Mostrar mensagens com a etiqueta paz. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta paz. Mostrar todas as mensagens

26 dezembro 2011

Natividade

3comentários
Foto: João P. T. Silva em olhares.com

Não vale a pena apresentar muitos motivos para uma ausência tão longa. A vida é como é, e as coisas vão-se sucedendo sem que haja aquele momento decisivo do pôr em andamento um desejo nunca adormecido. Esperemos que seja desta!

O Natal é uma ocasião de recordar as nossas oportunidades de nascimento. Temos continuamente a noção das nossas oscilações entre estados de humor e de como dependemos tanto do ritmo das coisas. Talvez nem sempre o sermos "embalados" signifique uma experiência de acolhimento, mas trata-se muitas vezes de deixarmos que sejamos levados de um lado para o outro sem termos noção disso.

O Natal recorda-nos que nascemos continuamente para a profundidade e para um colo, um seio onde a estabilidade nos deixa respirar como quem dorme tranquilo. O movimento acelerado da vida poderá não vir a ser um motivo de dispersão. É exigente sermos iguais em tudo o que façamos e onde quer que estejamos. Mas em tudo existe um apelo à paz e à autenticidade, e essa, muda mesmo muito pouco.

16 novembro 2010

Estar

3comentários

Os ritmos sucedem-se demasiado rapidamente. Sente-se uma nostalgia própria de dias de sol, frios e sem nuvens. Com cores e cheiros de campo. Ritmos marcados pelo som dos sinos de uma torre distante. Passei por várias paisagens dos últimos tempos sem encontrar verdadeiramente um lugar onde pudesse descansar.

O que queremos e aquilo que fazemos por vezes não coincide. É estranho quando deixamos que isto se torne normal e acabamos por passar rapidamente em muitos lugares sem poder parar em nenhum deles. E pergunto-me: será apenas falta de tempo? Não será antes falta de desejo de estar sem pensar demasiado em compromissos mais ou menos impostos?

Há algo grandioso no meio de tudo isto. Chega um dia em que nos damos conta que vivemos mergulhados em contínuas oportunidades de ter nas mãos a força daquilo que nos acontece. A diferença entre o estar e o estar bem passa muito por sermos mais ou menos aquilo que nos acontece. Ser mais... e depois o resto irá acontecendo. Não te preocupes...

25 outubro 2010

A paz interior

2comentários


É bastante complicado encontrar as nossas rotinas e o equilíbrio no meio daquilo que fazemos habitualmente. Temos o risco de viver a rotina como um tem-de-ser que nos tira a liberdade e a novidade dos vários momentos. Podemos cair numa espécie de insensibilidade que nos diminui e acaba por tirar alguma energia e vontade de fazer bem as coisas.

Mas a rotina também tem aspectos positivos, na medida em que nos molda e nos cria hábitos, ritmos, modos de estar. É inevitável que isto aconteça.

Olhar positivamente a rotina, sobretudo no criar espaços onde possamos "respirar", pensar e rezar aquilo que fazemos e os sonhos que temos é um caminho que acabará por nos trazer muita paz interior. A grande questão está em estarmos completos no que fazemos, sem serem as actividades a definir-nos, mas conseguirmos aproveitar e enriquecermo-nos interiormente mesmo com coisas pequenas e óbvias.

20 março 2010

A paz de Cristo

8comentários

Sugestão de anónimo

Como discernir a paz de Cristo? Este tema necessariamente será dirigido a quem já tem uma vida de fé e oração e pretende encontrar modos e critérios para descobrir esta paz que vem do encontro com Jesus.

Especialmente na oração, não há receitas infalíveis. Tal como, com os nossos amigos, temos um modo específico e particular de nos relacionarmos com cada pessoa, do mesmo modo, o encontro com Deus na oração é extremamente pessoal. Cada um terá de encontrar o seu próprio modo de rezar, de acordo com a sua sensibilidade, carácter, estilo de vida e circunstâncias. Há pessoas que rezam a partir dos acontecimentos da vida, ou a partir das leituras do dia, outras que preferem silêncio sem grandes palavras, outras que pedem luz para algumas decisões que têm que tomar.

Em todas estas circunstâncias, há algo comum que é importante ter em conta. O primeiro aspecto é que a oração consiste num encontro com Alguém que quer estar connosco numa relação de transparência, verdade, intimidade e amor. Não estamos diante de um juiz ou de um mago, mas de alguém que acolhe e ajuda a transformar, orienta tudo aquilo que temos de bom para um horizonte maior. O segundo aspecto é que a boa oração é uma graça que não depende só de nós. O desejo e o tempo que temos à disposição para a oração é essencial, mas os resultados da oração partem de Deus. E Deus tem os seus tempos e modos de se comunicar, que muitas vezes estão além das nossas expectativas. Esperar que a oração nos traga aquilo que queremos corre o risco de transformar o encontro numa espécie de mercado e retribuição, o que tira a gratuidade e a surpresa. A oração, por isso, é um encontro de disponibilidade para aquilo que for, um exercício completo de liberdade.

Um dos frutos da oração é a paz. E como fruto que é, devemos pedi-la constantemente. Não como um direito que temos, mas como disposição total de abertura a recebê-la. Receber a paz de Cristo não é criar um espaço de tranquilidade psicológica, que nos poderia fazer ficar numa ilha desligada da vida, mas receber a paz como dom que transforma o nosso ser e o nosso agir.

Vejo muitas vezes a necessidade que as pessoas têm de um espaço de paz e existem imensos locais que a propõem, do tipo da meditação transcendental baseada em métodos orientais. E isto é bom. Porém, também tenho visto que estas experiências correm o risco de criar o efeito de uma ilha de tempo e espaço desligada do resto. É um processo psicológico mais que um encontro. E quando se sai desta ilha, evita-se a todo o custo confrontar-se com as "más energias" dos outros, quando o óbvio seria que a paz que se tem fosse motor para afrontar tudo e todos num desejo de curar feridas e estabelecer relações de verdade.

A paz que vem de Jesus pode ser encontrada também num tipo de meditação com métodos orientais. É também o meu preferido, mas importa perceber antes que não é uma paz conseguida, mas uma paz recebida.  Quais são então os critérios que nos permitem discernir a paz que vem de Cristo?

É uma paz que cura as nossas feridas, porque é voz de perdão e acolhimento total da nossa pessoa. Quem se sente amado sem condições sai transformado, deixa para trás os bloqueios e acredita na própria vida como caminho concreto de bem. Quem tem esta paz não se isola do mundo, mas quer fazer aos outros a mesma experiência de perdão. Não condena facilmente, mas ajuda com verdade. A paz faz-nos estar centrados que as coisas que nos acontecem, por piores que sejam, não nos distraem do essencial, aprendemos a relativizar tudo e colocar cada coisa num projecto de crescimento.

É uma distância que aproxima e faz agir. Perante cada coisa, pergunto-me: e agora? Que possibilidade de amar me é dada? São as pessoas de paz que não desesperam, mas têm a força de encontrar soluções. Isto é um dom enorme, e o centro da qualidade da nossa Vida.

 

Cidade Eterna © 2010

Blogger Templates by Splashy Templates