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13 novembro 2009

Além do desconhecido

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O horizonte fascina-me. Não há nenhum lugar que mais me impressione interiormente que a planície. É um lugar ao mesmo tempo desértico e completo, com uma energia pacífica que consola e faz viajar além do que se vê. A montanha traz curiosidade, faz perguntar o que estará depois dela. A planície, pelo contrário mostra o conhecido, mas é um horizonte imenso que se vê, mas não acaba.

O caminho por entre a planície é uma metáfora de uma vida que sempre procurou alargar os próprios horizontes. Por entre poucas novidades, mas na confiança de que cada passo acrescenta um olhar novo ao que se conhece. E é tão importante ver quanto caminhar, são pequenas certezas construídas e nunca acabadas.

Não ser perfeito desgasta quem se arrasta incoerentemente por um  caminho que é obrigatório fazer. Aquilo que conhecemos não é suficiente para ficarmos instalados sem querer saber coisas novas. Um excesso de conhecimento é uma fantasia, fala apenas da parte mais pequena da vida. É o desconhecido além do horizonte que motiva o caminho livre e desprendido. Se formos capazes de alguma perfeição, então o grande sinal está na vontade com que ultrapassamos os próprios limites. E acredito que nisto somos perfeitos.

18 abril 2008

Ir longe com a música

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Há momentos em que parece que saímos fora da realidade... Estive há bocado num ensaio com alguns companheiros de Madagáscar que vão cantar numa Missa e me pediram para acompanhar alguns cânticos com a guitarra.

Sem falar tanto da riqueza da diversidade cultural que isto implica, falo mais de sons longínquos. Começaram a cantar um cântico lento, uma voz, duas, três, que se iam multiplicando ao longo do ritmo. E deixei-me levar, até uma paisagem de planície enorme, com céu cor de rosa quente.

E senti-me com desejo de ir para longe, experimentar coisas novas e novos lugares onde encontre coisas diferentes... é bom não deixar parar o coração! Aquilo que faz parte de uma alma viajante é ser grande, mesmo que não saia do mesmo sítio.

10 março 2008

Força para tudo

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No ano passado, durante uma peregrinação a Santiago, num dia de muita chuva e vento forte, no meio do monte, sem ver nada à volta.

Há momentos que são parábolas excelentes da Vida. Teria tudo para me assustar, voltar para trás... nem dava para ficar parado. Um instante de ter de deixar ou avançar, entre o regresso às seguranças anteriores ou arriscar num futuro que se sabe ter uma meta.

Senti-me forte contra todas as tempestades. Passaram por mim, durante alguns segundos, os momentos em que pensei que não seria capaz de depender só da força de Deus. Foi uma certeza de avançar, porque não há outro remédio, nenhuma outra possibilidade que encher o peito e caminhar com decisão.

Se a fé move montanhas... é verdade, sobretudo quando se atravessam e ficam para trás como pequenos obstáculos, os mesmo gigantes de sempre, chuva e vento que passa. Há coisas gigantes em nós.

03 setembro 2007

Nesta entrega...

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São dias de visitar lugares e pressentir presenças de outros tempos. Por onde passaram pessoas que hoje me fizeram, as histórias de que sou feito. Um homem chamado Inácio mudou a sua Vida numa gruta ou em casas amigas... em caminho, peregrino desde sempre.

E subi ao cimo da montanha que vejo da minha janela. Vi a janela do quarto do outro lado, bem mais abaixo. Com o sol e o vento que me levava por entre as pedras de eremitérios antigos, onde um dia falou o vento e trouxe a proximidade do Céu.

Estes lugares trazem-me de novo a espaços infinitos. Poucos minutos servirão para mudar algo importante na Vida, como um olhar que ama sem fim. Já o caminho que se segue é longo, feito de silêncios e solidões.

Basta uma entrega fácil, sem pensar em quanto difícil é o caminho. Um lugar de paz dentro de mim traz-me a capacidade de fazer de cada minuto um passo gigante para aquilo que quero trazer ao meu mundo.

25 agosto 2007

Fim da Terra...

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Só agora tenho oportunidade de escrever sobre o caminho de Santiago a Finisterra que fiz há uma semana. =) Ainda continuo a fazê-lo.

Ficam na memória os momentos sozinho e em grupo. Aqueles determinantes com Deus, no cimo do monte, e no meio da chuva e do vento, quando tive a certeza que nada me seria impossível se quisesse sempre seguir o caminho de Jesus.

Ficam as dores para trás e todas as experiências que deixei levar para o mar. É difícil explicar o que 90 km por fora fazem por dentro. Sente-se construção, determinação, Presença e Vontade. A surpresa de chegar ao fim e descobrir que tudo começa agora, mais simples, mais livre, mais perfeito.

E sozinho já se faz tanto! Com os companheiros de viagem tudo fica definitivamente transformado. É esta maravilha de ver como Deus trabalha e muda quem se deixa levar, trazendo consigo pouco mais que o mundo inteiro e uma vontade inesgotável de amar até ao fim.

10 agosto 2007

Santiago de Compostela

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Parto amanhã para uma peregrinação a Santiago de Compostela. Os últimos meses têm sido um realizar cada vez mais próximo de um dos pontos altos do meu ano. Parar, caminhando muitos quilómetros, percorrer os espaços por onde passei no último ano, olhar em frente para as promessas felizes e as decisões pequenas e grandes que me esperam.

Uma peregrinação é um estado de alma... as dores e o cansaço servem para purificar dos desejos pequeninos e ajudam-me a ser mais livre e mais autêntico na minha condição de ser viajante. Caminhar descalço e simples entre espelhos de Verdade. Ser mais, e ir mais longe...

Este ano, partilho a experiência com um grupo de 8 pessoas, algumas das quais conheço muito pouco. Vivo com esperança esta possibilidade de caminhar lado a lado, ajudar e ser ajudado!

Peço orações por mim e pelos meus companheiros de viagem. Levo comigo a vontade de entregar cada passo por mudar algo em mim e no mundo à minha volta. Até breve! =)

24 maio 2007

Em viagem

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Tenho vontade de viajar para longe, levando comigo todo o meu mundo. O que torna os passos pesados é pensar demasiado no que perdemos quando saímos dos nossos lugares. Interessa bem pouco para o meu futuro.

A minha história faz-se de memórias e conquistas, mais que sentimentos de ter deixado algo para trás. Deixei o que me podia pesar na capacidade de sonhar com coisas longínquas. Viver um quotidiano de surpresas previsíveis acaba por ser tão pouco brilhante.

Porque no caminho mais livre se descobrem os pequenos encantos, porque não se olha para mais nada, senão para o facto de estar a conseguir caminhar de modo pleno.

Não é que tenha conseguido atingir o que quero, até porque a alegria plena está-me preparada sem que saiba no que vai consistir. Isso é melhor que uma fonte de água fresquinha no meio do deserto.

17 maio 2007

Devagar

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Caminho sem pressas na simplicidade, em busca da luz. Levo nas mãos alguns tesouros frágeis, aqueles da confiança e do abandono.

A força de andar por entre os inimigos de um tempo pleno, que teimam em fazer fugir dos meus espaços.

Ao encontro da luz, tão visível como intocável. Feita de memórias e promessas, como quando se sabe, com toda a certeza, que sempre regressamos ao abraço original. Quando éramos livres, quando havia sol.

Faço todos os dias um mesmo caminho, por entre coisas parecidas. Sem querer parar e fazer do passado momentos presentes que façam ter medo. A luz é muito mais à frente, é irresistível chegar lá.

27 março 2007

Caminhos

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Tenho estado, estes dias, a sonhar e a preparar uma peregrinação a pé, a Santiago de Compostela, para o Verão. E fui recordando as que fiz, que me lembre, 14 até hoje. A peregrinação do Noviciado, (a grande), outra com a minha irmã à sra do Almortão, uma a Xavier, a Vila Viçosa, duas vezes à sra da Lapa, seis vezes a Fátima, uma vez ao Sameiro e outra a Santiago.

Em comum, caminhar ao sol, à chuva ou à neve, dores nas pernas e muitas bolhas nos pés. A entrada nos lugares, acompanhado por um grupo ou só por uma pessoa. Horas de conversas e silêncio, tempos de Deus...

O facto é que não imagino passar um ano sem fazer uma peregrinação. É quase uma purificação de tudo o que me fez andar longe do meu caminho, e passar por uma experiência de dor física, faz-me acertar, uma e outra vez, em coisas tão fundamentais, só minhas e Deus.

São os caminhos que se fazem por dentro. Acho curioso. Constrói-me no ser cristão. Participo em cada passo nas peregrinações de milhões de pessoas durante milhares de anos, algumas vezes pisando as mesmas pedras. Ser caminhante, da esperança e da certeza. Para ser feliz, sempre mais feliz...

Partilho um segredo de um ritual meu... antes de começar a andar, toco, sem ninguém ver, a porta da casa ou da Igreja de onde parto. É indescritível voltar a tocar a porta do lado de lá, no momento em que se chega...

10 dezembro 2006

Landing-place

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Há dias assisti a uma ópera-concerto de encerramento do ano centenário de Xavier. Trouxe comigo as letras e tenho-as estado a ler várias vezes. Com Xavier tenho embarcado também na minha Viagem e fazendo funcionar as mesmas cordas dos movimentos da alma de quem tem o mar como horizonte.

E passa-se por dúvidas, em que não se sabe, nas grandes e nas pequenas coisas, quais os melhores caminhos. Sobretudo quando as escolhas por um ou por outro não nos levam a coisas más ou coisas boas, mas a coisas boas ou coisas melhores. Nos sonhos de ser grande sem limite sonhado, o óptimo é uma fronteira irresistível.

Os campos de aterragem do nosso sonho comportam dúvidas. Pôr os pés no chão é já arriscar uma direcção. Com um mapa cheio de sinais passados em paisagens tão novas como presentes. Os sinais são guias que confirmam e que desviam, quando não se sabem ler com o olhar mais acertado.

A meio do concerto, ouço a frase: "Help me to doubt, oh my Lord, help me to love, oh my Love".

Não faltam respostas... =)

24 novembro 2006

Tesouros

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Fazer uma viagem dentro de nós mesmos é um mundo de descobertas.
Passear tranquilamente pelo nosso coração, fazendo perguntas a quem passa por nós, maravilhando-nos com os quadros do passado, descansando em tantos lugares de abrigo, onde sempre existem fontes de água fresca, sobretudo quando os nossos passos estão cansados.

Existem dentro de nós tantos caminhos percorridos, alguns tão difíceis, que parece impossível que um dia fomos capazes de passar por eles, autênticos desertos.

O que mais me maravilha é uma infinidade de caminhos dos quais não se vê o fim, tantos e tão diversos. Uns que nos levam para o fundo da nossa terra, outros que se perdem longe no céu. E há uns que parecem tão bonitos e tão fáceis e outros que me chamam irresistivelmente a percorre-los, esses mais desanimadores à partida.

Fazer uma história dos meus caminhos é perceber que os mais bonitos não são necessariamente os que levam as grandes paisagens da Vida. E alguns de tão áridos que foram, acabaram por ser a chegada aos locais mais importantes dentro de mim, os verdadeiros tesouros meus.

07 setembro 2006

Ser guiado

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Quantas vezes, no dia a dia, nos vamos enchendo de tantas peocupações! Muitas delas, de facto, devem fazer-nos pensar, e tomar decisões. Mas quando, no fim do dia, penso no que fui vivendo, há mil e uma pequenas coisas que me foram "consumindo" sem necessidade.

Porque não soube ir confiando e vendo que tudo pode ter um sentido.

Há caminhos na vida que nos surpreendem, nossos e das outras pessoas, e que tudo não corre como gostaríamos, ou porque não há oportunidade, ou porque é tudo muito lento, ou porque parece que eu sou o único inteligente que vê as coisas da forma mais correcta.

Fazer um exercício de pensar que somos conduzidos por um Mistério sonhado desde sempre para nós é muito libertador. Sobretudo nas grandes ocasiões da Vida.

Deixo que Deus e o Seu Espírito me guiem, sabendo que tenho responsabilidade pelo que faço da Vida, mas que, quando olho para trás, vejo que, sem dúvida fui conduzido sempre para além do que sonhei. Porque antes, durante e depois, vivo já este Nosso Sonho.

Como alguém que é levado nos braços, por alguém que conhece as nossas marcas, os nossos desejos e, sobretudo, a sede de sermos grandes no Amor.
 

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