22 dezembro 2008

Desejos

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Esta é a altura de desejar boas festas, trocar felicitações, comemorar em família ou entre amigos. Fico com pena quendo eu próprio me dou conta de que isto faz parte de cumprir uma série de regras sociais. Ficaria mal não retribuir. Já o agradecer e desejar felicidades é muito bom, mas é pouco se se fica só pelos cumprimentos habituais.

Se nos dermos conta, não desejamos pouco às pessoas a quem dizemos que tenham um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de paz, alegria, etc. Tenho-me dado conta que desejar o bem a alguém é também um compromisso. Desejar apenas, sem gestos e intenções mais profundas, fica-se apenas num nível mais superficial. Porque os desejos de bem acabam por significar muito pouco se não vão acompanhados de gestos.

O bem que desejo para o próximo ano e para este Natal é um compromisso. De fazer o que me é possível para que aquilo que desejo realmente se concretize.

19 dezembro 2008

Claridade

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Nem poderia ser de outra maneira. Diziam-me que tenho que ser bom, que a bondade é o que caracteriza as pessoas que acolhem a vida e os outros. Por detrás da bondade, vive a paz, de estar bem consigo próprio, de aceitar o que acontece. Mesmo sem perceber tudo. De facto, o não perceber faz parte de grande número das nossas questões. Talvez seja por isso que o mistério é tão fascinante.

Sabe-se que existe algo, uma dimensão maior, que simplesmente não conseguimos fazer nossa. Quando temos a posse de todo o conhecimento, então não há novidade, e a vida fica monótona. Por isso é que há sábios de olhos apagados, sabem muito de muitas coisas, mas não dizem o que é mais importante.

Os sábios são também aqueles que sabem que não sabem tudo. E sabem como viver com o mistério, alegram-se porque não são monótonos. Por isso são fascinantes. Qualquer cor lhes traz novidade. E a preparação para o Natal é esta sabedoria, de uma claridade escondida, mas que ilumina. O mistério arrasta-nos para acolhe o sempre Novo, Jesus que se faz como nós. Também para Ele esta foi a grande novidade, por isso Ele é tão fascinante.

18 dezembro 2008

Limite ou a falta deles

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É algo evidente que que temos limites. Não conseguimos ser aquilo que sonhamos, acontecem-nos coisas que não esperamos, o nosso corpo simplesmente não está sempre a 100%. E se passamos para a nossa interioridade, aí a confusão pode ser maior. De certo modo, seria mais óbvio que estivesse nas nossas mãos mudar em nós os defeitos em virtudes. Mas isso nem sempre acontece. Ou por preguiça, ou por medo, ou por acomodação...

Há duas faces positivas do limite: a aceitação e o superamento. E duas faces negativas: a ilusão e o desistir. No fundo, está em jogo a nossa verdade e o que somos diante de nós mesmos. Um certo realismo de perceber que há coisas em nós, nos outros e no mundo que não podemos mudar. Mas também uma verdade corajosa que vê mais do que aquilo que está presente. A nossa verdade é este equlibrio e luta entre verdade presente e verdade futura.

Onde eu for mais igual a mim mesmo, no presente e no futuro, é onde os limites são mais ténues e onde as possibilidades de crescer são maiores. E é nesta tensão de descoberta e caminho que me encontro.

15 dezembro 2008

Pequenas peças

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Lá fora, enquanto cai a chuva, permaneço em lugares que procurem alguma luz. Ao mesmo tempo, sementes e árvores, traços e quadros. A Vida faz-se pontos de partida e conclusões, e pelo meio, quantidades enormes de meios caminhos. A ponto de por vezes nem se saber que livros vamos acabar de escrever.

Vivemos entre muitas histórias, nossas e dos outros e os resultados obtidos poucas vezes significam estados acabados. Ou caem no esquecimento, ou motivam novas descobertas. Porque somos assim e não somos simplesmente capazes de parar onde estamos?

É esta a nossa maior inqueitação e ao mesmo tempo o nosso maior sinal de eternidade. Simplesmente, não nos esgotamos, nem hoje, nem amanhã, nem nos próximos anos. Nem no fim da vida. Cada um dos nossos dias são estas peças presentes, pequenas, mas cheias de possibilidade de sermos cada vez mais.

14 dezembro 2008

A espera e a alegria

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Uma dificuldade que sempre tenho é perceber e ocupar os tempos de espera. Se virmos bem, acabamos por passar algumas horas da nossa semana à espera: do autocarro, da consulta do médico, do início do jogo de futebol. E são horas em que acabo por não fazer nada, porque quase nunca vou prevenido, com um livro, ou um pensamento interessante. De facto, nestes tempos acabo por pensar coisas pouco interessantes, ou fazer cuscovilhice do que passa à minha volta.

Em tudo isto, por vezes o tempo de espera é motivo para saborear o que acontece à volta, quando estou atento a isso. E esses são momentos mesmo especiais, por exemplo, quando vejo trocas de sorrisos, simpatia ou boa disposição, além das mil e uma coisas caricatas que acontecem no nosso mundo.

Por isso, a espera tem sempre uma surpresa escondida, e uma fonte de alegria. Não é apenas por estar a preparar o coração para o que vai acontecer, mas é já anticipar um encontro com a vida concreta, que não muda nada, mas torna a vida muito mais presente a mim mesmo. E, por isso, mais amável.

12 dezembro 2008

Não é o muito saber

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Santo Inácio tem uma frase nos Exercícios Espirituais que é fundamental no percurso de quem os faz: "Não é o muito saber que sacia a alma, mas o saborear as coisas internamente". Quando estou em maior fase de estudos e leituras, lembro-me muitas vezes disto, e ajuda-me mesmo muito a centrar aquilo que se está a fazer. E não só centrar, mas até tirar um peso enorme de cima. Porque se aquilo que fazemos não serve para algo que vai além de um resultado concreto, até parece que um objectivo concreto se pode tornar a meta decisiva da vida.

E ficamos a jogar o tudo ou nada em coisas que não merecem tanta importância. O saborear por dentro o que se faz é um meio para encontrarmos a razão de ser das nossas energias pessoais e dos nossos dons mais preciosos.

Mas por outro lado, o muito saber ajuda a iluminar e esclarecer a inteligência. Por isso, não deixo de ser um fascinado pelo que estudo =P. Mas acabo por encontrar mais plenitude num passeio por um jardim do que num raciocínio complicado, apesar de um bom pensamento ajudar a saborear as coisas com outra profundidade de horizonte.

11 dezembro 2008

Excesso

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Há várias formas de poder tocar e experimentar alguma da capacidade de nos maravilharmos. Em certos momentos da nossa vida, temos a impressão que soam em nós demasiados instrumentos e vozes, e nenhum deles é suficiente para expressar o facto de estarmos agradecidos, temerosos, apaixonados, desiludidos.

Sobretudo porque as emoções fortes são muito confusas e não deixam a nossa cabeça pensar em paz, e o nosso coração contemplar devagarinho. Por isso, a experiência de estarmos profundamente tocados, no bem e no mal, pela Vida exige tantas vezes mais do que aparentemente podemos estar dispostos.

E podemos talvez fazer duas coisas: ou ser mais um instrumento ou mais uma voz entre todos e ser arrastado no que me acontece. Ou arriscar um corte, um silêncio, que contraste com a força dos acontecimentos e ao mesmo tempo os conduza à sua verdade. A parte sublime da Vida acontece, quando estou disposto a deixá-la acontecer no meu silêncio, que lhe dê lugar.

09 dezembro 2008

Silêncios

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Há três tipos de silêncio.


O silêncio da cidade, que não é igual à falta de barulho e movimento. Sou um entre muitos, não apelo niguém e ninguém me apela. Uma forma moderna de solidão, uma peça do puzzle.


O silêncio construído, do meu quarto, ou o espaço de uma igreja. Onde posso parar para pensar, rezar, arrumar coisas por dentro e desenhar caminhos na imaginação.


E o silêncio oferecido, o da Natureza, que não é igual à falta de ruído e melodia, onde sou mais escolhido do que posso escolher.


Em tudo isto, gostaria de poder encontrar Presença e motivação. Grande parte dos nossos pensamentos são solitários. Mas é no silêncio onde me encontro com maior verdade, é com o silêncio que posso dizer o que as palavras não fazem soar.

07 dezembro 2008

Consequências

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As decisões que tomamos são sempre marcadas por alguma mudança, pequena ou grande, na nossa vida. Por vezes dá mesmo a impressão que a dificuldade de escolher consiste em dar-se conta que, assumindo algo, se deixa de assumir outra coisa. É uma questão de ganhar e de perder, ter nas mãos coisas maiores e deixar para trás outras menores.


Por isso, muitas vezes a tentação é procurar manter a todo o custo um equilíbrio que não faça doer muito, perder o menos possível. Mas isso nem sempre acontece.


É preciso algum realismo para ter consciência que uma escolha tem uma parte maior ou menor de sentimento de perda, de hábitos ou de comodidades. As chamadas conseqências das nossas opções fazem parte do que acontece em nós quando olhamos para o mais-além. Mas uma consciência destas não é igual a tristeza, antes é uma certeza de que somos feitos para gerar criatividade e gestos mais alargados. Braços muito cheios de coisas pequenas não abraçam coisas grandes.

05 dezembro 2008

Rever o que se faz

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Nos exercícios espirituais, santo Inácio inácio propõe como meio essencial de crescimento humano e espiritual o chamado exame de consciência. Não é uma busca difícil de coisas que vão menos bem na vida, mas sobretudo ir-se dando conta em cada dia das coisas que vão mexendo e movendo as nossas acções.

É sobretudo um desproteger-se de justificações e um esconder-se de coisas maiores, que não significa serem mais fáceis. Acredito que a principal dificuldade em não vermos o que acontece em nós é o facto de, no fundo, ou de forma inconsciente, acharmos que é mais cómodo viver o dia a dia com uma espécie de compromisso cómodo com o que acontece. É bom que se faça isso, mas não é suficiente.


O estar diante de mim mesmo, em cada dia, para ver o que me dá alegria, ânimo, tristeza, medo ou preguiça, é o que me faz ir percebendo as fontes das minhas acções e pensamentos. Até atingir uma linha de fundo daquilo que me caracteriza agora e poder investir melhor em mudar coisas concretas, em ter a vida mais agarrada desde dentro.



03 dezembro 2008

Sintonias

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Temos muitos tipos de relação. Aquela que cada vez acho mais desafiadora é a amizade. Há amizades que surgem com o passar do tempo, por se viver no mesmo sítio, ou fazer a mesma coisa durante um certo tempo. Uma sintonia que vai sendo construída. Há, porém, outras amizades que temos a sensação que surgem porque tinham mesmo que surgir. Por vezes tenho a sensação que as amizades mais profundas não nascem de uma escolha pessoal, de querer à força ser amigo e próximo, mas de um ser escolhido.

O que me faz acreditar na possibilidade de amar com liberdade é o facto de a vida nos escolher para viver partilhas e sintonias com outra pessoa que entra na nossa vida sem que estivéssemos à espera. E assim, começa a existir um mundo de confiança, de antecipações, de surpresas, de acolhimentos. Um mundo que não poderá mais deixar de existir.

Um espaço de abrigo e um lugar de verdade, onde não mostro aquilo que deveria ser -o que penso que deveria ser - mas sim onde sou aquilo que sou. E é porque este mundo me escolheu, é que posso ser perfeito nele. Só aquilo que nos cativa, de facto, nos pode tranformar.

02 dezembro 2008

O que se mostra de nós

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Hoje numa aula, um professor fez algo que me fez pensar...mostrou uma série de imagens de publicidade de roupa e mobiliário, coisas bonitas e sofisticadas. E era um convite a olhar a expressão dos modelos: e de facto, dei-me conta que raramente aparecem caras muito felizes. Aparecem muito mais caras de orgulho, aborrecimento, um tédio elegante, sensualidade, desinteresse, solidão, despreocupação. E tudo isto envolto em roupas de marca ou sofás de pele.


São imagens que me tocaram porque eu próprio tenho um culto da aparência, o mostrar que se está bem por fora e como é importante passar isso para fora através do que visto ou do que faço. E o mais interessante é que estas coisas acontecem não de forma consciente, mas faz parte de uma espécie de código de bem-estar.

Aquilo que se mostra de nós, aparece de forma muito subtil, são cores fantásticas de mundos que, no fundo são bastante irreais e vazios. E muitas das nossas preocupações vão na direcção de ter um mundo de revista completo, mas que quando se vira a página, continua tudo igual, acabamos por não escrever nada de próprio na vida dos outros.

01 dezembro 2008

Re-conduzir

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A nossa vida vai-se fazendo entre momentos de acerto e desacerto. O mais difícil é quando não conseguimos ser muito objectivos e vamos continuando a teimar em justificar aquilo que fazemos com muitos argumentos, utilizando até palavras bonitas e profundas, mas que no fim acabam por dizer pouco do que realmente poderiam significar.


Por exemplo, acontece muitas vezes que temos diante de nós qualquer coisa que devemos resolver, um passo a dar, um perdão a comunicar, ou até uma ruptura a fazer. E vemos que vamos adiando soluções óbvias. Talvez por aquilo que é radical ser tão simples, que não estamos habituados a funcionar sem os nossos esquemas complexos. No fundo, vamo-nos defendendo... até que os frutos vão manifestando a qualidade das nossas raízes.


Por isso, o querer assumir uma coisa importante na nossa vida significa uma espécie de re-condução. Não é simplesmente tomar nas mãos uma decisão e avançar contra todos os ventos e marés. As coisas mais importantes são aquelas que nos escolhem e nos apelam irresistivelmente. Somos conduzidos pela e para a simplicidade. Daí vem toda a certeza...

29 novembro 2008

Esperar

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Começa amanhã o meu tempo preferido do ano litúrgico, o Advento. É um tempo próprio para não deixar de estar atento, é preparar-se para algo grande. Normalmente, quando temos algum encontro importante marcado, antecipamos esse momento vestindo o coração, encontrando coisas bonitas para dizer, vestimo-nos de outra maneira...

É significativo que a preparação do Natal seja assim longa, quase um mês. Neste tempo, sinto-me desafiado a levar sempre mais a sério aquilo que significa a espera e a certeza. Não seria razoável esperar indefinidamente algo que nunca poderá vir a acontecer. O Natal faz-me ter a certeza de que acontece já a manifestação de Deus na minha Vida, que verdadeiramente Ele chega até mim e me faz ser mais parecido com Ele.

O tempo da espera é esta grande metáfora de me dar conta de que estou sempre em caminho em direcção a algo que me está a ser dado continuamente. Estar atento é saber ver os sinais de perfeição, sentir esta atracção irresistível pela perfeição, acreditar que todos os dias estou mais consciente do que sou e do que tenho. E o mundo parece tão necessitado de beleza e ao mesmo tempo tão brilhante de presença.


28 novembro 2008

Dias de chuva

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Hoje está um daqueles dias de chuva, chá e cobertor... há sempre uma interioridade própria do tempo que vivemos. A chuva pode ser desconforto se estamos fora de casa, mas não há nada melhor que saborerar o bom que é estar dentro, e fazer do meu tempo uma qualidade oferecida a coisas que não distraem tanto.

Sem chuva não haveria fecundação da terra, faz trabalhar no íntimo, é uma oferta que comunica uma vida escondida. Nós precisamos da chuva como do ar que respiramos. De deixar que ela se faça silêncio e contemplação, adesão total àquilo que sou e sonho de modo completo.

Imagino que estes dias sejam os melhores para escrever e fazer poesia, é muito saudável ocuparmos o espírito com as nossas criatividades, termos tempo para expandir o melhor de nós e ficar acesos numa luz agradecida.

24 novembro 2008

Imagens de mim

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Creio ser hoje umas das principais características da nossa vida o facto de não encontrarmos facilmente uma única imagem que diga tudo sobre nós. Há imagens que definem bem um momento especial e importante, mas passa o tempo e fica colocado num álbum de memórias felizes. Ou imagens que gostariamos de arrancar das nossas paredes, mas acabamos por nos lembrar delas como momentos de crescimento, acontecido muito tempo depois.

Uma imagem diz o que posso ser agora, mas dificilmente pode dizer o que serei no futuro, a não ser que seja a expressão de um desejo que quero concretizar.

Uma imagem única de mim mesmo poder-se-ia encontrar sobretudo nesta dificuldade. Que o facto de não encontrar uma imagem definitiva me diga a certeza que sou mais do que aquilo que vejo e sinto, mesmo que sejam coisas gigantescas. Isto faz não ficar parado, querer desenhar traços mais concretos, mas feitos com uma paciência a toda a prova, mas que vão fazendo o que sou, com um caminho de beleza cada vez mais brilhante e séria.

23 novembro 2008

Testemunho

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Há muitas coisas que podemos desejar na vida, mas uma é verdadeiramente importante. Irradiar paz e felicidade. Não há ninguém tão interpelador no modo de viver a vida com profundidade do que aquelas pessoas que estão serenas, pacíficas, que não stressam, acolhem e têm sempre um sorriso a dizer perante as dificuldades próprias e dos outros.

Fascina-me o segredo destas pessoas. E acredito cada vez mais nisto: que a profundidade do olhar deles é feito através de um amor enorme por tudo o que acontece em nós, mesmo tudo, mesmo aquilo que não deveria nem daria jeito acontecer. Fico saudavelmente invejoso das pessoas felizes e dou-me conta de duas coisas.

Que podia ser mais com elas. E que já sou assim em muitas coisas. Para quê continuar a adiar a felicidade? Porque um salto deste tipo, arriscar-se a uma felicidade além do razoável e do calculado, também tem as suas consequências. Bem pequenas, porém, muito pequenas comparado com o que se pode viver a partir delas.

22 novembro 2008

Simplicidade

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Estava a começar este post e a dar-me conta de que já devo ter escrito mais vezes sobre este assunto. Acho que há sempre tanto a dizer sobre a simplicidade, porque identifico também grande parte do meu movimento espiritual neste desafio de descomplicar as coisas e ser mais básico na forma de encarar de vida.


É bom saber aquilo que fazemos e ter consciência das opções que tomamos, mas tantas vezes perdemos tantas energias em fazer demasiadas promessas ou a justificar aquilo que achamos que não está bem em nós e que, no fundo, não queremos mudar. A simplicidade tem uma cor clara, diz entre nuvens complexas uma palavra mais verdadeira que as outras.


Sou fascinado pelas coisas simples, não me perco demasiado em decorar espaços que ficam melhor vazios, para que possam entrar as pessoas e as situações sem ficarem perdidas em coisas que não sou eu. Na simplicidade lavamo-nos de imagens que não somos nós, fazemos as coisas bem e motivados com elas porque é bom sermos bons, com brilho no olhar.

20 novembro 2008

Dons oferecidos

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Hoje enquanto ouvia uma série de músicas, fui viajando por vários tempos e lugares há já algum tempo visitados e foi mesmo bom regressar lá e encontrar consolação e energia.

E fiquei a pensar em quem faz obras de arte: um livro, uma música, um filme, uma pintura... de como é fácil encontrar ressonâncias nos significados percebidos e não tanto nas intenções comunicadas. Acredito que o espírito humano é capaz das melhores coisas, e talvez por isso somos tão parecidos com Deus. Aquilo que criamos de eternamente nosso abre um espaço para que outras sensibilidades possam habitar e exprimir, sem palavras, desejos e concretizações que de outro modo seria impossível de dizer.

Somos capazes de coisas que vão muito além de nós próprios, vivemos algo como um espaço de comunicação de dons e beleza, que é uma pena que os guardemos só para nós. E em muitas coisas podemos ser verdadeiros artistas de sentido e consolação.

18 novembro 2008

Privilegiados

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Há um entusiasmo que nasce de reencontros. E agora nem é preciso esperar muito nem fazer promessas. Pensar o futuro pode ter tanto de cuidadoso e necessário como de desperdiçar energias quando o que está para acontecer vai muito mais além do que aquilo que se espera.

O amor escolhe por si os momentos e as formas, talvez seja isto que o torna irrestível e incapaz de definir. Quando se programa tudo, deixa de ser originalidade e criação e passa a ser um espaço determinado onde, afinal, existo só eu. Não há vida mais vazia do que aquela que é enchida de qualquer maniera. É preciso o espaço fundamental de pensar num gesto de abrigo e acolhimento.

Quem vive por amor, vive sem saber e ao mesmo tempo sabe tudo o que precisa. É um privilégio poder ver-se como imagem desenhada, poesia acabada, escultura viva. Que temos de temer, senão as coisas que queremos ter tanto para ficar ricos de nós, mas que ficamos assim tão pobres?

17 novembro 2008

Ver na verdade

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Recebi hoje pelo correio uma das prendas mais bonitas que me deram. Talvez por ser simples, vai directo ao coração e falou... um espelho pequeno, para me poder ver como sou. Raramente temos tempo para ver como somos, e sobretudo com a atitude de nos maravilharmos com a beleza que temos. Devíamos fazer isto mais vezes.

Este espelho não falou só de mim ou para mim, mas falou-me de alguém que é um gesto de verdade. Acredito cada vez mais que a vida se faz através dos outros e do que fazem em nós, tal como temos consciência que fazemos coisas importantes na vida dos outros. Reflecte não o que gostaria de ser, mas uma simples verdade de ser amado, aquilo que ninguém nunca me poderá tirar. Uma experiência destas vale mais que bibliotecas inteiras...

Obrigado, querida amiga, por te teres lembrado e me teres lembrado de coisas que só tu sabes mostrar, por seres como és. Uma imagem vale mais que mil palavras, dizem... quando não valerá a minha imagem? Uma força inacreditável de entrega e sonho capaz de caminhar pelos próprios pés.

16 novembro 2008

Maravilhas

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Não há dúvida de que somos abençoados... para quê continuarmos preocupados em olhar aquilo que não nos acontece, quando existem mundos de bênção e alegria entregues em cada momento? Roma é uma cidade dourada, que se faz um grande presente, entre caminhos de jardins e amizades. A contínua presença da oração e da proximidade, memórias que fazem parte de nós e que não deixam de aparecer quando têm que aparecer.

É preciso acreditar com todas as forças que não somos pequenos, temos tantas provas de que o amor não conhece limites nem criatividades pobres para chegar até nós. E porque o merecemos, para além das nossas impossibilidades.

Se conseguimos fechar-nos num mundo pequeno, é porque não sabemos olhar da melhor maneira, é porque, no fundo, não acreditamos no que podemos ser quando nos deixamos amar na profundidade. Crescemos além de nuvens e estrelas...

PS: Agradeço a Deus por tantas manifestações de amizade, oração e presença no meu aniversário. Alimentam e confirmam as minhas certezas! Obrigado pelas simpatias =)

14 novembro 2008

Tudo o que sou

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Tudo o que sou é segredo e inexplicação. Conheço o que não sou, desejo ser mais. Um gesto que me arranque desde dentro, me faça deslumbrante aos meus próprios olhos. Falar de conquistas são poucos passos possíveis, são janelas que abrem paisagens. A vida poderia ficar fechada numa redoma, intocável, sagrada. A quem prestaria adoração do desejo, mas não poria nela verdade de lama e pó.


Um caminhante é por definição alguém que se suja, alguém a meio termo, desprovido de tecto e altar. A ilusão de ter feito um mundo à minha medida cai como a chuva e mistura-se no mar das incertezas. É uma questão de olhar para além do positivo, de me encher de graça e eternidade.


A Vida é o maior dom que temos entre mãos, demasiado poderoso para ser intocado, espalhado em espelhos que fragmentam a minha imagem, quando uma só verdade existe, a mesma de sempre, o fogo que arde em casa quando chego de viagem, acabado de me perder, consolado por me encontrar.

13 novembro 2008

Riqueza interior

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Se fizer uma história dos meus momentos significativos, em que descobri algo mesmo importante sobre a amizade e as relações, ou sobre mim mesmo, vejo que estas memórias vêm associadas a lugares. A nossa vida tem o seu espaço e as coisas bonitas e grandes da vida acontecem em paisagens escolhidas ou que parece que foram feitas de propósito para nós, naquele momento.


Quando procuramos um espaço para encontrar a nossa verdade amada, precisamos também de rituais e santuários. Um lugar onde o fascínio aconteça, onde algo de eterno tenha a nossa carne e fale a partir das nossas coras.


E este espaço de verdade acontece em nós. Se temos verdade, e é certo que a temos - tantas vezes nos esquecemos disto - o espaço da verdade é de uma beleza quase infinita, insuportável até, se comparada com as pequenas ruas por onde vamos gastando e arrastando a beleza. Cuidar este nosso espaço é acreditar nele e maravilharmo-nos com ele. Acontece tanto em nós quando estamos dispostos a que aconteça!

10 novembro 2008

Sozinho nunca

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Não seria preciso fazer um inquérito para saber qual é a coisa que todos mais tememos. A solidão é algo que tentamos nem sequer pensar como horizonte dos nossos dias. É demasiado assustador e, felizmente, acaba por não ser sempre uma realidade presente, mas existe como uma espécie de fantasma.


Muitas vezes, a forma de evitar sentimentos é enchermo-nos de cores artificiais e ruídos à nossa volta. Talvez o medo da solidão seja um modo de nos afastarmos de nós próprios e não querer dar atenção ao que somos e fazemos verdadeiramente.


Se acreditássemos mais profundamente que somos capazes de contruir à nossa volta espaços de relações de qualidade, em que não fôssemos máscaras, mas verdade. A nossa verdade é bonita, e essa é a nossa melhor companhia. A partir dela os outros e o mundo encontram um desafio para a entrega. Porque a nossa qualidade é bonita, cheia, nunca sozinha, desde o início.


08 novembro 2008

Ser criança

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Acabei de chegar há pouco a casa e pus-me a pensar numa coisa que acabei de ver, por baixo de uma galeria, por onde passava com alguns companheiros. Num canto, estava um grupo de pessoas, emigrantes em Itália, de cócoras e, no meio delas um cartão grande no chão onde punham e passavam rapidamente algumas notas e moedas entre eles. Era um jogo a dinheiro e enquanto o faziam, olhavam para todos os lados, para não serem apanhados... enfim, infelizmente, isto acaba por se ver muitas vezes, e nem posso julgar quem já de si tem tantas dificuldades na vida, e tem que andar a vender coisas pelas ruas e depois, tentar ganhar mais algum...



Mas o facto é que pareciam crianças, foi assim a primeira impressão que tive, um jogo de esconde-esconde, cuidado que vem lá o professor... E numa aparência de jogo infantil, jogavam-se coisas muito sérias... e tristes.


E tantas vezes na nossa vida não estamos atentos à seriedade que pomos naquilo que fazemos. Fazer da Vida um deixar passar, não se preocupar muito. Não quer dizer que sejamos pessoas sizudas todo o tempo, aliás, isso é o contrário de uma seriedade profunda. É uma alegria que tem cores de entrega, um saber o que temos entre mãos e o querer fazê-lo brilhar, todos os dias. E vida pode ser um jogo, e sério, mas não vale a pena esconder o que fazemos, aos outros ou a nós mesmos.



06 novembro 2008

Oração

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Normalmente não falo muitas vezes de oração. Mas hoje sinto-me movido a isso. Acaba por ser o nascimento do registo de um dia, de uma experiência, de toda uma vida. A oração é tempo gratuito e talvez seja isso o motivo mais significativo do mistério que normalmente envolve esta experiência.


É um encontro de duas vontades, uma delas é abertura plena e desejo, a outra é tentativas de sair de si e do ritmo dos probelmas e das alegrias. É entrar num mundo sem horas, nem agendas, nem programações. Tem muito de eternidade, um gesto trazido a coisas pequenas, um silêncio muitas vezes que é respiração e abandono.


Sim, o mais difícil na oração é pressentir que se pode perder o pé num oceano imenso. No fundo é a luta com as nossas seguranças e com aquilo que queremos, às vezes de forma egoísta. Mas uma experiência profunda e constante de estar diante de Deus como sou, todo e ao mesmo tempo partido, é inevitável para quem ousar confiar desta maneira. E pouco a pouco, tudo se tranforma.

04 novembro 2008

Esperar dias melhores?

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Às vezes não é mesmo nada fácil gerir o tempo. Quando os acontecimentos do dia decorrem normalmente e só o facto de acontecerem já tiram o tempo disponível. Nem sequer passa por escolher passar ou não tempo de qualidade ou deixar de perder tempo com coisas que se podem deixar para depois. Tudo faz sentido, mesmo as alturas em que temos pressa de ter tudo acabado.

Somos também donos do nosso tempo e do crescimento interior e no que fazemos à nossa volta com ele. Mas também o nosso tempo se faz de coisas urgentes. No fim de contas, vamos tendo a experiência que a nossa Vida tem altos e baixos de actividades.É preciso não perder a serenidade e acreditar profundamente nos resultados que temos quando nos deixamos conduzir pelo bem.

Porque o tempo é a oportunidade de fazer revelar mistérios e talentos, uma obra prima moldável com as nossas mãos e com a criatividade de um artista cheio de inspiração.

02 novembro 2008

Ter o destino nas mãos

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Parecem coisas difíceis. Mas o essencial é tão inacreditavelmente simples, como uma iluminação que diga a certeza do nosso futuro. Mesmo sem tirar as dúvidas, mas agarrando a alma desde dentro. A experiência de não saber mais nada senão isto: que acontecem momentos em que temos a consciência que fizemos opções que mudaram completamente a nossa vida. Ou a consciência daquele dia em que ficámos atrás, em que deixámos de dizer sim, e não saltámos no escuro e a nossa Vida ficou mais pequena. Seria tão bom viver em dias grandiosos, dia-a-dia, momento a momento.


Quando o sol chegou aos subúrbios da cidade
Anunciando mais um dia igual aos outros
Ele acordou e pressentiu
Que hoje o seu dia ia ser diferente
Sentiu nos lábios o sabor
Dum sorriso finalmente triunfante
Escorregou da cama
E contemplou o espelho sorridente

Acabou-se a incerteza dos seus passos em volta
De um sentido que ele nunca encontrou
Pela primeira vez tinha o destino nas mãos
Desta vez ele não duvidou

Sentiu-se invadir por uma estranha lucidez
Que o conduzia pelas calhas do passado
Serenamente descobriu
Que afinal tudo tinha o seu sentido
Levou o olhar à janela
Lá em baixo a rua estava abandonada
Levantou o fecho
E de repente alcançou a liberdade

Acabou-se a angústia dos seus passos em volta
Dum amor com que ele apenas sonhou
Pela primeira vez tinha o futuro nas mãos
Abriu a janela e voou





Passos em volta - Mafalda Veiga canta Jorge Palma

01 novembro 2008

Santidade

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Hoje é a festa de todos os santos. A Igreja celebra não só os santos que foram proclamados ao longo dos séculos, mas também é o dia em que se recordam todos os exemplos de vida cheia de Deus dos que viveram durante a história e que não chegaram aos altares. É o dia em que se acredita plenamente no homem. É também o dia em que nos lembramos das pessoas que marcaram a nossa caminhada de fé e crescimento humano e espiritual, que são para nós exemplos de santidade.

Este dia faz-nos recordar que a santidade não é algo distante, mas perfeitamente possível, à qual estamos chamados continuamente. Por sermos capazes de alargar as nossas energias de amor e doação até ao infinito, de sermos mais que os nossos limites, de sermos verdadeiros e coerentes com aquilo que acreditamos ser o bem.

Por isso, gosto tanto desta festa. É o dia em que rezo para ter a certeza de poder um dia chegar lá, de poder ter aquela convicção, alegria, paz e humildade que caracteriza os exemplos palpáveis que tenho dos amigos de Deus. E são muitos... porque não eu também?

31 outubro 2008

Optimismo

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Acreditar no bem que somos capazes. Uma visão cristã da pessoa humana terá de ser optimista. Sem querer ser com isso ingénua. De facto, na nossa vida pessoal, sentimos a força das nossas fragilidades, a ponto de bloquearem os nossos processos de crescimento.

Ser optimista, sem ser ingénuo, não é fazer de conta que não há partes de nós que pouco têm a ver connosco, são coisas de fora que nos marcam e nos prendem. A nossa parte mais autêntica é aquela que nos pertence desde o início, a que afirma ser cada respiração o mesmo sinal de amor e entrega. Porque é vida e somos vida, somos bem.

E em cada dia este optimismo radical faz-nos sorrir com os nossos gestos concretos de actuação da nossa Bondade. E acontece muitas vezes. Se estivermos radicados nisto, a consequência é uma paz e alegria profundas, confiança total em nós, e não vamos sendo arrastados pelo que não nos pertence, ou porque temos pressa, ou errada fantasia, ou simplesmente medo de amar como deveria ser.

30 outubro 2008

Agradecer

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Quando estamos tão fechados em nós mesmos e em preocupações daquilo que se tem de fazer, perdemos horizonte e nem temos a capacidade de estar abertos a surpresas. Como se os nossos dias ficassem limitados a nível das expectativas, uma espécie de pessimismo que nos faz acreditar que será mais um dia igual a outros tantos, sem aquele brilho que distingue os bons momentos, igual a dar gargalhadas, sem ter muito com que pensar.

E em dias cinzentos aparecem as surpresas de luz que lhes dão mais cor do que esperava. Sobretudo em coisas pequenas. Quando estou debruçado pela janela à espera de ver passar alguém conhecido ou que aconteça algo diferente e, ao mesmo tempo, alguém deixa na caixa de correio uma carta com fotografias de uma viagem distante.

Por vezes é cómodo estar em dias de chuva sentado em casa a curtir monotonias. Mas é inevitável que a luz do sol atravesse nuvens apáticas e encha de cores novas a sala de estar, tornando-a mais quente. E por isso agradeço o que tem acontecido nestes dias, importâncias gigantes em gestos tão simples.

29 outubro 2008

Dar a vida

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Soube-se hoje a notícia do assassinato de dois jesuítas ainda jovens, em Moscovo. Não os conhecia, mas um deles estudou até há poucos anos aqui em Roma e vários daqui contactaram com ele. Por isso, não deixo de sentir a sua morte muito presente, para além do que significa saber que dois companheiros lá longe deram a sua vida deste modo.

E não deixo sobretudo de me questionar sobre a qualidade da minha vocação e da fragilidade da nossa vida. Como de um dia para outro, poderemos acabar a nossa vida aqui, por vezes de forma tão injusta e dolorosa. Estes acontecimentos deviam mexer connosco, como mexem, e fazer-nos perguntar até onde seria capaz de chegar no desafio de entregar a vida. E como a Vida plena merece ser vivida de forma total, comprometida nas pequenas decisões do dia-a-dia.

Não é muito sábio ir adiando com promessas tranquilizantes aquilo que é verdadeiramente essencial e que devemos ter constantemente no centro das nossas energias da alma e do corpo. Se dar a vida completamente como o Victor e o Otto deram é um extremo, ao menos a mesma intensidade de vida devia ser posta em cada um dos nossos gestos.

Peço as vossas orações por eles, pelas suas famílias, pelos nossos companheiros da Rússia e pela paz e fim da violência, para que Deus seja o sentido do que é aparentemente inexplicável.

28 outubro 2008

Construir-me

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Existe um desafio constante ao nosso desejo de ser melhores que constitui algo como um motor das nossas experiências e daquilo que escolhemos fazer em cada dia. Ser completo naquilo que escolhi para hoje. Não é uma tarefa fácil, já que cada dia conta com as suas surpresas e nem sempre estamos à altura dos nossos compromissos.

É preciso saber sonhar alto para termos passos determinados e que sabem onde querem ir. Mas esse sonho vai sendo alimentado em coisas muito concretas. Num dado momento do meu dia, perguntar-me, se o que estou para fazer, me realiza naquilo que me é dado viver nesse momento, como pessoa completa.

E a construção dos meus dias em escolhas acertadas vai fazendo de mim aquilo que quero ser, o que sonhei e o que Deus sonhou para mim. Construir-me como pessoa é ligar as energias de histórias e futuros de forma desprendida, saltando para um gesto infinito que tome conta de mim, aqui e agora.

27 outubro 2008

Emoções

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Ontem fui ver uma exposição muito interessante de um artista norte-americano, Bill Viola, que faz uma apresentação de uma série de vídeos com pessoas. A característica principal é a exploração detalhada das mudanças exteriores associadas aos sentimentos e às emoções. Por isso, o vídeo é feito a uma velocidade muito lenta, onde vamos observando rostos e expressões que mudam pouco a pouco, por vezes quase imperceptivelmente.

É como se fosse um deixar-se habituar a que alguém estranho a nós abra os olhos, a boca, as mãos e nos mostre a intensidade do que vive. É uma intimidade estranha, quase que não devia estar ali. E fui percebendo que o mundo das emoções é, de facto, plausível de ser estendido até à infinidade. Foi quase um contraste violento com a forma superficial com que lidamos tantas vezes com os nossos sentimentos e os sentimentos dos outros.

Seria preciso uma abertura ao ser humano, para descobrir que rasgar um sorriso ou soltar uma lágrima não são coisas que acontecem por acaso e só porque apetece. Têm uma história longa por trás. E isso merece respeito e admiração, a capacidade de se maravilhar.

25 outubro 2008

Por entre as cores

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O Outono é fascinante. É a despedida da energia do Verão, o calor forte passa a ser um quentinho agradável, o contraste de cores de ervas, árvores e frutos vai caindo lentamente em ouro e amarelo. É um tempo de início de morte, uma despedida... e por isso será tão bonito?

Os testamentos e últimas palavras são o desejo de presença através das coisas bonitas, que fiquem para sempre... A nossa vida é, no fundo, um desejo enorme de chegar ao fim e ter muito para contar, ou um álbum de fotografias cheias de paisagens incríveis. Quererá isso dizer que, no fundo, acreditamos que podemos conseguir, no fim de tudo, uma bondade fundamental e essencial da Vida?

Queremos o Bem, trabalhamos em Beleza, conseguimos o Gesto que seja mais autêntico nosso. Por entre penas e contrastes, é um desafio enorme acreditar nisto... muda muito na forma como damos qualidade ao que vivemos.

23 outubro 2008

Verniz

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De facto, é um lugar-comum da nossa comunicação responder brevemente à pergunta: Está tudo bem? com um simplificante: sim, estou bem. A grande maioria destas perguntas um bocado apressadas têm esta resposta. Muitas vezes o faço. E acontece que, raras vezes se ouve dizer: mais ou menos, ou nem por isso. Quebra-se o ritmo de repente e somos chamados a parar para saber como poder ajudar e o que se passa.

Talvez o dizer que está tudo bem é uma forma cómoda de não incomodar ninguém com os meus problemas, ou até pode ser uma forma de afirmar a verdade que gostaria de viver e que não vivo. Assumir estados mais tristes obriga a quebrar a velocidade do dia-a-dia, gasta-se energias e é mais prático ir adiando e não pensar muito nisso.

Mesmo que o afirmar que está tudo bem possa ser positivo, porque relativiza problemas com pouca importância, acredito que muitas vezes isto tem a ver com um desejo incontido de auto-suficiência, sobretudo se são questões que se preferia não ter de afrontar. Há uma certa humildade em reconhecer fragilidades. E coragem para pedir ajuda. De alguma forma, a nossa comunicação de estados de espírito devia ser mais transparente, sem uma máscara bonita de aparência, que só acaba por nos esconder de nós mesmos.

22 outubro 2008

Fascínio

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O nosso dia-a-dia é sempre uma espécie de pequena parábola da nossa vida. Cada dia aparece como um novo nascimento, caminhos conhecidos a percorrer, cheios de rotina e novidade. Com altos e baixos, momentos de realização surpreendente e consoladora e outros momentos de perda, cansaço, às vezes desilusão.

Não é fácil viver todos os dias entre coisas contrárias. Talvez seja este o grande mistério que vem associado ao facto de respirarmos, de nos movermos, de existirmos e de relacionar-nos. Há um desejo que tudo fosse cem por cento eficaz e conseguido. E como não acontece, o desejo traz consigo um peso de frustração. Porque o nosso mundo somos nós, aquilo que decidimos, aquilo que fazemos. O nosso mundo são os outros e as marcas que fazem na alma. Perfeição e fascínio, perda e desânimo.

A aceitação do nosso facto quotidiano vem vestida com a roupa que lhe quisermos vestir, ou a luz com que a podemos iluminar. Não quer dizer que a aceitação da vida seja relativa a momentos de bom ou mau humor ou à sorte ou azar do que acontece. Assim, viveríamos constantemente atirados para um ou outro lado, conforme o vento. As raízes são a nossa parte mais sábia... percebe-las, amá-las, cuidá-las e fazê-las crescer é a nossa missão mais autêntica.

20 outubro 2008

A tranquilidade

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A tranquilidade não é a ausência de problemas... de outro modo, estaríamos grande parte da vida sempre inquietos. A tranquilidade também não está associada à dimensão do problema, porque diante do mesmo obstáculo, alguns desesperam por verem uma montanha, outros vêem um pequeno muro. A tranquilidade também não está ligada a fases de altos ou baixos da existência ou do que acontece à nossa volta, seria mais ou menos o assumir que somos levados por uma espécie de destino que não nos perguntou antes se queríamos ou não que acontecesse determinada coisa.

A tranquilidade é uma consequência. É o que vem a seguir a um passo começado e decidido. O que mais nos pode tirar a paz é o facto de olharmos mil vezes a toda a velocidade à nossa volta, para ver se apanhamos o mundo todo... quando afinal, já fomos levados neste vento de pressas e desassossego. É saber voar sem saber para onde ir, mas saber que se voa porque se quer.

Aí, não há número, nem dimensão, nem acasos de problemas. É a Vida que temos entre mãos e escolhemos amar como ela acontece, porque se decidiu assim.

18 outubro 2008

O que há para receber?

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Estou a ler as obras completas de Teresa de Ávila... não sei como me poderia exprimir, é uma sensação quase esmagadora de ler algo escrito por alguém de uma potência extraordinária. Não me lembro de ter lido algo assim... enfim, mexe comigo, definitivamente....

Falando da perfeição do amor... o bem que fazemos a quem amamos, de quem somos amigos. Em muitas amizades há tanto de dar como de receber. Outras é mais dar que receber. Talvez na maioria das minhas amizades há mais receber que dar? Onde está o centro do meu amor?

Amar perfeitamente é amar num amor maior, é criar e fazer o bem através de depositar totalmente os seus efeitos no próprio movimento da Gratuidade. Que a recompensa última é o que Deus faz através de mim e da minha amizade. Pensando mais a sério, não há nada mais simples que o Amor. Tal como ele é. Mas como diz Teresa: este amor muito poucos o têm... e se o tiveres, agradece, é um dom enorme.

16 outubro 2008

Na amizade

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O que pode definir a amizade? Aquilo que vejo na minha história são acasos e surpresas, nascem sintonias, que não aparecem à força. É-se amigo porque sim, às vezes de pessoas com mais defeitos do que qualidades. Talvez porque se vê mais facilmente o outro lado do defeito. Porque se gosta de alguém, há compaixão.

Já seria outra coisa falar de verdade. O outro lado dos defeitos de alguém é uma promessa e um acreditar na bondade já vista e conhecida. Implica dizer o que custa dizer normalmente. Seria outra coisa falar de verdade, mas assim não há amizade.

E já seria outra coisa falar de liberdade. Somos responsáveis para sempre por aquilo que cativámos, diz Saint'Exupery. Se cativei, fui cativado, estou ligado para sempre com um compromisso. Mas este compromisso tem a mesma cor da liberdade, que consola e magoa com a mesma força. Quando não são essenciais presenças constantes.... aquilo que se diz que o tempo e a distância não apaga... A única coisa que no fundo, apaga a amizade é o não cuidar dela. E isso vai muito além das pequenas intenções, são espaços próprios da alma, aquela flor para aquela parte do jardim.

15 outubro 2008

Observação

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Olhar o mundo à nossa volta terá de ser uma tarefa apaixonante. Quem não mete as mãos totalmente na matéria de que são feitos os nossos dias, acaba por estar distante, ou sentado numa cadeira acima do universo, cheio de ideias boas, mas sem raízes onde possam crescer. Talvez seja esse o grande problema de um idealismo às vezes arrogante e pouco misericordioso.

Começa por haver uma verdade pessoal que se reconhece feita das mesmas contradições. Só compreende quem é compreendido, só perdoa quem é perdoado. E amar as minhas contradições é um passo para as iluminar desde dentro e ser capaz de colocar os meus passos num rumo certo.

Quem sou eu para julgar? Já que nunca me senti julgado, ganhei um coração capaz de acariciar fragilidades e torná-las verdadeiras fontes de força. Por isso, amo o mundo à minha volta, sem querer ser ingénuo... mas a última coisa que gostaria de ter era estar decepcionado com ele.

14 outubro 2008

Novidade

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Há já algum tempo que queria mudar o aspecto do Blog. Como ainda não tenho muito que fazer, fui gastando tempo em fazer experiências... Fica sempre estranho, esta página acaba por ser uma parte importante do meu dia e do que passo aqui de dentro para lá dentro. Como se algo de mim mudasse de roupa. Enfim, uma novidade tem sempre um sabor a qualquer coisa luminosa, certas esperanças que puxam por nós.

Além do novo aspecto - espero que gostem :) - Incluí mais alguns blogs que tenho visto e ainda não tinha tido oportunidade de pôr e que tive sintonia com o que li: o de um companheiro de comunidade catalão punt cardinal, o confessionário dum padre, pegadas da vida e pequenos acasos.

E hoje fico por aqui... já foram algumas horas bem passadas =)

13 outubro 2008

Divisões interiores

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Por diversas circunstâncias, tenho andado à volta da questão sobre o querer fazer o bem e o conseguir fazê-lo. E, por caso, tenho até tido várias conversas sobre isso. Há uma frase de S. Paulo que sempre foi misteriosa para mim: "Não faço o bem que quero e faço o mal que não quero".

Chega a ser exasperante esta situação, de não conseguir ser simples no amor. Porque fazer o bem é tão óbvio, há uma espécie de mapa interior em cada um de nós que sabe perfeitamente para onde podemos andar nos gestos concretos de cada dia para poder alcançar as nossas metas de bem. E perdemos tempo, gastamos energias, perdemo-nos a nós mesmos em tantas coisas menos importantes e que acabam por nos fechar em ciclos pouco virtuosos.

Não somos máquinas, super-homens, totalmente perfeitos. Há que aceitar sem desanimar, mas esta situação às vezes é mesmo difícil de levar com serenidade. Por outro lado, o desejo do Bem é um dom enorme. Há muitas pessoas que nunca põem esta questão... Teria de caminhar na confiança, e dar-me conta de que são mesmo poucas as coisas que dependem exclusivamente de mim.

11 outubro 2008

A Vontade

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Qualquer esforço de organização, quer do tempo, quer dos nossos assuntos interiores têm por base a força da nossa vontade. A vontade está ligada a decisões e consequências. Uma decisão vem sempre num bom momento, é um caminho começado, novos horizontes, uma esperança capaz. O dia-a-dia faz o teste à nossa constância.

Uma vontade forte tem de nascer de um fascínio por qualquer coisa de absoluto. Se não for assim, vamos ficando enrolados no que vai acontecendo e na urgência dos nossos compromissos e acabamos por chegar àquela desconfortável situação de que ainda não foi desta, mas amanhã será melhor.

Um bom caminho para evitar estas pseudo-promessas de uma pequena boa intenção é um contacto contínuo com aquilo que nos enche a alma, um amor enorme por uma qualidade de vida acima do previsto... algo parecido com o que se poderia chamar santidade.

10 outubro 2008

Porquê ficar fora?

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Far far, there's this little girl
she was praying for something to happen to her
everyday she writes words and more words
just to spit out the thoughts that keep floating inside
and she's strong when the dreams come cos' they
take her, cover her, they are all over
the reality looks far now, but don't go

How can you stay outside?
there's a beautiful mess inside
how can you stay outside?
there's a beautiful mess inside
oh oh oh oh

Far far, there's this little girl
she was praying for something good to happen to her
from time to time there are colors and shapes
dazzling her eyes, tickling her hands
they invent her a new world with
oil skies and aquarel rivers
but don't you run away already
please don't go oh oh

How can you stay outside?
there's a beautiful mess inside
how an you stay outside?
there's a beautiful mess inside

Take a deep breath and dive
there's a beautiful mess inside
how can you stay outside?
There's a beautiful mess
beautiful mess inside

Oh beautiful, beautiful

Far far there's this little girl
she was praying for something big to happen to her
every night she hears beautiful strange music
it's everywhere there's nowhere to hide
but if it fades she begs
"oh lord don't take it from me, don't take it"

She says, "I guess i'll have to give it birth
to give it birth
i guess, i guess, i guess i have to give it birth
i guess i have to, have to give it birth
there's a beautiful mess inside and it's everywhere

Just look at yourself now
deep inside
deeper than you ever dared
there's a beautiful mess inside
beautiful mess inside





Porque há beleza que existe dentro de cada um de nós.
E é tão bom fazê-la nascer e crescer!


PS: Música de Yael Naim, far far. Para tantas pessoas bonitas que querem fazer voar a sua própria beleza.



09 outubro 2008

Amanhã

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Amanhã deixarei de me queixar ou, pelo menos, fazer o esforço de pensar se antes fui agradecido. Amanhã serei capaz de cumprir um calendário com todas as coisas essenciais, excepto as que não têm lugar para aquilo que o dia me pede. Amanhã sairei de casa com uma paleta com todas as cores para pintar um mundo à minha maneira, mas com a certeza que farei um risco azul no chão, para que alguém o possa seguir e encontrar-se num momento de verdade.

Amanhã seria o dia perfeito se soubesse o que ia ser e acontecer. Seria menos perfeito por ter surpresas? Ou menos perfeito por ter só certezas? O que custa na arte é não saber o que a fantasia esconde. O não saber é nada mais do que a certeza de que a surpresa acontece.

Amanhã terei mais certezas assim...

08 outubro 2008

Entregar-se

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A entrega é já uma palavra habitual... como tantos desafios fundamentais da alma, custa ouvir chamar entrega - e por vezes sou o primeiro a dizê-la - a muitas experiências que têm a pretensão de significar isso, mas que não passam de emoção à flor da pele ou simplesmente o encontrar uma palavra profunda que dê um toque especial à ocasião.

A entrega é algo sério... e como todas as coisas sérias, é simples e é profundamente alegre. A entrega é uma espécie de compromisso para toda a vida. Significa que à minha frente tenho uma pessoa ou uma situação que merece o meu respeito. E mais que isso, que merece que se dê a vida por isso.

Quando alguém descobre um motivo para derramar o sangue e a alma, com todas as consequências, é uma pessoa profundamente feliz. Aí sim, poderei dizer o que é entrega, quando é uma felicidade entre Eu e Tu, duas mãos que se dão para não se largar mais, dois passos que começam a andar sem olhar para trás.


07 outubro 2008

É estranho

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É estranho que nos movamos simplesmente ao som de uma música que acontece sem esperar. A grande riqueza do quotidiano é a capacidade que tem de esconder mundos que irrompem inesperadamente e nos trazem cores e sons de surpresas.

Uma mudança de luz durante o dia, enquanto se caminha distraído, traz de repente com o vento um som vindo do fundo e de dentro que afirma sem espaço para dúvidas a certeza de sermos amados.

Não há nada que nos possa construir mais do que a indescritível experiência de alguém acreditar em nós acima de toda a razoabilidade. E isso porque há no fundo de nós algo que merece ser amado por aquilo que é, só porque grita, respira, ri, erra, existe.

05 outubro 2008

Sonhos e incertezas

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Um novo ano de estudos e actividades é uma folha em branco ansiosa por ser escrita. Qual será o resultado de meses de projectos, coisas conseguidas, medos e frustrações? Às vezes parece que um início é quase uma rotina, estamos a começar do zero, porque nem tudo correu da forma como teríamos gostado e agora aparece aquela ingénua sensação de que este ano é que vai ser.

Talvez porque temos a tendência por partir de um lado pessimista da experiência que é o aquém das nossas metas. Contudo, poucas vezes, na realidade,somos capazes de nos superar e surpreender. Mas acho que é o facto de que isso aconteça, por poucas vezes que seja, que nos faz acreditar na possibilidade de recomeçar de forma melhor.

A história de cada um de nós é uma obra de arte escrita com traços bem definidos e muitos borrões pelo meio. Mas não deixa de ser bonita. No fim de contas, ajuda a sorrir. É preciso descomplicar, para ser mais claro no movimento de conseguir ser o que verdadeiramente se é e se sonha ser, a cada momento.
 

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