Mostrar mensagens com a etiqueta dia-a-dia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta dia-a-dia. Mostrar todas as mensagens
às
13:06
17 novembro 2010
Curiosidade
9comentários
Publicada por -
António Valério,sj
Estamos constantemente em passagens para coisas desconhecidas. Se nos dermos conta, quando vemos o nosso dia, as coisas nunca correm como o previsto. Um telefonema, alguém que encontramos na rua, uma mensagem no mail... coisas que acrescentam vida ao que estava previsto.
É muito bonito pensar como cada dia tem a sua parte - e muito maior do que pensamos - de coisas surpreendentes. E o mais engraçado é que não são coisas muito espectaculares, são gestos, toques, pequenas decisões que fazem que um dia nunca seja igual ao outro.
Podemos ser curiosos daquilo que nos está para acontecer, daqui a uma hora, até daqui a um minuto... no fundo, não é preciso vivermos a controlar tudo, acabamos por não nos deixar surpreender.
às
13:02
25 outubro 2010
A paz interior
2comentários
Publicada por -
António Valério,sj
É bastante complicado encontrar as nossas rotinas e o equilíbrio no meio daquilo que fazemos habitualmente. Temos o risco de viver a rotina como um tem-de-ser que nos tira a liberdade e a novidade dos vários momentos. Podemos cair numa espécie de insensibilidade que nos diminui e acaba por tirar alguma energia e vontade de fazer bem as coisas.
Mas a rotina também tem aspectos positivos, na medida em que nos molda e nos cria hábitos, ritmos, modos de estar. É inevitável que isto aconteça.
Olhar positivamente a rotina, sobretudo no criar espaços onde possamos "respirar", pensar e rezar aquilo que fazemos e os sonhos que temos é um caminho que acabará por nos trazer muita paz interior. A grande questão está em estarmos completos no que fazemos, sem serem as actividades a definir-nos, mas conseguirmos aproveitar e enriquecermo-nos interiormente mesmo com coisas pequenas e óbvias.
às
16:11
21 maio 2010
Motivação
10comentários
Publicada por -
António Valério,sj
Nem sempre encontramos a motivação certa para nos dedicarmos de alma e coração àquilo que é mais importante em dado momento da vida. No fundo, ficamos com uma sensação de ficar aquém do esperado, por não vermos resultados imediatos, ou porque as coisas têm sempre algum imprevisto.
A motivação nasce de uma certeza que queremos fazer determinado caminho. As metas do nosso esforço, por mais longínquas que sejam, exigem-nos perseverança. É fácil motivarmo-nos a curto prazo, mas quando é algo mais distante, damo-nos conta que o entusiasmo tem altos e baixos.
O mais importante é podermos ter, em relação a nós mesmos, uma espécie de confiança e fé. Acreditar que algo se constrói diariamente quando cumprimos a pequena parte do esforço de cada dia. Não vivemos apenas de grandes realizações, aliás, estas são bastante raras... a qualidade joga-se em coisas bastante mais pequenas.
às
15:26
10 maio 2010
Descobrir
1 comentários
Publicada por -
António Valério,sj
Perguntamo-nos muitas vezes sobre aquilo que nos faz falta. Por momentos, temos a impressão que vivemos no meio de uma nuvem que nos faz habituar àquilo que acontece todos os dias. Temos os nossos rituais e as nossas rotinas que vamos aceitando até ao dia em que nos damos conta que vivemos pouco.
Como em tudo, precisamos de um equilíbrio entre o conhecido e a descoberta de outras paisagens. No fundo, acredito que a mesma atitude pode ser fascinante: a de procurar fazer de cada momento um início e uma realização. Mesmo nas coisas comuns e conhecidas de todos os dias, seria óptimo se nos déssemos conta que é naquele tempo e naquele espaço em particular que a nossa bondade pode ter expressão. Fazer as coisas por rotina diminui a nossa paixão.
Quem vive com esta atitude estará aberto àquilo que acontecer. Não cabemos todos inteiros em coisas demasiado pequenas. No fim, teremos tempo e espaço para algo original, que nos faça sair de um certo comodismo que adormenta a nossa capacidade de transmitir alegria e serenidade.
às
11:12
25 fevereiro 2010
Começar
9comentários
Publicada por -
António Valério,sj
Quando começamos a ter a impressão que o tempo nos falta para o que queremos, estamos a cair na conta de que os compromissos que assumimos, juntamente com os imprevistos de cada dia, nos ocupam a a mente e o coração de uma forma não organizada.
É inevitável que a vida, como a temos hoje, seja marcada pela pressa e pelo acumular de coisas, entre trabalho e descanso, família e amigos, lazer e compromissos. Se é verdade que a determinada altura, teremos de dizer não a algumas coisas, é certo também que muitas vezes não nos resta alternativa senão em fazer o que nos aparece à frente.
Existe uma sabedoria que nasce da consciência de que não podemos viver só em função da agenda, porque a Vida é muito mais que uma série de acontecimentos, é sobretudo a qualidade e a luz pessoal que pomos em todas as coisas. Se não temos o tempo e o espaço para ganhar contacto com aquilo que verdadeiramente interessa, acabamos por nos dispersar. É importante encontrar o ponto de partida de cada dia, que não nos deixe fugir a vida por entre os dedos.
Porque não, em cada manhã, fazer o exercício de olhar o dia como oportunidade de completar o que sou em coisas pequenas? Em cada dia, eu me manifesto e não deixo que os ritmos me tirem a serenidade.
às
17:31
29 janeiro 2010
A nossa marca
3comentários
Publicada por -
António Valério,sj
Quando anoitece, começam a surgir as recordações de um dia cheio, em que vamos passando o filme das nossas emoções, de caminhos percorridos e outros que ficaram a meio. Quando nos esforçamos por fazer aquilo a que nos comprometemos, começamos a ganhar coragem e vontade.
Muito do nosso estímulo à acção passa por realizarmos as pequenas tarefas de cada dia. A grande diferença do fazer por fazer e do construir algo positivo, está no modo como olhamos o futuro e o destino do nosso agir. Cada dia parece insignificante, a não ser momentos especiais de luz que trouxeram significados mais claros àquilo que andamos à procura.
Pôr amor nas coisas, sobretudo nas pequenas, é a marca da qualidade da nossa vida.
às
11:12
17 janeiro 2010
Continuidade
4comentários
Publicada por -
António Valério,sj
É muito interessante fazer o exercício de vermos aquilo que se vai mantendo mais constante em nós. Há fases da nossa vida em que temos determinados pontos de esforço, um compromisso que assumimos e vamos procurando ser fiéis a ele. Acontece, a determinada altura que o esforço deixa de ser necessário, adquirimos um hábito que faz parte de nós.
Somo feitos de atitudes habituais e o problema é quando temos hábitos que não gostaríamos de ter e acabamos por ser algo que não nos é confortável. É impossível estar a analisar continuamente a qualidade das nossas pequenas opções diárias, mas reflectir sobre o que fazemos é necessário para sentir o pulso da vida.
Há pontos de esforço que vale a pena estarmos atentos. Um deles é precisamente o vivermos um compromisso grande que se traduza em atitudes concretas. Um desses compromissos poderia ser o evitarmos sofrimentos que não valem a pena, não nos gastarmos com coisas que não acrescentam nada à vida, mas aplicarmo-nos em fazer crescer atitudes que construam um dia bonito, mais nosso.
às
16:41
07 janeiro 2010
Ritos e ritmos
8comentários
Publicada por -
António Valério,sj
O início do ano é sempre uma oportunidade bem vinda para poder estabelecer algumas metas. Um óptimo desafio é o desejo de profundidade. Não apenas na oração, que é a meta de todo o caminho espiritual, mas sobretudo a profundidade daquilo que fazemos.
O dia-a-dia é intenso e passamos continuamente por imensas situações dentro e fora de nós que nos interpelam. Em cada momento podemos ser confrontados com uma decisão que nos faça escolher entre o ficar parados por dentro ou trazer algo mais autêntico. Porém, não é possível - nem desejável - que estejamos sempre nesta tensão de analisar tudo o que nos acontece. A Vida tem muito de deixar acontecer.
O que é importante é na diversidade do dia-a-dia encontrar ritmos onde o coração bata de acordo com o que se faz, em que nasça em nós uma sintonia cada vez mais profunda com a vida que temos. Um bom ritmo é o alegrarmo-nos e o agradecermos. Este ritmo é também um rito, um pequeno gesto que nos recorde o que acontece quando a Vida não nos passa ao lado e estamos verdadeiramente naquilo que fazemos.
Precisamos de ritmos e ritos, momentos breves de sorrir e dizer que é isto que queremos. Depois, a Vida pode acontecer.
às
10:21
26 outubro 2009
Essencial ou prioridade?
4comentários
Publicada por -
António Valério,sj
Uma das maiores dificuldades que podemos sentir no dia-a-dia é a gestão do nosso tempo. Parece sempre que não tivémos tempo para tudo, e que perdemos imenso tempo com coisas que não interessavam. Por vezes, podemos cair no risco de transformar algo muito importante que temos de fazer, seja a oração, seja uma actividade específica, num ponto a cumprir no calendário. E chamamos a isso prioridade.
Mas uma prioridade está ligada profundamente ao essencial. E o essencial não pode ser reduzido a um tempo ou algo a cumprir. É uma atitude de fundo. Vivo o essencial em tudo, e não só nas coisas importantes. É pouco se vivermos o essencial apenas em momentos privilegiados do dia. Se o essencial é o motor de todas as nossas acções, então é um dinamismo que atravessa o nosso dia.
As prioridades são mais exteriores, toques essenciais mais explícitos da acção. Na gestão do tempo é importante não deixar de os ter e procurar. A dificuldade está em tornar essencial aquilo que não é explícito. Mas aí é que se mostra a qualidade da nossa existência, se estamos todos em tudo.
às
19:08
16 outubro 2009
As pessoas
4comentários
Publicada por -
António Valério,sj
Hoje perdi algum tempo a ver o que há pela net e encontrei uma série de vídeos que são simplesmente filmagens a pessoas comuns, em várias cidades. Achei mesmo interessante a ideia de realçar o que vemos todos os dias, tantas pessoas em tantas situações. Fica aqui um exemplo e a proposta de fazer uma visita à Vida.
Já me tinha dado conta, quando não faço a asneira de andar a correr pela rua sem olhar à volta, que cada pessoa é uma história. Um tesouro... olhar alguém desconhecido nos olhos dá muito valor a quem olhamos... porque também somos olhados.
às
14:28

04 outubro 2009
Generosidade
2comentários
Publicada por -
António Valério,sj

Um dos desafios que constantemente nos bate à porta do coração é o modo como olhamos aquilo que temos que fazer. Quando começam as rotinas, fica difícil encontrar alguma frescura em paisagens conhecidas. No meio do ruído do dia-a-dia é possível passar por todas as coisas como se nada nos tocasse.
Um exemplo disso são os desertos das grandes cidades, onde todos somos anónimos, onde nos sentimos a fazer parte de estruturas que não pensam em nós e naquilo que nos move. Podemos viver um dia sendo e fazendo aquilo que é suposto, sem nada de original.
E depois, cansamo-nos, a vida já não nos preenche. O grande desafio é mantermos sempre o coração aberto e disponível para acolher tudo, mesmo que sejam coisas iguais. Existe uma generosidade em cada um de nós que nos permite levar a Vida para além das fronteiras do conhecido e criarmos espaços originais onde somos cada vez mais completos. Isto pode tocar tantos aspectos da nossa vida, como o empenho nos estudos, a qualidade das nossas conversas, a atenção aos outros.
Uma das nossas marcas de bondade mais autêntica é a generosidade, de darmos o melhor em tudo, todos os dias.
Um exemplo disso são os desertos das grandes cidades, onde todos somos anónimos, onde nos sentimos a fazer parte de estruturas que não pensam em nós e naquilo que nos move. Podemos viver um dia sendo e fazendo aquilo que é suposto, sem nada de original.
E depois, cansamo-nos, a vida já não nos preenche. O grande desafio é mantermos sempre o coração aberto e disponível para acolher tudo, mesmo que sejam coisas iguais. Existe uma generosidade em cada um de nós que nos permite levar a Vida para além das fronteiras do conhecido e criarmos espaços originais onde somos cada vez mais completos. Isto pode tocar tantos aspectos da nossa vida, como o empenho nos estudos, a qualidade das nossas conversas, a atenção aos outros.
Uma das nossas marcas de bondade mais autêntica é a generosidade, de darmos o melhor em tudo, todos os dias.
às
22:38

Tenho sentido necessidade daquilo que chamo tempo de qualidade. Quando acontecem muitas coisas ao mesmo tempo, sentimos que devemos dar resposta a tudo e, no fim, fica um sentimento que não estivémos à altura do momento. Mesmo que seja uma coisa simples, mas podámos ter estado mais completos e mais inteiros ali.
Não é possível estar constantemente a pensar sobre as consequências das nossas pequenas decisões. Se trouxeram ou não a minha própria bondade ao meu dia, mas acho que fazer de vez em quando este exercício pode ajudar a ter algum treino disto. O discernimento não é só para grandes decisões, porque essas acontecem poucas vezes. A qualidade do meu tempo e do que faço com ele joga-se em pequenos pormenores. Somos, de facto, construídos pouco a pouco, e isso requer paciência e muita disponibilidade para sermos melhores.
03 junho 2009
Tempo de qualidade
1 comentários
Publicada por -
António Valério,sj

Encontrar aquilo que queremos passa muitas vezes por nos perguntarmos acerca do que é mais importante em determinado momento do nosso dia. A fronteira entre o útil e o agradável por vezes não é nada óbvia. Até temos a desculpa de juntar o útil ao agradável. E acontece que seja assim em muitas ocasiões.
Tenho sentido necessidade daquilo que chamo tempo de qualidade. Quando acontecem muitas coisas ao mesmo tempo, sentimos que devemos dar resposta a tudo e, no fim, fica um sentimento que não estivémos à altura do momento. Mesmo que seja uma coisa simples, mas podámos ter estado mais completos e mais inteiros ali.
Não é possível estar constantemente a pensar sobre as consequências das nossas pequenas decisões. Se trouxeram ou não a minha própria bondade ao meu dia, mas acho que fazer de vez em quando este exercício pode ajudar a ter algum treino disto. O discernimento não é só para grandes decisões, porque essas acontecem poucas vezes. A qualidade do meu tempo e do que faço com ele joga-se em pequenos pormenores. Somos, de facto, construídos pouco a pouco, e isso requer paciência e muita disponibilidade para sermos melhores.
às
18:45

31 maio 2009
Crescer na alegria
3comentários
Publicada por -
António Valério,sj

Pergunto-me muitas vezes o que é que tenho para dar de mim ao mundo e aos outros. Os nossos planos de futuro são tantas vezes inspirados em modelos, de pessoas e realizações, de estados que até uma dia chegámos a perceber serem nossos. É bom ter planos concretos, para evitar que percamos o tempo a ter ideias geniais, quando depois percebemos que alguém já as pensou.
Porém, temos uma sede de orginalidade, uma espécie de genialidade insubstituível, que temos dificuldade em dar corpo. Por passarmos os nossos dias a fazer as coisas de sempre e vamos deixando que o tempo tome conta de nós e vamos cumprindo compromissos.
A nossa ideia de alegria terá de nascer de um bem-estar a partir do presente, que não é ausência de problemas e preocupações, mas um estar-bem no que agora somos e temos. Não podemos construir apenas em ideias, temos um terreno fértil ao quel não damos a importância devida. E devíamos dar toda a importância porque é certamente o melhor terreno que somos: a nossa alegria de hoje.
às
22:11

Porque parece que a pressa não faz sair as coisas desde dentro e sinto-me demasiado prático.
Por outro lado, fiquei contente por me dar conta disso, acho que é bom percebermos que aquilo que fazemos tem origem numa intenção e que serve algum objectivo para além de uma nota, um ordenado ou um resultado concreto. Serve a construir algo novo, que seja meu, e uma dádiva ao mundo.
Aquilo que fazemos é uma marca nossa, que ninguém faria no nosso lugar. E isso é óptimo! Por isso, antes de começarmos a criar cada coisa, mesmo os acontecimentos banais, podemos parar e ver o que vai nascer. Pode dar muito sentido ao que acontece, e não somos arrastados pela eficácia, mas contruídos no dom.
27 maio 2009
Paragem
3comentários
Publicada por -
António Valério,sj

Estes dias tenho andado a fazer uma maratona para terminar os trabalhos que tenho que fazer antes de começar os exames, na próxima semana. Não me está a deixar muito confortável, já que prefiro sempre fazer as coisas com alguma calma, sem ter de estar a fazer só para cumprir prazos e calendários.
Porque parece que a pressa não faz sair as coisas desde dentro e sinto-me demasiado prático.
Por outro lado, fiquei contente por me dar conta disso, acho que é bom percebermos que aquilo que fazemos tem origem numa intenção e que serve algum objectivo para além de uma nota, um ordenado ou um resultado concreto. Serve a construir algo novo, que seja meu, e uma dádiva ao mundo.
Aquilo que fazemos é uma marca nossa, que ninguém faria no nosso lugar. E isso é óptimo! Por isso, antes de começarmos a criar cada coisa, mesmo os acontecimentos banais, podemos parar e ver o que vai nascer. Pode dar muito sentido ao que acontece, e não somos arrastados pela eficácia, mas contruídos no dom.
às
11:14
11 março 2009
Mudanças
4comentários
Publicada por -
António Valério,sj
Já não é pouco pensarmos que em determinados momentos da Vida somos desafiados a mudar coisas importantes, quem em nós próprios, quer nos ritmos de vida, lugares e relações. É um abrir de um mundo novo, alegria e esperanças misturadas com medos e sensação de estar perdido. Somos obrigados a certas ansiedades, fazem parte da vida, se não queremos ficar sempre iguais e adormecidos.
Contudo, existem mudanças que podem preparar o coração para coisas maiores. Cada dia é um dom enorme, em que posso escolher acrescentar algo de bom ao mundo, dar uma cor diferente à minha paisagem, nem que seja uma flor pequena e escondida no meio de uma planície cheia de pedras. Mas é a que chama mais a atenção a quem passe por ela. Fizémos algo bonito hoje e isso não é indiferente, pode até mudar tudo!
É uma mudança suave, passos pequenos e simples, que toquem a profundidade do dom que é ser eu próprio. Rezo sempre descalço, porque é o momento em que decido caminhar em terreno sagrado, transformo o mundo, deixo-me ser transformado. Mudo por dentro e faço mudar por fora.
É uma mudança suave, passos pequenos e simples, que toquem a profundidade do dom que é ser eu próprio. Rezo sempre descalço, porque é o momento em que decido caminhar em terreno sagrado, transformo o mundo, deixo-me ser transformado. Mudo por dentro e faço mudar por fora.
às
21:03

09 fevereiro 2009
Interno e Externo
2comentários
Publicada por -
António Valério,sj

(sugestão de Cláudia Pinto)
Temos uma vida agitadíssima, cheia de compromissos com a família, os amigos, o trabalho. E pensamos que não há tempo para pensar nas coisas, saboreá-las e rezá-las. Ficamos à espera de dias mais tranquilos, das férias, ou do tempo oportuno em que finalmente arrumo a casa por dentro. Quando chega o momento de parar, é tanta a aceleração interior e os problemas são tão vivos no pensamento, e o corpo não consegue estar quieto. Não foi o tempo que afinal tinha desejado, descansei, mas o meu interior ficou igual.
Creio que muitas vezes temos tendência a pensar que uma coisa é a vida do dia-a-dia e os seus acontecimentos, e outra é a minha vida interior e as suas necessidades incompletas. Todos dizemos que o tempo do dualismo alma-corpo já é passado, mas continuamos a viver isto como pressuposto e a criar uma divisão em nós que não devia existir. Uma forma nova de falar de alma-corpo seria interno e externo. Mas com uma diferença fundamental. O interno e o externo não são duas dimensões separadas com as quais tenho que combater para dar espaço uma à outra, mas são eu próprio, completo. O interno é minha memória, inteligência, sensibilidade, emoção, vontade e liberdade.O externo é a minha pele, que faz parte de mim e me acompanha para onde quer que vá. Na pele estabelece-se o contacto com o mundo, as carícias e os golpes, o frio e o calor, a água e o sangue. Todo eu sou interno e externo, que se comunica, tal como a pele precisa do vasos e dos nervos para comunicar com o corpo e ter a sua função de toque e defesa.
A vida e as suas ocupações tocam-me do exterior e fazem parte de mim. Sou o que me acontece, tal como sou aquilo que sinto e penso, exactamente da mesma forma. Por isso, a vida acontece quando eu estou presente nela e levo à vida aquilo que tenho em mim. Seria preciso amar tudo, como me amo a mim próprio.
Se cada dia for capaz de ter um tempo para estar atento à vida tocada na pele, dar-me-ia conta de que não posso fazer outra coisa que agradecer por ter chegado ao fim mais completo, de pedir perdão por não ter amado tudo o que acontece e, logo, tudo o que sou, de querer melhorar já amanhã o que hoje não foi meu. Tocar a minha pele, agir internamente, partir completo para um novo dia. Três passos, alguns minutos, uma vida mais autêntica.
às
19:33

15 dezembro 2008
Pequenas peças
1 comentários
Publicada por -
António Valério,sj

Lá fora, enquanto cai a chuva, permaneço em lugares que procurem alguma luz. Ao mesmo tempo, sementes e árvores, traços e quadros. A Vida faz-se pontos de partida e conclusões, e pelo meio, quantidades enormes de meios caminhos. A ponto de por vezes nem se saber que livros vamos acabar de escrever.
Vivemos entre muitas histórias, nossas e dos outros e os resultados obtidos poucas vezes significam estados acabados. Ou caem no esquecimento, ou motivam novas descobertas. Porque somos assim e não somos simplesmente capazes de parar onde estamos?
É esta a nossa maior inqueitação e ao mesmo tempo o nosso maior sinal de eternidade. Simplesmente, não nos esgotamos, nem hoje, nem amanhã, nem nos próximos anos. Nem no fim da vida. Cada um dos nossos dias são estas peças presentes, pequenas, mas cheias de possibilidade de sermos cada vez mais.
às
14:02

05 dezembro 2008
Rever o que se faz
0comentários
Publicada por -
António Valério,sj

Nos exercícios espirituais, santo Inácio inácio propõe como meio essencial de crescimento humano e espiritual o chamado exame de consciência. Não é uma busca difícil de coisas que vão menos bem na vida, mas sobretudo ir-se dando conta em cada dia das coisas que vão mexendo e movendo as nossas acções.
É sobretudo um desproteger-se de justificações e um esconder-se de coisas maiores, que não significa serem mais fáceis. Acredito que a principal dificuldade em não vermos o que acontece em nós é o facto de, no fundo, ou de forma inconsciente, acharmos que é mais cómodo viver o dia a dia com uma espécie de compromisso cómodo com o que acontece. É bom que se faça isso, mas não é suficiente.
É sobretudo um desproteger-se de justificações e um esconder-se de coisas maiores, que não significa serem mais fáceis. Acredito que a principal dificuldade em não vermos o que acontece em nós é o facto de, no fundo, ou de forma inconsciente, acharmos que é mais cómodo viver o dia a dia com uma espécie de compromisso cómodo com o que acontece. É bom que se faça isso, mas não é suficiente.
O estar diante de mim mesmo, em cada dia, para ver o que me dá alegria, ânimo, tristeza, medo ou preguiça, é o que me faz ir percebendo as fontes das minhas acções e pensamentos. Até atingir uma linha de fundo daquilo que me caracteriza agora e poder investir melhor em mudar coisas concretas, em ter a vida mais agarrada desde dentro.
às
14:29
Hoje numa aula, um professor fez algo que me fez pensar...mostrou uma série de imagens de publicidade de roupa e mobiliário, coisas bonitas e sofisticadas. E era um convite a olhar a expressão dos modelos: e de facto, dei-me conta que raramente aparecem caras muito felizes. Aparecem muito mais caras de orgulho, aborrecimento, um tédio elegante, sensualidade, desinteresse, solidão, despreocupação. E tudo isto envolto em roupas de marca ou sofás de pele.

02 dezembro 2008
O que se mostra de nós
1 comentários
Publicada por -
António Valério,sj
Hoje numa aula, um professor fez algo que me fez pensar...mostrou uma série de imagens de publicidade de roupa e mobiliário, coisas bonitas e sofisticadas. E era um convite a olhar a expressão dos modelos: e de facto, dei-me conta que raramente aparecem caras muito felizes. Aparecem muito mais caras de orgulho, aborrecimento, um tédio elegante, sensualidade, desinteresse, solidão, despreocupação. E tudo isto envolto em roupas de marca ou sofás de pele. 
São imagens que me tocaram porque eu próprio tenho um culto da aparência, o mostrar que se está bem por fora e como é importante passar isso para fora através do que visto ou do que faço. E o mais interessante é que estas coisas acontecem não de forma consciente, mas faz parte de uma espécie de código de bem-estar.
Aquilo que se mostra de nós, aparece de forma muito subtil, são cores fantásticas de mundos que, no fundo são bastante irreais e vazios. E muitas das nossas preocupações vão na direcção de ter um mundo de revista completo, mas que quando se vira a página, continua tudo igual, acabamos por não escrever nada de próprio na vida dos outros.
Aquilo que se mostra de nós, aparece de forma muito subtil, são cores fantásticas de mundos que, no fundo são bastante irreais e vazios. E muitas das nossas preocupações vão na direcção de ter um mundo de revista completo, mas que quando se vira a página, continua tudo igual, acabamos por não escrever nada de próprio na vida dos outros.
às
12:04

28 outubro 2008
Construir-me
4comentários
Publicada por -
António Valério,sj

Existe um desafio constante ao nosso desejo de ser melhores que constitui algo como um motor das nossas experiências e daquilo que escolhemos fazer em cada dia. Ser completo naquilo que escolhi para hoje. Não é uma tarefa fácil, já que cada dia conta com as suas surpresas e nem sempre estamos à altura dos nossos compromissos.
É preciso saber sonhar alto para termos passos determinados e que sabem onde querem ir. Mas esse sonho vai sendo alimentado em coisas muito concretas. Num dado momento do meu dia, perguntar-me, se o que estou para fazer, me realiza naquilo que me é dado viver nesse momento, como pessoa completa.
E a construção dos meus dias em escolhas acertadas vai fazendo de mim aquilo que quero ser, o que sonhei e o que Deus sonhou para mim. Construir-me como pessoa é ligar as energias de histórias e futuros de forma desprendida, saltando para um gesto infinito que tome conta de mim, aqui e agora.
É preciso saber sonhar alto para termos passos determinados e que sabem onde querem ir. Mas esse sonho vai sendo alimentado em coisas muito concretas. Num dado momento do meu dia, perguntar-me, se o que estou para fazer, me realiza naquilo que me é dado viver nesse momento, como pessoa completa.
E a construção dos meus dias em escolhas acertadas vai fazendo de mim aquilo que quero ser, o que sonhei e o que Deus sonhou para mim. Construir-me como pessoa é ligar as energias de histórias e futuros de forma desprendida, saltando para um gesto infinito que tome conta de mim, aqui e agora.
Subscrever:
Mensagens (Atom)









