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17 fevereiro 2010

Quaresma

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Começa hoje um tempo litúrgico importante de preparação da Páscoa, que é a Quaresma. Normalmente, associamos a quaresma à tristeza, ao sofrimento, ao jejum, à cor roxa, mas com isto, podemos correr o risco de deixar passar ao lado outros aspectos também importantes.

A Quaresma tem-me feito pensar na necessidade ou utilidade de conceitos do género: auto-domínio, sobriedade, renúncia. São palavras fortes, para quem já vê todos os dias que a vida é demasiado séria e que é preciso descomprimir de vez em quando. Insistir em austeridades simplesmente não apetece muito.

O que aqui está em jogo não é uma questão exterior, do sacrifício pelo sacrifício, do ser sério só porque não se pode rir. Aliás, isso não tem nada de cristão. O que é importante é cair na conta que precisamos de ter alguma força e estrutura interior, para não sermos pessoas "moles", que não decidem nem fazem nada de importante e se deixam andar ao sabor da maré.

Por isso, a Quaresma abre-nos a uma nova perspectiva: de sabermos aquilo que queremos, de nos darmos conta que não vale a pena gastar energias em coisas que não nos aumentam como pessoas. Saber dizer que não, é também dizer que sim a algo mais importante. É este o sentido profundo que podemos pôr em prática na quaresma, viver mais do essencial, viver de forma mais simples. E assim, quando vivemos conscientes do que somos e do que queremos ser, estamos satisfeitos, e estamos mais abertos aos outros. Deixámos de ser complicados. 



PS: Com o início da Quaresma, a Companhia de Jesus e o Apostolado da Oração (a minha provável futura missão ;)) lançou uma página www.passo-a-rezar.net onde se pode descarregar em formato mp3 um ficheiro para 10 minutos de oração diária. Aconselho vivamente, para poder rezar em todo o lado, com boas propostas e que ajudam a um momento de paragem e encontro com Deus. É uma iniciativa que me traz uma imensa alegria! No lado esquerdo pus uma imagem que leva directamente ao site. Bom proveito e Boa Quaresma!


25 fevereiro 2009

Porquê converter-se?

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(sugestão de Nélson Faria)


A sugestão dizia mais respeito aos motivos porque uma pessoa se poderia converter ao cristianismo. Hoje começa a Quaresma, e um dos termos chave deste tempo é precisamente a conversão. Creio que não será errado falar disso, porque mesmo um cristão precisa de se converter; ser cristão não é uma espécie de carimbo para mostrar no passaporte, é muito mais que isso. Apresento o que tenho visto serem, para mim, os principais chamamentos à conversão e como estes são os motivos principais para ser cristão.


Conversão a Deus - A história do pensamento humano sempre se debateu com as questões de provar a existência de Deus. Eu próprio tenho dificuldade em racionalizar a fé, com argumentos que, mais tarde ou mais cedo, se é constrangido a dizer: "até aqui podes pensar, agora ou acreditas ou não acreditas". Não é isso. Converter-se a Deus é admitir que o Amor tem uma palavra definitiva em mim e na minha história. Que não sou eu que domino o amor, mas sou escolhido por Ele. Que o máximo das aspirações humanas é amar e ser amado, a impossibilidade de viver sozinho. E como esta força é tão potente que tem de estar além de mim, e que tem de ser Alguém, com um Nome e um Rosto. E que no cristianismo esse Alguém é uma pessoa, Jesus, que mostra o modo de funcionar de Deus e acho-o fascinante e irresistível.


Conversão de mim mesmo - A nossa raiz situa-se no facto de estarmos vivos. É dinamismo, criatividade, altos e baixos, sonhos e desilusões. Temos em nós uma consciência que o amor é melhor que o egoísmo, que o bem é superior ao mal. Mesmo que a Vida nos mostre o contrário. Mas a Vida vale pelo que se acredita e como me posiciono de frente a ela, em todas as suas dimensões. O cristianimo é exigente, porque me mostra um caminho de amor autêntico, que me faz rever a qualidade do meu amor, o compromisso com o bem, o querer superar-me cada dia em bondade e alegria. Acho que muitas pessoas não se atrevem a ser cristãs porque têm medo de amar completamente, com liberdade, responsabilidade, compreensão. E os cristãos não se atrevem, pelos mesmos motivos, a serem-no completamente.


Conversão aos outros e ao mundo - Sou fascinado pelos olhares de grandes horizontes. Quando o meu mundo são 5 amigos especiais, uma casa, um carro e um trabalho de sonho, tenho um mundo minúsculo. Fecho-me em casa com as coisas que gosto e não vejo o pôr do sol. Um olhar grande é capaz de ver as coisas que tem, de modo relativo, a não ficar preso a elas, mas sabendo amá-las do modo certo. Normalmente confundimos liberdade com desprezo. Mas não se identificam, porque quando amo alguém ou qualquer coisa, amo intensamente no espaço e no tempo que tenho para isso, de todo o coração. E não deixo de amar intensamente por partir para outras paisagens, mas sou chamado a um compromisso novo, a acrescentar o meu mundo.


Conversão à Igreja - Ser cristão não se vive sem uma comunidade. Por ser uma religião em que o amor ao próximo é tão importante como o amor a Deus, a Igreja é parte essencial do cristianismo. E tantas vezes sinto incompatibilidades e incoerências no corpo da Igreja, exactamente como as sinto em relação a mim mesmo. É uma instituição com tantas leis, tradições, coisas pesadas... mas da qual me sinto parte. Nunca me senti impedido, por parte da Igreja, de ser livre no bem e no amor. Sempre me considerei previligiado por exprimir a minha autenticidade no ambiente em que estou, e como a Igreja me ensinou a fazê-lo. E a minha autenticidade é também a minha inteligência, que me diz de não conseguir estar de acordo com tudo, mas não sou capaz de falar desde fora, como se a Igreja fosse qualquer coisa diferente de mim. Devo-lhe demasiado para a criticar desta maneira, e posso criticar porque estou comprometido com ela. Se a base for um desejo de bem, e o conseguir realizá-lo, é impossível não haver diálogo.


São estes os motivos que me fizeram e fazem ser cristão. Sinto-me maior por isso, e com consciência que posso fazer sempre mais. A principal exigência é o compromisso de cada dia, autêntico e responsável, mas não é uma luta, é sobretudo uma experiência de compreensão, perdão e confiança, nos momentos em que não sou eu próprio, mas aos olhos de Deus, sou sempre o mesmo, único no mundo.


Boa Quaresma!

16 fevereiro 2008

O que estiver além de mim

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Hoje pensava acerca de ser perfeito e dava-me conta de uma coisa... tem sempre algo a ver com as lutas interiores e o desejo de querer mudar coisas na minha Vida, para ser aquilo que acho que devo ser. A Quaresma é um tempo próprio para isso, e este esforço recebe o nome de conversão, que não é mais que um caminho de decisões autênticas, traduzidas em gestos...

Continuo, porém, a achar que fazemos o nosso sucesso depender de actos possíveis... afinal de contas, a nossa genialidade acaba por ser escrita dentro das nossas páginas pessoais, em papel de vários tipos e formatos, consoante o tipo de personalidade e os dons que se têm.

No Evangelho fala-se de amor aos inimigos, cuidar aqueles que nos fazem mal e de quem não gostamos... é bonito de ouvir... mas é fácil achar que não é uma coisa urgente... afinal, o bem que fazemos a quem amamos parece sempre insuficiente...

Mas este tipo de amor é indicado como caminho de perfeição, não a minha, de ser o melhor amigo dos meus amigos (porque esses podem sempre dizer que o sou). A perfeição do modo de Deus está num amor que tenho dificuldade em querer que seja também o meu modo... não chegam pequenas formas de amor, serei capaz de me converter a outras maiores?

10 fevereiro 2008

Tentação

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Tentação é uma palavra que nos traz sempre algum medo... talvez por ser a nossa experiência de fragilidade e saber que tantas vezes fazemos e sentimos aquilo que não queremos. Tem a ver com o facto de sermos incoerentes com os ideais e isso por vezes cansa-nos e desgasta-nos.

Mas não nos devemos desanimar, aliás, por sermos frágeis é que podemos buscar as oportunidades de sermos fortes até ao limite de nós próprios. E porque somos feitos assim, temos de viver com isso de uma forma transformada.

Classicamente, também a partir do Evangelho, há três fundos de tentação: o ter, o ser e o poder. Talvez a história da criação seja o reflexo dos nossos gestos, de estender a mão e querer apanhar um fruto que não nos pertence: e tentamos ser outros diferentes de nós, tentamos ter aquilo que não precisamos e não nos completa, e tentamos ter poder e dominar sobre os outros e as situações.

Mas devemos aprender a ser simples, a ter confiança e a poder servir. Isso é o que mais está ao nosso alcance. Desenvolver num sentido positivo o impulso da tentação, realiza-nos mais do que tentar completar-se com ilusões e frustrações de curto, médio, ou longo prazo.

06 fevereiro 2008

Quaresma

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A Quaresma começa com uma celebração bastante particular, que é a imposição de cinzas, como sinal de conversão e penitência. É um gesto muito antigo, que vem já da tradição judaica e que se fazia em momentos de dor ou de arrependimento.

O sentido da cinza hoje tem a ver sobretudo com a humildade. De reconhecer que, no meio de todas as nossas possibilidades, por vezes fazemos coisas que não nos deixam bem e reconhecemos que acabamos por não ser completos.

As cinzas fazem-nos ter consciência de que somos criaturas feitas de terra, mas que isso não significa um humilhar-se gratuito. Aprendemos sobretudo a perceber que é a terra que Deus tomou nas mãos e nos fez. Se é sinal de humildade, é necessariamente também sinal de uma predilecção especial de Deus por nós, que nos faz como sua obra-prima.

Daí que começa hoje um caminho desde a nossa origem, sabendo o que somos, terra, mas em direcção ao que já somos e seremos completamente, Luz.

13 março 2007

O que falta

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Estes dias tenho estado em contacto com uma sensação. Este tempo de Quaresma pode ser mesmo um desafio enorme, se deixarmos que as perguntas surjam com naturalidade, sem ter medo delas, mas vê-las como caminhos de certeza, rumo a nós próprios.

Porque é tão fácil termos medo das coisas melhores que temos...

A Conversão está ligada a uma verdade e a um desejo. Tenho-a feito para mim mesmo assim: Que me falta para ser perfeito? É uma mesma verdade, a daquilo que me falta e a da possibilidade de a ter agora. É um grande desejo que se joga numa opção por coisas concretas.

Para ser perfeito, falta-me um coração mais simples, mais encantado. E isto é muito consolador. Se tenho um bom desejo de simplicidade e encanto com a Vida, é porque tenho um coração capaz disso. Isso é um dom, só me falta acertar com a minha possibilidade, já dada, de perfeição.

02 março 2007

Pequeno

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Hoje fui fazer um exame ao médico... e foi estranho. Senti-me terrivelmente pequeno, vulnerável, sujeito a máquinas que desconheço. Um ponto minúsculo no universo. Sentir-se assim sem poder ter controlo das situações não é definitivamente uma experiência agradável. Gostamos de saber o que se passa à nossa volta e de algum modo poder agir para ter aquela segurança de que se sabe como tudo vai acabar.

É fácil, mesmo em tempo de Quaresma, falar e sentir na oração que Deus nos conduz, que não precisamos de nos preocupar com o que virá e o final da história é sempre feliz.

Esta é a nossa esperança, mas hoje percebi que há alturas em que também é importante sentir na pele o limite e o não ser como se queria. Estar nas mãos de Deus conforta a alma, estar nas mãos dos homens, não tanto, e custa confiar a Vida a isso.

Se para além da alma, fosse capaz de entregar o corpo a Deus com a mesma facilidade? Não ter medo de uma entrega de coração, mesmo que isso implique a Vida toda... é um desafio que me está a fazer pensar. E a atrair.

28 fevereiro 2007

Conversão

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Há palavras-chave na Quaresma que tenho vindo a tentar perceber o seu significado mais profundo. Nos últimos tempos tem-me chamado a atenção a palavra Conversão.

Parece sempre algo difícil e doloroso, bater no peito e reconhecer que há coisas em mim que não estão como deviam estar.

Entre a verdade exigente e o dinamismo do Amor, sou chamado a preferir uma imagem Amorosa e Verdadeira de mim mesmo.

Converter-me é confrontar-me, olhar-me ao espelho e ver uma imagem não desfigurada, mas desejosa de ser conseguida, e que, de algum modo, já é conseguida porque sonhada. E se é sonhada, também é possível. O sonho leva a não ficar parado, e é a busca desta imagem que não me faz querer ficar limitado no tempo e no espaço.

Con-verter... derramar-me num projecto meu e de Deus? Fazer uma versão autêntica de mim mesmo? Acredito que as duas coisas vão unidas. O que sou e o que quero ser... o que deixei de amar é precisamente o que sou chamado a fazer, de coração mais presente que nunca.

21 fevereiro 2007

Quaresma

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Haverá espaço na fé para a tristeza? Contudo, pensamos muitas vezes no roxo quando se faz quaresma.

Um tempo de preparação para conseguir um objectivo, exige algo de nós próprios. As metas requerem esforços, às vezes dificuldades que gostaríamos de não ter de passar por elas. Mas isso está muito longe de significar estar triste.

Um trabalho para conseguir algo bonito vale muito mais pelo que se consegue, do que pelo que se faz para o conseguir. Mas o que é bonito na preparação não é apenas o objectivo final, mas a riqueza da superação de nós mesmos, na capacidade de nos maravilharmos com o que já fizemos nos pequenos momentos.

A Quaresma faz sentido em si mesma, só pelo desejo de estar preparados. Preparados para contemplar a Vida Ressuscitada que já está em nós. É tão importante ter, por isso, um coração aberto e transformado, perdoado e conseguido, para poder receber de modo mais pleno aquilo que somos desde a nossa primeira origem e última meta.
 

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