02 Fevereiro 2012

Apresentação

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Apresentado. Entregue, disponível, inteiro. Eis-me aqui. São expressões de coragem e peito generoso, um modo de colocar a vida diante daquilo que for.

A chegada de uma vida ao mundo (ou a cada dia) traz consigo o nascimento de tantas possibilidades de grandeza e maravilha, e também tantas possibilidades de erro e becos escuros. Lugares de comunhão e lugares onde se fica sozinho. Espaços de comunhão e espaços de solidão. É quase inadmissível que uma vida que se deseja boa seja tão contraditória nos seus horizontes e nos seus destinos. Onde está o ponto onde os caminhos se dividem? Qual a fronteira entre a salvação e a perdição?

Cada vez me convenço mais que a questão das escolhas se decide nos seus antecedentes. É uma questão de ter definido um horizonte prévio de felicidade. Uma questão de escolher amar sem saber bem o quê em concreto. E isto tem riscos e tem consequências, mas tem, acima de tudo, uma vida que sabe onde quer estar e para onde quer ir.

04 Janeiro 2012

À procura

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O Evangelho do dia de hoje apresenta-nos as primeiras palavras que Jesus diz, na versão de S. João: "Que buscais?" Não é inocente que o evangelista tenha posto como primeiras palavras uma pergunta tão desafiadora e inquietante.

Todas as nossas acções movem-se em direcção a algo que queremos alcançar, quer para satisfazer uma necessidade básica, quer para obter um resultado, ou definir um caminho a seguir. O desejo implica uma procura, e uma procura implica movimento, dentro e fora de nós.

A pergunta mais difícil e essencial, que dá início à descoberta da história de Jesus, coloca os discípulos diante do seu horizonte de vida. E é curiosa a sua resposta. Procuram uma casa: "Onde moras?". Um lugar de abrigo, intimidade, comunhão... se fosse esta a nossa procura, as nossas relações seriam um espaço muito diferente para os outros. 

28 Dezembro 2011

Perspectiva

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Por vezes olhamos a vida como se fosse através de um vidro que distorce imagens. Falta transparência ou, o que será mais dramático, vontade de purificar aquilo que impede de ver melhor.

A transparência coloca-nos diante de uma pergunta acerca do sentido de nós mesmos, acerca do nosso lugar e do nosso olhar perante o presente e o futuro. Um olhar distorcido não é honesto, e acabamos por não fazer justiça àquilo que queremos da vida. Fazer justiça implica ver alguma claridade entre caminhos que se apresentam confusos. E aí, há que restaurar perspectivas, seja para ver o bem, seja para ver o mau.

Há pessoas que vêem o bem de forma ingénua ou pouco lúcida. E não mudam o que há a mudar. Há outras que vêem o mal de forma agressiva e destruidora. E paralisam-se em críticas e desânimos. A boa medida do olhar é aquela que liberta, seja para apreciar o bem, seja para afastar o mal. Em tudo isto existe uma experiência de libertação, uma experiência de ver-bem.

26 Dezembro 2011

Natividade

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Foto: João P. T. Silva em olhares.com

Não vale a pena apresentar muitos motivos para uma ausência tão longa. A vida é como é, e as coisas vão-se sucedendo sem que haja aquele momento decisivo do pôr em andamento um desejo nunca adormecido. Esperemos que seja desta!

O Natal é uma ocasião de recordar as nossas oportunidades de nascimento. Temos continuamente a noção das nossas oscilações entre estados de humor e de como dependemos tanto do ritmo das coisas. Talvez nem sempre o sermos "embalados" signifique uma experiência de acolhimento, mas trata-se muitas vezes de deixarmos que sejamos levados de um lado para o outro sem termos noção disso.

O Natal recorda-nos que nascemos continuamente para a profundidade e para um colo, um seio onde a estabilidade nos deixa respirar como quem dorme tranquilo. O movimento acelerado da vida poderá não vir a ser um motivo de dispersão. É exigente sermos iguais em tudo o que façamos e onde quer que estejamos. Mas em tudo existe um apelo à paz e à autenticidade, e essa, muda mesmo muito pouco.

18 Abril 2011

Semana Santa

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Tudo o que tem peso e densidade exige espaço onde ficar e permanecer. Entra sem avisar, impõe-se em dignidade e respeito. Existe, manifesta-se. O mistério não pertence às coisas etéreas ou impossíveis, se não, nem sequer nos levantaria questões, nem precisaríamos de fazer perguntas.

Porque é mistério, não se explica. Mostra-se, permite e obriga a uma espécie de ruptura. É quase incómodo suave e persistente, um esboço do sonho que um dia poderei ver concretizado. Um desejo que começa a ganhar carne.

É significativo que este tempo do mistério apareça numa semana que se chama santa. Porque é próprio de Deus exibir-se de modo fascinante: pão que se parte, mãos que lavam os pés, uma cruz levantada, uma luz a despertar no meio da noite mais escura. O mistério vai acontecendo. O Santo fala de Si mesmo. 

05 Abril 2011

Páscoa em Soutelo

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Um Tríduo Pascal para mergulhar na profundidade de um mistério. Um Deus que se ajoelha e te lava os pés, uma vida completamente entregue, a cruz levantada para espanto de todos. Um lençol cobre o corpo, enquanto uma pedra é posta diante do sepulcro. Três dias depois, uma luz brilha na noite, rasga o medo e a falta de esperança. E ouves o grito: Vimo-Lo vivo!

Três dias, três grupos. Universitários, trabalhadores-famílias e crianças. Três ritmos e três percursos. Silêncio, oração, workshops, partilha, catequeses: compreender o que se passa, deixar tocar a Vida! Cada percurso é conduzido em direcção às grandes celebrações de 5ª e 6ª feira Santas e Vigília de Páscoa. 

A casa da Torre, em Soutelo, proporciona uma experiência aprofundada dos três dias mais centrais da vida da Igreja e O CAB responsabiliza-se pela sua organização.

Destina-se a universitários, trabalhadores e casais (com os filhos) até aos 40 anos. Para cada grupo será proposto um percurso próprio, adaptado às necessidades e circunstâncias de cada um. A ideia central é preparar cada uma das celebrações litúrgicas, aprofundando o seu sentido e a sua simbologia, de um modo que se tire delas toda a riqueza que oferecem, na vida pessoal de cada um e na sua relação com Jesus e com a Igreja.

Está também prevista a possibilidade de, para quem o desejar, fazer este Tríduo em silêncio, com acompanhamento personalizado.

A Páscoa em Soutelo começa com o jantar de 5ª feira Santa, dia 21, às 20.00h e termina no Sábado, dia 23, depois da Vigília Pascal, à noite. Quem o desejar, pode partir no Domingo de manhã, depois do pequeno- almoço.

Coisas necessárias para levar: Jantar para partilhar no primeiro dia, saco cama e toalha, objectos de higiene pessoal, caderno e caneta.

As inscrições (30€) são feitas na Casa da Torre, Soutelo, até ao dia 19 de Abril. Podem fazer-se telefonando 
para o 253 310 400 ou escrevendo para casadatorre@jesuitas.pt.






























10 Fevereiro 2011

Perguntas

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Talvez o grande problema tenha a ver com as perguntas que fazemos. Ou que não fazemos. Um pergunta abre um mundo, explora uma paisagem e explicita alguma coisa. Algo que se encontra escondido, prestes a vir à luz do sol.

Por vezes, tenho a impressão que a qualidade da nossa vida está mais presa a perguntas do que a respostas. Uma resposta é um caminho, um objectivo, um ponto de partida para algo que está aí por realizar e concretizar. A pergunta é anterior a isso, é o motor que põe em funcionamento um outro estilo de vida.

E fugimos tanto de algumas perguntas, porque sabemos que a resposta acaba por nos desinstalar, por nos pôr em questão. Seremos capazes de nos perguntarmos quem somos e o que queremos verdadeiramente ser? Quantas vezes nos perguntarmos se aquilo que fazemos habitualmente nos faz bem? 

Descobre-se uma verdade que pode ser incómoda, mas é uma verdade. E, por isso, vale a pena perguntar-me acerca dela.
 

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