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05 dezembro 2010

Viver de encanto

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A admiração é o resultado de uma surpresa positiva. Quando algo nos invade com uma luz que desperta em nós ecos de histórias passadas e que nos orienta para coisas muito fundamentais. Muitas vezes, estas surpresas são sinal de que se foi criando um espaço para disposições, mesmo de forma pouco calculada.

O desejo é um dos maiores mistérios para mim. Entre o apetecer coisas imediatas e o desejar coisas que hão-de vir, movo-me muitas vezes entre o estar realizado e o estar incompleto. Parece-me, porém, que o desejar é já uma forma de plenitude, como um caminho que está a começar.

Desejamos coisas muito boas para nós. A maior delas devia ser a santidade. Então se desejas ser santo, começa já a sê-lo. O caminho começou. Talvez seja isto um pouco o Advento. Recordar uma iniciativa surpreendente, Deus entre nós, e isto, se pensarmos bem, é uma enorme surpresa. É um verdadeiro encanto este fascínio de Deus pelas nossas coisas.

01 dezembro 2009

Tempo de Advento

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Sugestão de Lídia

Apesar de estarem ainda alguns temas para ser tratados, escrevo primeiro sobre o Advento, já que estamos no início deste tempo tão especial. Advento, como se sabe, são quatro semanas que antecedem o Natal. É um tempo forte dentro da liturgia da Igreja e é muito útil que se possa ir ao fundo desta proposta, para que o Natal tenha uma outra força.

Talvez o grande problema da pouca novidade que o Natal nos pode trazer - não só porque há dois meses a televisão e as lojas já se encarregaram de nos lembrar disso - é o facto que a festa pode ser uma rotina. Preparar o Natal é pensar nas prendas e dinheiro para as comprar, os convites e lugares da festa de família, participar nalguma acção de solidariedade, etc etc. Chega o dia, e passa... para o ano há mais.

O Tempo do Advento prepara em nós disposições de outro género. Faz-nos voltar para o interior, as nossas atitudes, mais que as coisas práticas a cumprir. Seria necessária uma consciência de que algo nos falta, para que, quando se celebra o Natal, aconteça uma Presença que ilumine e dê Vida. De facto, se virmos bem no Evangelho, o Menino Jesus não nasceu numa casa, pois estavam todas cheias e teve de nascer num lugar bem mais solitário. Corremos o risco de ter a nossa casa e o nosso coração tão cheio de embrulhos e luzes que o Menino não tem espaço para nascer!

Então, o tempo de Advento pode caracterizar-se por esta dimensão fundamental da espera. Quando esperamos, o que acontece em nós? Esperamos algo que não temos, e é precisamente a espera que dá alegria ao momento em que obtemos o que esperávamos.Todos temos imensas histórias que poderiam dar exemplo disso. Quando se espera, deixa-se o presente para centrar energias num futuro que é uma promessa feliz. Organizamos o nosso tempo para esse encontro, sonhamos com ele. Deste modo, o Advento faz-nos sair de um quotidiano sem muitas surpresas e ajuda-nos a procurar e encontrar aquilo que mais desejamos.

O Natal é a celebração do nascimento de Deus que se faz Homem. Deus que entra na nossa história, não de uma forma espectacular, mas através de uma criança recém-nascida. E não poderia ser de outra maneira, já que a predilecção de Deus por cada um de nós terá de se manifestar na forma mais concreta e próxima possível. É diante do presépio que percebemos a força da fragilidade de Deus, que se põe totalmente à nossa disposição, fazendo-se convite a acolher e adorar.

Podemos acolher esta novidade contínua de Deus, que se renova em cada Natal, de acordo com a nossa situação concreta, porque cada ano acontecem coisas diferentes e Deus entra na minha história com uma promessa e uma alegria diferentes. A grande pergunta é: onde quero que Jesus nasça? Onde quero que Deus esteja na minha história, aqui e agora?

O Advento é o tempo de preparar estas perguntas e, para isso, apresenta-nos duas figuras, que correspondem a duas atitudes:

João Baptista e a atitude de conversão. Olhar para nós mesmos, percebermos onde o nosso caminho se tem desviado do bem que sabemos e queremos para a nossa vida. A conversão não é lamento, mas orientar a nossa vida na direcção certa, comprometer-me com a minha verdade e a minha liberdade.

Maria e a atitude de entrega. Nossa Senhora aceita o convite do Anjo para ser Mãe de Jesus, sem perceber tudo, sem conhecer o que realmente estaria a acontecer. Mas é movida por uma extraordinária confiança. Se é Deus que me pede isto, quem sou eu para dizer que não? Faça-se... é o gesto mais perfeito da humanidade que é capaz de acolher Deus.

Se pudermos viver este Advento a partir destas ideias, o Natal será tudo menos uma rotina. Poderá nem ser a festa extraordinária que tivémos o ano passado, mas se a nossa esperança for completa, então o Natal significará um verdadeiro nascimento para uma Vida mais completa e autêntica.

29 novembro 2008

Esperar

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Começa amanhã o meu tempo preferido do ano litúrgico, o Advento. É um tempo próprio para não deixar de estar atento, é preparar-se para algo grande. Normalmente, quando temos algum encontro importante marcado, antecipamos esse momento vestindo o coração, encontrando coisas bonitas para dizer, vestimo-nos de outra maneira...

É significativo que a preparação do Natal seja assim longa, quase um mês. Neste tempo, sinto-me desafiado a levar sempre mais a sério aquilo que significa a espera e a certeza. Não seria razoável esperar indefinidamente algo que nunca poderá vir a acontecer. O Natal faz-me ter a certeza de que acontece já a manifestação de Deus na minha Vida, que verdadeiramente Ele chega até mim e me faz ser mais parecido com Ele.

O tempo da espera é esta grande metáfora de me dar conta de que estou sempre em caminho em direcção a algo que me está a ser dado continuamente. Estar atento é saber ver os sinais de perfeição, sentir esta atracção irresistível pela perfeição, acreditar que todos os dias estou mais consciente do que sou e do que tenho. E o mundo parece tão necessitado de beleza e ao mesmo tempo tão brilhante de presença.


21 dezembro 2007

Vida de origens

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Há alturas em que sinto mesmo necessidade de ir ao campo, depois de muito tempo no meio da cidade. Por ser esta a minha origem, uma terra de cultivo e rebanhos.

Há um simplicidade que começa com o nascer do sol, onde não se ouvem os carros, mas uma vida calma, com rituais precisos. É fácil encontrar as mesmas caras à mesma hora e tudo corre com um tempo que tem tudo de completo. Vivo tanto de mim em memórias destas...

Este Advento pode ser uma descoberta de um tempo simples, levado por dentro, em contacto com a terra que pisamos. Além disso, é na vida de pequenos pastores que surge a notícia de que o Céu está entre nós. Talvez não fosse, por isso, uma surpresa demasiado grande. Havia espaço e tempo para acolher qualquer coisa incompreensível, mas que leva o selo da eternidade.

19 dezembro 2007

O nascimento das coisas secretas

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Há uma vitória definitiva sobre a nossa espera. Tudo o que de maior podemos imaginar torna-se acessível e pertence ao nosso regaço.

Vivemos entre o concreto e aquilo que acreditamos um dia vir a ser nosso. Por isso nos esforçamos, e a Vida faz-se de uma motivação multiplicada em abraços dados ao vento, ou cheiros de rosas de um país longínquo.

A espera de algo Absoluto não nos pode fazer esquecer que nasceu o imenso poder de sermos Filhos de Deus. Em alguém tão pequeno que, numa noite fria, coube numa manjedoura, numa gruta de uma país que ninguém conhecia.

É este o sinal de um Amor infinito. Ser dado no segredo. Se soubéssemos quanto da nossa Esperança está num choro de criança...


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02 dezembro 2007

Advento

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Se houvessem mensagens mais claras para ter a certeza do que vem, então a espera perderia muita da sua capacidade de nos transformar. Imaginemos que estamos à espera de alguém que nos vem trazer uma surpresa. Uma coisa é não saber o que é, outra é já nos ter sido dito.

Há uma espera que é original, uma luz nova aos nossos dias. Há outra espera que é um momento em que se passa a ter nas mãos aquilo que já se sabe.

Deus tanto tanto de original como de pessoa que não sabe fazer surpresas e acaba sempre por contar! Se sabemos que Deus vem às nossas Vidas, esperamos aquilo que já conhecemos. Mas é uma parte de Deus feita nossa, não é a imensidão do que Ele nos tem preparado.

O Advento é viver entre o que conhecemos e aquilo que esperamos. Para o conhecimento, temos a certeza do Amor, para a esperança temos a abertura a este inacreditável modo de ser amado, sempre de novo.

30 novembro 2007

Feliz ano novo!

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Estes são os últimos dias do ano litúrgico, quer dizer, no próximo Domingo começa o tempo do Advento, um tempo muito bonito e especial de preparação para o Natal.

Normalmente, começamos qualquer coisa nova porque se celebra um determinado acontecimento. A Igreja, pelo contrário, começa o ano com a espera. Isto tem-me feito pensar numa série de coisas, ligadas a coisas que tenho vivido nos últimos tempos.

Que os grandes acontecimentos ficam guardados tantas vezes com o carimbo da surpresa, algo desejado quase inconscientemente que acontece repentinamente e nos dá um olhar tremendamente novo sobre a Vida. Há outros, porém, que são celebrados em pleno, porque se esperaram, com ritos, sinais, mensagens, tempos de espera mais ou menos ansiosa. Vestir o coração...

E quando acontece, uau! =) Era isto que estava à espera, e muito mais acontece.... o excesso de uma presença que chegou finalmente é algo tão especial. Porque devemos viver num presente conseguido, mas é tão importante a espera amorosa...

09 dezembro 2006

O Mundo meu

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Vou tornar o meu mundo bonito. Em silêncio, sentado no espaço mais bonito do eu coração, com todas as coisas diante da minha mesa.

Trago a música, as paisagens, a poesia, os quadros, a luz que brilha em todos os acontecimentos. E vou colorindo os sons, escrevendo casas e pessoas, cantando os caminhos. Ouvir bater o coração ao ritmo de um Absoluto quase impossível de descobrir no tempo em que tudo corre a grande velocidade.

Na calma e na paz construo um sim gigantesco, de entregas e mãos abertas, de abraços recebidos mais que dados. Com humildade na minha inteligência e descoberta dos desejos mais bonitos da existência.

E faço castelos de chegada e partida, sempre abertos e em festa. Com lume aceso e mesas preparadas para o banquete.

Como Maria, que num sim mudou a sua vida e a Vida dos homens. E a minha própria Vida. O Advento é o tempo da construção mais bonita dos meus passos e da minha espera. O tempo do Sim e da fidelidade, o tempo do abraço que me espera desde sempre.

06 dezembro 2006

Estupefacto

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Alguns dias é mais complicado lidar com os limites. Primeiro os meus, por aquilo que, por mais que pense e me esforce, não consigo atingir na plenitude que desejo. Caminho para lá, e só o desejo de olhar para a meta me leva como essa mão invísivel que sabe melhor que eu mesmo para que coisas sou criado.

Há depois estes limites da rua. Aqui por Roma é tão comum ver imagens de crianças assim. E não se pode fazer muito, nem sequer entendo o seu mundo, o que está por detrás das histórias familiares. E depois, mais fundo, o que está por detrás da História da Humanidade, perfeita e criada para ser plena no Amor. Mas à nossa volta tudo parece ser tão impossível...

Estes olhos que contemplo, como tantos outros, de todos os dias, são verdadeiramente os olhos de Deus que vem até nós, e que celebramos neste tempo de Advento. Mas parece tão fácil este discurso... Porque é que preparo uma Vi(n)da que salvará tudo, quando, depois do Natal, não vou deixar de ser confrontado com os mesmos olhares?

Acredito que seja um convite à minha não-tentativa-de-tentar-perceber. À minha humildade. No fundo, existe o mistério de Deus, nascido, morto e ressuscitado por mim. Apesar de tudo. Estes olhares são o mistério mais profundo de Deus-no-mundo. Apesar de tudo.
 

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