Qual é o segredo ou o bem de ser gratuito naquilo que fazemos? É difícil dar sem esperar nada em troca, pergunto-me se alguma vez somos capazes de dar assim completamente. Quando fazemos o bem, esperamos pelo menos um gesto de reconhecimento. Sentimo-nos ofendidos ou magoados quando, numa atitude de boa vontade, fazemos algo que não teve nenhum resultado, a não ser indiferença.
Por isso, o que pode mover a gratuidade? Não quero dizer que a única gratuidade que interessa seja aquela que não se importa com o mau resultado da iniciativa. Mas há duas atitudes de fundo que podem fazer pensar na qualidade daquilo que damos:
A primeira é o gostar (amar) desinteressadamente. Fazemos o bem porque amamos aquele a quem fazemos esse bem, mesmo que não o reconheça. Não desistimos, dar é a nossa alegria. A segunda atitude é a alegria de dar. Quando a alegria de fazer o bem move as nossas acções, somos mais livres.
Mesmo que não sejamos completamente livres no dar, ter como fundo amor e alegria constrói-nos por dentro.

