Mostrar mensagens com a etiqueta vocação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta vocação. Mostrar todas as mensagens

17 novembro 2009

Vocação de Irmão Jesuíta

6comentários
(sugestão de Princesa)




Este tema é mais específico, para falar de um aspecto da vocação dos jesuítas, talvez não tão conhecido, que é a vocação de Irmão. O mais próprio seria que fosse um irmão a poder explicar melhor em que consiste essa vocação, mas falarei daquilo que sei e da experiência que tenho de contacto com tantos companheiros irmãos.

Ser irmão não é, de modo nenhum, uma semi-vocação. É vocação no sentido mais pleno da palavra, uma vez que corresponde à consagração de uma pessoa a Deus e ao serviço na Igreja, através dos votos religiosos de pobreza, castidade e obediência.

A Companhia de Jesus nasceu com o grupo de primeiros companheiros, reunidos por Santo Inácio de Loiola, e estes, desde o início, tiveram muito presente que o seu modo particular de servir a Igreja e consagrar-se a Cristo seria através do ministério sacerdotal. De facto, quando a Companhia é fundada, todos tinham já sido ordenados. Porém, logo nos primeiros anos, começaram a pedir para entrar na Companhia de Jesus, homens que queriam viver a mesma missão e o mesmo carisma, mas não viam que a vocação tivesse que ser necessariamente ligada ao ministério sacerdotal. Daí que começaram a existir jesuítas que vivem plenamente a sua vocação jesuítica sem serem ordenados sacerdotes.

É certo que, durante muitos anos, os irmãos tinham como parte da sua missão ajudar os sacerdotes a que pudessem desenvolver bem a sua missão, tratando de coisas mais práticas. Por isso, os serviços de casa (cozinha, roupa, etc) eram normalmente confiados aos irmãos. Mesmo que, ao longo da história, não faltassem irmãos que se dedicaram ao acompanhamento espiritual, às missões, a trabalhos relacionados com o ensino ou a arte, etc, a imagem que foi ficando é que seriam uma espécie de vocação para coisas práticas, sem ser necessária muita preparação académica. Com o passar do tempo e, mais recentemente, isso já vai sendo ultrapassado. Quem agora entra na Companhia como irmão, participa da mesma missão de um padre, sem o exercício do ministério sacerdotal, mas com a formação necessária aos diversos apostolados a que pode ser enviado: pastoral, exercícios espirituais, economia, gestão, área da saúde, ciência, arte, ensino, etc...

Com tudo isto, há dois aspectos fundamentais a ter em conta:

- Que um irmão jesuíta é chamado, tal como um sacerdote jesuíta, a viver a mesma consagração a Deus. Ambos são religiosos. É mais fácil associar um religioso ao ministério de sacerdote, pois visivelmente faz coisas que outros não podem fazer. Mas a vocação de irmão consiste num serviço, neste sentido, mais "original" e "radical", uma vez que é chamado a viver, como leigo consagrado, o testemunho da vocação religiosa, que num padre é mais evidente.

- A Companhia sempre se identificou como um Corpo para a missão, no qual convivem unidade e diversidade. Uma mesma vocação a Deus e ao carisma inaciano, mas segundo modos diversos de a viver. Esta diversidade na unidade, não só a nível de vocação religiosa, mas também a nível de culturas, idades, mentalidades, carismas pessoais, faz parte da identidade do ser jesuíta.

Por fim, da minha experiência pessoal, confesso que a maioria dos irmãos que conheci e conheço pertencem a um tempo em que estes se dedicavam a tarefas mais práticas. Com os irmãos mais novos não se passa isso, agora existem programas de formação muito aplicados aos casos concretos que existem. Mas o que sempre me tocou é o seu testemunho de vida, que me ensinaram tanto na minha formação e agora, como padre, me continuam a desafiar. Homens de Deus, que no silêncio do seu trabalho, da sua generosidade, manifestam sempre um amor enorme a Deus e às pessoas. São capazes de relações humanas de uma simplicidade e profundidade que sempre admirei muito. São para mim verdadeiros exemplos e confirmam a minha vocação no que tem de mais fundamental.

15 abril 2009

Regresso

2comentários
Ontem foi a ordenação diaconal dos meus companheiros de comunidade, aqui na Igreja do Gesù. Foi também ordenado o Afonso, que é o jesuíta que viveu mais anos comigo na mesma comunidade, o que acrescentou muito a minha alegria! =)


Desta vez, eu não estava nos bancos da frente, mas do outro lado do altar, a celebrar como diácono. É inevitável que não viajasse um ano atrás, ao dia da minha ordenação e não recordasse aquilo que vivi e rezei, como sonho e promessa cumprida. Ao mesmo tempo, dei-me conta dos poucos progressos que fiz, mas sobretudo do muito que Deus fez em mim.


O momento mais importante, para além da emoção de os ver a serem ordenados, foi quando desci com o bispo para dar um abraço aos novos diáconos, como sinal de boas-vindas à ordem. É um gesto de acolhimento numa história que ultrapassa os séculos e que se faz presente ali. Somos pequenos e ao mesmo tempo tão privilegiados! São os nossos dons que entram ao serviço dos outros, e isso desafia-nos a ser melhores e mais eternos. Parabéns! =)




Foto dos neo-diáconos. Atrás, da esquerda para a direita: P. Joseph Daoust (Delegado das Casas Romanas), Marjan (Eslovénia), Petr (República Checa), Sebastian (Alemanha), Mons. Piero Marini (Bispo), P. Janez (Reitor da comunidade), Flavio (Itália) e Afonso (Portugal). À frente, da esq para a direita: Léonard (Madagascar), Paul (Estados Unidos), Oleksiy (Ucrânia), Rogério (Brasil), Gabriele (Italia) e Joachin (Madagascar).



E, já agora, também eu! ;)

25 agosto 2006

É loucura?

3comentários
Estar nesta casa, onde começou tanto do que é a Companhia de Jesus, à qual pertenço, tenho vivido alguns momentos muito especiais de encontro com coisas fundamentais da minha vida.
Tenho sobretudo pensado acerca do que significa ser chamado ou, por outras palavras, a Vocação.
Ao olhar para estes anos, consigo ver sempre os mesmos momentos chave, em que fui sentindo que realmente era chamado a ser de Jesus.
Mas agora, com mais tempo, vou-me dedicando a olhar para aqueles dias e momentos em que não fui estando tão atento... e fui descobrindo o seguinte:
  • Que realmente, parece uma loucura este tipo de vida, sem raízes, sem família, sem futuro certo, sem amigos constantemente ao lado.
  • Que a Vocação nasce de um desejo subtil e sempre incessante, que não termina enquanto não se decide a dar um sim para toda a Vida.
  • Que a Vocação se vive cada dia, todos os dias, numa amizade cada vez mais completa com Deus.
  • E, por último, que a maior graça foi ter sido chamado a esta Vida, por verdadeiramente ter sido escolhido.
    Mas a Vocação não é so uma coisa exclusiva de Padres e Freiras. Decidir a própria vida por Jesus, é ter a certeza que temos um caminho de uma profunda realização humana, porque somos escolhidos para uma vida total. Seja ela qual for.
    Um padre terá de rezar, um pai de família terá de educar os seus filhos, uma namorada terá de cuidar o namorado, o amigo terá de amparar o amigo. No fundo, cada homem e mulher tem a Vocação para Amar.
    E esta não nasce de coisas incompletas, nasce do mais divino que temos em nós. Uma vez dito o Sim, porque a Jesus só vale a pena dizer sim, a vida tem um sentido cada vez mais pleno, mas cuidado como a coisa mais preciosa, dia-a-dia.
     

    Cidade Eterna © 2010

    Blogger Templates by Splashy Templates