28 outubro 2009
A minha história
22 outubro 2009
Quando a consciência se ilumina
03 fevereiro 2009
Resistência

Um professor meu descrevia a vida de hoje como um gigantesco labirinto. E a grande questão não era como encontrar o caminho para sair dele, mas sim encontrar o modo de o habitar, fazendo dele a minha casa. Aprender a perder-me, mais que procurar desesperadamente saídas irreais. Acredito que não podemos olhar o facto de experimentarmos dificuldades como algo que não deveria acontecer. Estaríamos a iludir-nos. A questão está em colocar-me na dificuldade e fazê-la minha, num exercício de verdade que pode doer. Mas só posso mudar aquilo que conheço profundamente, é a dificuldade que me fará crescer em criatividade e serenidade. Olhando a nossa história, vemos que as crises foram momentos essenciais para sermos o que hoje somos. Mas não nos lembramos disso muitas vezes...
19 junho 2008
Se é bom perder?

Estranhamente, não estou muito triste nem desiludido com a derrota de Portugal no Europeu. Até do futebol se aprende, ainda por cima gostando muito =)
Estas coisas de expectativas não realizadas acontecem em nós de forma que, na maioria das vezes, não podemos controlar. Como tudo, o risco e a surpresa traz boas e más consequências. O que importa é poder lidar com tudo com liberdade, no bem e no mal.
Porque até no bem precisamos ser livres, para aceitar e agradecer, e para não ficarmos parados só porque tudo nos corre bem - nos estudos é uma das minhas maiores tentações. Mas se algo corre menos bem, a liberdade é maior para poder aguentar contrariedades. Crescemos tanto com dias e momentos "não". É um desafio enorme àquilo que é a nossa maior capacidade: conseguir ir além do óbvio.
09 abril 2008
Contraste

Alguém me disse que, de facto, o céu não está assim tão azul. As luzes amarelas das ruas e as cores laranja e vermelho das casas fazem com que haja um contraste grande entre o azul e o amarelo. O azul aparece mais azul e o amarelo fica mais amarelo... Ainda bem que existem contradições e opostos, senão, os meus fins de tarde não seriam mergulhados em ouro e topázio, como uma coroa que envolve o silêncio desta hora.
E fiquei a pensar que tantas vezes seria melhor que tudo fosse linear, que não houvesse motivos de escolhas difíceis... mas é esta a riqueza da Vida... são as escolhas que me levam à busca de ser autêntico e construir-me de forma eterna.E sem contrastes, tudo seria uma pacífica monotonia, bonita, mas monotonia...
31 março 2008
As mudanças

Os tesouros conquistados num dia de Vida atenta a luz do sol, cores e perfumes, enchem a nossa casa de tantas coisas que ficam a fazer parte de nós. Cada dia poderia ser uma mudança para algo melhor, mesmo que fosse um dia em que tudo acontecesse ao contrário.
Um coração que sai de casa cada dia aberto ao que vier, cheio de dons para dar e vender, não se espanta mesmo com a possibilidade que os bons propósitos desapareçam em poucos minutos. Mudar cada dia para fazer coisas cada vez mais completas, em tudo o que acontece... não é fácil encontrar os embates, mas a atitude de fundo predispõe para uma alegria simples e desprendida.
É preciso humildade nos gestos de dar, porque cada dia voltamos a casa mais cheios.
09 março 2008
Sorte e Destino

A sorte tem a ver com o imprevisível, o destino tem a ver com o futuro.
Depende muito das Mãos que levam e criam o meu destino... tenho a certeza que posso ser livre o suficiente para não ter fatalidades durante a Vida. Ficaria bloqueado e pequeno. E as coisas imprevisíveis, são sorte e azar, coisas boas e coisas más, que não dependem de mim. Mas tenho a certeza que posso ser livre o suficiente para não ter medos paralisantes.
Um atitude positiva e construtiva de felicidade na Vida é essencial, se quiser fazer do meu destino a minha sorte. Tenho sorte no que vier a ser, se quiser ser com verdade, com aquilo que Deus simplesmente faz acontecer.
21 janeiro 2008
O que basta

Não quero acreditar que a Vida seja uma espécie de sucessão de dias melhores e piores. Porque o que é essencial no meu corpo é igual todos os dias, o coração bate igual e os pulmões enchem-se de ar. O que é diferente em mim são as luzes e as sombras da alma... que às vezes é só luz e às vezes é só sombra. Ou uma toalha branca às bolinhas pretas, e vice-versa...
Se o meu corpo é também a minha alma, tenho coisas iguais todos os dias. Nem que seja só uma. E essa é toda luz, é um coração que bate desde fora, é um sopro que vem desde sempre. É uma Presença que está e me faz... e isso basta.
12 janeiro 2008
O que precisamos

A nossa noite tem tanto de fascínio como de medo. E sinto este desejo irresistível de voar abandonado até ao fim, para ver o que acontece. E como desejaria que tantas coisas fossem diferentes e não me sentisse cansado quando acordo. Falta fazer poesia e música dos meus gestos e dos meus olhares. Pôr ordem às minhas palavras e aos meus sons, para que tudo isto não parecesse abstracto ou incompreensível.
Se fosse capaz de estar no mais alto de mim e ouvir cada nota da existência como se enchesse o mundo de luz e levasse para longe sons confusos que me distraem e não me deixam estar diante de algo único e só meu. Aquilo que preenche em cada dia, um sentimento feito de rosas amarelas que decoram o meu espaço e me façam perceber que cheguei a casa. E ficaria ali agradecido...
06 outubro 2007
Histórias descomplicadas

Se há tempestades, há provações nas nossas raízes mais profundas. Tenho descoberto que há um fundo de nós que permanece inabalável. Talvez porque é tantas vezes inalcançável. É uma espécie de desenho original de nós próprios, uma imagem feita desde sempre.
E quando se tocam as raízes que aguentaram a chuva e o vento, descobre-se algo autêntico. Um espelho diante de uma luz que é amor. Que continua caminhos apesar dos atalhos. E vejo os acontecimentos a partir do fundo e a partir de dentro. Como se num instante fosse tudo tão óbvio.
Saborear as raízes... apenas olhar como estão e como me alimentam acaba por trazer uma enorme simplicidade, a mesma de um sorriso que se dá porque sim.
10 junho 2007
Perspectivas

Seria motivo para ver o mundo virado do avesso... menos mal que é oportunidade para cultivar o sangue frio e tentar fazer o melhor possível, que nunca é impossível.
Tive de fazer uma pequena paragem para me lembrar que, perante um episódio que não se espera, se tem de fazer uma opção... vamos em frente... afinal até é bom ficar livre um dia antes.
Perspectivas... está mais nas nossas mãos do que supomos. E já não escrevo mais, que agora fiquei com os minutos contados! =P
11 maio 2007
Os pequenos tesouros

Há dias em que nada nos prende, fica-se só com a lista das coisas para fazer, que vou cumprindo de modo automático. Mas sem fazer disso uma experiência de desolação, perceber tudo como movimentos da alma que levem à sublimidade da Vida e daquilo que escolhi para ela.
Apeteceu-me tirar as memórias das estantes, onde se foram acumulando como peças de museu. Que visito nos dias de nostalgia, em que me apetecia deixar tudo e sair pelo mundo com o essencial às costas.
E fui enchendo as novas memórias do que acontece todos os dias. Não cabem em mim as surpresas dos pequenos instantes... quase tão impossíveis como tocar o Absoluto. Que se pressente, baixinho, sempre, como a brisa.
26 abril 2007
Salvação

Fiquei triste, sim, sem perceber, sem conseguir sequer fazer muitas perguntas. Porque não sei dar as respostas. Perante o sofrimento dos outros, encontro sintonia, vontade de ajudar e consolar, sair de mim. Porque esta história, em particular, é incrivelmente bonita.
Mas é este sair de mim, quase espontâneo, que me fez cair na conta de duas coisas: No dom que é ter a vida que tenho. No quanto sou pequeno nos meus problemas. Seria tão mais livre se aprendesse a olhar para além da comodidade da minha janela e não ter medo de me implicar no sofrimento do mundo.
Porque sinto o peso de coisas menos boas minhas, serei capaz de maior liberdade se as viver como caminhos de salvação, minha e dos outros.
07 fevereiro 2007
Força da Vida

Viver a história das consolações é muito próprio de quem é atento aos movimentos do Espírito. Isso requer tempos de escuta, cada dia, várias vezes ao dia. E isso é também exigente, porque nos faz ficar diante da pergunta do que é realmente Essencial na Vida.
Na homilia de hoje da Missa, o padre que celebrou, citando Aristóteles, disse que "somos responsáveis pela qualidade das nossas escolhas". O desânimo, acredito cada vez mais que nasce da falta de cuidado com o que temos de mais precioso.
Para quem tem o dom de viver para encontrar algo Absoluto, as pequenas escolhas tornam-se motivos de superação. E vive-se numa por vezes incapaz tentativa de gritar com a força da Vida. Se uma pequena escolha fosse a Escuta, a Vida estaria muito mais presente.
11 novembro 2006
Conformismo? ... Nem por isso!

Esta imagem da bola no telhado é uma das mais recorrentes da minha infância. Uma linda tarde de jogo acabava subitamente num espectáculo de olhar para um telhado, e já farto de atirar pedras a ver se resolvia o problema, até que se fazia noite.
E passam as semanas e o espectáculo desiludido do acessível inacessível permanece. Mas a vida continua, até que uma bola nova e mais bonita faz esquecer a antiga.
E são estas as emoções pequenas da Vida. Particulares de uma existência que se vai afastando do impossível e que se quer centrar cada vez mais em abraços mais completos e mais reais. E horizontes acima dos telhados das casas. Para o Mundo, para um Universo chamado a ser transformado pela criatividade que me foi confiada.
É de alguma maneira participar de uma Criação impossível para as minhas forças, mas capaz de ser verdadeira quando é muito sincera em gestos pequenos de fazer o Bem.
29 outubro 2006
Ante(s)ver

E regressei ao quarto a coxear, mais triste com o facto de ter deixado o jogo que preocupado com o que se passa no tornozelo... Ainda são as minhas coisas de criança, gosto de jogar à bola.
E ser obrigado pelas circunstancias a fazer o que não apetece é uma boa lição. Depois de descansar um pouco, ver que hoje devo ter uma noite mais calminha, ir ao cinema, ter algumas boas conversas.
Deixar pressentir os Mistérios da Vida, o que se me oferece de forma tão gratuita e tão pacífica. Nunca pedi para ver um por do sol bonito, só me coube a admiração e a consolação de me ter sido dada essa visão.
Por isso, hoje, sinto-me tão chamado, amorosamente chamado, a antever, ver antes que aconteça o Mistério. Sem perder a surpresa, não deixar de ter o coração vestido para o que vier. Às vezes, tempos vazios... quase sempre completos... mas sempre capazes de plenitude.
12 outubro 2006
Ao contrário

E a vida vai-nos trazendo coisas inesperadas, preparadas por nós sem o sabermos, até que temos entre mãos coisas que desejaríamos não ter.
Se tudo fosse ao contrário, se as memórias belas da Vida não fossem sempre imagens passadas, e tudo o que agora nos perturba não passasse de palavras vazias levadas pelo vento, para longe e para sempre.
Mas colam-se a nós, fazem parte de nós estes momentos vazios, tais como as imagens bonitas. E o vazio não se enche com a nossa Beleza... E se tudo fosse ao contrário...
E se eu pudesse fazer o contrário, de encher o vazio passado com memórias que são promessas, que continuam também o mesmo caminho com o qual estou Vivo. Porque sou tudo aquilo que vivi, mas ainda mais o que vivo e o Desejo de viver mais pleno.
Não é facil olhar mãos vazias, talvez enche-las de lágrimas consoladas de um Desejo que nos vai completando, pouco a pouco, até onde for o limite do impossível... e ir pressentindo já o Possível deste meu Impossível.

