Certamente ouvimos já tantas vezes alguém que nos tenha dito: "Não desistas". Nós próprios já o dissemos a alguém e também a nós mesmos. O que está por detrás do não querer desistir?
Em primeiro lugar, isto só acontece quando nos confrontamos com um cansaço ou com uma dificuldade que põe em causa o nosso esforço. Parece óbvio dizer isto, mas estou convencido que muitas vezes desistimos sem perceber porquê, o que fizemos para ficar cansados, ou sem reflectir se a dificuldade é de tal ordem que seja suficiente para nos fazer parar.
Em segundo lugar, desistir esconde uma falta de energia e vontade. Não encontramos em nós a luz suficiente para manter um compromisso assumido e desmotivamo-nos com a falta de frutos do que fazemos ou respostas ao nosso empenho. De todos os modos, parece-me que olhamos mais para fora de nós e para os efeitos da nossa acção do que propriamente para o que acontece dentro de nós.
Quando assumimos um compromisso, devemos ter consciência que aquilo que prometemos a nós mesmos ou a alguém nasce espontaneamente de um desejo de fazer algum bem, algo que nos faz sair de nós e traduz de uma forma concreta a nossa bondade. Quando desistimos, deixamos de ser nós nalguma parte do mundo das nossas relações, criamos espaços vazios e alguém fica a perder.
Finalmente, uma coisa é desistir, e outra é deixar um compromisso para dar lugar a um empenho mais completo. Desistir fecha uma estrada, escolher um outro caminho abre outros horizontes.
