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08 outubro 2009

Mudar o coração

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Esta noite passei por uma zona mais fora do centro da cidade, por detrás da estação principal dos comboios. Não sabia que ali se encontrava a cantina da Caritas e viam-se muitas pessoas por lá. O que mais me impressionou foi a quantidade de gente a dormir, na rua, por todos os lados. É uma realidade que o centro histórico não mostra.

E dei agora por mim a pensar na impossibilidade de fazer algo, de me perguntar o que fazer para mudar estas situações, para além de ajudas pontuais. É sempre pouco. Percebo que vivemos num mundo com uma injustiça estrutural. O que posso fazer?

Na nossa vida podemos ser continuamente desafiados a construir justiça à nossa volta, vivendo relações de verdade, sem explorar o outro, sem estar acima de ninguém, no fundo, estando mais disposto a acolher e servir do que a dominar. Não se mudam estruturas sem antes mudar o próprio coração. Ao sermos mais justos, então estamos a fazer algo, a ser exemplo, a mostrar que há alternativas. Uma gota no oceano, mas que é a nossa parte mais autêntica.

08 janeiro 2008

Humanidade

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Hoje pensava nos exemplos que tive na vida de pessoas completas. Mesmo que não fossem, necessariamente, pessoas espirituais ou que me falassem de Deus. Muitas delas, sim.

Há exemplos de humanidade que está de pé, que convence e faz acreditar nas possibilidades que temos. O maior sinal da presença de Deus entre nós passa também e sobretudo por aquilo que vivemos cada dia. Caso contrário, estaríamos a nível de uma religião de ocasião ou um conjunto de coisas que acreditamos sem estarmos muito convencidos disso, até porque tantas vezes fazemos coisas tão diferentes daquelas que dizemos.

Os exemplos de pessoas que me convencem são aqueles em que a palavra é a mesma que o gesto. Porque talvez digam em si mesmas aquilo que de grandioso têm, acreditam firmemente nisso sem fazer disso uma conquista. São as que sabem o quanto a fragilidade é o nosso caminho mais real e não têm medo disso. E por isso a fragilidade é tão bonita neles... porque são os primeiros a encontrá-la como o fundo amoroso de si mesmos.

01 dezembro 2007

Sobre ser frágil

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Ontem, um comentário a um dos meus últimos posts fez-me pensar mais seriamente numa questão que tenho sempre presente mas que nunca falei explicitamente.

O tom do que escrevo parte de um optimismo radical perante a Vida, os projectos de Deus para cada um e a bondade essencial do ser humano. Às vezes fico com a impressão que mostro um optimismo talvez ingénuo, ou de quem não partilha o sofrimento de milhões de pessoas que não têm o mínimo para sobreviver ou que são vítimas das maiores injustiças morais e sociais que se possam imaginar. Dói-me cada vez que assisto a estas coisas sem poder fazer nada de notável, apenas o possível ou gestos que parecem uma gota de água no oceano.

Mas o que me fez pensar é esta sensação de julgar, por vezes, que estamos inevitavelmente condenados a não ser plenamente felizes, ou a não conseguir ser coerentes com aquilo que achamos ser bem. Ou por culpa nossa e das asneiras que fazemos, ou por causa das circunstâncias que inevitavelmente nos tiram a paz.

Apesar de sentir e me questionar com estas coisas, acredito firmemente numa capacidade nossa que nasce de um dom. Como dom, encerra algo de gratuito e que deve ser esperado e pedido. É o facto de, algum dia na Vida, ter percebido o que mais quero ser, quando penso em mim no expoente máximo da felicidade.

E não me vejo como uma pessoa sem problemas e sem desgastes... vejo-me naquilo que sou mais fundamentalmente, amado e capaz de amar. O movimento de lidar com a fragilidade é um acreditar continuado na capacidade de recuperar o amor que tenho e, por outro lado, de ser capaz de relativizar - tarefa às vezes quase impossível - aquilo que não é nunca o absoluto. A tristeza nunca será a nossa última palavra.

29 setembro 2007

Luz escondida

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Aí onde quero ficar, numa procura incompleta que por si mesma já realiza. Percebemos, pouco a pouco, como a fragilidade pode ser a nossa arma mais poderosa. Quem vive em castelos de vento, percebe um dia como o nada pode tocar a Vida de uma forma avassaladora.

E é aí que o caminho se abre à riqueza mais pessoal. Onde se tiram forças de onde não se pensava que existissem. Talvez porque a força vem cá de dentro, bem mais fundo que o chão que tocamos.

Por saber que a força está num dom enorme que vem de longe e vem de sempre. Uma luz escondida que brilha quando tudo o resto se apaga. E é esta a mesma de um nascer do sol, a oportunidade de recomeçar, sair e viajar.

24 janeiro 2007

Saber incerto

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Eu sei. Que posso planear as minhas coisas e sonhar com realizações de sonhos. Que já sou feliz por querer viver com entusiasmo. Que posso escolher a Perfeição.

Lembro-me de estar com um grupo de amigos, em que decidimos apenas cumprimentarmo-nos e dizermos: "És perfeito". Foi estranho, assim como foi grande. Foi uma declaração repetida mil vezes que não é suficiente estar bem com a Vida.

O que sei é que conheço demasiado bem a minha fragilidade. Toco-a com as mãos cada dia, exprimo-a em queixas, ouço arrastar os passos. Repito mil vezes para mim mesmo que nem tudo está assim tão bem com a Vida.

Sei este saber incerto. Que vivo a acreditar na minha fragilidade. E essa é a única capaz de me levar à Perfeição. Tenho a certeza do corpo e da alma. São os lugares de partida do Sonho. Não posso ter nada melhor que um corpo completo, capaz de ser levantado da Terra. A força que o faz, sim, essa é a mais incerta.

Mas completa a dúvida, é a única que verdadeiramente me move.

21 novembro 2006

Fragilidade segura

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Na comunidade onde vivi o ano passado, havia uma jarra de água com um formato muito estranho. Quase sem sítio para se pegar, que parecia que a qualquer momento se iria romper. O que era um facto, é que já durava há mais de dois anos. E interrogavamo-nos como era possível!?

E cheguei à conclusão que pelo facto de ser assim tão frágil, sempre pegava nela com todo o cuidado, enquanto a enchia de água ou a lavava.

No meio de todas as nossas grandezas de alma, temos sempre a noção que nos acompanha uma fragilidade grande, que às vezes parece partir-nos por dentro e tudo o que foi sendo construido e arrumado corre o risco de se perder.

Estou convencido que a nossa fragilidade é aquilo que nos faz maiores. Porque nos é dedicada uma atenção especial, somos levados com carinho, preservados neste desejo de servir a Vida com todas as nossas forças. O que podemos fazer é a nossa força. E o até onde podemos levar a força na fragilidade está nas mãos de quem nos leva.

E essas mãos sabem bem de que somos feitos e para que fomos feitos.

10 setembro 2006

Fotografia de Deus

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Estamos sempre a aprender coisas novas. No outro dia, ao fim da tarde, enquanto passava com um companheiro pela rua, chamou-nos a atenção um homem, dos seus 30 anos. No chão um saco de viagem preto e, ao lado, montado um tripé de máquina fotográfica com um cartaz grande verde em cima, que dizia: "As tentativas de fotografar Deus".

Perguntei o que queria dizer aquilo. O Gonçalo disse-me que era mais ou menos comum aqui em Roma ver esse tipo de manifestações, às vezes de pessoas zangadas com a vida, que resolviam expressar assim publicamente o seu estado de espírito.

Não estou livre de estar aqui a fazer grandes suposições filosóficas sobre o que estaria por detrás deste quadro. Talvez fosse uma manifestação política ou cultural, mas não deixa de também fazer colocar questões profundas.

O que fará com que alguém, sem pudor de se exibir, faça uma coisa assim? Talvez seja uma espécie de grito surdo de uma busca de sentido da existência, ao qual Deus deveria responder. E não há imagens que o expressem e as pessoas sentem-se sós e desamparadas, com todos os instrumentos para ver, mas sem o olhar correcto.

Esta era uma expressão plástica da busca de comunhão: Não encontro Deus, vejam, olhem-me! Ajudem-me...?

Na altura não pude fazer mais nada do que rezar por ele, seja pelo que for, de tentar estar na comunhão da sua solidão e do seu desejo de Deus.

Que poderia fazer para ser imagem de Deus? O que poderia fazer para lhe dizer que Deus está com ele? Talvez ele não precise de palavras, porque não se expressa com elas... precisa de uma imagem de Amor...

E sinto-me vazio... que imagem tenho para dar?
 

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