Hoje deixo uma música. Imortal, de Rodrigo Leão, cantada ao vivo.
Nalguns momentos, é preciso deixar-se levar na confiança e no sonho, tomar consciência do dom que somos na vida das outras pessoas e como a nossa marca é imortal, quando feita com amor e entrega.
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20:18

19 abril 2009
Salto
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António Valério,sj

Tenho andado a pensar muito estes dias acerca da confiança. Há determinados momentos da nossa Vida que sentimos alargar de tal forma o nosso horizonte que tudo nos parece ao mesmo tempo próximo e distante. Aquilo que apreendemos nos olhares sobre o nosso futuro são apelos a situações onde nos veremos daqui a uns dias, semanas, meses ou anos. Temos presentes paisagens diurnas e nocturnas, praias, desertos, cidades e montanhas. Algumas onde brilha o sol que nos aquece e outras onde o vento frio nos faz perder a coragem. Corremos e recuamos, observamos e damos gritos de força.
Vemos tudo sem ainda possuir nada. É um motor e uma energia do nosso amor e das nossas capacidades criativas. E assustamo-nos com sombras e fantasmas que sabemos poderem ser bastante reais. E o nosso aqui e agora perde em profundidade. Ficamos situados numa linha de tempo que nos atira como uma flecha para lado nenhum.
A confiança é a atitude do presente. É um salto sobre um abismo, com o risco de cair, antes de alcançar um horizonte possível, sonhado ou imaginado. Um salto é um risco, e é cair em profundidade. Espaço da alma onde posso acolher e pacificar um olhar sereno sobre tudo aquilo que sou agora. Seja o que for, virá, hoje quero ser o que me compete.
às
19:48

Se escrevesse num diário os sentimentos de cada dia, certamente iria visitar muitas vezes as páginas mais coloridas. Temos a necessidade de regressar aos tempos em que um dia ouvimos claramente o nosso nome e encontrámos a nossa casa perfeita, arrumada, na paisagem que criámos. Porém, à medida que passa o tempo, vamos escrevendo páginas com canetas gastas e as cores vão perdendo força, sem percebermos porquê.
A Vida faz-nos crescer, somos cada vez mais completos e mais complexos; e o que um dia seria óbvio acontecer, hoje é uma miragem, ou uma saudade. Temos nas mãos uma possibilidade de escrever cada dia a nossa história. Mas o que já existiu, não serve para escrever o que hoje sou e me acontece. Simplesmente vamos virando páginas... sucessivamente.
Acredito que aquilo que uma vez foi dado e conquistado não se perde nunca. É esta a nossa marca de eternidade, o poder criar a partir da matéria que são os nossos dias, mesmo que seja terra seca e vasos quebrados. A força que um dia moveu as minhas mãos não deixa de as fazer mover agora. O que tem de ser construído é mais exigente, mas confio que o resultado será uma obra mais perfeita do que posso imaginar.
PS: A questão da ausência de Deus, tenho-o sentido muito pessoalmente, aparece nas alturas em que as coisas se complicam. E quando mais precisaria de Deus, mais encontrei um silêncio incapaz de responder às minhas perguntas. Mas fui-me dando conta de que fui eu que mudei e deixei de estar atento à minha profundidade, sem a fazer crescer comigo. Entretanto a vida muda, mas as raízes permanecem pequenas e com pouca força para me agarrar quando há vento forte. Regressar à profundidade ajudou-me a descobrir respostas que nunca tinha pensado. E percebi que Deus falava, mas de um modo que eu já não conseguia ouvir. Falava-me daquilo que me assustava e preocupava, precisamente aquilo que evitava pensar. E Ele foi paciente comigo e eu fui paciente comigo. Amei o hoje. E as raízes cresceram...
02 fevereiro 2009
Ver, sentir, confiar
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António Valério,sj

(sugestão da Carolina)
Se escrevesse num diário os sentimentos de cada dia, certamente iria visitar muitas vezes as páginas mais coloridas. Temos a necessidade de regressar aos tempos em que um dia ouvimos claramente o nosso nome e encontrámos a nossa casa perfeita, arrumada, na paisagem que criámos. Porém, à medida que passa o tempo, vamos escrevendo páginas com canetas gastas e as cores vão perdendo força, sem percebermos porquê.
A Vida faz-nos crescer, somos cada vez mais completos e mais complexos; e o que um dia seria óbvio acontecer, hoje é uma miragem, ou uma saudade. Temos nas mãos uma possibilidade de escrever cada dia a nossa história. Mas o que já existiu, não serve para escrever o que hoje sou e me acontece. Simplesmente vamos virando páginas... sucessivamente.
Acredito que aquilo que uma vez foi dado e conquistado não se perde nunca. É esta a nossa marca de eternidade, o poder criar a partir da matéria que são os nossos dias, mesmo que seja terra seca e vasos quebrados. A força que um dia moveu as minhas mãos não deixa de as fazer mover agora. O que tem de ser construído é mais exigente, mas confio que o resultado será uma obra mais perfeita do que posso imaginar.
PS: A questão da ausência de Deus, tenho-o sentido muito pessoalmente, aparece nas alturas em que as coisas se complicam. E quando mais precisaria de Deus, mais encontrei um silêncio incapaz de responder às minhas perguntas. Mas fui-me dando conta de que fui eu que mudei e deixei de estar atento à minha profundidade, sem a fazer crescer comigo. Entretanto a vida muda, mas as raízes permanecem pequenas e com pouca força para me agarrar quando há vento forte. Regressar à profundidade ajudou-me a descobrir respostas que nunca tinha pensado. E percebi que Deus falava, mas de um modo que eu já não conseguia ouvir. Falava-me daquilo que me assustava e preocupava, precisamente aquilo que evitava pensar. E Ele foi paciente comigo e eu fui paciente comigo. Amei o hoje. E as raízes cresceram...
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22:04

06 novembro 2008
Oração
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António Valério,sj

Normalmente não falo muitas vezes de oração. Mas hoje sinto-me movido a isso. Acaba por ser o nascimento do registo de um dia, de uma experiência, de toda uma vida. A oração é tempo gratuito e talvez seja isso o motivo mais significativo do mistério que normalmente envolve esta experiência.
É um encontro de duas vontades, uma delas é abertura plena e desejo, a outra é tentativas de sair de si e do ritmo dos probelmas e das alegrias. É entrar num mundo sem horas, nem agendas, nem programações. Tem muito de eternidade, um gesto trazido a coisas pequenas, um silêncio muitas vezes que é respiração e abandono.
Sim, o mais difícil na oração é pressentir que se pode perder o pé num oceano imenso. No fundo é a luta com as nossas seguranças e com aquilo que queremos, às vezes de forma egoísta. Mas uma experiência profunda e constante de estar diante de Deus como sou, todo e ao mesmo tempo partido, é inevitável para quem ousar confiar desta maneira. E pouco a pouco, tudo se tranforma.
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20:10

07 outubro 2008
É estranho
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É estranho que nos movamos simplesmente ao som de uma música que acontece sem esperar. A grande riqueza do quotidiano é a capacidade que tem de esconder mundos que irrompem inesperadamente e nos trazem cores e sons de surpresas.
Uma mudança de luz durante o dia, enquanto se caminha distraído, traz de repente com o vento um som vindo do fundo e de dentro que afirma sem espaço para dúvidas a certeza de sermos amados.
Não há nada que nos possa construir mais do que a indescritível experiência de alguém acreditar em nós acima de toda a razoabilidade. E isso porque há no fundo de nós algo que merece ser amado por aquilo que é, só porque grita, respira, ri, erra, existe.
Uma mudança de luz durante o dia, enquanto se caminha distraído, traz de repente com o vento um som vindo do fundo e de dentro que afirma sem espaço para dúvidas a certeza de sermos amados.
Não há nada que nos possa construir mais do que a indescritível experiência de alguém acreditar em nós acima de toda a razoabilidade. E isso porque há no fundo de nós algo que merece ser amado por aquilo que é, só porque grita, respira, ri, erra, existe.
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21:11

01 outubro 2008
Ver
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António Valério,sj

Uma das coisas que por vezes mais nos consome é que raramente temos certezas absolutas. Ainda hoje falava sobre isso com um companheiro e de como é importante ter aqueles momentos de salto confiado em que sabemos que não há outro remédio senão continuar um caminho ou recomeçar propósitos felizes.
O ver sem certezas também é bonito. Por ser o nosso modo de ver habitual, é também aquele a que devemos dar mais valor. Desafia a nossa coerência, aquilo que pomos nos pequenos gestos e nas decisões fáceis e difíceis de cada dia. E porque vivo assim, confio em mim e no meu poder de fazer as coisas bem... sou orientado para coisas grandes, e isso marca um modo de vida.
Talvez um dia possa ter tudo claro. Talvez um dia olhe para trás e tudo faça sentido. Mas viver sem talvez e escolher viver a partir de motivações fortes é algo mesmo importante. Faz brilhar outro sol em dias de chuva cansativa e monótona.
O ver sem certezas também é bonito. Por ser o nosso modo de ver habitual, é também aquele a que devemos dar mais valor. Desafia a nossa coerência, aquilo que pomos nos pequenos gestos e nas decisões fáceis e difíceis de cada dia. E porque vivo assim, confio em mim e no meu poder de fazer as coisas bem... sou orientado para coisas grandes, e isso marca um modo de vida.
Talvez um dia possa ter tudo claro. Talvez um dia olhe para trás e tudo faça sentido. Mas viver sem talvez e escolher viver a partir de motivações fortes é algo mesmo importante. Faz brilhar outro sol em dias de chuva cansativa e monótona.
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10:59

05 junho 2008
Ao perto e ao longe
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António Valério,sj

A nossa condição passa-se entre o que somos e fazemos em cada momento e aquilo que projectamos e desejamos fazer no futuro. E podem acontecer três coisas: ou vivemos o presente com a serenidade de que estamos no caminho de um futuro escolhido por nós; ou vivemos desencantados porque o que fazemos não tem nada a ver com o que realmente queremos; ou, por fim, vivemos na indiferença e no desinteresse, porque não pensamos no que fazemos com horizonte de futuro.
Os dias são muito complexos e em tantas acções que fazemos, umas são felizes, outras tristes e outras indiferentes. O que poderia dar a qualidade maior e a unidade ao que faço? Muitas vezes passa por escolhas e opções de fazer sobretudo aquilo que realiza os meus desejos autênticos, se for possível hoje. Ou então, de olhar para o que faço agora sem esquecer o que quero vir a ser e a fazer.
Entre o perto e o longe, temos um movimento que nós podemos controlar ou podemos, pelo contrário, ser arrastados por ele. Acho que não é bom nem uma coisa nem outra. Prefiro falar de controlar como orientar e decidir, e arrastar como confiar e entregar. Cada gesto seria mais simples e mais autêntico.
Os dias são muito complexos e em tantas acções que fazemos, umas são felizes, outras tristes e outras indiferentes. O que poderia dar a qualidade maior e a unidade ao que faço? Muitas vezes passa por escolhas e opções de fazer sobretudo aquilo que realiza os meus desejos autênticos, se for possível hoje. Ou então, de olhar para o que faço agora sem esquecer o que quero vir a ser e a fazer.
Entre o perto e o longe, temos um movimento que nós podemos controlar ou podemos, pelo contrário, ser arrastados por ele. Acho que não é bom nem uma coisa nem outra. Prefiro falar de controlar como orientar e decidir, e arrastar como confiar e entregar. Cada gesto seria mais simples e mais autêntico.
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13:35

05 maio 2008
Sermos todos
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António Valério,sj

O que mais nos divide são as nossas incertezas. Como quando começamos a andar, ou abrimos os braços para receber qualquer coisa, ou estendemos a mão para agarrar algo e, de repente, sem grandes explicações, voltamos atrás.
Vivemos de inspirações momentâneas e pomo-nos logo a agir. O que poderá estar na origem dos nossos avanços e recuos não é muitas vezes a preguiça ou as circunstâncias. É algo que vem de mais longe e mais fundo. Tem a ver com o facto de começarmos um gesto sem estarmos inteiros naquilo que fazemos.
Isto tem muito de ideal, e não temos a atenção suficiente para ver se temos todas as condições para começar coisas novas e grandes. Nisso joga um papel muito importante a confiança. Mas não será a confiança um espaço de unificar o que em nós é medo e coragem? O que nos faz perceber o sentido das coisas futuras e o que podemos, de facto, fazer de modo completo e autêntico?
Vivemos de inspirações momentâneas e pomo-nos logo a agir. O que poderá estar na origem dos nossos avanços e recuos não é muitas vezes a preguiça ou as circunstâncias. É algo que vem de mais longe e mais fundo. Tem a ver com o facto de começarmos um gesto sem estarmos inteiros naquilo que fazemos.
Isto tem muito de ideal, e não temos a atenção suficiente para ver se temos todas as condições para começar coisas novas e grandes. Nisso joga um papel muito importante a confiança. Mas não será a confiança um espaço de unificar o que em nós é medo e coragem? O que nos faz perceber o sentido das coisas futuras e o que podemos, de facto, fazer de modo completo e autêntico?
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12:01

04 maio 2008
Mergulho
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António Valério,sj

A autenticidade tem muito de corajoso. Por vezes é muito difícil perceber o que somos e aquilo que acontece dentro de nós. Talvez porque nos habituamos a ter uma determinada imagem de nós próprios e qualquer novidade obriga-nos a mudar os nossos esquemas e rotinas.
Muitas vezes, porque o queremos, a luz de qualquer coisa nova faz tanto sentido que nem sequer olhamos às consequências. Sobretudo quando este salto tem a marca do amor e da verdade, somos coerentes com os nossos desejos mais fundo e uma luz especial ilumina o nosso olhar.
Mas quando saltamos para um escuro pouco verdadeiro, imediatamente sentimos uma espécie de medo de que algo que nos pode magoar. ou magoar alguém. O tempo diz muito acerca do que acontece quando arriscamos. Mas se há algo a que nos podemos agarrar é a nossa história de sinais completos. Não é imediato percebe-la, mas é importante parar para a reconhecer. Talvez este seja o primeiro salto decisivo.
Muitas vezes, porque o queremos, a luz de qualquer coisa nova faz tanto sentido que nem sequer olhamos às consequências. Sobretudo quando este salto tem a marca do amor e da verdade, somos coerentes com os nossos desejos mais fundo e uma luz especial ilumina o nosso olhar.
Mas quando saltamos para um escuro pouco verdadeiro, imediatamente sentimos uma espécie de medo de que algo que nos pode magoar. ou magoar alguém. O tempo diz muito acerca do que acontece quando arriscamos. Mas se há algo a que nos podemos agarrar é a nossa história de sinais completos. Não é imediato percebe-la, mas é importante parar para a reconhecer. Talvez este seja o primeiro salto decisivo.
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12:28

30 setembro 2007
Mais além
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António Valério,sj

Um caminho a partir do essencial faz-nos levantar os olhos e perceber até onde chegam os nossos gestos. Não se parte de desejos já conseguidos. Esses são as referências, é o que levamos connosco.
A maior riqueza é saber que há tesouros que não se perdem e, por isso nos permitem abrir os braços e abraçar um mundo de paisagens novas. Que se repetem, mas constituem um além que nos transcende. É o arriscar sem medida, quando se tem a certeza que o que virá, terá de ser a vida que me chama a ser completo.
Há tantas pessoas que precisam de um coração que as envolva... mesmo na distância e no desconhecido. Sabemos que trazemos um poder capaz de levantar o mundo. E este manifesta-se na alegria... no ser melhor.
Porquê? ... É que nunca fui melhor do que sou agora.
A maior riqueza é saber que há tesouros que não se perdem e, por isso nos permitem abrir os braços e abraçar um mundo de paisagens novas. Que se repetem, mas constituem um além que nos transcende. É o arriscar sem medida, quando se tem a certeza que o que virá, terá de ser a vida que me chama a ser completo.
Há tantas pessoas que precisam de um coração que as envolva... mesmo na distância e no desconhecido. Sabemos que trazemos um poder capaz de levantar o mundo. E este manifesta-se na alegria... no ser melhor.
Porquê? ... É que nunca fui melhor do que sou agora.
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09:41

06 julho 2007
Portas
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António Valério,sj

Encontro futuro nos abraços do passado. Se, por um lado, é bom ir olhando para trás e perceber que as coisas mudam e ficam diferentes, por outro, vejo que fui sendo construído até ser o que sou hoje.
Sobretudo ao rever as portas que se abriram em momentos de dúvidas e soube confiar no trabalho das mãos e na bondade de coração. Com a força de Deus, aquela que ilumina as coisas todas da Vida.
O passado fica como um álbum de passagens conseguidas para coisas novas, de ver sementes que deram frutos. E quando esperava que a terra fosse árida, surpreendo-me hoje com florestas cheias de sombra e água fresca.
Por isso, o futuro são outras portas que, daqui a uns anos, olharei a partir da sensação de ter conseguido algo. Custa dar o salto da confiança, quando esta tem de ser posta em gestos. Mas vale tanto a pena.
Sobretudo ao rever as portas que se abriram em momentos de dúvidas e soube confiar no trabalho das mãos e na bondade de coração. Com a força de Deus, aquela que ilumina as coisas todas da Vida.
O passado fica como um álbum de passagens conseguidas para coisas novas, de ver sementes que deram frutos. E quando esperava que a terra fosse árida, surpreendo-me hoje com florestas cheias de sombra e água fresca.
Por isso, o futuro são outras portas que, daqui a uns anos, olharei a partir da sensação de ter conseguido algo. Custa dar o salto da confiança, quando esta tem de ser posta em gestos. Mas vale tanto a pena.
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15:10

16 junho 2007
Leve
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António Valério,sj

O tempo traz sempre todos os sinais de esperança... e nós vamos pondo os meios e esperando os fins, pouco a pouco. Chega a hora e acontece o que tem de acontecer... destino, azar, coincidências ou consequências... pode-se chamar muitas coisas. Faz sentido ler como vontade de Deus, em última instância Amor, mesmo não compreendido totalmente.
E os nossos meios mais simples, vão-nos realizando, com o esforço de cada dia. Estar a chegar quase ao fim da época de exames, é um motivo de confirmação dos meus deveres, e de consolação pelo que sou capaz de fazer.
Quando faço o que posso, por querer fazê-lo e não porque tem de ser. Chega a hora... cumpra-se... e vou-me encontrando numa espécie de lugar diferente, mais perto do futuro, mais cumprido do passado.
E os nossos meios mais simples, vão-nos realizando, com o esforço de cada dia. Estar a chegar quase ao fim da época de exames, é um motivo de confirmação dos meus deveres, e de consolação pelo que sou capaz de fazer.
Quando faço o que posso, por querer fazê-lo e não porque tem de ser. Chega a hora... cumpra-se... e vou-me encontrando numa espécie de lugar diferente, mais perto do futuro, mais cumprido do passado.
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09:53

09 maio 2007
Ser salvo
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António Valério,sj

Ontem, numa aula, o professor falava da linguagem que usamos para falar da nossa fé. E como expressões que, no tempo em que foram escritas, faziam muito sentido, hoje são quase incompreensíveis. Dizer, por exemplo, que Jesus é Deus, ou que Jesus é Senhor, é muito mais compreensível dizer que Jesus é Deus. Apesar de, no Novo Testamento, se usar quase predominantemente a expressão "Jesus é Senhor".
Esta expressão existe como outras. E hoje pensava na salvação. O que é ser salvo?
Não é apenas uma felicidade plena depois desta Vida. Começa já aqui, não é apenas ser salvo, mas estar salvo. Uma imagem: A mão que segura Pedro na tempestade. Uma frase: "Não tenham medo, sou Eu". São imagens e frases que se repetem na Vida de Jesus, entre nós. Como hoje.
Estar salvo é viver a minha verdade, na confiança de saber como sou olhado, de me sentir seguro. De tentar caminhar com os passos certos, de não ter medo do que vier.
Esta expressão existe como outras. E hoje pensava na salvação. O que é ser salvo?
Não é apenas uma felicidade plena depois desta Vida. Começa já aqui, não é apenas ser salvo, mas estar salvo. Uma imagem: A mão que segura Pedro na tempestade. Uma frase: "Não tenham medo, sou Eu". São imagens e frases que se repetem na Vida de Jesus, entre nós. Como hoje.
Estar salvo é viver a minha verdade, na confiança de saber como sou olhado, de me sentir seguro. De tentar caminhar com os passos certos, de não ter medo do que vier.
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13:28

22 março 2007
De sombra e de Luz
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António Valério,sj

Escuta... depois de correr à chuva, com os cabelos molhados, cansado. Ouve-se o respirar ofegante que abre a porta. - Entra!
Dão-lhe uma toalha para se secar. - Está tão quente aqui, é bom voltar a casa. - Onde estavas? - Por aí... longe de mim, às vezes... - É bom encontrar-Te.
- E é bom estar à tua espera! Senta-te aqui. Conversas de música e fotografias... tanto do que a Vida fez de nós. Estás bem? - Sim, agora estou... Se te quisesse dizer porquê, não saberia. É como se estivesse a andar de carro por uma estrada no meio de planícies. Onde tudo é igual, mas de repente, há um sítio escolhido.
Onde vi o pôr do sol ou um céu de estrelas... Não escolhi o momento em que tudo pode acontecer. Consola tanto como faz doer... abrir os braços e fechar os olhos, deixar-se levar no vento...
Com grandes certezas, com maior vontade de ser a luz da minha sombra. Gosto de te ver aqui... Tens razão, és o meu lugar...
Dão-lhe uma toalha para se secar. - Está tão quente aqui, é bom voltar a casa. - Onde estavas? - Por aí... longe de mim, às vezes... - É bom encontrar-Te.
- E é bom estar à tua espera! Senta-te aqui. Conversas de música e fotografias... tanto do que a Vida fez de nós. Estás bem? - Sim, agora estou... Se te quisesse dizer porquê, não saberia. É como se estivesse a andar de carro por uma estrada no meio de planícies. Onde tudo é igual, mas de repente, há um sítio escolhido.
Onde vi o pôr do sol ou um céu de estrelas... Não escolhi o momento em que tudo pode acontecer. Consola tanto como faz doer... abrir os braços e fechar os olhos, deixar-se levar no vento...
Com grandes certezas, com maior vontade de ser a luz da minha sombra. Gosto de te ver aqui... Tens razão, és o meu lugar...
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08:27

23 janeiro 2007
Procuro
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António Valério,sj

"Onde estás?" - Pergunto enquanto olho a sorrir ao longe. Ouve-se a sua voz na noite, misturada com passos de encontro. "Já me encontraste, uma vez mais te encontro". Passam as luzes da cidade, até aparecer a cor do fogo. "Há lugares tão nossos, em que o tempo deixa de passar na memória, fica em movimentos de consolação futura, preciso deles". Sento-me, cansado, às vezes a alma desiste de querer mais, sai do peito num lamento incompleto. "Que procuras?"Pararam os passos, ouço um gesto de abraço. "Sinto uma paz prometida, aquela que é trazida na promessa que me fizeste". Abre-se um livro, as páginas são escritas rapidamente, à velocidade de um voo de águia. "Não procures mais, nunca chegarás ao fim da viagem, vive a partir do completo que te é dado agora". As mãos enchem-se de água que escorre pelos dedos. "Não consigo, pode ser tudo tão completo quando se pára a meio do deserto e se ouve o som do vento". Descansa agora o meu coração, porque me hei-de inquietar, se vivo debaixo de um sol que nasce todos os dias?
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22:08

21 janeiro 2007
À espera
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Lembro-me de alguns dias especiais em que tenho a certeza que algo vai acontecer. Em que me levanto da cama e abro a janela, recebo os primeiros raios de luz. Da minha janela, a luz do amanhecer parece tirada de um filme, é cor de rosa, quando há algumas nuvens, ou branca, quando mal se consegue olhar as casas.
Não pertenço só àquilo que os meus olhos percebem. Depois vem o silêncio antes do acontecer. Talvez o cumprimento da promessa para o dia de hoje, em que o Amor se concretiza nas coisas comuns.
Mas nem sempre é apenas isso. Os dias em que algo vai acontecer falam de uma luz que traz um sopro de algo novo. Caminho com mais confiança quando saio da porta do meu quarto. A Vida traz-me tudo o que preciso para ser fiel ao Sonho.
É pena que nem todos os dias seja possível olhar agradecido para as estrelas, antes de dormir. Talvez coisas grandes me tenham passado ao lado. Amanhã será....
Não pertenço só àquilo que os meus olhos percebem. Depois vem o silêncio antes do acontecer. Talvez o cumprimento da promessa para o dia de hoje, em que o Amor se concretiza nas coisas comuns.
Mas nem sempre é apenas isso. Os dias em que algo vai acontecer falam de uma luz que traz um sopro de algo novo. Caminho com mais confiança quando saio da porta do meu quarto. A Vida traz-me tudo o que preciso para ser fiel ao Sonho.
É pena que nem todos os dias seja possível olhar agradecido para as estrelas, antes de dormir. Talvez coisas grandes me tenham passado ao lado. Amanhã será....
às
15:52

14 janeiro 2007
Anjo
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António Valério,sj

Lembro-me de um pormenor de um filme que aprecio muito, o "Verão de Kikujiro". A determinada altura, o protagonista oferece a um menino um anjo de cristal, que tinha uma campainha. E disse-lhe que se algum dia estivesse triste, tocava a campainha e um anjo viria a ajudá-lo ou mandava alguém para o fazer feliz.
E dei por mim a pensar que seria tão bom eu poder ter um anjo assim, não pela espécie de superstição infantil, mas pela confiança. Porque às vezes não sei olhar para o que me é dado de forma tão amorosa.
Se eu tivesse uma campainha para chamar um anjo, seria talvez capaz de confiar mais? Pelo menos teria um motivo para me lembrar. Que quando hesito, basta dizer que eu sonho e que há um Amor de fundo que me conduz para além do que percebo.
E ao ouvir o toque da capainha, deixar-me-ia andar, de braços abertos ao vento? É tão difícil confiar sem a rede que me ampare. Que quando quero confiar, sei que o meu destino maior está noutras mãos, essas com a certeza por onde me conduzem.
Por isso, se eu tivesse esse anjo, deixava todas as dúvidas na certeza de que sou conduzido. E tudo o que acontece seria uma benção.
Pensando bem, talvez as coisas sejam muito mais assim do que parece! =)
E dei por mim a pensar que seria tão bom eu poder ter um anjo assim, não pela espécie de superstição infantil, mas pela confiança. Porque às vezes não sei olhar para o que me é dado de forma tão amorosa.
Se eu tivesse uma campainha para chamar um anjo, seria talvez capaz de confiar mais? Pelo menos teria um motivo para me lembrar. Que quando hesito, basta dizer que eu sonho e que há um Amor de fundo que me conduz para além do que percebo.
E ao ouvir o toque da capainha, deixar-me-ia andar, de braços abertos ao vento? É tão difícil confiar sem a rede que me ampare. Que quando quero confiar, sei que o meu destino maior está noutras mãos, essas com a certeza por onde me conduzem.
Por isso, se eu tivesse esse anjo, deixava todas as dúvidas na certeza de que sou conduzido. E tudo o que acontece seria uma benção.
Pensando bem, talvez as coisas sejam muito mais assim do que parece! =)
às
20:53

18 dezembro 2006
Não tenhas medo
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António Valério,sj

Dei-me conta no outro dia que esta é uma das frases mais repetidas por Deus na Bíblia, quer no Antigo Testamento, quer no Novo Testamento. E é curioso que mudam as personagens, mas o estilo é mais ou menos o mesmo. Esta frase aparece antes da argumentação, antes do pedido e antes da resposta. É quase como o modo divino de dizer: Olá!
Para mim, isto significa muito. Que quando Deus fala, pede coisas que parecem à partida difíceis. E vem já com intenção de as propor. Não quer deixar de ser criador e eu criatura criativa. E mais... que já sabe que eu vou ter medo com o que vai pedir... às vezes somos mesmo preguiçosos por dentro. E o que é mais extraordinário, é que ninguém lhe disse que não, e normalmente a explicação do pedido não é muito descansativa.
Talvez o sim seja a confiança, e depois um enorme agradecimento por se saber confiado. É impossível resistir a quem ama... Deus deve ser algo mesmo fascinante! =)
Para mim, isto significa muito. Que quando Deus fala, pede coisas que parecem à partida difíceis. E vem já com intenção de as propor. Não quer deixar de ser criador e eu criatura criativa. E mais... que já sabe que eu vou ter medo com o que vai pedir... às vezes somos mesmo preguiçosos por dentro. E o que é mais extraordinário, é que ninguém lhe disse que não, e normalmente a explicação do pedido não é muito descansativa.
Talvez o sim seja a confiança, e depois um enorme agradecimento por se saber confiado. É impossível resistir a quem ama... Deus deve ser algo mesmo fascinante! =)
às
17:29
São assim coisas pequenas. Estar à tarde com um amigo, sentados nas escadas da fonte da praça do Panteon, como turistas. A comer um gelado ao sol de Novembro.
A falar da vida, de preocupações agarradas por sonhos e desafios futuros, de querer acertar mais com coisas essenciais.
São assim as coisas pequenas, momentos privilegiados de uma Vida que se procura e se encontra na paixão de ser cada vez mais pronto para Ser Tudo.
Esperar é uma sabedoria. Esperar que o coração pouco a pouco se vá arrumando nas memórias e sonhos que um dia o alimentaram. E que as memórias sonhadas vão sendo cada vez mais momentos de agradecer com simplicidade, sem querer complicar muito.
E é assim um tempo de procura e encontro de Paz, de cultivar novos espaços. Espaços esses que nos vêm ao encontro cada dia, com novas partilhas, novos projectos, novas dimensões.
A espera vem sempre associada com a confiança. Deixar-se levar na confiança de um Sonho de Deus para a minha Vida, pouco a pouco, quase sem dar por isso, vai alargando o meu coração para aceitar tudo. É quase imperceptível, mas é a experiência mais completa destes meus últimos dias.
08 novembro 2006
Saber Esperar
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António Valério,sj
São assim coisas pequenas. Estar à tarde com um amigo, sentados nas escadas da fonte da praça do Panteon, como turistas. A comer um gelado ao sol de Novembro.A falar da vida, de preocupações agarradas por sonhos e desafios futuros, de querer acertar mais com coisas essenciais.
São assim as coisas pequenas, momentos privilegiados de uma Vida que se procura e se encontra na paixão de ser cada vez mais pronto para Ser Tudo.
Esperar é uma sabedoria. Esperar que o coração pouco a pouco se vá arrumando nas memórias e sonhos que um dia o alimentaram. E que as memórias sonhadas vão sendo cada vez mais momentos de agradecer com simplicidade, sem querer complicar muito.
E é assim um tempo de procura e encontro de Paz, de cultivar novos espaços. Espaços esses que nos vêm ao encontro cada dia, com novas partilhas, novos projectos, novas dimensões.
A espera vem sempre associada com a confiança. Deixar-se levar na confiança de um Sonho de Deus para a minha Vida, pouco a pouco, quase sem dar por isso, vai alargando o meu coração para aceitar tudo. É quase imperceptível, mas é a experiência mais completa destes meus últimos dias.
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