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27 maio 2009

Paragem

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Estes dias tenho andado a fazer uma maratona para terminar os trabalhos que tenho que fazer antes de começar os exames, na próxima semana. Não me está a deixar muito confortável, já que prefiro sempre fazer as coisas com alguma calma, sem ter de estar a fazer só para cumprir prazos e calendários.

Porque parece que a pressa não faz sair as coisas desde dentro e sinto-me demasiado prático.


Por outro lado, fiquei contente por me dar conta disso, acho que é bom percebermos que aquilo que fazemos tem origem numa intenção e que serve algum objectivo para além de uma nota, um ordenado ou um resultado concreto. Serve a construir algo novo, que seja meu, e uma dádiva ao mundo.


Aquilo que fazemos é uma marca nossa, que ninguém faria no nosso lugar. E isso é óptimo! Por isso, antes de começarmos a criar cada coisa, mesmo os acontecimentos banais, podemos parar e ver o que vai nascer. Pode dar muito sentido ao que acontece, e não somos arrastados pela eficácia, mas contruídos no dom.

15 março 2009

É lógico

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Durante a filosofia fiz uma cadeira de Lógica. Ajuda a estruturar o pensamento, e é útil para argumentar, fazer silogismos, tirar conclusões. É importante também para descobrir erros de raciocínio, perceber onde se fez um salto indevido ou se acrescentou algo não previsto que depois conduz a uma conclusão diferente.


Pergunto-me porque é que é mais fácil organizar pensamentos que sentimentos. E o pior é que somos constantemente tentados em estruturar aquilo que sentimos, atribuindo-lhe etiquetas, causas e resultados a obter. Na nossa cabeça as coisas estão muitas vezes arrumadas. Até demais, quando a Vida nos acrescenta todos os dias novas variáveis que descontroem a nossa lógica certinha. E aí estamos de novo a procurar re-estabelecer o raciocínio. Não admira que andemos cansados!


Os sentimentos não são ideias escritas em papel, que possamos escrever e guardar em pastas e gavetas numeradas. Um papel diz pouco do que se faz com as mãos e o coração. Escrever não é pintar, nem esculpir, nem fazer música. Se não ponho o meu corpo na minha experiência, se não deixo que o mundo me diga a minha e a sua verdade, então fico um livro de prateleira, esquecido e com pó.


Lidar com os sentimentos é não ter medo deles, é poder deixá-los entrar em casa e ouvi-los falar. São coisas importantes, mesmo importantes. Não merecem uma lógica apressada, fria e racional. Merecem a guerra e a paz que trazem.



19 dezembro 2008

Claridade

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Nem poderia ser de outra maneira. Diziam-me que tenho que ser bom, que a bondade é o que caracteriza as pessoas que acolhem a vida e os outros. Por detrás da bondade, vive a paz, de estar bem consigo próprio, de aceitar o que acontece. Mesmo sem perceber tudo. De facto, o não perceber faz parte de grande número das nossas questões. Talvez seja por isso que o mistério é tão fascinante.

Sabe-se que existe algo, uma dimensão maior, que simplesmente não conseguimos fazer nossa. Quando temos a posse de todo o conhecimento, então não há novidade, e a vida fica monótona. Por isso é que há sábios de olhos apagados, sabem muito de muitas coisas, mas não dizem o que é mais importante.

Os sábios são também aqueles que sabem que não sabem tudo. E sabem como viver com o mistério, alegram-se porque não são monótonos. Por isso são fascinantes. Qualquer cor lhes traz novidade. E a preparação para o Natal é esta sabedoria, de uma claridade escondida, mas que ilumina. O mistério arrasta-nos para acolhe o sempre Novo, Jesus que se faz como nós. Também para Ele esta foi a grande novidade, por isso Ele é tão fascinante.

12 dezembro 2008

Não é o muito saber

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Santo Inácio tem uma frase nos Exercícios Espirituais que é fundamental no percurso de quem os faz: "Não é o muito saber que sacia a alma, mas o saborear as coisas internamente". Quando estou em maior fase de estudos e leituras, lembro-me muitas vezes disto, e ajuda-me mesmo muito a centrar aquilo que se está a fazer. E não só centrar, mas até tirar um peso enorme de cima. Porque se aquilo que fazemos não serve para algo que vai além de um resultado concreto, até parece que um objectivo concreto se pode tornar a meta decisiva da vida.

E ficamos a jogar o tudo ou nada em coisas que não merecem tanta importância. O saborear por dentro o que se faz é um meio para encontrarmos a razão de ser das nossas energias pessoais e dos nossos dons mais preciosos.

Mas por outro lado, o muito saber ajuda a iluminar e esclarecer a inteligência. Por isso, não deixo de ser um fascinado pelo que estudo =P. Mas acabo por encontrar mais plenitude num passeio por um jardim do que num raciocínio complicado, apesar de um bom pensamento ajudar a saborear as coisas com outra profundidade de horizonte.

16 maio 2008

Flexibilidade

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A sabedoria oriental tem coisas fascinantes. Falam a partir da experiência comum e revelam coisas muito particulares acerca do modo como estamos perante a Vida. Ajuda-nos a fazer um exame de consciência sobre aspectos concretos que podemos ver e melhorar.

Falavam da rigidez e da flexibilidade. Um corpo rígido está relacionado com a morte. Um corpo flexível está relacionado com a vida. Um corpo rígido não consegue aguentar muita pressão sem se quebrar, ao passo que um corpo vivo dobra-se e continua a viver.

Se às vezes somos intransigentes connosco ou com os outros, pode ser bom, na medida em que clarificamos algumas coisas que fazem parte de decisões que levam a consequências. Mas se nos mantemos permanentemente numa atitude de estabilidade férrea, acabamos por deixar passar ao lado as oportunidades que nos possam suavizar. A flexibilidade é um bom remédio para a disponibilidade, para estarmos atentos aos movimentos do vento e do que acontece à nossa vida, sem, contudo, perdermos as nossas raízes.

14 dezembro 2007

Até ao fim

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O que é a sabedoria?

Podia ser uma biblioteca cheia de livros, onde acaba por se acumular o pó quando estou fora de casa e não deixo a janela aberta para proteger os meus tesouros literários... sabemos tanto de tantas coisas...

Podia ser uma viagem onde cada passo soubesse de cor a paisagem, onde nada fosse novo, as coisas de sempre, já conseguidas, controladas, feitas minhas.

Podia ser ter respostas imediatas, estar sentado numa cadeira, no alto de uma coluna, onde dominasse o universo das perplexidades do mundo.

A sabedoria está num gosto de laranja, num café da praça, no silêncio da catedral. Ou quando um mundo amado me pergunta até onde quero chegar. A sabedoria está nas dúvidas mais radicais, nas surpresas vividas, na capacidade de me encontrar em tudo o que estou.

Talvez porque temos certezas trazidas por corações que viajam desde sempre e nos fazem sentir pequenos e frágeis. E caminho com toda a sabedoria misturada em papéis coloridos com surpresas coladas. Atravesso túneis com a minha música, cheia de sabores.

 

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