiro 2008

Enquanto espero o sol

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Gosto de ver as árvores despidas no Inverno... não sei porquê, sinto que são imagem de qualquer coisa de solitário que sempre me acompanha, e com a qual não é possível deixar de viver.

Porque se a coisa de que mais temos medo é de ficar sós, também é verdade que não há experiência mais completa que aquela de viver uma solidão preenchida. E há tantos modos de fugir a nós mesmos, enchendo agendas de compromissos mais ou menos úteis, ou procurando relações que acabam por nos dispersar.

Um coração que sabe habitar a sua solidão como espaço de encontro feliz, não se perturba se tiver dias em que não acontece nada de espacial... porque saboreia uma amizade contínua. E depois, o que acontece no mundo das amizades parte de algo feliz, porque os amigos não servem para preencher os espaços que me pertencem. Pelo contrário, são as paisagens que me acompanham e me enchem de beleza, enquanto estou ao sol...

13 dezembro 2007

Consolação

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Estive estes dias a ler a nova Encíclica do Papa (Spes Salvi), que aconselho, pela profundidade que tem, apesar de algumas passagens um pouco mais difíceis, mas que no geral é bastante acessível.

E li uma coisa que me chamou imenso a atenção e nunca me tinha dado conta, ou nunca me tinha sido dito. Que consolação - o estado de espírito tocado pela graça do futuro que Deus quer para nós - vem do latim con-solatio. Ou seja, estar-com na solidão. E precisamente esse momento deixa de ser solidão.

É o grande medo de todos nós, sentirmo-nos sozinhos, ou afectivamente, ou nas várias situações da Vida em que gostaríamos de ter o suporte de alguém ao nosso lado. Mas há momentos na Vida em que a solidão é a nossa mais pura verdade, é o espaço onde percebemos a radicalidade da nossa fragilidade. E a consolação surge como uma luz intensa que não nos afasta simplesmente de situações menos confortáveis, mas toma conta de nós quando tomamos decisões que apenas nós podemos tomar.

E as consequências de uma decisão solitária, mas consolada, são caminhos de plenitude, os abraços possíveis que temos para dar e para receber.

01 abril 2007

Lugares do esquecimento

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Folhas caídas de tempos antigos. Sinais de vida cheia que traz todas as promessas. Num caminho de sol e areia, com mar ao fundo, rostos trazidos em ventos que levam a música para longe.

Uma arca escondida dentro de nós, onde cresceu uma casa, cheia de ouro e espelhos. Ainda lá estão as cadeiras vazias, e ouve-se o estalar da madeira, quando os pés dançavam no salão.

São lugares de esquecimento de mim próprio. Basta-me uma nota e uma cor. De estar só com o Universo e cheio de plenitude. É bom não ter nada que fazer, a não ser deixar-se ser abraçado. No mais fundo.
 

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