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13 maio 2009

Intimidade

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Todos temos os nossos segredos, um santuário onde a nossa consciência se encontra ou se esconde. Há coisas em nós que gostamos muito e temos pouca coragem de as fazer brilhar, talvez por não lhes darmos o valor que têm. Há coisas que confrontamos diariamente e não percebemos, gostaríamos de um gesto genial que as resolvesse e afastasse.

Mas somos assim, luz e sombra, desejo e desistência, vôo e medo. Não somos nada diferentes do mundo que habitamos, capazes de sorrir e chorar ao mesmo tempo sem podermos esclarecer tudo. O coração fala de um modo lento e pouco preciso. É por isso que temos pouca paciência connosco. Estamos entre imagens do que fomos e outras do que queremos vir a ser, sem tocar a pedra, cor, letra e som que nos faz hoje.

A capacidade de agradecer, aceitar, perdoar e ser humilde é a nossa maior grandiosidade. Goatamos de nós na medida em que acreditamos no que somos, sem nos escondermos. Sem sermos mais, nem sermos menos. Talvez seja esta a simplicidade que se oferece só porque sim, não tem nada a dizer além de uma alma generosa e que quer crescer em perfeição e bondade. Somos assim, e temos de acreditar todos os dias nisso.

22 fevereiro 2009

Quem sou

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(ainda sobre o auto-conhecimento)


No post anterior falei sobre aquilo que fui percebendo ser, de alguma maneira, uma boa descrição da nossa interioridade e o pano de fundo para podermos saber quem somos. Mas gostaria de acrescentar alguma coisa...


Sou um mistério para mim mesmo, e talvez seja possível que os outros me conheçam melhor que eu próprio. Talvez porque tenho espaços em mim dos quais penso que tenho o direito absoluto a ser o único explorador. Triste e iludido. E estes espaços são tantas vezes quartos escuros, fechados à chave. Tornei-me dono das minhas próprias prisões. Acredito que damos uma importância excessiva à pouca luz que temos, comparada com a dos outros. Ou ao modo pouco brilhante como estamos perante a Vida, quando sabemos bem que ela nos exige que sejamos sóis luminosos.


Conhecer-me é abrir os olhos e os braços ao que está em mim e fora de mim. Mas às coisas sérias e bonitas, no fundo, as únicas que são realmente... É ser capaz de abrir os lugares escuros e perceber que os monstros são formigas... é deixar que um fogo aqueça a casa. É olhar pela janela da alma e ver que estou na proa, e tenho diante de mim aquela paisagem que nunca pensei ver. Porque estamos continuamente a pensar que estamos bloqueados, traumatizados, condicionados?


Quando aquilo que sou é vento que enche as velas de um barco, a cor onde o artista mergulhou o pincel, a música que faz chorar alguém de consolação. É entre a coragem e a luz que me situo e existo... as minhas sombras são marionetes ridículas, só fazem aquilo que eu faço quando olho o sol... não têm um mínimo de vontade própria.

19 fevereiro 2009

Auto-conhecimento

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(sugestão da Leonor)


O tema do auto-conhecimento é muito vasto, e admito que também é um dos meus preferidos. Tenho pensado e rezado muito sobre o conhecer-me a mim mesmo e como isso tem sido fonte de compreensão, perdão, desejo de me aventurar e de ser melhor. Conhecer-se a si mesmo não é apenas uma questão de fazer uma lista de qualidades e defeitos, ou fazer algum teste de personalidade. Estas coisas ajudam, mas correm o risco de permanecer à superfície e não nos faz cair na conta daquilo que verdadeiramente somos. Cada pessoa é um mundo diferente e estaria a perder-me se quisesse falar de tudo, pelo que resolvi apontar algumas coisas que fui lendo e pensando, e acho que se podem aplicar a cada pessoa, ao menos como início de um caminho para se conhecer melhor.


A própria expressão "conhecer-se a si mesmo" indica que existe uma distância entre o eu que conhece e o eu que é conhecido. Vamos conhecendo partes de nós, sem nunca conseguir conhecer-nos completamente. Acredito que sou um mistério para mim mesmo, e este é inesgotável, perigoso, fascinante, digno de todo o amor. Este mistério encontra-se dentro de nós, o espaço meu onde realmente sou aquilo que sou. E como posso chegar lá?


Uma descrição do homem interior que sempre me interpelou é a seguinte: eu sou homem psiquico, homem racional e homem espiritual. Ou, em termos mais complicados, e mais personalizados, mas que explicam a mesma coisa: animus, anima e spiritus. Estas três coisas não são três partes diferentes, como se me pudesse dividir em estratos, mas são modos de funcionamento daquilo que sou, a minha origem e para onde quero caminhar.


Animus é a parte que conheço de mim todos os dias, como vejo que me comporto, como leio a minha história, os meus defeitos e qualidades óbvias. É o que, de algum modo, me faz agir, a minha parte mais consciente, a que estámais imediatamente em contacto com o mundo à minha volta.


Anima é a parte de mim que responde ao bem, que me move para as coisas bonitas, que me faz sair de mim. Entre animus e anima, existe muitas vezes conflito. Sei o que é bem, e não o faço, sei que estou a fazer mal e não deixo de o fazer. Li num texto que a anima é como a dona de casa que procura cuidar e arrumar as coisas. Animus entra em casa e toma posse dela, é muitas vezes egoísta, e vence anima com palavras bonitas e boas justificações. Temos sempre justificações para fazermos o que queremos, mesmo que saibamos que não é bom.


Spiritus é a parte mais interior de mim, aquela que anima contempla e onde arranja forças para suportar, acolher, cuidar e transformar animus. Spiritus é tudo o que nos arrasta para o amor, que nos faz livres, não esperar recompensa, de nos dar sem medida e encontrar nisso a maior alegria. E é no spiritus que encontramos a parte mais débil e, ao mesmo tempo, mais poderosa de nós. É débil porque o amor não existe sozinho, e quando a anima é incapaz de encontrar spiritus e de o amar e ser amada por ele, perde força para ajudar animus a abrir-se também ele ao amor. E é a parte mais poderosa, quando eu percebo que o amor que tenho é mim é um dom, dado em medida inesgotável. Amo porque sou amado e tenho consciência que nunca poderei dar tanto amor como aquele que recebo. Mas procuro corresponder com todas as minhas forças, no fundo amar é o que há de mais natural em mim. E é neste movimento e neste lugar onde Deus está.


Procurando simplificar: O auto-conhecimento, ao menos como eu o percebo, está em olhar estas três dimensões e ver aquelas que têm mais força. Sabendo que a minha autenticidade está no amor, que passa pelo querer fazer o bem, e fazê-lo de facto. Quando spiritus, anima e animus trabalham no mesmo movimento, sou aquele que sou. Se a determinado ponto se quebra esta corrente, posso perguntar-me onde está a raiz disso. Encontrá-la, percebe-la, ama-la e recomeçar...



PS: Que engraçado ter encontrado esta foto,de Marta Ferreira. Animus e anima de mãos dadas, os corpos a fazer um coração e a olhar o mundo através de janelas imensas.

14 novembro 2008

Tudo o que sou

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Tudo o que sou é segredo e inexplicação. Conheço o que não sou, desejo ser mais. Um gesto que me arranque desde dentro, me faça deslumbrante aos meus próprios olhos. Falar de conquistas são poucos passos possíveis, são janelas que abrem paisagens. A vida poderia ficar fechada numa redoma, intocável, sagrada. A quem prestaria adoração do desejo, mas não poria nela verdade de lama e pó.


Um caminhante é por definição alguém que se suja, alguém a meio termo, desprovido de tecto e altar. A ilusão de ter feito um mundo à minha medida cai como a chuva e mistura-se no mar das incertezas. É uma questão de olhar para além do positivo, de me encher de graça e eternidade.


A Vida é o maior dom que temos entre mãos, demasiado poderoso para ser intocado, espalhado em espelhos que fragmentam a minha imagem, quando uma só verdade existe, a mesma de sempre, o fogo que arde em casa quando chego de viagem, acabado de me perder, consolado por me encontrar.

23 outubro 2008

Verniz

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De facto, é um lugar-comum da nossa comunicação responder brevemente à pergunta: Está tudo bem? com um simplificante: sim, estou bem. A grande maioria destas perguntas um bocado apressadas têm esta resposta. Muitas vezes o faço. E acontece que, raras vezes se ouve dizer: mais ou menos, ou nem por isso. Quebra-se o ritmo de repente e somos chamados a parar para saber como poder ajudar e o que se passa.

Talvez o dizer que está tudo bem é uma forma cómoda de não incomodar ninguém com os meus problemas, ou até pode ser uma forma de afirmar a verdade que gostaria de viver e que não vivo. Assumir estados mais tristes obriga a quebrar a velocidade do dia-a-dia, gasta-se energias e é mais prático ir adiando e não pensar muito nisso.

Mesmo que o afirmar que está tudo bem possa ser positivo, porque relativiza problemas com pouca importância, acredito que muitas vezes isto tem a ver com um desejo incontido de auto-suficiência, sobretudo se são questões que se preferia não ter de afrontar. Há uma certa humildade em reconhecer fragilidades. E coragem para pedir ajuda. De alguma forma, a nossa comunicação de estados de espírito devia ser mais transparente, sem uma máscara bonita de aparência, que só acaba por nos esconder de nós mesmos.

15 outubro 2008

Observação

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Olhar o mundo à nossa volta terá de ser uma tarefa apaixonante. Quem não mete as mãos totalmente na matéria de que são feitos os nossos dias, acaba por estar distante, ou sentado numa cadeira acima do universo, cheio de ideias boas, mas sem raízes onde possam crescer. Talvez seja esse o grande problema de um idealismo às vezes arrogante e pouco misericordioso.

Começa por haver uma verdade pessoal que se reconhece feita das mesmas contradições. Só compreende quem é compreendido, só perdoa quem é perdoado. E amar as minhas contradições é um passo para as iluminar desde dentro e ser capaz de colocar os meus passos num rumo certo.

Quem sou eu para julgar? Já que nunca me senti julgado, ganhei um coração capaz de acariciar fragilidades e torná-las verdadeiras fontes de força. Por isso, amo o mundo à minha volta, sem querer ser ingénuo... mas a última coisa que gostaria de ter era estar decepcionado com ele.

17 julho 2008

Janelas

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Das coisas mais impressionantes dos tempos de reviver e saborear de novo paisagens conhecidas é o olhar pela janela para perceber o novo mundo em que me encontro. Janelas são pontes entre o espaço de dentro e o conhecido-desconhecido lá de fora. Entre o quente e o frio, entre o cómodo e a aventura.

Precisamos de espaços seguros dentro de nós, onde as raízes estejam a falar constantemente de belezas profundas e toques de infância. As janelas são lugares de inspiração antes de alguém se lançar no voo, aceitar o que vier, querer e desejar as maiores plenitudes.

Faz falta parar, é preciso estarmos connosco e reconhecer fragilidades amadas. Faz falta criatividade, e uma vontade cristalina de trazer luz às sombras, minhas e dos outros... No espaço da minha janela, aquela que hoje encontro, sinto-me bem, saudável, incrivelmente transparente a raios de luz clara.

21 maio 2008

Aquilo que somos

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Hoje, como vinha sozinho no metro, tive tempo para ir olhando o que estava à minha volta. Fiquei impressionado com as histórias escritas nos rostos e nas roupas das pessoas. Uma cidade como Roma tem uma diversidade enorme de raças e culturas. Uma senhora romena folheava o jornal da sua língua ao meu lado, à frente uma rapariga com uma expressão muito curiosa, quase seria óbvio ser obrigado a tirar uma fotografia.

O metro pára numa estação, saem pessoas e entram outras... no espaço de 20 minutos a carruagem torna-se um desfile de mundos e viagens, de desejos e lutas. É curioso como nos passam diante dos olhos em tão pouco tempo uma riqueza enorme que não se consegue ter toda.

Somos também aquilo que os outros vêem em nós, e transmitimos aquilo que pensamos, aquilo que vivemos, o que nos enche e esvazia a alma. Um olhar com luz é maravilhoso, um rosto desiludido aperta o coração. É um desafio grande este de poder falar de coisas importantes sem dizer nenhuma palavra. Já me aconteceu esclarecer dúvidas em relação a algum aspecto da minha vida por ter contemplado aquilo que procurava no rosto de alguém.

16 maio 2008

Flexibilidade

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A sabedoria oriental tem coisas fascinantes. Falam a partir da experiência comum e revelam coisas muito particulares acerca do modo como estamos perante a Vida. Ajuda-nos a fazer um exame de consciência sobre aspectos concretos que podemos ver e melhorar.

Falavam da rigidez e da flexibilidade. Um corpo rígido está relacionado com a morte. Um corpo flexível está relacionado com a vida. Um corpo rígido não consegue aguentar muita pressão sem se quebrar, ao passo que um corpo vivo dobra-se e continua a viver.

Se às vezes somos intransigentes connosco ou com os outros, pode ser bom, na medida em que clarificamos algumas coisas que fazem parte de decisões que levam a consequências. Mas se nos mantemos permanentemente numa atitude de estabilidade férrea, acabamos por deixar passar ao lado as oportunidades que nos possam suavizar. A flexibilidade é um bom remédio para a disponibilidade, para estarmos atentos aos movimentos do vento e do que acontece à nossa vida, sem, contudo, perdermos as nossas raízes.

07 maio 2008

Não se dá o que não se tem

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Às vezes, as frases repetidas fazem muito sentido. Vivemos espontaneamente fora de nós, procurando oportunidades de realizar aquilo que sonhamos, de cultivar e cuidar as nossas relações, de fazer aquilo que gostamos e também aquilo a que a Vida nos vai obrigando. E apetece ficar em casa para não apanhar muita chuva, nem sentir o desconforto do que há para fazer e não apetece muito.

Mas continuamos a olhar para fora. O que em si é bom, porque ficar parado dentro de si a cultivar o bem-estar espiritual possível, acaba por nos trazer pouca luz.

Pelo contrário, se o nosso estar em casa é marcado por momentos de verdade que dizem de nós próprios aquilo que nos agarra por dentro, ficamos unidos a qualquer coisa que tem a ver com a profundidade dos nossos gestos fora de nós. Não nos podemos dar verdadeiramente, se primeiro não formos capazes de nos entregar ao que somos e temos entre mãos. Aí sabemos os nossos tesouros e o modo perfeito de os oferecer ao mundo.

27 abril 2008

A beleza da Luz

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Quem me dera poder gritar bem alto que a nossa luz é muito feliz! E que podemos dizer hoje que temos tempo mais que suficiente para nos dedicarmos àquilo que é mais importante. Que estamos sempre a tempo de recomeçar caminhos esquecidos e olhar de novo as flores da paisagem.

Que a tristeza do momento presente não é tudo o que temos agora, apesar de a sentirmos como peso que nos tira as forças.

Não há segredos nem receitas mágicas para sermos felizes. Há uma descoberta sempre nova e exigente de nos sabermos capazes de ser mais fortes do que supomos, de ir além do que nunca poderíamos imaginar. A história das nossas conquistas são muitas vezes rodeadas de surpresas, porque descobrimos que fomos capazes de confiar além dos muros da nossa casa. E pudemos sorrir com aquilo que somos e fomos criados para ser.

08 abril 2008

Ponto de partida

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Em determinados momentos da nossa Vida, quando achamos que há muitas coisas no coração a exigirem de nós, é útil parar e decidir. Não é fácil deixarmos de lado coisas que parecem tão urgentes, já que o tempo é sempre tão escasso e, tão útil para não o perder para estar a mexer em coisas que se esperam vir a ser resolvidas mais cedo ou mais tarde. Se vierem...

Como em tudo, um equilíbrio entre agir e pensar como agir é muito importante. Sobretudo em matéria de sentimentos. Os ponteiros do relógio fazem rodar os sentimentos, quando não temos a coragem e a paz de os fazer girar ao ritmo do Essencial.

Há qualquer coisa parecida com a coragem em fazer isto: de ter para mim mesmo os nomes do que se passa em mim. Tem tanto de salto arriscado como de confiança na paz. Quando sei o que o coração tem e não tenho medo disso, tenho o meu ponto de partida, nem bom, nem mau, é o que tenho e o que sou. E assim posso saltar de braços abertos para o que a Vida me pede, sabendo que só quero ser autêntico e feliz.

03 março 2008

O bem que quero

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Uma das atitudes mais positivas é o querer o bem. É mais fácil desejar o bem quando alguma coisa deve melhorar, em nós ou nas nossas relações, o que implica por vezes decisões difíceis e uma dose enorme de paciência.

Há outro bem que se aproxima do óptimo ou do que nós acreditamos ser a perfeição a que somos chamados. Aí encontramo-nos com a instalação e a preguiça. E também é importante o equilíbrio de não querer ser perfeccionista.

Temos uma aceitação profunda de nós mesmos, quando reconhecemos limites mais ou menos superados e acreditamos que temos capacidade de ir além de nós mesmos. Vamos sendo conduzidos num movimento de querer alargar os abraços que damos à Vida, olhando a importância de tudo o que acontece hoje e agora, e fazendo o bem a que somos realisticamente chamados.

Que esta semana seja um bem para os nosso gestos. Boa semana! =)

02 março 2008

Certas palavras

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Antes de dormir, tenho um livro de histórias que me acompanha... desligar do que foi o dia, pensar noutros mundos, viajar por estradas de flores e campos de trigo. Há palavras nos livros que descrevem paisagens que parece que sempre vivemos lá, e pertencemos a alguns lugares que não conseguiríamos descrever de outra forma.

E vou-me definindo entre palavras e mundos que dão esperança e fazem perceber a fundo as origens e os destinos dos sentimentos e dos desejos.

Chegaria um exercício de escolher certas palavras que definissem cada um dos meus dias, e às vezes palavras que gostaria de nunca as dizer. Felizmente, também temos um dicionário imenso de termos felizes. Mas as grandes obras de arte são escritas e feitas em folhas brancas e pedra bruta... daí nasce poesia... e a perfeição que já somos ganha forma.

27 fevereiro 2008

Contrastes

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Apesar de sabe e rezar tantas vezes que a profundidade das minhas raízes é o que alimenta aquilo que sou e vivo, a minha palavra verdadeira que procuro que resuma os desejos e as coisas conseguidas, a Vida no seu dia-a-dia é sempre mais complexa.

Acontecem dias em que os estados de alma mais ou menos positivos, de alegria e consolação se sucedem a outros mais cinzentos e parados... e às vezes acontece que vários estados se sobrepõem e tentar roubar espaço uns aos outros.

É o equilíbrio entre o que quero conseguir já e não consigo ainda, entre o que sou capaz e a verdade de saber que poderia fazer muito mais... E tudo isto entra no mundo interior como agulhas que pretendem ferir um espaço que entendo que deve ser perfeito e imutável...

Talvez devesse ser mais transparente com o que faço e sinto e deixar iluminar tudo com uma luz absoluta que dissesse também a mesma verdade sobre coisas diferentes... que fizesse ganhar distância e ser realista, sem perder a capacidade de sonhar com enormidades.

05 dezembro 2007

Sem medos?

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De onde vêm os meus medos? Creio não errar muito se disser: de coisas que nos assustam; das nossas inseguranças. E tenho-me dado conta de algumas coisas:

Que tenho medo daquilo que está fora de mim, ou uma pessoa, um momento, uma circunstância. Normalmente algo que virá a acontecer num futuro mais ou menos próximo.
E tenho medo das coisas que sei que me vão abalar, porque vão mexer em lugares meus poucos seguros: críticas, desprezo, falta de paz, ficar sozinho...

Acredito que em nós não temos fontes de medos. Temos é espaços abertos ou feridas que podem ser tocadas por uma coisa que nos afecta. É quando nos expomos ao que está fora, que os nossos vazios se podem ressentir, ou, pelo contrário, encher-se completamente.

Há um espaço dentro de nós que é semelhante à comunicação de um abraço. De mim para mim mesmo, do que sou sem saber e do que conheço de mim mesmo. Amo o que conheço, maravilho-me com o que vou conhecendo de mim. Neste abraço que me revela quem sou e me dá esta raiz que agarra os meus vazios e não os deixa sem fundo.

07 novembro 2007

Pergunto-me

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As perguntas sobre o acontece comigo e com o que está à minha volta acompanham-me continuamente. A grande dificuldade às vezes está em encontrar as perguntas certas e as que produzem um resultado que me leve a abrir horizontes.

Há perguntas que sinceramente me trazem respostas surpreendentes, sobretudo aquelas que andei a evitar muito tempo, por medo ou por preguiça. Há outras que são desnecessárias e me fazem insistir em coisas que já passaram e só gastam energias.

A pergunta mais importante tem sido: E agora? Parte de uma contemplação da minha realidade que é amada. Um olhar tocado por uma sensibilidade que acolhe o que sou é a que possibilita a pergunta construtiva. Não faz perder tempo, faz querer avançar em gestos maiores.

02 novembro 2007

O meu nome

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Há palavras certas para dizer aquilo que somos? Não é mesma coisa que descrever um estado de ânimo. Descobrir o nosso nome e o modo de o expressar às vezes pode ser um exercício que requer tempo, dias ou mesmo meses.

Qualquer coisa parecida com uma referência. Ou um nome divino de nós, ao qual regressamos cada dia e nos encontramos com esta linha que une a nossa história. As certezas acerca de nós próprios podem iludir-nos tantas vezes. A experiência de nos ser dado um nome que não escolhemos, como quando nascemos, é algo que nos acompanha sempre.

Quando Deus nos diz o nosso nome, percebemos uma força que alimenta os nossos modos de estar e de agir para com o mundo e as outras pessoas. O meu será coragem, ou vento, ou chuva... será aquilo a que fui chamado, como algo que tem uma missão única e completa.

18 outubro 2007

Conhecer

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Há momentos na Vida em que somos confrontados com a necessidade de entrar mais a fundo dentro de nós, para encontrar o terreno de que somos feitos, e quais os frutos que estamos dispostos a dar.

Há uma frase que me acompanha ao longo da Vida e que descubro sempre novos significados, consoante as circunstâncias: "Só se ama aquilo que se conhece". Isto refere-se a Deus, às pessoas importantes para mim e, finalmente, a mim próprio.

Conhecer-me bem a mim mesmo é um exercício de ir cada vez mais fundo com a vontade de me maravilhar. E a coragem de encontrar o que quer que seja. Um estado consciente da própria vida faz nascer muitas perguntas e lança-me em novos caminhos.

O maior inimigo é uma espécie de comodismo que me faz ficar aparentemente satisfeito com o que existe. Mas, por vezes, o clamor é mais forte e o desejo deve comandar a vontade, para chegar a um mundo interior mais livre e mais aberto.

15 outubro 2007

Pertença

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Hoje, uma conversa ao almoço fez-me pensar numa coisa... sentidos de pertença. Se fizéssemos uma lista das coisas a que pertencemos, seria muito mais longa do que imaginamos. Pertenço a uma Igreja, a uma escola, a uma família, a um grupo de amigos, a um trabalho ou a uma empresa, a um partido político, a uma associação...

E todas as nossas pertenças exigem de nós tempo e espaços cá dentro. Para fazer a minha parte e identificar-me com compromissos mais ou menos assumidos. E é fácil gastar tempo nas minhas pertenças, estar bem onde tenho que estar.

E não penso tantas vezes numa pertença mais essencial... pertenço-me a mim mesmo. E deixo para trás regras, ritos e atenções. Movo-me muito pelas coisas de fora, pedidos e opiniões. Há um espaço nosso que precisamos cuidar, sem nos fecharmos. Mas precisamos de um compromisso fiel a nós próprios... Ser mais feliz mais vezes...
 

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