
Estes dias têm sido muito ocupados com leituras e preparação de trabalhos e exames. Para além da pressão de ter de apresentar conteúdos, cada vez sinto mais uma espécie de frustração por não poder ter tempo nem espaço para parar e reflectir sobre aquilo que li. Ainda por cima, acredito que este é o objectivo principal de qualquer estudo; o resultado do exame é uma pequena parte do proveito. Mas enfim, datas e prazos são assim e o sistema obriga-nos por si mesmo a olhar a resultados mais que a profundidades.
De todos os modos, mesmo sem passar mais tempo em reflexões do que em leituras, não deixo de me interpelar por algumas questões. E hoje foi precisamente a questão dos resultados.
Faz falta ter presente a questão do facto de as coisas esistirem como são, e não ter pressa em as descrever. Um dos maiores problemas da velocidade dos nossos dias é esta pressa de dar nomes às coisas, num esforço de as tornar parte de mim. O facto de não deixar que elas sejam por um tempo elas próprias, faz perder a luz que irradiam.
Esta é a diferença principal entre contemplação e pensamento. Ao agirmos só com a cabeça e pensamentos elaborados, perdemos o pulsar das coisas e as cores da criação. Os pensamentos feitos por nós podem ser escritos, tinta negra em papel branco... poucas cores para dizer a totalidade da Vida.



