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23 março 2010

Cuidar

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Encontrei este vídeo, que mesmo sendo um pouco longo, é lindíssimo!
Fez-me pensar naquilo que podemos fazer por quem gostamos, cuidar pequenos detalhes de um mundo feito de forma bonita. Amor é criativo...

19 março 2010

As certezas

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Vivemos constantemente entre passagens, faz parte do caminho de cada dia e do caminho da vida. Passamos de um lugar a outro, de uma relação a outra. Sobretudo alternamos emoções e pensamentos, um mundo complexo que se desenha velozmente come se não fôssemos donos dos traços que fazemos numa folha em branco.

Existem momentos em que temos a possibilidade de ir além do que está diante de nós. Um desses momentos é o final do dia, a irresistível cor do fim da tarde. Esta é uma passagem do dia para a noite, o adormecer tranquilo das nossas actividades interiores. As cores do fim do dia escondem segredos e abraços profundos, que constituem as nossas histórias apaixonadas e as palavras que expressam o que nos vai na alma.

Expressar qualquer coisa de amor nas nossas vidas é uma aventura que nos leva para espaços desconhecidos. Dizer que se ama compromete-nos, porque a palavra é a resolução de uma história, um ponto de consciência que significa uma mudança total da nossa vida. Esta é uma certeza, sentir e fazer sentir amor é a criação de um espaço onde estamos radicalmente, onde nunca mais poderemos deixar de estar.

15 dezembro 2009

Para além

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Acabei de regressar de uma aula que tenho sobre cinema e vimos uma das versões de um dos filmes do Decálogo de Kieslowsky, que se chamava "Pequeno filme sobre o Amor".

Um filme sobre o Amor, se este existe verdadeiramente... e sim, existe até ao nível do oferecer a Vida por alguém. Ou talvez, apenas a esse nível. Amar é difícil, mas só assim a Vida aparece com toda a sua força e verdade. Reconciliada, perdoada. No filme existem jogos extraordinários de olhar através do vidro. Ver e ser visto, ser transparente ou distorcido. Procuras constantes. A imagem do outro que fascina ou me esconde de mim mesmo. Quando se rompe o vidro que separa dois corações, então a Vida entrega-se, e Amor existe.

Depois, ouvi isto, de um músico italiano que gosto muito, Ludovico Einaudi: Al di là del vetro (Para além do vidro). Onde tudo acontece... espero que gostem ;)


25 novembro 2009

Deus em nós e nós em Deus

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Sugestão de Lídia
Aprofundamento de Deus em nós. Ir à raíz. 
O lugar de Deus em nós e o nosso n'ELE, à luz da Fé e da Sociedade actual. 
Confrontar a inquietude que consome com a não existência que resiste.



Cada uma destas frases daria para um tema! Mas vou tentar focar os pontos principais que possam unir estas questões. Muito ficará por dizer, mas se for necessário, é só sugerir algum aprofundamento, que o farei com o maior gosto.

Uma das frases que mais me tem acompanhado ultimamente nas minhas reflexões sobre Deus e a Vida é que não servem muitas definições. Deus não se define, não é uma ideia ou um conceito, uma projecção do melhor de nós ou uma simples expressão do divino que não se vê no quotidiano. O máximo que se pode afirmar é que Deus é Amor... mas amor, como o definimos? Quem é capaz de definir o que é amor sem logo a seguir estar a trair a definição, nas incoerências da vida, numa pálida imagem da força que é amar? Amor não se diz, vive-se, estamos nele como uma surpresa que nos invade e nos leva para dentro e para fora de nós. Quando o dizemos, já o perdemos, mas quando o realizamos, quando este acontece, o Amor mostra-se na sua verdade tocada, na vida que Ele próprio dá.

Daí que o Amor, Deus, é um ambiente, a expressão profunda e verdadeira da Vida, na Bondade, na Alegria, na Compaixão, na Entrega, na Humildade, na Esperança. Deus é a realização já conseguida, desde sempre e para sempre, de juntar toda a nossa experiência da Vida e transcendê-la além do egoísmo e dos pequeninos horizontes. Toda a nossa Vida, pelo simples facto de ser, é já tocada e provocada para rasgar tudo o que é inútil ou sinal de uma vidinha que teimamos em considerar grande. Descer em nós é encontrar esta originalidade, de perceber a vida tal como é, como dom e como promessa. Por isso se diz "criados à imagem e semelhança de Deus", com a mesma potência do amor, e nunca conseguida totalmente.

Não somos divinos, e é ilusório o discurso de que Deus é o melhor de nós, que é o bem que fazemos ou que se mostra no mundo. Esta é uma projecção e simplificação banal e fácil de nós mesmos. Não fazemos assim honra à nossa divindade. Somos contraditórios, pouco livres, egoístas. É este o drama de ser imagem do Amor e ao mesmo tempo livres de querer sê-la ou não.

Descer a nós mesmos é subir ao dom que nos foi dado, que acredita em nós apesar de tudo. Podemos ser indiferentes a este dom, mas este  dom não é indiferente em relação a nós. Está e estará sempre, é a nossa luz  por detrás da nossa sombra, o diamante que nunca se apaga, mesmo fechado com mil cadeias. Encontrar esta luz é descobrir-se amado no mais profundo, só porque se tem este Dom, imenso, único, intransmissível, a Vida. Descobri-lo é depois querer, com todas as forças, realizá-lo e expandi-lo. É a verdade de nós mesmos que se manifesta em toda a sua glória, onde nós e Deus coincidimos, onde por um momento fomos capazes de deixar de ser pequenos mundos e amar como quem abraça o universo.

A inquietude actual nasce precisamente de estarmos já fartos de respostas fáceis e imediatas. Procuramos e viramos tudo do avesso, em distracções contínuas, em comprar o ultimo grito da moda e da tecnologia, em horas de consulta psicológica, e busca de harmonia cósmica. Por mais que estas coisas possam ajudar, na medida certa, estamos só à superfície. Enchemos um mundo de coisas que não nos servem e só escurecem a nossa luz, escondem-nos de nós mesmos. Apenas vivemos e existimos verdadeiramente quando nos assumirmos como fragilidade amada, acreditada, perdoada. Quando nos deixarmos abraçar pela Verdade, quando deixamos que Deus seja o nosso ambiente. E vivemos n'Ele, com Ele e para Ele.


02 novembro 2009

Amar tem muitas caras

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Hoje fiz uma visita por vários blogs amigos e confirmei uma coisa. Parece que há alturas em que há um maior número de temas recorrentes. E é curioso que seja também o tema que mais me ocupa interiormente. Talvez seja porque, em determinada altura do ano, o tempo nos faça frutificar diferentes sentimentos. E o sentimento de hoje é especial.

O amor é um apelo grande à verdade da nossa Vida. É ter consciência, e uma consciência mais afectiva que racional, que nos sentimos movidos por uma energia que faz com que cada coisa tenha um rumo. Em direcção a algo ou alguém que amamos. Não nos sentimos perdidos, mas por vezes quase que arrastados. É uma força pacífica e reconciliadora e, ao mesmo tempo, com uma violência que não nos deixa tomar o pulso à situação.

O amor tem a extraordinária capacidade de nos fazer "deixar andar", sem pensarmos muito nas consequências. Confiamos ingenuamente, perdemos tempo com tesouros que não custam ganhar. É felicidade e exigência. Quando a verdade do nosso bem faz bem, estamos entusiasmados. O amor é esta extraordinária capacidade de não sermos donos do tempo, nem de nós e, sobretudo, dos outros.



13 outubro 2009

Plenitude interior

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(sugestão de a)




É a grande questão da nossa Vida. Como podemos encontrar a plenitude no nosso interior? Os grandes temas existenciais não têm uma resposta óbvia, porque cada pessoa é uma história e um conjunto de circunstâncias. Acontecem-nos diariamente coisas que nos fazem repensar as nossas opções, momentos de confirmação e outros em que as nossas certezas mais profundas ficam abaladas.

A plenitude interior é uma questão de integração e unificação de todas as dimensões da nossa Vida. Corremos o risco de dividirmos a existência em vários sectores. O que mais nos desgasta é verificarmos que há campos na nossa Vida onde conseguimos fazer progressos e outros que parece que não saímos do mesmo. Ao mesmo tempo, vivemos muito dependentes dos factores externos, ou seja, o que acontece fora de nós, o que pensam e dizem de nós condiciona-nos de tal maneira que fazemos determinadas opções só porque é suposto, ou porque todos fazem assim, ou porque não faço mal a ninguém se fizer determinada coisa.

O grande segredo está em encontrarmos um espaço de verdade que seja o início e o fim da nossa existência. Estou plenamente convencido que as coisas mais importantes da vida se resumem a muito pouco. É uma espécie de luz interior que ilumina tudo, que faz olhar para tudo o que sou e o que me acontece com o olhar correcto. Chega uma altura em que percebemos na nossa Vida que o essencial é uma palavra só nossa, algo que não nos pode ser tirado e que nos desafia constantemente.

Não há experiência mais profunda no ser humano do que aquela de ser amado. Só o sentir-se amado transforma, faz perdoar-me a mim mesmo, aceitar o que sou, querer ser o que sou. As comparações e as utopias fazem-nos, muitas vezes, olhar na direcção errada. Se o desejo comanda a Vida, então que esse desejo seja movido pelo amor a mim mesmo, com uma transparência e simplicidade que me faça dizer sem complexos: esta é a minha perfeição. Uma conquista de todos os dias, mas esta é a minha conquista.

O amor a si mesmo é tudo menos egoísta, porque é uma visão realista das próprias falhas, mas sobretudo um olhar simples e humilde sobre aquilo que sou. A humildade é reconhecer a nossa bondade e ficarmos extremamente felizes por isso. Mais uma vez, encontra-se no fundo desta dinâmica o amor, e o sentir-se amado.

Para quem acredita, é um passo fundamental dar este salto: acreditar que Deus me ama sempre, acredita sempre em mim, não desiste. Ter alguém que sempre apoia o meu desejo de perfeição é a base de todo o movimento em direcção à plenitude.

Sentindo-se amado, e reconhecido como se é, torna a pessoa mais autêntica no modo de estar perante o mundo e os outros. Move-a o desejo de simplesmente ser, fazer crescer o bem, ser radicalmente optimista, porque nada está perdido, mesmo que o pareça. Deste modo, aquele que é amado ama como a expressão mais própria da Vida. Tudo o que sente e faz se confronta com o desejo que a Vida e os outros se sintam amados como eu me sinto amado.

Por ser tão simpels este caminho, é difícil percorrê-lo, porque pensamos que as coisas importantes precisam de enciclopédias para serem explicadas. Quando pensamos e classificamos demasiado, estamos a estragar tudo. Como quando amamos alguém, não o conseguimos explicar, simplesmente é assim.

Quando vivemos em plenitude, tudo é uma oportunidade grande, desejamos afastar as coisas menos boas de nós, e desejamos só que tudo seja bonito... é o único caminho que verdadeiramente interessa.


17 janeiro 2009

Ainda sobre o amor

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Tentar falar do amor é sempre uma experiência forte, toca aquilo que em nós gurdamos num santuário próprio, é uma exploração de paisagens demasiado belas para as perdermos na linguagem, que sempre tira algo da sua verdade para nós.

Há dois aspectos que ligo a esta experiência de amar e ser amado. Um deles é o alto e o baixo, o outro é o dentro e o fora. De facto, no amor acontece a maior superação de nós mesmos, quando a nossa vida é de tal forma iluminada por outra pessoa, que identificamos os nossos dias e as nossas acções com uma entrega feliz a esta promessa realizada de que não estamos sozinhos. Por ser assim tão sublime, realizamo-nos no mais alto de nós mesmos, aquilo que sentimos, julgamos e decidimos tem uma referência intocável.

Mas o amor, por ser essencialmente estar-fora, é público, faz-me sair de mim, manifesto-me aos outros como presença realizada de algo conseguido. As pessoas que amam autenticamente são verdadeiros exemplos. Todo o amor que se esconde, que é privado, que não se assume, poderá ser uma experiência forte, mas se não espalha dom à sua volta, é porque algo não funciona. Por isso o amor verdadeiro nos faz tão transparentes e autênticos.

16 janeiro 2009

Estar apaixonado

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Li estes dias um artigo sobre o amor que me deixou estarrecido. Amor e violência. A grande questão que aparece é como até que ponto fazemos uma imagem do amor demasiado perfeita, quando este é vivido entre os nossos limites e fragilidades quotidianas. Por sermos de tal maneira inseridos em dinamismos de bem e outros de mal, entre doação e egoísmo, entre promessa e desilusão, o amor tem estes dois lados, e sendo um sentimento que arrasta tanto da nossa personalidade e existência, tem efeitos tão grandiosos como devastadores.

Se uma relação com outro, que chamo amor, começa com um fascínio total que prende cada olhar, cada gesto e pensamento, sendo que a vida de um se refere quase exclusivamente à vida do outro, acontece também que esta promessa luminosa se torne com o passar do tempo um querer limitar o outro ao meu mundo, mesmo naquilo que entendo serem os sentimentos perfeitos. Até que o outro poderá ser o meu objecto, e eu o objecto do outro, conhecido no mais íntimo, explorado em cada detalhe de mim. Até que tal situação se torna impossível, intolerável, e começa a desconfiança, a acusação, a violência...

Muitas histórias pessoais e talvez as nossas próprias histórias nos façam ver que algo disto acontece. E que fazer? Amar é um risco, é ser igual, é ter tudo e não ter nada, um olhar todos os dias novo e cheio de surpresas. Precisamos tanto cuidar o nosso olhar quendo vemos quem amamos...


PS: Tenho apenas a referência da tradução italiana do artigo: SALMANN, E. – “Amore e violenza”, in : Presenza di spirito, il cristianesimo come gesto e pensiero. Padova, Messaggero di S. Antonio, 2000, p. 466.

18 novembro 2008

Privilegiados

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Há um entusiasmo que nasce de reencontros. E agora nem é preciso esperar muito nem fazer promessas. Pensar o futuro pode ter tanto de cuidadoso e necessário como de desperdiçar energias quando o que está para acontecer vai muito mais além do que aquilo que se espera.

O amor escolhe por si os momentos e as formas, talvez seja isto que o torna irrestível e incapaz de definir. Quando se programa tudo, deixa de ser originalidade e criação e passa a ser um espaço determinado onde, afinal, existo só eu. Não há vida mais vazia do que aquela que é enchida de qualquer maniera. É preciso o espaço fundamental de pensar num gesto de abrigo e acolhimento.

Quem vive por amor, vive sem saber e ao mesmo tempo sabe tudo o que precisa. É um privilégio poder ver-se como imagem desenhada, poesia acabada, escultura viva. Que temos de temer, senão as coisas que queremos ter tanto para ficar ricos de nós, mas que ficamos assim tão pobres?

18 outubro 2008

O que há para receber?

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Estou a ler as obras completas de Teresa de Ávila... não sei como me poderia exprimir, é uma sensação quase esmagadora de ler algo escrito por alguém de uma potência extraordinária. Não me lembro de ter lido algo assim... enfim, mexe comigo, definitivamente....

Falando da perfeição do amor... o bem que fazemos a quem amamos, de quem somos amigos. Em muitas amizades há tanto de dar como de receber. Outras é mais dar que receber. Talvez na maioria das minhas amizades há mais receber que dar? Onde está o centro do meu amor?

Amar perfeitamente é amar num amor maior, é criar e fazer o bem através de depositar totalmente os seus efeitos no próprio movimento da Gratuidade. Que a recompensa última é o que Deus faz através de mim e da minha amizade. Pensando mais a sério, não há nada mais simples que o Amor. Tal como ele é. Mas como diz Teresa: este amor muito poucos o têm... e se o tiveres, agradece, é um dom enorme.

09 agosto 2008

Oferecer dons

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Como é possível que alguém seja chamado a realizar-se se oferece aquilo que recebe? Um dom é algo que se tem, que foi dado, e alimentado. Faz parte de nós. Tesouros que não merecem ficar guardados em caixas, para quando vier a ser preciso. O mais certo é que se esqueçam, e não brilhem, já que o que é precioso, precisa de luz para mostrar aquilo que vale.

E mostrar tem algo parecido com o oferecer. No mais fundo de nós existe um movimento que tem qualquer coisa de vento veloz com cheiro de nuvens. Arranca sementes que fiquem dispersas no universo até que encontrem terra onde cresçam flores, à espera de um olhar que se comova por dizer que é belo, ou a mão que as arranque e as ofereça. Dizem-se palavras quando se oferecem flores: Amo-te?

Sim, amor, a palavra que diz aquilo que não se sente. É liberdade e vontade de ficar firme, sem me mexer num absoluto que faça tudo, mas que voe, que passe por cima de muros e montanhas, e fique suspenso no eterno que tem cada um dos meus gestos.

30 maio 2008

As iniciativas

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De quem parte a iniciativa de fazer o bem? Se há uma marca própria de quem irradia felicidade é o facto de não conseguir deixar de fazer o bem, e fazer que cada dia seja melhor. Não acredito muito que fazer o bem seja só uma resposta ao facto de ser amado. Assim, seria fácil continuar um jogo de recompensas.

Fazer o bem tem de ter qualquer coisa diferente, tem de ser gratuito. Muitas vezes passa por ultrapassar orgulhos feridos, e também por dar sem esperar receber. Amar quem não merece? Isso às vezes parece mesmo impossível!

Se pensássemos em oportunidades passadas de plenitude, dar-nos-íamos conta de que ficámos felizes porque fomos autênticos na nossa capacidade de sair fora de nós e dos nossos limites. Assim, acho que dá para acreditar que não somos feitos de recompensas, mas de gestos entregues, é mais natural em nós sorrir e ajudar, e a recompensa vem mais tarde. Não é preciso que tudo seja imediato.

19 fevereiro 2008

A possibilidade de amar

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Uma das dimensões mais difíceis de viver no amor é a paciência. Inconscientemente, quando falamos de entrega, temos a noção de que damos para vir a receber. A meta é a gratuidade, dar sem esperar em troca. Um ideal que é possível, e está presente nas decisões importantes que marcam etapas fundamentais da vida, em relação a pessoas ou a situações.

Já a paciência tem a ver com o tempo, com a espera, com a frustração de não ver frutos no que se entrega. A paciência purifica a entrega, desafia a renovar o sonho antigo, quando prometi aquilo que me abria os maiores horizontes.

É companheira de caminho, é a visão que vai mais longe, é a força da perseverança. Convida a confirmar cada dia os propósitos e a confiar, mesmo na escuridão. Sobretudo, ajuda a perceber que o Amor ultrapassa todas as previsões, vem de longe e, por isso, não depende só de mim.

11 dezembro 2007

Amor e medo

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Cada vez me convenço mais da utilidade de trazer sempre comigo um caderno no bolso, onde posso tomar nota de coisas que ouço ou vejo no dia e que trazem uma espécie de luz. Acho difícil que, em cada dia, não aconteça uma mão cheia desses momentos.

E ouvi hoje: "Quem tem amor, não tem medo".

Quando tenho medo de alguma coisa, será que é porque não tenho amor? O medo significa mudanças não desejadas na nossa Vida. Mas às vezes são inevitáveis, e sofre-se com isso. O Amor pode ser então a capacidade de transformar o que não desejo, amar dores e desilusões não é fácil. Mas é um caminho possível...

Quem ama, fica mais simples, e sabe que as coisas são passageiras. Quem ama sabe esperar e ser verdadeiro com os acontecimentos da alma e do corpo. Amar é não ficar agarrado às coisas que passam, é tomá-las como certeza de caminho percorrido e coragem de continuar.

26 novembro 2007

Deste pouco

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Somos pouco nos nossos gestos e entrega, se compararmos com o Dom do mais fundo de nós. Há qualquer coisa de tesouro insuficiente mesmo nos nossos ideais mais completos.

Tenho descoberto, ao longo destes últimos tempos, em como aquilo que considero perfeito em mim, e no que sou capaz de fazer pelo Mundo e pelos outros, é um reflexo pequeno desta extraordinária capacidade de amar que me constitui no mais fundo.

Porque é fácil fazer de mim um estado acabado e dou daquilo que faço. Mas sou pequeno quando me ponho na origem dos gestos amorosos. Que podem fazer tanto, mas não vêm do meu espaço original.

Entre a humildade de gostar dos meus castelos de cartão e a maravilha de saborear as minhas rochas de liberdade, sinto-me grande nesta minha pequenez... é ser conduzido a algo que recebi e não construí.

05 setembro 2007

Entre o sonhar e o ser

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Sei que escrever é fácil, quando se pega na caneta e se contam novidades escolhidas, os episódios da Vida que já controlamos e sentimos com as mãos. Mesmo aqueles que podem doer na alma... conheço-os bem. E é fácil escrever sobre paisagens de sol e também de chuva, quando se está dentro de casa. Porque os conheço.

Escrever sobre os movimentos espontâneos da alma, que se prende e se liberta da memória é um desafio e uma surpresa. De repente, ficam diante de nós luzes e sombras. E fica-se com a sensação de que há metas muito claras para onde sou atraído com passos felizes e, ao mesmo tempo, olhares e gestos que fazem olhar para o chão e perder o caminho das estrelas.

O homem é um ser de contradições... acabamos por fazer aquilo que não queremos. Somos assim mesmo... Dar-se conta disto é perceber a fundo o que é querer ser salvo. É estar integrado, ser autêntico, no ouro e na lama. Iluminado, brilha aquilo que é precioso. Que é o que fica, depois de tudo, no Amor mais aceite.

25 junho 2007

Protegido

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Protegido e amparado, levado com cuidado. Com imensas surpresas, vontade de acreditar, certezas. É bom acabar os exames =)

Não costumo muitas vezes falar do que estudo, se vier a propósito, acho mesmo interessante. Mas há uma coisa que fica. A Teologia é a "ciência" que estuda Deus. Assim de um modo geral. Demasiado académico para falar da experiência de consolação, da vontade indescritível de ter Deus no coração. De ser igual a Jesus, como cada um entende que deve ser.

O que tem sido bonito no estudo é ir vivendo a força do Amor através dos conceitos. Não se lê sobre Deus nem se chega a saber nada de essencial d'Ele, se não houver Amor. E este implica entrega, em horas oferecidas com esforço e tanta distracção. Enfim... aprende-se para a amar, mesmo num deserto de letras. Olhar para o que se tem entre mão e no fundo da alma é um oásis, aí encontro a sombra e a água. Acolhido e abraçado.

14 junho 2007

...

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A experiência mais radical do Amor tem duas margens:

A Verdade, que me leva à Coerência

A Liberdade, que me leva à Paz.


É isto, não é? Talvez devesse repetir isto várias vezes ao dia... =)

28 março 2007

Sabes o que te fiz?

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Não sei... sinceramente é difícil perceber a totalidade daquilo que me ultrapassa. Tenho sentido esta intuição e esta pergunta nos dias antes da Semana Santa.

Olhar para a cruz é o que me move a ser feito. Sem perguntar nada nem querer saber nada, com uma só pergunta... Sabes o que te fiz?

Quando recebemos algo grande de mais, ou não acreditamos, ou não somos capazes de ver tudo. Às vezes por medo ou preguiça de corresponder.

Nas coisas do amor, não se devolve nada. Apenas se pode transformar. Isso é grandioso... Um mistério de alguém que morre por mim, só pode fazer mudanças em mim. Não me deixa indiferente, senão, seria uma pedra, ou um lago de águas paradas... E não quero mesmo ficar com esta ideia de que já tenho tudo e preciso fazer pouco.

Não estaria a responder à pergunta.

18 março 2007

Esperar

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Qual é esta capacidade desconcertante do Amor? Aquela genialidade de procurar caminhos novos nas coisas de sempre.

É tão diferente viver por obrigação ou viver levado pelo entusiasmo. Acho que isto é um dom, de quem reconhece que quer ter um coração capaz de ser simples com as coisas maiores.

É um trabalho de paciência o que nos leva a não flutuar à deriva, mas estar na vida como se assim fosse. Entre o ser levado e o querer ser levado. Saborear uma cor como se tudo dependesse dela para poder ver o mundo. Mas ter um abraço de arco-íris, entre dois tesouros, um de cá, o outro, de um mundo que não conheço, mas ao qual sei que pertenço.

O que é mais importante? É tudo... como se não fosse nada. Amar somente... é isto? Não sei o que é, mas percebo-o em coisas muito concretas.
 

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