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16 novembro 2010

Estar

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Os ritmos sucedem-se demasiado rapidamente. Sente-se uma nostalgia própria de dias de sol, frios e sem nuvens. Com cores e cheiros de campo. Ritmos marcados pelo som dos sinos de uma torre distante. Passei por várias paisagens dos últimos tempos sem encontrar verdadeiramente um lugar onde pudesse descansar.

O que queremos e aquilo que fazemos por vezes não coincide. É estranho quando deixamos que isto se torne normal e acabamos por passar rapidamente em muitos lugares sem poder parar em nenhum deles. E pergunto-me: será apenas falta de tempo? Não será antes falta de desejo de estar sem pensar demasiado em compromissos mais ou menos impostos?

Há algo grandioso no meio de tudo isto. Chega um dia em que nos damos conta que vivemos mergulhados em contínuas oportunidades de ter nas mãos a força daquilo que nos acontece. A diferença entre o estar e o estar bem passa muito por sermos mais ou menos aquilo que nos acontece. Ser mais... e depois o resto irá acontecendo. Não te preocupes...

04 maio 2010

Cuidar

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Uma das coisas que mais me impressiona na vida de Sto Inácio de Loyola é algo que é testemunhado por aqueles que contactaram de perto com ele. Diziam que qualquer pessoa que saísse de uma conversa pessoal com ele, saía com a impressão que era a pessoa mais importante no mundo para ele.

Penso muitas vezes nisso, quando reflicto sobre o modo como me dedico às pessoas que encontro. Criar esta atitude não é fingir que aquilo que a pessoa diz é importante, mas é sentir verdadeiramente o que está a acontecer. Em tudo o que nos é dado viver somos desafiados a estar presentes diante daquilo que está a acontecer.

Isso implica uma disponibilidade interior e uma consciência que as coisas urgentes podem esperar quando se trata de cuidar de alguém. No fim, não falta tempo quando ajudamos a construir uma paisagem melhor no coração de alguém.

17 dezembro 2009

Comprometer-me

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Sugestão de RM

A sugestão vem ao encontro de uma preocupação minha, acerca do compromisso, mais explicitamente o compromisso temporário. O que significa um compromisso?
Compromisso, na sua raiz latina quer dizer: con-pro-missum, isto é lançar, enviar para a frente juntamente com alguém. Missum é também raiz de missão, enviado. Podemos dizer que um compromisso é qualquer coisa que se faz entre duas ou mais pessoas, ou entre uma pessoa e uma instituição, que diz respeito ao futuro e corresponde a um envio, a uma missão ou, mais concretamente, a uma pro-messa.

Um compromisso, por isso, deve implicar a própria pessoa, na medida em que é esperado algo das suas acções e atitudes no futuro. Ela aceita realizar determinada coisa e ser fiel a isso.

Num compromisso, estão em jogo a verdade de uma pessoa, a sua liberdade e o respeito que tem por aquilo que assume. É algo que pede coerência. Mas claro que existem muitos níveis de compromisso. Uma coisa é comprometer-se a ajudar uma vez por mês durante um ano numa instituição de solidariedade, ou comprometer-se a fazer bem um exame, outra é fazer votos religiosos ou querer casar. Aí temos uma primeira separação entre compromisso temporário e compromisso definitivo.

Há porém, alguns aspectos que não é possível fazer compromissos temporários: não é possível ser amigo ou estar apaixonado a prazo. Pelo menos, nas atitudes e desejos iniciais. Porque temos todos experiências de como há amizades e paixões que deixam de o ser, pelos mais variados motivos, mas ao início não seríamos verdadeiros se quiséssemos ser amigos por dois ou três anos. Não faz sentido.

Um compromisso temporário, na minha opinião tem a ver com aspectos que pedem de mim algo durante um tempo específico, mas que não causa dano quando terminar esse tempo. É uma questão de saber e sentir se esse compromisso faz parte de mim e implica outras pessoas de forma irreversível.

Agora, uma coisa que une quer o compromisso temporário, quer o compromisso definitivo, é que devo estar presente naquilo a que me comprometi. Por ser um compromisso temporário, não quer dizer que esteja presente só uma parte de mim, a mais eficaz ou a menos sensível. Em tudo podemos manifestar a nossa beleza e a nossa verdade e é uma pena que vivamos um compromisso como uma tarefa. Se eliminássemos da nossa vida a palavra tarefa e a substituíssemos por compromisso, mesmo que temporário, o nosso tempo oferecido a determinada causa teria uma outra qualidade. Em tudo ser mais, em tudo ser eu mesmo. É um grande desafio ao modo como vivemos cada coisa.


26 março 2009

Promessas

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Até que ponto construímos o nosso futuro a partir de promessas? Tenho a impressão que há muito poucas coisas na nossa Vida às quais lhes tenhamos dado esta importância. Um contrato de trabalho ou um teste exigem de nós um compromisso e uma série de deveres. Mas nunca nos passaria pela cabeça prometer ao patrão fazer tudo o que ele nos quiser mandar. Quando prometemos, estamos afectivamante envolvidos, voltar atrás seria falhar algo sério com alguém, ou com nós mesmos.


Uma promessa é um risco. E pergunto-me o que estará no fundo de nós que nos torne possível garantir um espaço do nosso futuro a favor de alguém ou de alguma coisa. De certa maneira, alguém toma conta de mim, não pertenço só aos meu desejos, mas faço parte do sonho de alguém, que sem mim não o poderá realizar.


E se tenho tantas dificuldades em, por vezes, prometer a mim mesmo vir a ser melhor, não desisto de arriscar coisas boas minhas. Com todas as consequências, nem que seja para toda a Vida. Isto supera-nos completamente. Prometer é desenhar na areia uma palavra que quer ser definitiva. Que a primeira maré apagará. Mas permanece o movimento da alma que me permitiu um dia ser gigante. E isto é exigente, mas é darmos todo o espaço à eternidade de que somos feitos.

06 dezembro 2007

Gigantes

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Hoje fazia algumas reflexões sobre problemas mais gerais do mundo e senti-me muito pequeno. Pensava o que se pode fazer, a nível pessoal, ou de Igreja, ou mesmo de instituições, para mudar as injustiças no mundo.

É difícil viver entre o possível que está ao meu alcance e a consciência que o que se fará de bem para mudar o mal, é uma gota no Oceano das possibilidades. Os teólogos poderiam dizer que há uma esperança na vitória do Amor sobre todas as coisas e que isso move a Caridade. Também acredito nisso, mas não é fácil quando me dou conta que a fé não tira a fome nem dá casa a quem teve de a deixar, ou nunca a teve.

São problemas que às vezes os sinto como esmagadores. Fazer o que se puder já é muito, desde que não seja um exercício de voluntariado só para acalmar a consciência. Apesar de já ser algo.
Vivemos num mundo confuso, que tem tanto de luz arrebatadora como de escuridão desarmante.

Se fôssemos mais capazes de tocar os corações de quem pode ajudar... aproximar-se de quem sofre é essencial, mas precisamos de muitos mais sorrisos e abraços.

30 abril 2007

História(s)

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Tenho estado estes dias, aproveitando este fim de semana prolongado, a fazer de guia da cidade com algumas pessoas amigas. E aproveitar os passeios e as visitas para estar num ritmo que, habitualmente, não tenho aqui. E que a maioria das pessoas que aqui vêm fazem.

Contactar com as maravilhas do passado é sempre um tempo de rever o presente. Perceber como eu faço parte de muitos anos de tradições e acontecimentos, bons e maus, que me permitem perceber-me a mim mesmo e ao mundo.

Cruzar histórias de civilizações com milhares de histórias de pessoas que se cruzam connosco na rua. E ver tantos pontos comuns, de como, no fundo, todos somos muito parecidos em algumas coisas... por caminhos diferentes, mas em mundos de experiências interiores e exteriores que fazem com que se sinta o mundo humano com maior plenitude.

É uma rede complexa de línguas e culturas, este mundo em que estamos. Mas há tanto em comum... tudo aquilo que nos faz sonhar com a possibilidade de fazer um mundo mais feliz.

02 fevereiro 2007

Recompensa

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A sensação de dever cumprido é muito confortável. Talvez o nosso desejo de que tudo corra sempre bem é um motor para a nossa acção.

Pode haver muitas motivações para o que fazemos. A fidelidade ao que nos comprometemos, o desejo de fazer boa figura naquilo que nos empenhamos. Pode ser ainda o querer ficar na admiração dos que ficam à nossa volta. Finalmente, o desejo de ficar bem connosco mesmos.

A acção leva-nos a querer completar algo. Para isso servem os objectivos. No mais fundo de nós, fazer qualquer coisa bem, faz-nos também como pessoas capazes.

Entre o fazer muitas coisas bem, gastamos tempo e energias. Procuro não dispersar a vontade de Viver apenas nos gestos. Gosto de experimentar algo Absoluto nas minhas pequenas metas.

PS: Isto que sinto, passa-se em muito do que vivo dia-a-dia. Mas por ter feito hoje um exame, que correu bem, alimenta esta ideia. =)

12 dezembro 2006

Departure place

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Vivemos tantas vezes nesta fronteira do Essencial, na dificuldade de encontrar o chão seguro para por os nossos pés antes de voar. E encontramo-nos a saltar entre opções e momentos de Vida bonita, na avidez de que nada nos escape, há sempre tanto para mudar à nossa volta.

E em tantos compromissos que assumimos, nenhum acaba por ser o nosso único. Ou, explicando melhor, o compromisso definitivo no qual tudo se vive, não como mais um acrescento, mas como uma consequência.

E é tão fácil enchermo-nos de vazios coloridos e musicais... que nos fazem voar na fantasia, mas longe das raízes da alma.

Se no meu tempo tão disperso tiver lugar para encontrar todos os dias o meu ponto de origem, é sinal que os meus compromissos partem do meu rosto e não de uma pintura minha. E o meu rosto mais autêntico é compromisso com a Vida, e compromisso fiel às outras vidas... descobrir a verdade no Mundo.
 

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