Motivados pela esperança

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Impressiona-me cada vez mais o facto de a Vida ser um desafio constante a superarmo-nos a nós mesmos e a encontrar em pequenas coisas a força para fazer um caminho autêntico baseado na própria verdade. Tenho a certeza que o ser amado é o motivo principal que nos leva a querer sempre ser mais.

Ser mais consiste em corresponder a um dom. Não existe reconciliação ou passagem do erro para a verdade sem antes termos feito a experiência de um dom que nos supera totalmente. Este dom percebe-se em momentos privilegiados da Vida, em que o tempo teve a ousadia de nos fazer levantar das coisas comuns em direcção a alturas que não nos sabíamos capazes de atingir.

Estas alturas são toques de eternidade em cada momento do presente. Transformam o tempo em qualquer coisa além do tempo, e transformam o espaço em qualquer coisa que vai além do espaço, uma paisagem de sonhos e memórias que dizem quem somos e para quê existimos. Acordar cada dia é um compromisso com o limite e o andar além dele, é a esperança que se pode concretizar, o existir em amor, na simplicidade e no acolhimento.

Além do desconhecido

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O horizonte fascina-me. Não há nenhum lugar que mais me impressione interiormente que a planície. É um lugar ao mesmo tempo desértico e completo, com uma energia pacífica que consola e faz viajar além do que se vê. A montanha traz curiosidade, faz perguntar o que estará depois dela. A planície, pelo contrário mostra o conhecido, mas é um horizonte imenso que se vê, mas não acaba.

O caminho por entre a planície é uma metáfora de uma vida que sempre procurou alargar os próprios horizontes. Por entre poucas novidades, mas na confiança de que cada passo acrescenta um olhar novo ao que se conhece. E é tão importante ver quanto caminhar, são pequenas certezas construídas e nunca acabadas.

Não ser perfeito desgasta quem se arrasta incoerentemente por um  caminho que é obrigatório fazer. Aquilo que conhecemos não é suficiente para ficarmos instalados sem querer saber coisas novas. Um excesso de conhecimento é uma fantasia, fala apenas da parte mais pequena da vida. É o desconhecido além do horizonte que motiva o caminho livre e desprendido. Se formos capazes de alguma perfeição, então o grande sinal está na vontade com que ultrapassamos os próprios limites. E acredito que nisto somos perfeitos.

O passo a dar

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Se estamos parados a meio caminho significa que estamos a ponto de partir nalguma direcção. Não nascemos para ficar habituados ao que sempre aconteceu, nem sequer a boas memórias. O encanto da Vida está nesse querer, por si mesma, ser tempo que passa e nos leva consigo.

É maravilhoso quando temos a experiência de arregaçar as mangas e dar-se ao trabalho para conseguir realizar o melhor de nós. Entra a coragem e a falta de certezas fazemos nascer o que somos já a partir de hoje. Damos valor a tudo sem querer que todas as coisas fiquem imóveis a contemplar-nos. Antes pelo contrário, acrescentamos Bondade e Alegria ao que está à nossa disposição.

Quando existe dúvida, então é sinal que temos entre mãos um dos desafios mais bonitos que podemos ter: o de fazer da nossa história um livro cheio de cores e desenhos, quase recordando os tempos em que, como crianças, desenhávamos um mundo de fantasia que era mais verdadeiro que o que vivíamos. Era uma fantasia de um sonho bem real, e o desejo de o conseguir ver presente.


A tranquilidade

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As agitações são tempos incómodos, é como se a poeira estivesse levantada e nos impedisse de olhar para os detalhes. Envolvidos numa nuvem que não conhecemos, que é prevista e imprevisível. Sempre me perguntei o porquê de nestas situações encontrarmos força para fazer caminho, seja aquele que for. E fui-me dando conta que não foram boas decisões.

Não é preciso assustarmo-nos com o que sentimos, quando o mundo se nos apresenta de forma confusa e os acontecimentos são avassaladores, sem tempo de os termos na mão e levarmos pacientemente connosco.

A sabedoria passa por uma ausência de decisões imediatas, ou as nossas precipitações, e deixa-nos num espaço paradoxal de saborear a própria confusão. E é bom que assim seja. Estou cada vez mais convencido que o nosso presente, claro ou confuso é um dom. Uma nuvem que não nos deixa ver claro é a oportunidade de nos sentarmos, escutarmos. De trazer ao hoje a alegria de cada momento da nossa Vida.


Imortal

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Hoje deixo uma música. Imortal, de Rodrigo Leão, cantada ao vivo.



Nalguns momentos, é preciso deixar-se levar na confiança e no sonho, tomar consciência do dom que somos na vida das outras pessoas e como a nossa marca é imortal, quando feita com amor e entrega.

Reencontro

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Passamos algumas vezes por tempos de resumo da nossa Vida, onde criamos espaço para descobrir rumos de acontecimentos e resultados de escolhas. É bonito quando se encontra paz naquilo que hoje somos. A paz é terreno fértil onde nascem futuros carregados de sonhos que se começam a cumprir.

O grande desafio da nossa Vida é que dificilmente tudo estará completo. Então resta-nos um esforço diário de construir aquilo em que acreditamos. A violência não é amiga dos nossos passos mais profundos, é necessária uma enorme paciência e um gosto na descoberta de pequenos pormenores que iluminam o sentido do que fazemos.

A vida em plenitude requer um optimismo grande perante o futuro, sem mais cálculos necessários do que a fidelidade de cada dia à nossa perfeição. Juntar o que somos e o que seremos, re-encontrar Belezas tão esquecidas que parecia impossível que tivessem resistido a tantos descuidos. No fim, somos privilegiados por viver, é a Beleza maior que temos para cuidar.

Transformação

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Tenho andado há dias com uma pergunta que li. Porque será que, mesmo mantendo uma vida regular de oração, vamos percebendo que esta não nos transforma? Em muitas coisas não nos faz mais pacíficos, mais humildes ou mais tolerantes. E mais felizes.

Acredito que a questão do passar a oração para a vida não é nada linear. Talvez porque não acertamos com o mais importante e pensamos que a oração é um espaço de pensar coisas sobre Deus e sobre as nossas decisões. Parece que é importante falarmos de nós, pensarmos e rezarmos a vida. Isso também faz parte, mas falta algo.

O tempo de oração é também a possibilidade de Deus se dar exclusivamente. É um espaço aberto à confiança e a deixar que Ele faça o que entender. Não são os nossos desejos e os nossos objectivos, mas deixar que aconteçam os desejos e os objectivos de Deus. Oração é silêncio, e este é o que mais transforma, desde dentro, sem muitas palavras.


 

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