Até breve!

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Como já terminei os exames e a fase de exames ainda está a decorrer, vou estar uns dias fora de Roma para me dedicar ao trabalho da minha tese de licenciatura. Mudando de ambiente, ajuda a estar mais concentrado, porque o tempo já não é muito!


(Monastero di Camaldoli), onde vou ficar.

Vou passar 10 dias num mosteiro de um ramo dos monges beneditinos, Camaldolenses, um paraíso no meio da montanha! =) Depois de uns dias na Sicília, volto a Roma dia 16, pelo que, por duas semanas, o Cidade Eterna estará em stand by ;)

Sacro Eremo di Camaldoli, a 3km do Mosteiro. Se estivesse assim, era de sonho! :)

Desejo a todos um bom tempo e boa sorte para os exames, a quem for o caso! Até breve!

A nossa marca

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Quando anoitece, começam a surgir as recordações de um dia cheio, em que vamos passando o filme das nossas emoções, de caminhos percorridos e outros que ficaram a meio. Quando nos esforçamos por fazer aquilo a que nos comprometemos, começamos a ganhar coragem e vontade.

Muito do nosso estímulo à acção passa por realizarmos as pequenas tarefas de cada dia. A grande diferença do fazer por fazer e do construir algo positivo, está no modo como olhamos o futuro e o destino do nosso agir. Cada dia parece insignificante, a não ser momentos especiais de luz que trouxeram significados mais claros àquilo que andamos à procura.

Pôr amor nas coisas, sobretudo nas pequenas, é a marca da qualidade da nossa vida. 

Crescimento

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Uma das grandes perguntas que frequentemente nos fazemos é acerca do nosso crescimento. Temos, por vezes, a sensação que não saímos do mesmo, ou que até andámos para trás. Em tudo isto, pode esconder-se uma dificuldade em não olhar a nossa história e o caminho percorrido.

Muitos dos acontecimentos da nossa vida passada e presente são pouco esclarecidos e não temos a certeza se trouxeram algo de novo à nossa vida. Muitas vezes, só mais tarde nos damos conta do que crescemos por ter tido uma certa conversa, ter conhecido alguém, ter visitado um lugar.

Somos feitos das nossas memórias inconscientes e é bom darmo-nos conta de que somos resultado de tudo o que experimentámos. Daí que podemos pensar a nossa história como sementes que estão em pleno crescimento. Isso ilumina e reconcilia o nosso presente. Vemo-nos fruto de tantos dons, a maioria deles gratuitos. Viver em agradecimento também nos gera na confiança para um futuro que será aquilo que fizermos das coisas que recebemos.

Tempo de estudo

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Tenho estado mais calado estes últimos dias, porque a minha fase de exames começa antes, com a entrega de vários trabalhos e, assim, estive numa maratona para conseguir entregar hoje dois e faltam mais dois, um exame na 5a feira e depois, dedico-me à tese! Espero ainda pelo meio ter alguma pausa!

É um tempo de maior concentração, em que vou lendo muito e expressando aquilo que vou descobrindo e intuindo. Por vezes, tinha imensa vontade de aqui vir partilhar pensamentos ;)

O que mais me maravilha no estudo da teologia é que não é apenas saber muitas coisas sobre a fé, a bíblia, o mistério de Deus, mas muito também sobre a pessoa humana. Gosto muito quando a teologia parte da experiência humana para falar do divino. Tenho a impressão e a certeza de que temos muito de eternidade e, como na nossa liberdade, somos continuamente a ser desafiados a ser maiores. Na autenticidade do que somos, sem comparações, sem juízos, na aceitação da nossa própria bondade, fazemo-nos melhores.

Acredito que estamos continuamente no limite da fronteira entre o banal e o grandioso. Muitas vezes, o facto de nos julgarmos pequenos pode paralisar-nos, e vivemos sem grande força interior. Quando não somos assim! É importante não ficar só pelo desejo, mas mostrar na acção a simplicidade de uma vida descomplicada. O grande passo está em queremos realmente ir além do banal e, ao decidirmos isso, damos um salto enorme na confiança. Porque certamente teremos recompensa do facto de sermos autênticos, mas o medo das consequências também nos imobiliza. E é pena que isso aconteça.

Partilha

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O tempo vai passando, e todos os dias vou vendo com atenção as notícias sobre a tragédia no Haiti. Cada vez me impressiono mais e vejo que sou incapaz de dizer algo ou reagir. Há acontecimentos que apenas nos pedem silêncio e respeito, são demasiado grandes. Um silêncio que está por detrás e antes da oração e das acções de ajuda. Não é tempo de responder a perguntas e a porquês, que nem sequer se podem fazer. Porém, deixo três impressões, em estilo de partilha:

Que me custa estar longe de tudo isto, confortável, a fazer coisas diminutas, como encaminhar mails ou colaborar com alguma ajuda económica. É estranho que isto me toque como se fossem pessoas que conheço desde sempre. Ou talvez não seja tão estranho assim...

Que me comovo com o movimento de ajuda, a nível mundial, que se está a fazer. Tudo isto não nasce de uma solidariedade superficial, é algo que vem de mais profundo, uma urgência em não deixar o outro desamparado. O ser humano é capaz de superar-se a si mesmo, desaparecem as fronteiras e os obstáculos...

Que me surpreendo com a facilidade que tenho em me queixar de coisas pequenas. Como os momentos de sofrimento têm a sua importância e o seu peso, mas vou caindo na conta de que há queixas que só representam um mundo demasiado pequeno. Falta tanto agradecimento e simplicidade...

Continuidade

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É muito interessante fazer o exercício de vermos aquilo que se vai mantendo mais constante em nós. Há fases da nossa vida em que temos determinados pontos de esforço, um compromisso que assumimos e vamos procurando ser fiéis a ele. Acontece, a determinada altura que o esforço deixa de ser necessário, adquirimos um hábito que faz parte de nós.

Somo feitos de atitudes habituais e o problema é quando temos hábitos que não gostaríamos de ter e acabamos por ser algo que não nos é confortável. É impossível estar a analisar continuamente a qualidade das nossas pequenas opções diárias, mas reflectir sobre o que fazemos é necessário para sentir o pulso da vida.

Há pontos de esforço que vale a pena estarmos atentos. Um deles é precisamente o vivermos um compromisso grande que se traduza em atitudes concretas. Um desses compromissos poderia ser o evitarmos sofrimentos que não valem a pena, não nos gastarmos com coisas que não acrescentam nada à vida, mas aplicarmo-nos em fazer crescer atitudes que construam um dia bonito, mais nosso.

O preço da caridade

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Sugestão de Lídia

Vou centrar este tema naquilo que se entende por Caridade. É uma das três virtudes mais importantes, para além da fé e da esperança. Uma não se entende sem as outras. A caridade tem como seu fundamento o amor que se vive em Deus, na Trindade, que expliquei num outro tema. Este amor é a entrega de toda a vida a quem se ama. Na nossa vida concreta, temos exemplos disso, quer no matrimónio, quer nas nossas relações mais profundas. O outro é de tal modo importante que pautamos a nossa existência de acordo com o bem e a felicidade de quem amamos.

Talvez tenhamos uma ideia da caridade que não é adequada, que é sermos bonzinhos. Daí que pensemos muitas vezes nos Santos como pessoas ingénuas ou incapazes de fazer o mal a uma mosca. Quando, das histórias que conhecemos, surgem-nos modelos de uma fortaleza interior e coerência de vida que nos devem desafiar. Muitas vezes, corremos o risco que, em nome da caridade, façamos silêncio ou nos desviemos de confrontos. Mas a caridade tem uma face de grande transparência e frontalidade. A caridade é verdade. Por isso, não podemos deixar de ser críticos em relação à injustiça e ao mal.

É impossível que nas nossas relações mais profundas não haja um momento em que confrontemos as pessoas, ou essas nos confrontem, com a própria fragilidade. Mas o que está por detrás não é um sentimento de superioridade, mas um desejo de autenticidade nossa e do outro. Quem ama, não tem medo das consequências, porque sabe que o amor tem a última palavra. Quem ama acredita (tem fé) e confia (tem, esperança) no outro.

O discernimento segundo o amor está numa fronteira entre olhar o outro como um mundo de bem a realizar ou como alguém a transformar à minha medida. Ao acreditar que determinada pessoa pode mudar as suas atitudes, quando este é amado, a forma de o expressar nunca será um ataque, mas um apelo à própria verdade. Na caridade existe esta transparência e esta paciência. Não se desiste à primeira, mas procura-se de todos os modos, e no tempo que for necessário, que haja alguma transformação.

Não desistir é a atitude de quem ama. Só estes podem mudar o mundo e as pessoas. Quando desistimos, fazemos do outro uma parte do nosso mundo que já não vale a pena estar atento. Mas não é este o modo de amar de Deus. Tudo é importante, e na sabedoria do coração, devemos respeitar os ritmos e sobretudo acreditar que o outro tem um valor inestimável. Daí, que o amor seja coerente, paciente e profético, no sentido em que não instrumentaliza o outro segundo as minhas expectativas, mas o aceita como é e, sobretudo como pode vir a ser.

Este será o preço da caridade, sair do comodismo e entrar num mundo de acção que verdadeiramente transforma. Muitas vezes sem resultados evidentes, mas no mundo das relações nada é previsível, só o amor pode dar alguma continuidade ao que pode vir a acontecer.


 

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