24 janeiro 2011

Eternidade

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Passam os dias frios como vento, enquanto o sol aquece momentâneo, sinal de que ali está, pronto para o que for. Entre o movimento da estrada, uma banda sonora que se constrói de pequenos sons subtis, quase surdos. Um pulsar ao mesmo tempo intenso e sereno. Passaram as horas sem que me desse conta de que aconteceram imensas passagens, entre sentimentos e visões de imagens que teimam em desaparecer demasiado depressa.

Se pudéssemos congelar, por um momento, a eternidade que chegou a nós, para nos agarrar sem nos querer mais deixar. E teimosamente, preguiçosamente, descuidadamente, vamos caindo em peças frágeis, à medida que os nossos passos desenham sombras na calçada.

A eternidade tem um tempo preciso. É dom e é roubo. É tudo e nada. É olhar que sabe ver, horizonte que sabe permanecer. 

17 janeiro 2011

MAGIS

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Estão abertas as inscrições para o Magis!

O MAGIS insere-se dentro da participação nas Jornadas Mundiais da Juventude, em Madrid, no próximo mês de Agosto. Consiste num programa destinado a jovens ligados à Companhia de Jesus e à Espiritualidade Inaciana, que organiza uma série de experiências em pequenos grupos internacionais, espalhadas por Portugal e Espanha. 

O MAGIS começa em Loyola, no dia 5 de Agosto, onde haverá um grande encontro com todos os participantes, vindos de todo o mundo. De 8 a 14, os participantes dividem-se em grupos internacionais de 25 pessoas e participam numa das actividades propostas e, finalmente, de 15 a 21 de Agosto, juntam-se de novo em Madrid para a participação nas Jornadas Mundiais da Juventude com o Papa Bento XVI.

Para te inscreveres e saberes mais informações (viagens, pagamentos, tipos de experiências), vai a http://www.magis2011.pt/ e pede informações que te serão dadas por mail. Uma óptima oportunidade de preparar este grande encontro da Juventude, com a troca de experiências com pessoas de outras culturas, desenvolvendo actividades que ajudam o teu crescimento humano e espiritual.

Bem vindo ao Magis! ;)

Fé e coerência

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(sugestão de Isabel Mota)

Volto aos temas, alguns já bastante atrasados, e este particularmente reveste uma importância enorme. Sob muitos aspectos, a questão de testemunhar a Cristo na nossa cultura actual será uma pergunta diária e um desafio constante para aqueles cristãos que se preocupam em marcar alguma diferença, no meio em que vive.

É fácil cair instantaneamente em discursos mais moralistas, que acabam já por ser lugares-comuns, que podem ter tanto de razão como de injustiça. Frases do género "vão à missa e são piores do que os outros" acaba por ser um refrão que não me agrada. Por dois motivos: porque, de facto, podemos ver que cumprir uma série de preceitos de religião acaba, nalguns casos, por estar muito desligado das opções e do estilo concreto de vida; e, por outro lado,  não me agrada porque é extremamente redutor e coloca as pessoas que vão à missa todas "dentro do mesmo saco", como quem fala de fora, sem experiência, o que me parece sempre pouco honesto.

A grande questão está, a meu ver, naquilo que poderemos chamar o carácter performativo do ser cristão. O que "forma" o cristão, o que identifica um cristão, qual a sua essência? O mais difícil de explicar é que tudo, em resumo e no essencial, se condensa no facto de que ser Cristão é pertencer a Cristo de modo total. Ir à missa, cumprir os mandamentos, viver segundo as orientações da Igreja é apenas a parte externa - e sempre importante - daquilo que interiormente se vive. 

O que define o cristianismo, desde a sua origem é o facto de que Deus se manifesta e comunica como Pessoa, em Jesus. E se existem pessoas, existem relações. O cristianismo é uma religião de tacto e contacto, de olhar, ouvir, dialogar, caminhar juntamente. É a religião que fala através do gesto, em que a Palavra é Carne, em que dizer e fazer coincidem. Ao cristianismo pertence uma extraordinária força de síntese e comunhão, de unificação da vida naquilo que é fundamental, o amor que se expressa e concretiza em tudo.

O amor de Deus não é um conceito, mas sim uma experiência. Sem oração, não se tem essa experiência, sem arrependimento, não há conversão, sem amor, não há serviço. Daí que o cristão é essencialmente um apaixonado pelo Deus que conhece, e, por isso, é um apaixonado pela vida, é responsável pela felicidade dos outros.

O cristianismo é frequentemente criticado, e com razão, por uma forma "burguesa" de estar, quando se chega ao ponto de ficar instalados no que se conhece, e aí as regras começam a funcionar como critérios de pertença, sem que isso implique necessariamente uma adesão de fundo, profundamente espiritual e existencial. No fundo de tudo isto, fica instalado um dualismo entre o que se é e o que se faz. Está a falhar qualquer coisa importante.

Um cristão centrado em Cristo vê as regras como uma consequência, porque apreende existencialmente o seu sentido: a missa é participação em comunidade do mistério da presença de Deus no meio de nós e da comunhão que isso implica. As regras nascem de uma percepção da responsabilidade que cada um tem na qualidade humana do seu modo de estar na vida e nas relações, marcadas pela verdade, compromisso e  transparência. A justiça, a honestidade e a solidariedade não são "modas sociais" mas a necessidade que cada pessoa seja respeitada na sua dignidade, como um irmão, o não ser capaz de tolerar estar bem, vivendo ao lado de situações de injustiça e dor.

Toda a coerência de vida cristã nasce desta relação que me identifica com Jesus. E preenche de tal modo a vida que me torna capaz de superar as críticas, as incompreensões, o não fazer como todos fazem. Marcar a diferença pela autenticidade de vida é um desafio difícil, mas quem realmente quer viver assim, também não lhe faltará a graça para o conseguir. No fundo, um cristão é um místico, e a mística não está, de todo, reservada a quem está fechado num convento ou fugiu para o deserto.

14 janeiro 2011

Encontrar-se

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Temos a imensa capacidade de encontrar na nossa vida os espaços onde somos capazes de medir o pulso dos acontecimentos e de tudo aquilo que vai passando pelo nosso mundo interior. Mas esta capacidade fica por vezes tão adormecida... por vezes, pelas melhores razões, a maioria delas bastante aparentes.

Entre urgências, compromissos, coisas que não podem esperar e medos de parar, vamos ficando longe deste espaço onde ecoa a nossa imagem mais autêntica. A de sermos capazes de grandes coisas, boas acções, generosidades pouco complicadas.

Encontrar-me é viver uma verdade que está vestida com cores de simplicidade, ser muito autêntico, capaz de olhar sem mentir, sobretudo a mim mesmo. A compaixão com a minha história e a história dos outros consegue tirar-me do desânimo, percebo que o caminho está sempre a ser percorrido, e a maioria das vezes, recomeçado.

13 janeiro 2011

Por entre dúvidas

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Tendemos a olhar muito mais para as nossas dúvidas do que para as nossas certezas. Nunca poderemos evitar as indecisões, estamos constantemente a ser confrontados com escolhas, pequenas e grandes. E muitas das nossas certezas acabam por estar vestidas de algo provisório e experimental. Até ver o que dá, se resulta...

A dúvida acaba por estar intimamente ligado ao risco e às consequências. De que modo as nossas decisões acabam por marcar positiva ou negativamente os próximos tempos. O que mais precisamos, no momento de uma decisão é uma inteligência o mais clara possível das suas condições, das suas ciscunstâncias e dos seus efeitos.

Esta inteligência está, por seu lado, intimamente ligada com certezas de fundo. Cada decisão deve estar orientada por um bem que serve de chão à nossa vida e onde sabemos que, por mais variados que sejam os caminhos, pisamos o chão que escolhemos desde sempre. O mais fundamental é não perder o pé em coisas que sabemos serem essenciais e que não queremos de todo perder.

08 janeiro 2011

Movimento e leveza

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Depois de uma semana de arranque do ano, convivo com sentimentos serenos. É uma graça enorme podermos encarar o futuro com esperança e motivação. Não é que, muitas vezes, não nos faltem motivos de preocupação. Mas podemos gastar-nos inutilmente em antecipações que não nos ajudam a viver o presente. Faz falta saborear o que temos a cada instante.

Contudo, a expressão "Como se não houvesse amanhã" pode enganar-nos, porque nos fecha no limite do que simplesmente acontece. Falta-lhe promessa. Estar no presente não pode nem deve evitar um futuro que confiamos ser feliz. Sem esta esperança, o prazer presente pode chegar a ser aparente, ou até uma fuga. 

Daí que nos consideramos constantemente em passagem, como quem agarra flores pelo caminho, ficando apenas com a sua beleza diante dos olhos. É passagem contínua e paciente para algo bonito, por entre paisagens que descrevem o que realmente somos: eternidade.
 
 

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