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26 dezembro 2011

Natividade

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Foto: João P. T. Silva em olhares.com

Não vale a pena apresentar muitos motivos para uma ausência tão longa. A vida é como é, e as coisas vão-se sucedendo sem que haja aquele momento decisivo do pôr em andamento um desejo nunca adormecido. Esperemos que seja desta!

O Natal é uma ocasião de recordar as nossas oportunidades de nascimento. Temos continuamente a noção das nossas oscilações entre estados de humor e de como dependemos tanto do ritmo das coisas. Talvez nem sempre o sermos "embalados" signifique uma experiência de acolhimento, mas trata-se muitas vezes de deixarmos que sejamos levados de um lado para o outro sem termos noção disso.

O Natal recorda-nos que nascemos continuamente para a profundidade e para um colo, um seio onde a estabilidade nos deixa respirar como quem dorme tranquilo. O movimento acelerado da vida poderá não vir a ser um motivo de dispersão. É exigente sermos iguais em tudo o que façamos e onde quer que estejamos. Mas em tudo existe um apelo à paz e à autenticidade, e essa, muda mesmo muito pouco.

01 junho 2010

Atitudes

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Mais que argumentos, convencem as atitudes. Podemos encontrar inúmeras desculpas para nos justificar, querendo salvar aparências ou não arranjar demasiados conflitos. Contudo, acredito que é apenas uma solução provisória. Gastamos muita energia quando nos esforçamos por esconder e adiar gestos que construam, de facto, algo positivo.

Temos imensa vontade de resolver questões pendentes, sentirmo-nos confortáveis naquilo que fazemos, sermos aceites naquilo que somos. Por isso, vivemos numa tensão constante entre imagem e verdade. 

Seria muito mais fácil se deixássemos acontecer aquilo que somos. Talvez não tenhamos os resultados imediatos que queremos, mas podemos terminar o dia contentes com o que fomos verdadeiramente. 


26 janeiro 2010

Tempo de estudo

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Tenho estado mais calado estes últimos dias, porque a minha fase de exames começa antes, com a entrega de vários trabalhos e, assim, estive numa maratona para conseguir entregar hoje dois e faltam mais dois, um exame na 5a feira e depois, dedico-me à tese! Espero ainda pelo meio ter alguma pausa!

É um tempo de maior concentração, em que vou lendo muito e expressando aquilo que vou descobrindo e intuindo. Por vezes, tinha imensa vontade de aqui vir partilhar pensamentos ;)

O que mais me maravilha no estudo da teologia é que não é apenas saber muitas coisas sobre a fé, a bíblia, o mistério de Deus, mas muito também sobre a pessoa humana. Gosto muito quando a teologia parte da experiência humana para falar do divino. Tenho a impressão e a certeza de que temos muito de eternidade e, como na nossa liberdade, somos continuamente a ser desafiados a ser maiores. Na autenticidade do que somos, sem comparações, sem juízos, na aceitação da nossa própria bondade, fazemo-nos melhores.

Acredito que estamos continuamente no limite da fronteira entre o banal e o grandioso. Muitas vezes, o facto de nos julgarmos pequenos pode paralisar-nos, e vivemos sem grande força interior. Quando não somos assim! É importante não ficar só pelo desejo, mas mostrar na acção a simplicidade de uma vida descomplicada. O grande passo está em queremos realmente ir além do banal e, ao decidirmos isso, damos um salto enorme na confiança. Porque certamente teremos recompensa do facto de sermos autênticos, mas o medo das consequências também nos imobiliza. E é pena que isso aconteça.

12 dezembro 2009

Transparência

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Porque nos escondemos? Onde está a fronteira entre o que somos e pensamos e o que mostramos e dizemos? Tenho pensado bastante no nosso mundo escondido, os segredos inacessíveis, por vezes a nós mesmos. A prudência exige que não possamos falar claramente de tudo o que nos acontece. Podemos nem sequer ter a capacidade de o expressar. Acredito que há um espaço da nossa intimidade que deve ficar apenas para nós.

De facto, incomoda-me quando alguém se expõe demasiado. Há coisas que não nos pertence saber e é triste quando vemos que revelar a intimidade é uma forma de espectáculo consumista. A televisão mostra-nos isso diariamente e dói tanta falta de respeito. Existe um pudor saudável em relação a nós ou aos outros, aquele espaço que ninguém tem o direito de violar, mesmo com as melhores intenções.

Temos em nós este santuário que condensa a nossa história e a nossa personalidade, o núcleo onde dizemos "Eu". A grande dificuldade está em nos olharmos olhos nos olhos e receber aquela onda de desejos e perguntas que nos deixam desarmados. Seria um óptimo desafio podermos conversar tranquilamente com a nossa história, e deixar que ela se manifeste em paz, na serenidade de quem lembra coisas passadas junto à lareira. Assim, este núcleo é transparente a nós mesmos, torna-nos dóceis e capazes de falar de nós de forma natural e serena.

25 novembro 2009

Deus em nós e nós em Deus

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Sugestão de Lídia
Aprofundamento de Deus em nós. Ir à raíz. 
O lugar de Deus em nós e o nosso n'ELE, à luz da Fé e da Sociedade actual. 
Confrontar a inquietude que consome com a não existência que resiste.



Cada uma destas frases daria para um tema! Mas vou tentar focar os pontos principais que possam unir estas questões. Muito ficará por dizer, mas se for necessário, é só sugerir algum aprofundamento, que o farei com o maior gosto.

Uma das frases que mais me tem acompanhado ultimamente nas minhas reflexões sobre Deus e a Vida é que não servem muitas definições. Deus não se define, não é uma ideia ou um conceito, uma projecção do melhor de nós ou uma simples expressão do divino que não se vê no quotidiano. O máximo que se pode afirmar é que Deus é Amor... mas amor, como o definimos? Quem é capaz de definir o que é amor sem logo a seguir estar a trair a definição, nas incoerências da vida, numa pálida imagem da força que é amar? Amor não se diz, vive-se, estamos nele como uma surpresa que nos invade e nos leva para dentro e para fora de nós. Quando o dizemos, já o perdemos, mas quando o realizamos, quando este acontece, o Amor mostra-se na sua verdade tocada, na vida que Ele próprio dá.

Daí que o Amor, Deus, é um ambiente, a expressão profunda e verdadeira da Vida, na Bondade, na Alegria, na Compaixão, na Entrega, na Humildade, na Esperança. Deus é a realização já conseguida, desde sempre e para sempre, de juntar toda a nossa experiência da Vida e transcendê-la além do egoísmo e dos pequeninos horizontes. Toda a nossa Vida, pelo simples facto de ser, é já tocada e provocada para rasgar tudo o que é inútil ou sinal de uma vidinha que teimamos em considerar grande. Descer em nós é encontrar esta originalidade, de perceber a vida tal como é, como dom e como promessa. Por isso se diz "criados à imagem e semelhança de Deus", com a mesma potência do amor, e nunca conseguida totalmente.

Não somos divinos, e é ilusório o discurso de que Deus é o melhor de nós, que é o bem que fazemos ou que se mostra no mundo. Esta é uma projecção e simplificação banal e fácil de nós mesmos. Não fazemos assim honra à nossa divindade. Somos contraditórios, pouco livres, egoístas. É este o drama de ser imagem do Amor e ao mesmo tempo livres de querer sê-la ou não.

Descer a nós mesmos é subir ao dom que nos foi dado, que acredita em nós apesar de tudo. Podemos ser indiferentes a este dom, mas este  dom não é indiferente em relação a nós. Está e estará sempre, é a nossa luz  por detrás da nossa sombra, o diamante que nunca se apaga, mesmo fechado com mil cadeias. Encontrar esta luz é descobrir-se amado no mais profundo, só porque se tem este Dom, imenso, único, intransmissível, a Vida. Descobri-lo é depois querer, com todas as forças, realizá-lo e expandi-lo. É a verdade de nós mesmos que se manifesta em toda a sua glória, onde nós e Deus coincidimos, onde por um momento fomos capazes de deixar de ser pequenos mundos e amar como quem abraça o universo.

A inquietude actual nasce precisamente de estarmos já fartos de respostas fáceis e imediatas. Procuramos e viramos tudo do avesso, em distracções contínuas, em comprar o ultimo grito da moda e da tecnologia, em horas de consulta psicológica, e busca de harmonia cósmica. Por mais que estas coisas possam ajudar, na medida certa, estamos só à superfície. Enchemos um mundo de coisas que não nos servem e só escurecem a nossa luz, escondem-nos de nós mesmos. Apenas vivemos e existimos verdadeiramente quando nos assumirmos como fragilidade amada, acreditada, perdoada. Quando nos deixarmos abraçar pela Verdade, quando deixamos que Deus seja o nosso ambiente. E vivemos n'Ele, com Ele e para Ele.


23 novembro 2009

Oferecer

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Viver a vida com generosidade consiste em dar importância ao que verdadeiramente interessa. A grande questão está em ganhar distância para poder distinguir o urgente do essencial. Tudo é importante, mas não da mesma maneira. Vivemos cada dia esta tensão de não nos dividirmos em inúmeras coisas a fazer e não termos oportunidade para encontrarmos o pulsar do nosso tempo.

É bom que nos empenhemos em fazer bem aquilo que é suposto, quanto mais não seja para descargo de consciência. Mas corremos o risco de descarregar de tal modo a nossa consciência que acabamos por não ter consciência do porquê de fazermos as coisas. No fundo, sou eu ou as minhas acções.

Ser o que faço, estar no que faço é uma autenticidade ganha à custa de estar atento ao que faço do meu dia. Falta-nos generosidade para encarar cada dia como possibilidade de simplesmente ser. Fazemo-nos autênticos em tudo, marcamos algo por oferecer o que temos de melhor. Sobretudo nas pequenas coisas.

12 outubro 2009

Tesouros

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Existe uma palavra italiana que não consigo traduzir bem em português: custodire. Poderia ser guardar com cuidado, mas significa algo mais. Há coisas que guardamos como um armazém, sejam coisas materiais, sejam as nossas memórias. E há outras coisas que guardamos com sentimento, fazem parte de nós, quer coisas materiais, quer as nossas memórias.

Normalmente, aquilo que guardo (custodisco) são objectos sem valor, que cabem no bolso. Aquilo que é verdadeiramente importante, vai connosco para todo o lado, não ocupa espaço, mas significa uma parte muito importante da Vida. O que importa não pesa, nem atrapalha.

As memórias que guardo (custodisco) são poucos momentos em que pude dizer: Aqui está, é isto que quero ser, é isto que significa verdadeiramente, é isto que Tu és para mim. Não são necessárias enciclopédias de definições que expliquem os nossos passos maiores. Simplesmente acontecem.

Tesouros que têm valor por si mesmos, não pelo que se pode classificar exteriormente. Fazem parte de nós, somos nós.


07 outubro 2009

Re-conhecido

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Encontrei-me finalmente num lugar onde não valia a pena encontrar desculpas nem procurar justificações. Toda a liberdade tem um preço difícil de verdade. Mais tarde ou mais cedo, somos levados a admitir aquilo que somos, a assumir o que fizemos. Creio que nunca ninguém será capaz de exigir tanto de nós como a nossa própria consciência.

E a verdade é que somos hábeis a mentir a nós mesmos. Reconhecer isso é difícil. Mas quando se reconhece o que somos, temos duas opções. Ou nos entristecemos, ou viramos página.

Uma experiência de verdade tem também cores de perdão e optimismo, se não fosse assim, não ganharíamos muito em nos re-conhecermos como somos. Seria acrescentar dor à mágoa ou fazer chover no molhado. Pelo contrário, aceitarmo-nos é acreditar numa promessa melhor. Que somos nós, que é a nossa Vida.


18 abril 2009

O que sou

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Hoje gostaria de me tentar convencer a mim mesmo que a perfeição não é um trabalho e uma luta constantes. Custa a acreditar que a meta está próxima, quando cada dia nos damos conta que alguma parte de nós perdeu algo importante. Não avançamos completos, mas no esforço de trazer atrás de nós pedaços de Vida que gostaríamos de ter deixado para trás há muito tempo.


A minha casa é o lugar onde posso arrumar as coisas como quero. Deixo as obras de arte na prateleira, os diplomas na parede e as coisas feias escondidas em caixas debaixo da cama. Convivo entre ilusões e poucas coragens, para ver tudo e abrir cada significado da Vida. Uma casa bem arrumada pode implicar escondimento, ambientes de visita, mostrar o que sou, mas não tudo.


Porém, não consigo esquecer aquilo que escondo e cada dia desejo ir lá, tirar para a luz, limpar, colocar no centro da mesa. E perguntar: porque te assustas? Temos medos muito ridículos, quando não sabemos olhar com gestos corajosos e uma alma enorme. Perfeito. Não sei porque não posso admitir que o sou. Nada é pesado, nada é feio, nada fica escondido, se... se quiser que todos os pedaços de mim sejam meus, e se quiser que toda a luz que tenho ilumine.


Como a luz do sol, que acaricia todas as coisas.

18 março 2009

Influências

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"Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és". É verdade que é normal que nos rodeemos de pessoas com as quais temos mais sintonia e que, de alguma forma, condicionam um certo estilo de estar na vida, de vestir, de frequentar lugares, etc. Mas também existe uma diversidade grande, de ter amigos que não partilham os mesmos pontos de vista, e são muito diferentes de nós. Mas isso não quer dizer que sejam amizades menos profundas, às vezes até é o contrário. A diversidade ajuda-nos a sair dos nossos esquemas.


Porém acredito que é necessário um equlíbrio para saber estar em todas as circunstâncias, sem deixar de ser si próprio. Quando as pessoas com quem andamos dizem mais de nós que nós próprios, é porque não temos muita força. E assim fazemos as coisas como calha, namoramos como se vê nos filmes, trabalhamos porque tem de ser ou passeamos aos mesmos sítios onde vai toda a gente. É pena não estarmos completos no que escolhemos fazer.


É por isso que a diversidade nos deve questionar, mudar paisagens ajuda a descobrir o nosso próprio estilo. E é isso que torna uma pessoa fascinante. Está onde deve estar, mas está como é. Não se vêem capas sociais nem maquilhagem de circunstância, mas a beleza que é a estrutura de tudo.

03 março 2009

Dizer sim

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Quando aceitamos um pedido que alguém nos fez, ou quando assumimos um compromisso em relação a nós próprios, mesmo em coisas pequenas, dizemos sim. O sim é uma palavra poderosa. Fica-nos mal voltar atrás, significa um imprevisto ou uma incoerência. O sim implica-nos, a nossa Vida passa a contar com uma nova paisagem, que passamos a habitar e transformar.


O motor das nossas acções são as decisões. O agir ou o não-agir parte sempre de um sim, afirmado ou renunciado. É por isso que mesmo o não tem como referência o sim, tal como a sombra tem referência à luz, e o mal tem referência ao bem.


A minha questão tem sempre a ver com a qualidade do meu sim, porque também o podemos dizer ao mal ou à sombra. E ficamos menores. Mais tarde ou mais cedo nos damos conta se o sim que dissemos nos criou algo novo, que tenha a ver com o nossos sonhos de realização e felicidade, ou se ficou apenas por um momento imediato. Passou e tudo ficou na mesma, não acrescentei nada e, por isso, não cresci.

02 junho 2008

Autêntico

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Ultimamente tenho andado a trabalhar acerca deste tema e tirei algumas conclusões mesmo importantes e que nem estava muito à espera.

Tinha a tendência de pensar que a autenticidade está no facto de nos conhecermos bem por dentro. E também é isto. Mas é apenas o ponto de partida. A autenticidade que temos tem a ver com um movimento interior que nos faz querer ser completos em tudo o que fazemos. Não é só olhar para dentro de nós, mas olharmo-nos naquilo que somos para fora.

Desde as coisas mais simples até às grandes entregas. Quando observamos o mundo e os outros à nossa volta, sentimo-nos por vezes em casa, porque lugares e pessoas falam-nos de contextos onde podemos ser aquilo que somos. E cada um poderia fazer a lista das suas paisagens favoritas.
Se o que está fora de nós nos atrai, é porque somos feitos de uma coragem fundamental que não nos deixa ficar no quentinho do coração. É o facto de sermos tão de dentro como de fora que nos faz autênticos, levados através da confiança e seguros que temos coisas mesmo muito grandes para dar. E os outros ganham tanto com o que somos, não vale a pena esconder tesouros...

23 maio 2008

Sozinho?

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Verdadeiramente, aquilo que mais me assusta é a solidão. Creio não haver pior experiência do que querer falar, partilhar, amar e não ter ninguém com que se possa fazer isso. Já me encontrei com algumas pessoas assim, sobretudo em visitas a lares de 3a idade, e é mesmo difícil confrontar-se com esta resignação triste de não ter ninguém.

Na vida do dia a dia, apesar de normalmente estarmos rodeados de pessoas com quem nos damos bem, pode faltar este espaço único de dar o melhor que temos a alguém. É uma questão muito delicada e em grande medida, pode ser causada por opções de vida, mudança de lugar, e tantas circunstâncias que nos afastam de quem gostamos.

Nas nossas mãos está a capacidade de podermos fazer algo. Primeiramente, gostar de estar connosco mesmos, saborear a riqueza que somos, maravilharmo-nos da nossa beleza interior. Aí se cria um espaço de autenticidade que não nos fecha em nós, mas procura coisas novas. E, fundamentalmente, apaixonarmo-nos por aquilo que nos é dado por Deus, sabermos estar com Ele, senti-lo sempre presente. O amor de Deus leva a uma comunicação de Vida para além dos limites das coisas que fazemos e das coisas que nos acontecem. Fica-se mais leve, mais disponível e mais corajoso.

05 maio 2008

Sermos todos

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O que mais nos divide são as nossas incertezas. Como quando começamos a andar, ou abrimos os braços para receber qualquer coisa, ou estendemos a mão para agarrar algo e, de repente, sem grandes explicações, voltamos atrás.

Vivemos de inspirações momentâneas e pomo-nos logo a agir. O que poderá estar na origem dos nossos avanços e recuos não é muitas vezes a preguiça ou as circunstâncias. É algo que vem de mais longe e mais fundo. Tem a ver com o facto de começarmos um gesto sem estarmos inteiros naquilo que fazemos.

Isto tem muito de ideal, e não temos a atenção suficiente para ver se temos todas as condições para começar coisas novas e grandes. Nisso joga um papel muito importante a confiança. Mas não será a confiança um espaço de unificar o que em nós é medo e coragem? O que nos faz perceber o sentido das coisas futuras e o que podemos, de facto, fazer de modo completo e autêntico?

04 maio 2008

Mergulho

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A autenticidade tem muito de corajoso. Por vezes é muito difícil perceber o que somos e aquilo que acontece dentro de nós. Talvez porque nos habituamos a ter uma determinada imagem de nós próprios e qualquer novidade obriga-nos a mudar os nossos esquemas e rotinas.

Muitas vezes, porque o queremos, a luz de qualquer coisa nova faz tanto sentido que nem sequer olhamos às consequências. Sobretudo quando este salto tem a marca do amor e da verdade, somos coerentes com os nossos desejos mais fundo e uma luz especial ilumina o nosso olhar.

Mas quando saltamos para um escuro pouco verdadeiro, imediatamente sentimos uma espécie de medo de que algo que nos pode magoar. ou magoar alguém. O tempo diz muito acerca do que acontece quando arriscamos. Mas se há algo a que nos podemos agarrar é a nossa história de sinais completos. Não é imediato percebe-la, mas é importante parar para a reconhecer. Talvez este seja o primeiro salto decisivo.

25 abril 2008

O que temos para dar

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Aquilo que distingue a qualidade do que temos a dar como pessoas, e de transmitir os valores em que acreditamos, tem a ver com a qualidade com que fazemos nosso aquilo que dizemos.

Nota-se quem fala só com palavras e quem fala através de uma magia escondida na voz, que às vezes até comove, e um brilho irresistível nos olhos.

Isto não se faz de um dia para o outro. É como cuidar diariamente uma semente que dará frutos que não se podem prever. Carregados de surpresas, genialmente nossos e ao mesmo tempo de ninguém. Dados ao mundo como calor e sabor de mar, que toca os extremos da tristeza e da alegria, da vergonha e da coragem. Seremos tão mais autênticos quanto maior e mais consciente for a profundidade do que somos. E pergunto-me porque esperarei tanto para o ver...

15 abril 2008

Perguntas fundamentais

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Estes dias tenho andado às voltas com uma série de questões sobre o modo como se pode ler a Vida e o mundo a partir de algo que seja comum. Tem sido uma busca que não tem trazido para já muitos frutos, mas que dá para pressentir, de alguma maneira, que um dia poderá acontecer uma espécie de click interior.

Encontro-me muitas vezes numa espécie de dilema entre as certezas interiores de um amor fundamental que orienta os acontecimentos, que eu, de modo mais ou menos consciente, acabo por me maravilhar e acabar por ter a tentação de ficar por ali, a saber que afinal já sei sobre muitas coisas do Espírito e serve para aquilo que percebo ser uma Vida autêntica e feliz.

A outra parte é uma curiosidade de poder expressar isto de um modo corentemente lógico, uma espécie de elaboração mental que ligue os cabos do que acontece à minha volta e dentro de mim. Porque não funciono de modo perfeito e nem o que acontece à minha volta é perfeito... por vezes mesmo nada perfeito.

A resposta estará em partir do que são as inspirações do coração, e o que se contrói de verdadeiro com elas. Para que não fique só pelas consolações, mas não queira encontrar tudo só em ideias geniais.

20 fevereiro 2008

Encontro

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Se fizesse a história dos meus encontros, daria para escrever um romance. De vários tipos: de aventuras, viagens, descobertas, sentimental, espiritual. E depois faria resumos e escolhas de capítulos, para ter na mesa de cabeceira...

Finalmente, ficariam poucas páginas. Que decido pintar para pôr na parede. Cada vez é mais difícil exprimir com palavras as realidades vividas em encontros significativos. E quando as palavras não chegam, procuro imagens e paisagens. Os encontros transformam-se em estados de espírito, e fazem-se silêncio.

Agradecimento, paz, certeza de ser amado e ter feito pontes entre o céu e a terra. E é num silêncio agradecido que as palavras tomam conta de mim, ao ritmo da respiração, fazem o meu corpo e transformam a vida, dia-a-dia. Os encontros levam-me para dentro de mim, mas não me fecham, nasce um desejo irresistível de ser autêntico em tudo.

08 janeiro 2008

Humanidade

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Hoje pensava nos exemplos que tive na vida de pessoas completas. Mesmo que não fossem, necessariamente, pessoas espirituais ou que me falassem de Deus. Muitas delas, sim.

Há exemplos de humanidade que está de pé, que convence e faz acreditar nas possibilidades que temos. O maior sinal da presença de Deus entre nós passa também e sobretudo por aquilo que vivemos cada dia. Caso contrário, estaríamos a nível de uma religião de ocasião ou um conjunto de coisas que acreditamos sem estarmos muito convencidos disso, até porque tantas vezes fazemos coisas tão diferentes daquelas que dizemos.

Os exemplos de pessoas que me convencem são aqueles em que a palavra é a mesma que o gesto. Porque talvez digam em si mesmas aquilo que de grandioso têm, acreditam firmemente nisso sem fazer disso uma conquista. São as que sabem o quanto a fragilidade é o nosso caminho mais real e não têm medo disso. E por isso a fragilidade é tão bonita neles... porque são os primeiros a encontrá-la como o fundo amoroso de si mesmos.

06 janeiro 2008

Tranquilidade

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Perante os desafios podemos ter várias atitudes. Energia e decisão, para conseguir aquilo a que nos comprometemos; Preguiça e deixar-para-depois, porque as mudanças desinstalam; medo, porque não sabemos o que vai acontecer.

Há um desafio que tem a ver com uma viagem interior. Um querer aprofundar mais a minha própria autenticidade. E tenho energia para isso, porque é importante melhorar sempre mais. E tenho preguiça, porque queria estar já num estado definitivo-acabado de perfeição. E tenho medo porque ir ao fundo de mim mesmo é um passeio por lugares escuros.

O horizonte transforma a decisão em passos que não têm nada de ingénuo. Vale a pena ir cada vez mais fundo, para ser cada vez mais perfeito. Talvez a dor maior que se encontra seja precisamente aquela de se sentir perdoado e amado apesar de tudo. Só uma luz divina é capaz de ser tão forte a ponto de destruir fantasmas e rochedos ancorados. E caminho tranquilo até que ela brilhe...
 

Cidade Eterna © 2010

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