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02 fevereiro 2012

Apresentação

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Apresentado. Entregue, disponível, inteiro. Eis-me aqui. São expressões de coragem e peito generoso, um modo de colocar a vida diante daquilo que for.

A chegada de uma vida ao mundo (ou a cada dia) traz consigo o nascimento de tantas possibilidades de grandeza e maravilha, e também tantas possibilidades de erro e becos escuros. Lugares de comunhão e lugares onde se fica sozinho. Espaços de comunhão e espaços de solidão. É quase inadmissível que uma vida que se deseja boa seja tão contraditória nos seus horizontes e nos seus destinos. Onde está o ponto onde os caminhos se dividem? Qual a fronteira entre a salvação e a perdição?

Cada vez me convenço mais que a questão das escolhas se decide nos seus antecedentes. É uma questão de ter definido um horizonte prévio de felicidade. Uma questão de escolher amar sem saber bem o quê em concreto. E isto tem riscos e tem consequências, mas tem, acima de tudo, uma vida que sabe onde quer estar e para onde quer ir.

06 dezembro 2010

Alegre em dia de chuva

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Monotonia em dias de chuva. Obriga-nos a ficar mais por casa, em arrumações, planear coisas, procurar um abrigo mais quente que dê conforto. O Inverno tem esta capacidade de nos voltar mais para dentro. Mesmo não tendo lareira em casa, existe esta nostalgia de lugares de estar, sem complicar muito.

Depois, a criatividade nasce. E abre possibilidades para dias de sol. Uma espécie de hibernação interior, preparando o dia em que sai pela porta da rua e se fecha os olhos por causa do brilho do sol. Respiramos fundo e entramos na estrada com um sorriso e de cabeça erguida. 

Quando queremos realmente ter um sentido profundo da alegria, é importante criar espaço para que ela nasça, cresça e nos transforme. A alegria não é de todo uma experiência passageira e pontual, nasce em particular nas alturas em que nada nos motiva imediatamente para estar a sorrir. No fundo, é um estar bem connosco mesmos e com a vida que temos, quer em dias de chuva, quer em dias de sol.

16 novembro 2010

Estar

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Os ritmos sucedem-se demasiado rapidamente. Sente-se uma nostalgia própria de dias de sol, frios e sem nuvens. Com cores e cheiros de campo. Ritmos marcados pelo som dos sinos de uma torre distante. Passei por várias paisagens dos últimos tempos sem encontrar verdadeiramente um lugar onde pudesse descansar.

O que queremos e aquilo que fazemos por vezes não coincide. É estranho quando deixamos que isto se torne normal e acabamos por passar rapidamente em muitos lugares sem poder parar em nenhum deles. E pergunto-me: será apenas falta de tempo? Não será antes falta de desejo de estar sem pensar demasiado em compromissos mais ou menos impostos?

Há algo grandioso no meio de tudo isto. Chega um dia em que nos damos conta que vivemos mergulhados em contínuas oportunidades de ter nas mãos a força daquilo que nos acontece. A diferença entre o estar e o estar bem passa muito por sermos mais ou menos aquilo que nos acontece. Ser mais... e depois o resto irá acontecendo. Não te preocupes...

04 novembro 2010

Qualidade

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Perguntamo-nos muitas vezes sobre a forma de ter qualidade de vida. Associamos qualidade ao bem estar, a que tudo nos corra bem e não nos falte nada. É bastante redutor fazer equivaler qualidade de vida com uma vida calma e sem problemas. Temos, aliás, a experiência que muito raramente vivemos momentos em que parece que está tudo arrumado.

A qualidade de vida tem mais a ver com atitudes de fundo e criação de espaços de gestão dos acontecimentos. Passa por aceitar e querer tirar de tudo oportunidades de viver bem, e viver o bem de cada momento. Mesmo que não seja óbvio. Uma das dificuldades principais em viver com optimismo é não conseguirmos ter tempo e disponibilidade para nos distanciar das coisas, não as ver como monstros e ameaças, mas como aquilo que é: a vida que me é dada viver. E se é dada, é dom.

Este espaço equivale ao silêncio, para quem acredita, à oração. Se há decisões importantes em relação à qualidade da nossa vida, sem tomar esta decisão do silêncio, as outras mais importantes ficam radicalmente diminuídas.

PS: Esta reflexão é feita a propósito de uma grande conversa no CAB com a Rita Negrão. Obrigado! :)

30 outubro 2010

As cores da Vida

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O Outono enche os nossos dias de reflexos e pormenores de cor e luz. Entre os raios de sol e as gotas de água na janela, passam diante de nós imagens nostálgicas de um tempo em que parecia que tudo seria mantido numa promessa de primavera ou calor de verão. 

Acabamos por ter de nos confrontar com paisagens que têm tanto de sereno como de desestabilizador. São passagens feitas dentro da alma que deixam caminhos para trás e nos lançam em construções de futuros promissores. Poderíamos dizer que estamos sempre a terminar e começar etapas, outras, porém, impôem-se na sua força e beleza.

É importante não ficarmos constantemente agarrados a consolações passageiras e prazeres aparentes. Do mesmo modo, vivemos na liberdade de deixar também para trás pesos que não merecemos levar. Podemos viver num Outono constante, mais cheio de finais felizes. Afinal, as cores falam por si.

08 outubro 2010

Arranque

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E depois de uma longa paragem, já começava a sentir um vazio deste espaço! Nada melhor que dar cara nova ao Cidade Eterna, que já não é Roma, mas é a nossa cidade de todos os dias, onde a eternidade tem sempre um lugar importantíssimo.

E já estou em Braga, no arranque do ano! Escrever em poucas palavras aquilo que tem sido não é, para já, a minha intenção. Prefiro ir escrevendo impressões nos próximos posts. =)

Um início encerra muitas muitas promessas. Mas, há algo que verdadeiramente toca o nosso ser e nos faz cair na conta de uma coisa muito simples... que acabamos por começar pouco. Quase tudo o que fazemos, sobretudo se pomos em movimento a nossa bondade e criatividade, tem já uma longa história atrás de nós.

Começar algo é, de certa maneira, assumir consequências do caminho percorrido, mesmo das etapas que não parecem importantes ou que preferíamos não ter passado. Estamos inteiros na nossa história, quer queiramos quer não. 

E sonhar com dias futuros, luz de fim do dia e reflexos de cores nas paredes da nossa casa, é um poema que escrevemos todos os dias. Com a melhor arte que temos: a Vida que pomos à disposição do mundo.

06 abril 2010

Grandeza

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O que significa ser grande ou fazer coisas grandes? Vivemos à procura dos momentos em que a nossa vida ganha um rumo novo, em que temos a impressão que deixámos uma marca significativa no mundo e na vida das outras pessoas. Deixar obra feita. É muito importante que existam metas na nossa vida, porque orientam aquilo que fazemos numa direcção que nos preencha e nos faça crescer.

O risco que temos de afrontar é não fazer depender a nossa grandeza daquilo que podemos vir a fazer de significativo e visível. Existe uma grandeza que significa crescimento contínuo sem estar directamente relacionada com os seus frutos. É o caminho de cada dia e o modo como somos grandes em pequenas coisas. A vida sabe a pouco quando não prestamos atenção e não valorizamos tudo o que acontece como oportunidade e surpresa.

Uma pessoa grande tem aquela simplicidade de não ser obsessiva com resultados. Sabe dar valor ao que merece ter valor. E assim a vida ganha outra qualidade. 

02 março 2010

Suavidade

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Não vale muito a pena tentar mudar coisas de forma violenta. Certamente, há aspectos na nossa vida que exigem algum corte ou mudança repentina, mas acredito que isto se aplica a uma parte bem pequena dos nossos momentos.

De facto, a nossa vida tem uma continuidade de sensações e impressões às quais devemos ir estando atentos e percebendo até que ponto todas as coisas nos ajudam a construir na autenticidade e na verdade. Isto faz-se com pequenos passos e certezas cada vez maiores.

A vida parece muitas vezes repentina e violenta, mas o passar do tempo é muito mais suave do que supomos. Ter consciência da suavidade do toque de cada acontecimento dá outro respiro àquilo que estamos a fazer, alimenta as nossas expectativas numa outra direcção. Faz-nos mais atentos, mais centrados, com maior respeito por mim e pelos outros, e maior liberdade. 

25 fevereiro 2010

Começar

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Quando começamos a ter a impressão que o tempo nos falta para o que queremos, estamos a cair na conta de que os compromissos que assumimos, juntamente com os imprevistos de cada dia, nos ocupam a a mente e o coração de uma forma não organizada.

É inevitável que a vida, como a temos hoje, seja marcada pela pressa e pelo acumular de coisas, entre trabalho e descanso, família e amigos, lazer e compromissos. Se é verdade que a determinada altura, teremos de dizer não a algumas coisas, é certo também que muitas vezes não nos resta alternativa senão em fazer o que nos aparece à frente.

Existe uma sabedoria que nasce da consciência de que não podemos viver só em função da agenda, porque a Vida é muito mais que uma série de acontecimentos, é sobretudo a qualidade e a luz pessoal que pomos em todas as coisas. Se não temos o tempo e o espaço para ganhar contacto com aquilo que verdadeiramente interessa, acabamos por nos dispersar. É importante encontrar o ponto de partida de cada dia, que não nos deixe fugir a vida por entre os dedos. 

Porque não, em cada manhã, fazer o exercício de olhar o dia como oportunidade de completar o que sou em coisas pequenas? Em cada dia, eu me manifesto e não deixo que os ritmos me tirem a serenidade.

16 fevereiro 2010

Regresso

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Cá estou de regresso depois de 15 dias fora de Roma. Os dias no mosteiro de Camaldoli superaram as expectativas, não só por o trabalho ter rendido e ter escrito mais de metade da tese, mas também pela magia do lugar, onde regressei para encontrar a mesma paisagem de Junho passado, mas completamente transformada.

Nevou bastante nos dias em que lá estive e a montanha estava coberta de branco. O silêncio era ainda maior. O mesmo branco veste os monges que, por quatro vezes ao dia, se dirigem ao coro da capela para cantarem a liturgia das horas. Sento-me entre eles. O mais velhinho está ao meu lado e estende-me a mão para o ajudar a levantar, enquanto se queixa das dores nos joelhos. 

Viveu 50 anos sozinho numa casinha, no eremitério, 3km acima do mosteiro, até que a saúde o fez vir mais para baixo, para receber outros cuidados. Sinto muita falta, diz ele, com olhos brilhantes. Mas sobretudo a paz, de quem viveu radicalmente a profundidade da Vida, que no fundo, é entregar-se, sem calcular, nem estar constantemente a perguntar se o que se faz é mais importante do que se é... 

Um monge camaldolense lê dentro de um castanheiro com 500 anos, perto do Mosteiro. 
Tirei uma fotografia neste sítio, com neve a toda a volta! =)


A felicidade está muito perto de nós, envolve-nos por todos os lados, e basta viver o que se tem a viver com a mesma entrega dos grandes momentos. Faz bem contactar com estes santos, muda-nos por dentro.

19 janeiro 2010

Partilha

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O tempo vai passando, e todos os dias vou vendo com atenção as notícias sobre a tragédia no Haiti. Cada vez me impressiono mais e vejo que sou incapaz de dizer algo ou reagir. Há acontecimentos que apenas nos pedem silêncio e respeito, são demasiado grandes. Um silêncio que está por detrás e antes da oração e das acções de ajuda. Não é tempo de responder a perguntas e a porquês, que nem sequer se podem fazer. Porém, deixo três impressões, em estilo de partilha:

Que me custa estar longe de tudo isto, confortável, a fazer coisas diminutas, como encaminhar mails ou colaborar com alguma ajuda económica. É estranho que isto me toque como se fossem pessoas que conheço desde sempre. Ou talvez não seja tão estranho assim...

Que me comovo com o movimento de ajuda, a nível mundial, que se está a fazer. Tudo isto não nasce de uma solidariedade superficial, é algo que vem de mais profundo, uma urgência em não deixar o outro desamparado. O ser humano é capaz de superar-se a si mesmo, desaparecem as fronteiras e os obstáculos...

Que me surpreendo com a facilidade que tenho em me queixar de coisas pequenas. Como os momentos de sofrimento têm a sua importância e o seu peso, mas vou caindo na conta de que há queixas que só representam um mundo demasiado pequeno. Falta tanto agradecimento e simplicidade...

07 janeiro 2010

Ritos e ritmos

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O início do ano é sempre uma oportunidade bem vinda para poder estabelecer algumas metas. Um óptimo desafio é o desejo de profundidade. Não apenas na oração, que é a meta de todo o caminho espiritual, mas sobretudo a profundidade daquilo que fazemos.

O dia-a-dia é intenso e passamos continuamente por imensas situações dentro e fora de nós que nos interpelam. Em cada momento podemos ser confrontados com uma decisão que nos faça escolher entre o ficar parados por dentro ou trazer algo mais autêntico. Porém, não é possível - nem desejável - que estejamos sempre nesta tensão de analisar tudo o que nos acontece. A Vida tem muito de deixar acontecer.

O que é importante é na diversidade do dia-a-dia encontrar ritmos onde o coração bata de acordo com o que se faz, em que nasça em nós uma sintonia cada vez  mais profunda com a vida que temos. Um bom ritmo é o alegrarmo-nos e o agradecermos. Este ritmo é também um rito, um pequeno gesto que nos recorde o que acontece quando a Vida não nos passa ao lado e estamos verdadeiramente naquilo que fazemos.

Precisamos de ritmos e ritos, momentos breves de sorrir e dizer que é isto que queremos. Depois, a Vida pode acontecer.

25 novembro 2009

Deus em nós e nós em Deus

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Sugestão de Lídia
Aprofundamento de Deus em nós. Ir à raíz. 
O lugar de Deus em nós e o nosso n'ELE, à luz da Fé e da Sociedade actual. 
Confrontar a inquietude que consome com a não existência que resiste.



Cada uma destas frases daria para um tema! Mas vou tentar focar os pontos principais que possam unir estas questões. Muito ficará por dizer, mas se for necessário, é só sugerir algum aprofundamento, que o farei com o maior gosto.

Uma das frases que mais me tem acompanhado ultimamente nas minhas reflexões sobre Deus e a Vida é que não servem muitas definições. Deus não se define, não é uma ideia ou um conceito, uma projecção do melhor de nós ou uma simples expressão do divino que não se vê no quotidiano. O máximo que se pode afirmar é que Deus é Amor... mas amor, como o definimos? Quem é capaz de definir o que é amor sem logo a seguir estar a trair a definição, nas incoerências da vida, numa pálida imagem da força que é amar? Amor não se diz, vive-se, estamos nele como uma surpresa que nos invade e nos leva para dentro e para fora de nós. Quando o dizemos, já o perdemos, mas quando o realizamos, quando este acontece, o Amor mostra-se na sua verdade tocada, na vida que Ele próprio dá.

Daí que o Amor, Deus, é um ambiente, a expressão profunda e verdadeira da Vida, na Bondade, na Alegria, na Compaixão, na Entrega, na Humildade, na Esperança. Deus é a realização já conseguida, desde sempre e para sempre, de juntar toda a nossa experiência da Vida e transcendê-la além do egoísmo e dos pequeninos horizontes. Toda a nossa Vida, pelo simples facto de ser, é já tocada e provocada para rasgar tudo o que é inútil ou sinal de uma vidinha que teimamos em considerar grande. Descer em nós é encontrar esta originalidade, de perceber a vida tal como é, como dom e como promessa. Por isso se diz "criados à imagem e semelhança de Deus", com a mesma potência do amor, e nunca conseguida totalmente.

Não somos divinos, e é ilusório o discurso de que Deus é o melhor de nós, que é o bem que fazemos ou que se mostra no mundo. Esta é uma projecção e simplificação banal e fácil de nós mesmos. Não fazemos assim honra à nossa divindade. Somos contraditórios, pouco livres, egoístas. É este o drama de ser imagem do Amor e ao mesmo tempo livres de querer sê-la ou não.

Descer a nós mesmos é subir ao dom que nos foi dado, que acredita em nós apesar de tudo. Podemos ser indiferentes a este dom, mas este  dom não é indiferente em relação a nós. Está e estará sempre, é a nossa luz  por detrás da nossa sombra, o diamante que nunca se apaga, mesmo fechado com mil cadeias. Encontrar esta luz é descobrir-se amado no mais profundo, só porque se tem este Dom, imenso, único, intransmissível, a Vida. Descobri-lo é depois querer, com todas as forças, realizá-lo e expandi-lo. É a verdade de nós mesmos que se manifesta em toda a sua glória, onde nós e Deus coincidimos, onde por um momento fomos capazes de deixar de ser pequenos mundos e amar como quem abraça o universo.

A inquietude actual nasce precisamente de estarmos já fartos de respostas fáceis e imediatas. Procuramos e viramos tudo do avesso, em distracções contínuas, em comprar o ultimo grito da moda e da tecnologia, em horas de consulta psicológica, e busca de harmonia cósmica. Por mais que estas coisas possam ajudar, na medida certa, estamos só à superfície. Enchemos um mundo de coisas que não nos servem e só escurecem a nossa luz, escondem-nos de nós mesmos. Apenas vivemos e existimos verdadeiramente quando nos assumirmos como fragilidade amada, acreditada, perdoada. Quando nos deixarmos abraçar pela Verdade, quando deixamos que Deus seja o nosso ambiente. E vivemos n'Ele, com Ele e para Ele.


15 novembro 2009

Motivados pela esperança

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Impressiona-me cada vez mais o facto de a Vida ser um desafio constante a superarmo-nos a nós mesmos e a encontrar em pequenas coisas a força para fazer um caminho autêntico baseado na própria verdade. Tenho a certeza que o ser amado é o motivo principal que nos leva a querer sempre ser mais.

Ser mais consiste em corresponder a um dom. Não existe reconciliação ou passagem do erro para a verdade sem antes termos feito a experiência de um dom que nos supera totalmente. Este dom percebe-se em momentos privilegiados da Vida, em que o tempo teve a ousadia de nos fazer levantar das coisas comuns em direcção a alturas que não nos sabíamos capazes de atingir.

Estas alturas são toques de eternidade em cada momento do presente. Transformam o tempo em qualquer coisa além do tempo, e transformam o espaço em qualquer coisa que vai além do espaço, uma paisagem de sonhos e memórias que dizem quem somos e para quê existimos. Acordar cada dia é um compromisso com o limite e o andar além dele, é a esperança que se pode concretizar, o existir em amor, na simplicidade e no acolhimento.

07 novembro 2009

Reencontro

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Passamos algumas vezes por tempos de resumo da nossa Vida, onde criamos espaço para descobrir rumos de acontecimentos e resultados de escolhas. É bonito quando se encontra paz naquilo que hoje somos. A paz é terreno fértil onde nascem futuros carregados de sonhos que se começam a cumprir.

O grande desafio da nossa Vida é que dificilmente tudo estará completo. Então resta-nos um esforço diário de construir aquilo em que acreditamos. A violência não é amiga dos nossos passos mais profundos, é necessária uma enorme paciência e um gosto na descoberta de pequenos pormenores que iluminam o sentido do que fazemos.

A vida em plenitude requer um optimismo grande perante o futuro, sem mais cálculos necessários do que a fidelidade de cada dia à nossa perfeição. Juntar o que somos e o que seremos, re-encontrar Belezas tão esquecidas que parecia impossível que tivessem resistido a tantos descuidos. No fim, somos privilegiados por viver, é a Beleza maior que temos para cuidar.

03 novembro 2009

Disposições

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Os nossos pontos de partida em relação ao futuro têm para trás histórias longas, por vezes pouco conhecidas por nós mesmos. Daí que seja fácil que sintamos medo ou confiança diante de um desafio, dependendo de como fomos capazes de ler o que foi acontecendo.

As nossas disposições abrem-nos ou fecham-nos a determinadas opções de acordo com o modo como lidamos com a nossa história. Daí podem nascer preconceitos ou falsas seguranças que não nos deixam confiar. Noutras alturas, um caminho feito bastante às claras ajuda-nos a encarar o futuro com outra consciência, muito mais realizada e feliz.

Um horizonte é um reflexo do nosso olhar, é tão grande como o quisermos contemplar. Ao ficar fechados, perdemos oportunidades de ir mais longe, tanto quanto nem possamos imaginar. Ficamos maiores. Iluminar sem medo a própria Vida é um meio de caminhar luminosamente no futuro. É um desafio, pode ser exigente, mas é muito autêntico.


31 outubro 2009

Passagens

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Estamos continuamente em passagem. De um lugar a outro, de um coração a outro. De tempos passados esquecidos e nostálgicos, a futuros que trazem anseio e medo. O presente é passagem de mundos e sentimentos, com uma velocidade que é difícil digerir.

Talvez o maior sinal do nosso cansaço seja a simples incapacidade de parar em espaços de passagem. Não deixamos que o coração agarre o tempo e a experiência.

Mas quando isso acontece, a passagem torna-se paisagem para habitar e fazer frutificar. Por não nos deixar ficar parados, paramos no movimento e aceitamos a condição de ir mais fundo e mais longe. Podemos ficar perto de nós sempre que a profundidade dos nossos gestos e dos nossos olhares dá alguma unidade às nossas paisagens. Uma cor só nossa, um tempo acima do tempo, ou além do tempo. Onde em tudo somos nós, em tudo fazemos entrega.


19 outubro 2009

Viver com paixão

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A paixão é violenta, arrebata, arrasta-nos para o que se ama. Nunca tive bem claro se isso é bom ou é mau. Quem está apaixonado normalmente é feliz. Talvez seja a falta de discernimento que faz tomar decisões precipitadas mas, em si mesmo, a paixão é algo positivo.

Paixão também implica sofrimento, vem de passio, em latim, sofrimento. E temos disso experiência, não vale a pena alongar-me nisto.

O que é interessante é que quem está apaixonado por alguém, não olha o outro como algo a possuir, é um dom, uma alegria e uma surpresa. Alargando o olhar, estar apaixonado pela Vida não é exigir dela as coisas que quero, como minha propriedade, mas sim aceitá-la como dom, alegria e surpresa.

Quando se possui o que se ama, perde-se o amor e a novidade. Quando queremos que a Vida seja o que nós queremos ficamos aquém da fronteira da novidade, as coisas entristecem-nos e perdemos a paixão. Viver com paixão é um dom enorme, e um desafio constante à entrega e à liberdade.

12 outubro 2009

Tesouros

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Existe uma palavra italiana que não consigo traduzir bem em português: custodire. Poderia ser guardar com cuidado, mas significa algo mais. Há coisas que guardamos como um armazém, sejam coisas materiais, sejam as nossas memórias. E há outras coisas que guardamos com sentimento, fazem parte de nós, quer coisas materiais, quer as nossas memórias.

Normalmente, aquilo que guardo (custodisco) são objectos sem valor, que cabem no bolso. Aquilo que é verdadeiramente importante, vai connosco para todo o lado, não ocupa espaço, mas significa uma parte muito importante da Vida. O que importa não pesa, nem atrapalha.

As memórias que guardo (custodisco) são poucos momentos em que pude dizer: Aqui está, é isto que quero ser, é isto que significa verdadeiramente, é isto que Tu és para mim. Não são necessárias enciclopédias de definições que expliquem os nossos passos maiores. Simplesmente acontecem.

Tesouros que têm valor por si mesmos, não pelo que se pode classificar exteriormente. Fazem parte de nós, somos nós.


01 outubro 2009

Regresso

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Depois de uma longa paragem, e agora que estou de regresso a Roma, o Cidade Eterna recomeça com a sua regularidade. Sinceramente, é um espaço que me faz falta. Temos projectos na nossa Vida que acabam por fazer parte de nós, como os espaços onde encontramos algo que só ali nos pode ser dado.

A palavra que soa mais ultimamente é o viver. Viver é imenso. É uma surpresa diária e uma conquista dirigida ao inesperado. Cada dia encontra uma luz diferente, onde somos desafiados a ser transparentes, irradiar algo positivo, marcar o dia com um selo da eternidade que somos.

Quando vivemos movidos pelo desejo, e este é marcado pela entrega livre, conseguimos espalhar algo muito maior que nós mesmos. Vivemos entre o que somos para nós e o que somos para os outros. A nossa verdade é sermos o tudo conhecido e ao mesmo tempo o tudo surpreendente. Na surpresa que somos no mundo, construímos uma paisagem que acolhe tudo, e que transforma tudo.


 

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