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06 abril 2010

Grandeza

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O que significa ser grande ou fazer coisas grandes? Vivemos à procura dos momentos em que a nossa vida ganha um rumo novo, em que temos a impressão que deixámos uma marca significativa no mundo e na vida das outras pessoas. Deixar obra feita. É muito importante que existam metas na nossa vida, porque orientam aquilo que fazemos numa direcção que nos preencha e nos faça crescer.

O risco que temos de afrontar é não fazer depender a nossa grandeza daquilo que podemos vir a fazer de significativo e visível. Existe uma grandeza que significa crescimento contínuo sem estar directamente relacionada com os seus frutos. É o caminho de cada dia e o modo como somos grandes em pequenas coisas. A vida sabe a pouco quando não prestamos atenção e não valorizamos tudo o que acontece como oportunidade e surpresa.

Uma pessoa grande tem aquela simplicidade de não ser obsessiva com resultados. Sabe dar valor ao que merece ter valor. E assim a vida ganha outra qualidade. 

11 janeiro 2010

Honestidade

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Há olhares que simplesmente mostram a alma. É com os pequeninos que podemos aprender a ser assim, não complicar.... viver numa alegria espontânea é tão bom!

04 julho 2009

Espera e simplicidade

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Nos dias que antecedem momentos grandes da nossa Vida, costumamos sentir alguma ansiedade, para que tudo corra bem, para que estejamos à altura do momento, que seja o melhor dia das nossas Vidas.

Mas é curioso que acabo por pensar que um momento bonito e especial é uma continuação, um continuar a caminhar, um começo mais que uma chegada. É chegar a uma nova paisagem sem ter nada conhecido, mas estar aberto a uma surpresa que ultrapasse todos os cálculos, aquilo que é previsto ou suposto.

É com os pequeninos que se aprende a saborear aquilo que a Vida nos dá e a forma como somos construídos em luz, amor e generosidade. É maravilhoso dar-se conta de como somos privilegiados, como nos é dado tanto mais do que merecemos e como nos resta aceitar com olhar feliz aquilo que acontece.

09 março 2009

Dócil

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Hoje numa conversa que tive, surgiu a palavra docilidade acerca do modo de estar na Vida. A pessoa que a referiu falava disso como a coisa com que mais se identificava. Fiquei a pensar nisso. Talvez porque tenha mexido mais comigo, e tocado num dos meus medos principais, uma daquelas coisas que nos assustamos só de pensar que possa vir a acontecer connosco.


Ter a docilidade como modo principal de estar na Vida desperta em nós a sensação de simplicidade, aceitação e acolhimento. Os doces são a alegria de uma refeição, dá a nota de festa, surpreende e causa elogios e bem-estar. Uma pessoa dócil tem esta mesma alegria como ponto de referência. E não quer dizer que seja ingénua, ou afastada da realidade, ou alguém que esteja continuamente a ser ultrapassada. Tem uma força especial... e fascinante.


O contrário do doce é o amargo. Uma pessoa amarga está continuamente desiludida, critica tudo e todos, nada está bem. E alguém que critica continuamente não ajuda a construir, parece que é o único que tem todas as soluções e, no fundo, é um incompreendido. Acredito que isso deve ser uma enorme fonte de tensão. Mais tarde ou mais cedo, acaba por não ser levado a sério. Já se sabe o discurso que virá... Uma pessoa dócil, pelo contrário, dá mais importância ao que a vida oferece, para a fazer própria e bonita, não destrói presentes logo à partida. E para isso é preciso coragem, coração e olhar grandes e alegria.

23 novembro 2008

Testemunho

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Há muitas coisas que podemos desejar na vida, mas uma é verdadeiramente importante. Irradiar paz e felicidade. Não há ninguém tão interpelador no modo de viver a vida com profundidade do que aquelas pessoas que estão serenas, pacíficas, que não stressam, acolhem e têm sempre um sorriso a dizer perante as dificuldades próprias e dos outros.

Fascina-me o segredo destas pessoas. E acredito cada vez mais nisto: que a profundidade do olhar deles é feito através de um amor enorme por tudo o que acontece em nós, mesmo tudo, mesmo aquilo que não deveria nem daria jeito acontecer. Fico saudavelmente invejoso das pessoas felizes e dou-me conta de duas coisas.

Que podia ser mais com elas. E que já sou assim em muitas coisas. Para quê continuar a adiar a felicidade? Porque um salto deste tipo, arriscar-se a uma felicidade além do razoável e do calculado, também tem as suas consequências. Bem pequenas, porém, muito pequenas comparado com o que se pode viver a partir delas.

22 novembro 2008

Simplicidade

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Estava a começar este post e a dar-me conta de que já devo ter escrito mais vezes sobre este assunto. Acho que há sempre tanto a dizer sobre a simplicidade, porque identifico também grande parte do meu movimento espiritual neste desafio de descomplicar as coisas e ser mais básico na forma de encarar de vida.


É bom saber aquilo que fazemos e ter consciência das opções que tomamos, mas tantas vezes perdemos tantas energias em fazer demasiadas promessas ou a justificar aquilo que achamos que não está bem em nós e que, no fundo, não queremos mudar. A simplicidade tem uma cor clara, diz entre nuvens complexas uma palavra mais verdadeira que as outras.


Sou fascinado pelas coisas simples, não me perco demasiado em decorar espaços que ficam melhor vazios, para que possam entrar as pessoas e as situações sem ficarem perdidas em coisas que não sou eu. Na simplicidade lavamo-nos de imagens que não somos nós, fazemos as coisas bem e motivados com elas porque é bom sermos bons, com brilho no olhar.

13 outubro 2008

Divisões interiores

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Por diversas circunstâncias, tenho andado à volta da questão sobre o querer fazer o bem e o conseguir fazê-lo. E, por caso, tenho até tido várias conversas sobre isso. Há uma frase de S. Paulo que sempre foi misteriosa para mim: "Não faço o bem que quero e faço o mal que não quero".

Chega a ser exasperante esta situação, de não conseguir ser simples no amor. Porque fazer o bem é tão óbvio, há uma espécie de mapa interior em cada um de nós que sabe perfeitamente para onde podemos andar nos gestos concretos de cada dia para poder alcançar as nossas metas de bem. E perdemos tempo, gastamos energias, perdemo-nos a nós mesmos em tantas coisas menos importantes e que acabam por nos fechar em ciclos pouco virtuosos.

Não somos máquinas, super-homens, totalmente perfeitos. Há que aceitar sem desanimar, mas esta situação às vezes é mesmo difícil de levar com serenidade. Por outro lado, o desejo do Bem é um dom enorme. Há muitas pessoas que nunca põem esta questão... Teria de caminhar na confiança, e dar-me conta de que são mesmo poucas as coisas que dependem exclusivamente de mim.

21 junho 2008

Santidade

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Pergunto-me muitas vezes se é possível chegar à santidade. Sobretudo quando os nossos limites são tão visíveis que o ser santo fica reservado a quem tem mais paciência, mais virtude, ou quem sabe rezar melhor.

Contudo, uma coisa que sempre observo no meu dia-a-dia é o desejo de continuamente melhorar, mesmo apesar de andar para trás às vezes. Seria, por isso, uma espécie de motor do desejo para a perfeição. Mas acredito que não é apenas isso.

A santidade acontece quando deixamos ser em nós aquilo que de mais radical nos é dado, que é a capacidade de ser simples e não fazer muitas contas acerca dos resultados. Será qualquer coisa como aceitar que muito é feito em mim, mesmo que não dê conta, mas que cresce em frutos e flores para os outros e para o mundo. É deixar seguir o crescimento que tenho para as coisas mais bonitas e melhores. Porque temos o Espírito nos nossos corações, o dado mais importante está lançado, é preciso fazê-lo jogar.

16 dezembro 2007

Só eu sei

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As crianças ensinam tanto. Gosto mesmo de as ver brincar às escondidas, em dias de sol. Lembro-me de, há uns meses atrás, o palco do esconde-esconde ser o largo de uma igreja, cheio de gente. E lá estavam eles, a correr por detrás de muros e troncos de árvores, em fila. O primeiro espreitava e os outros esperavam. Depois, assustava-se e gritava, e todos gritavam e corriam num salve-se quem puder, para chegar ao lugar marcado.

Eles eram os escondidos-vistos-por-toda-a-gente. =) E tantas vezes somos assim.

Porque vivemos neste risco ténue entre o mostrar e o esconder. Queremos ver o que está à nossa espera, detestamos ser surpreendidos. E quando somos apanhados gritamos e fugimos. Mas seria tão bom que as surpresas, boas e más, fossem mais parecidas com este correr a gritar. Porque não é medo, é companhia veloz debaixo do sol e nas pedras do chão. O ser apanhado desprevenido não é o fim do jogo, dá vontade de jogar outra vez, desta vez mais atento.

31 outubro 2007

Simpatia

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As lições de catequese fazem-me sempre bem. Hoje fui, como todas as quartas-feiras, dar catequese a um grupo de meninos e meninas que se preparam para a primeira comunhão, na escola dos jesuítas aqui de Roma.

Uma das coisas que mais me fascina é a capacidade de eles exprimirem o que sentem com toda a simplicidade. Normalmente fazemos teorias para que o nosso discurso sobre nós próprios seja perceptível, mas é fácil colocarmo-nos acima de uma sintonia de coração que é mais básica.

Entre o cuidado de nos expormos e o bem que fazemos em falar daquilo que somos, tendemos por vezes a esconder tesouros simpáticos. Fazer a experiência de ser mais autêntico em dizer e fazer o que somos, é um dom enorme.

01 outubro 2007

Genuíno

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Lembrei-me hoje de um episódio que aconteceu há uns meses atrás numa missa aqui em Roma. Foi numa paróquia conhecida pelo trabalho que faz com pobres e pessoas que vivem na rua. Não só se trabalha fora das paredes da igreja, como se trazem as pessoas para lá! Por isso, é um ambiente muito particular.

De facto, vê-se pessoas vestidas com roupas velhas e sujas, cheias de sacos, às vezes sem se darem conta do que se passa à sua volta. O que é um facto, é que têm um modo muito seu de participar.

A meio da missa ouve-se o ruído de sacos de plástico. Entra um velhinho que, sem se incomodar, nem ele nem os outros, vai ter com uma senhora e tira uma sandes e oferece-lha a rir. Ela sorri também. Falam um bocadinho e, depois de ali estar sentado um bocado, vai embora.

Algo do mais genuíno que vi. Quem precisa dá a quem mais precisa... não calcula, não mede, não cobra. Apenas sorri, como quem percebe que cumpriu a sua missão.

E saí da missa a pensar que preciso de tantas coisas e que, por isso, acho que não estou capacitado para dar mais... aprendi tanto com pessoas que pensam e sabem muito menos que eu, mas que sabem viver com tanta maior gratidão...

06 agosto 2007

GRAAL III

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Regressei há dias de um campo de férias. Foi o Graal III. Ainda é um conjunto difuso de memórias e sentimentos, misturados com aquele cansaço feliz, que torna difícil perceber tudo a fundo.

Fica para já uma sensação de luz de fim do dia e personagens de outros tempos que falam agora das coisas essenciais. A simplicidade e a vida no Campo faz tocar aquelas coisas que, ao longo do ano, tornamos demasiado complicadas. Há sempre confortos que ficam úteis demais e nos fazem procurar coisas que não precisamos.

Só um fim de tarde, tocado por um Essencial que vem de Deus e passa pela verdade de cada um, faz crescer e dar-se conta que se fica diferente sem grande esforço, apenas porque se teve a coragem de dizer com as mãos que vale a pena entregar-se e mudar coisas na vida. Para ser melhor, para ser mais completo, para fazer de tudo isto um mundo de imaginação real muito mais feliz.

Foi das experiências mais palpáveis que tive para perceber como 25 pessoas diferentes podem mudar muita coisa para melhor, quando se tem humildade para aprender e vontade de sonhar na realidade de cada um. Agradeço a Jesus e a cada um dos que viveram este sonho comigo o modo como fizeram concretizar um projecto e operar um milagre. Ganhamos tanto por ser mais simples... =)

13 maio 2007

Comunhão

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Hoje foi o dia da Primeira Comunhão do grupo de crianças que estive a preparar ao longo do ano, no Colégio dos Jesuítas de Roma. Um acontecimento de chegada ao fim de um percurso de alegria e paciência, mas ao mesmo tempo o início de uma consolação visível em sorrisos e abraços agradecidos de quem recebe tão simplesmente Jesus na sua Vida. Como só as crianças o sabem fazer.

E dois momentos de contraste, de profundidades tão iguais. Passar pela festa de uma das meninas, com a família, num ambiente de grande alegria. E meia-hora depois, estar no quarto de hospital a visitar outra menina, que partiu ontem a perna e não pôde hoje fazer a primeira comunhão.

A menina a quem fui à festa, dizia: senti Jesus tão próximo e senti-me tão emocionada. A menina na cama do hospital, dizia-me: Assim vejo como tenho tantos amigos e pessoas que gostam de mim, porque tenho tantas visitas e tantos presentes.

Comunhões com Jesus em modos tão diferentes e tão plenos. Como só as crianças o sabem fazer.

03 maio 2007

Lugares comuns

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No fundo do quintal da casa, existe uma zona de arrumações. Para além do muro, estende-se um campo imenso, de céu e árvores. Sem lugar para uma cadeira, nem sítio para estender as pernas e ler um livro. Não fica bonito estar ali, no meio do estendal.

Entretanto, passam meses sem lá ir.... chegou a altura de andar por outras paragens, a vida agita-se assim normalmente sem fazer mal a ninguém.

Numa cidade muito longe, num fim de tarde. Passear pelas ruas escondidas... aquelas que nem entram nas fotografias. Através de muros que escondem os fundos dos quintais. Ouvem-se as vozes, ou o som de qualquer coisa a ser atirada para ali...

Os sons da nostalgia... em cada lugar distante de nós ouvem-se os mesmos gestos, que trazem o calor de casa. Sobretudo aqueles de todos os dias, que despertam aquela vontade de ser mais simples... e mais profundo em tudo o que é comum.

12 março 2007

Aqui

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Aqui, onde tudo acontece, fala-me a força do que quer ganhar vida. Aqui, neste lugar quente e arriscado, onde se joga o meu mundo, onde tenho a força de, com o mesmo gesto, poder amar ou poder destruir.

Aqui neste sítio de silêncio, onde nada acontece como quero, mas onde quero que aconteça aquilo que não posso fazer por mim.

Aqui, neste lugar onde acontece tudo o que sou, quando consigo entrar em tudo o que desejo de mais eterno. O mesmo sítio, aqui, onde posso deitar fora as oportunidades mais completas. E ficar cheio de coisas pequeninas, atafulhado até não me poder mexer.

"Quando uma só coisa é necessária"... complicamos tanto o nosso coração...

15 janeiro 2007

Aprender

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Há poucos dias, andando no metro, aconteceu algo que é muito comum, mas que desta vez foi diferente. Entram dois músicos com acordeão, um senhor de meia idade e uma rapariga, perto dos vinte anos, que devia ser sua filha. Ela acompanhava-o no seu acordeão e ele tocava no outro. Impressionante. Via-se que eram emigrantes e que certamente, pelo menos ele, se teria dedicado à música, pois poucas vezes vi alguém tocar acordeão assim.

E o que mais me tocou foram os olhares deles. O Pai via-se claramente que gostava do que fazia e tinha um olhar feliz. A rapariga comovia. Porque olhava distraída para os lados, com um olhar tao triste. E tão contrastante com a melodia... Num momento, olhou nos olhos o pai e sorriu, como se encontrasse neles um motivo de conforto naquilo que ela certamente preferia não estar a fazer.

Acabaram a música, recolheram as moedas e, como o comboio estava quase vazio, sentaram-se os dois e o pai começou a ensinar uma música nova à filha. Muito bonita... e aprendida com carinho.

Custa-me tanto ver pessoas assim, artistas de alma a viver do que os outros podem dar enquanto correm para coisas inúteis. Aqueles olhares e aquela música, sobretudo a que se ensina, fez-me cair na conta de que um olhar pode ser tão verdadeiro e tão salvador, que é tão bom ser transparente, mesmo no desconcerto da Vida.

07 janeiro 2007

São coisas novas

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Teria sido certamente o brinquedo de Natal. É uma animação ver a Carolina depois da Missa das crianças do Colégio a mexer num pequeno jogo portátil e a correr para o pai a mostrar o que tinha feito.

E o pai explicava. Os meus filhos queriam um cão. Mas a minha mulher está à espera de outro bebé. Sabemos que quando nasce um bebé, o cão costuma ter ataques de ciúmes, por isso, vamos arranjar o cãozinho só depois do nascimento. Mas para a Carolina não ficar triste, arranjou este jogo que consiste em brincar com um ou vários cães, dar-lhes de comer, fazer jogos, etc. O que é certo é que esta menina delirava como se fosse um cão verdadeiro a fazer estas coisas, e contava que ele já conseguiu apanhar um disco e que partiu um vaso no jardim...

O que mais me impressionava é que a Carolina vibrava com aquele cão virtual como se fosse um cão real. E o mais interessante é que sabia que o motivo porque não tinha um verdadeiro era por causa do mano que aí vinha. Mas até lá, não perdia nada do entusiasmo infantil que é brincar com animais, a alegria é sempre tão genuína....

E penso agora que às vezes as circunstâncias da vida nos fazem ter que lidar com realidades que não são as mais desejadas. Por isso, é fácil não ser tão genuíno na entrega a coisas tidas à partida como secundárias. Aprendi com esta criança que se pode amar tudo da mesma forma.

E quando nos despedimos, ela disse: depois tens de vir a casa conhecer o meu irmão bebé. Ele é o mais importante, não o cãozinho novo. =)

20 dezembro 2006

É assim...simples

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"Estou muito contente por preparar-me para a primeira Comunhão,
porque depois finalmente serei uma boa discípula de Jesus".


Ontem deram-me a revista do Colégio dos Jesuítas de Roma, onde preparo um grupo de meninos e meninas de 9 anos para a primeira comunhão. Alguns deles escreveram pequenos testemunhos sobre o facto de estarem neste ano de catequese.

É emocionante ver todas as semanas a Giorgia nas lições que dou e depois ler isto escrito por ela. As crianças têm o dom de dizerem coisas muito profundas com toda a simplicidade. Não é tanto pelo que entendem ser um bom discípulo de Jesus e a alegria que sentem em o desejarem ser. Nós grandes é que pensamos muito nisso.

O que é mais fundamental é o facto de a experiência de estar perto de Jesus, de o querer receber, ser uma alegria muito espontânea. Isto faz todo o sentido. Com estes pequeninos tenho aprendido tanto sobre o que é a felicidade do Reino.

21 outubro 2006

Recordação

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"Soprou devagarinho uma estrela que se acendeu na sua mão. Disse-me: podes sempre vê-la se souberes soprá-la no teu coração."

Ouvindo hoje algumas músicas, deparei com o "Menino do piano", da Mafalda Veiga. Já não a ouvia há meses. Lembrei-me de muitas coisas, do dia em que a ouvi pela primeira vez e que pensei usá-la para um momento na Serra da Estrela. De a ter ouvido num concerto... de rostos e pessoas que a cantavam e ouviam.

É uma música infantil e profunda. Como tudo o que é criança e pequeno. Não precisa de muitas explicações, fala-se com cores e ouve-se com imagens. Por ser um mundo mais simples, não é preciso deixar que cada sentido busque a sua correspondência, é apenas deixar-se levar pelo que acontece è volta, surpreender-se e amar com alegria.

É isto que vejo em corações simples, aqueles que não crescem, apesar de tudo. Que o sonho é uma coisa presente, uma estrela na palma da mão, que se sopra sempre que se quiser. Não se perde porque se dá em cada momento, não se perde porque é sempre meu, e um sonho meu é sempre oferta. Pode chegar tão longe e mudar a corrente dos acontecimentos, mesmo a um nível que não é fácil atingir.

Há dias ensinei um menino a chutar a bola num pontapé de baliza. Não era difícil, parecia até que nem era importante. Mas ele chutou e conseguiu. Só por aquele sorriso, mereci entrar no mundo dele, e fiquei mesmo feliz.

31 agosto 2006

Simplicidade

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Piazza Navona. Às 22.30h, passeando por ali, ouço ao longe uma música da banda sonora de um filme muito especial. Aproximo-me, um ilusionista começa o seu espectáculo. A determinada altura, ele vai buscar pela mão uma menina no meio do público, teria seis ou sete anos... tao bonita! =)

E fez aquele truque conhecido na folha de jornal rasgado em muitos pedaços, que se pôe dentro de um saco e depois sai a folha inteira.

Mas qual foi a magia? Há alturas em que parece que temos o priviliégio de entrar num mundo de sonhos, num filme feito à nossa medida. A música de fundo continuava, a menina com o chapéu de mágico na cabeça... e o truque.

Nunca esquecerei o olhar e os gestos dela... e o sorriso de admiração quando a folha saiu inteira. Porque foi ela que fez os gestos, que disse as palavras mágicas. Não ouvi as as palavras, mas o coração sim.

E a magia fez-se no coração daquelas pessoas e no meu. Vejo agora parada no tempo a imagem dessa menina. A surpresa de quem é simples, de quem vive cada momento como uma oportunidade de profunda alegria. Ela tocou a Vida de uma forma que eu não fui capaz, porque sei como se fazem tantos truques. Foi capaz de ver para além das nossas ilusões o que é o verdadeiro dom, o que são as contínuas opotunidades de felicidade.

 

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