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21 dezembro 2007

Vida de origens

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Há alturas em que sinto mesmo necessidade de ir ao campo, depois de muito tempo no meio da cidade. Por ser esta a minha origem, uma terra de cultivo e rebanhos.

Há um simplicidade que começa com o nascer do sol, onde não se ouvem os carros, mas uma vida calma, com rituais precisos. É fácil encontrar as mesmas caras à mesma hora e tudo corre com um tempo que tem tudo de completo. Vivo tanto de mim em memórias destas...

Este Advento pode ser uma descoberta de um tempo simples, levado por dentro, em contacto com a terra que pisamos. Além disso, é na vida de pequenos pastores que surge a notícia de que o Céu está entre nós. Talvez não fosse, por isso, uma surpresa demasiado grande. Havia espaço e tempo para acolher qualquer coisa incompreensível, mas que leva o selo da eternidade.

06 agosto 2007

Caminho da Luz

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Passou pouco mais de um mês da minha chegada para as férias... passa muito depressa! E já aconteceu tanta coisa. Tenho a sorte, a imensa sorte de fazer parte de um mundo enorme de pessoas bonitas, que me fazem ter experiências tão completas. Por poucas horas que sejam, às vezes um simples entendimento, uma troca de palavras.

E cheguei ontem a casa dos meus pais. A origem do que sou e da simplicidade em que cresci. Sou muito mais daqui e das pessoas que agora abraço do que suponha. Tudo se passa numa paisagem de planície quente e céu azul recortado por um monte mágico ao fundo, com um castelo e outros à volta, feitos de nuvens.

Gosto tanto da minha família e da paz que aqui vivo. Depois de chegar assim tão completo de encontros, passeios, partilhas entre companheiros de viagem, muitas conversas, um campo de férias muito bonito, é altura de me descalçar e caminhar na Luz e na Certeza. E dizer a Deus que tenho a certeza do amor que levo e que queria tanto ter mais paz para levar a quem precisasse maiores gestos de Sentido.

O desejo comanda as decisões e sinto que é tão importante desejar bem e desejar ser completo em tudo, ser Um com a Verdade, ser Sereno como o céu de estrelas.

21 abril 2007

Sopro leve

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Memórias de casa. No terraço de minha casa, em pleno coração da Beira Baixa. Um dia de muito calor, mesmo à sombra, em que se espera o momento da primeira brisa. Que vem tarde, quando desapareceram os rumores da estrada.

Aparece para quem esteja à espera, como quem sai de casa e sente o vento a acariciar os cabelos. É uma brisa suave e quente, que traz ainda o calor das pedras e os cheiros dos campos depois do pôr do sol.

O corpo não precisa de mais nada naquela altura, senão deixar-se levar no encanto deste mistério. Porque a alma se fez mais transparente e resolveu explicar ao corpo o que significa ser acariciado e levado nas mãos, por uma Vida tão mais absoluta.

Hoje um companheiro disse-me no corredor de casa, que acordou muito mal disposto. E que lhe bastou um minuto a meio da manhã, e disse: salva-me!. De repente, vi-me ali, no terraço de minha casa, à noite, no coração da Beira Baixa.

16 março 2007

Sol

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Esta fotografia fez-me lembrar a minha terra. Não seria estranho ver alguém assim por lá. Quando o sol é mesmo forte, é preciso defender-se. =)

Mas sem medo de estar na rua, vê-se o que passa, anda-se metido no vai-vem das pessoas e das coisas. Um dia de sol é um chamamento a estar fora da nossa casa, a descobrir novos caminhos, a trazer a nossa alegria para a rua.

Tudo é mais completo quando é quente e quando é luminoso. Nota-se na disposição das pessoas. E acredito tanto que somos feitos para a luz... Alguém que se reconheça como capaz de dar algo, de contribuir para o Bem, sabe o que significa um raio de sol, quando se está sentado sem fazer nada...

Porque somos capazes de dar mais do que supomos, quando sabemos o que somos e o que podemos fazer com a nossa luz.

05 fevereiro 2007

No tempo

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Sempre sonhamos com o regresso às coisas mais originais. No meio das confusões do dia-a-dia, por vezes encontramo-nos com saudades dos sons e das cores que não nos traziam mal entendidos. Por tudo ser simples, cada momento tinha um lugar único no tempo.

Talvez seja a busca de um paraíso perdido que ficou num tempo perdido-não-sei-quando-lá-atrás. E esse espaço continua a ecoar de memórias. A nostalgia do passado faz-nos abraçar qualquer coisa que deixou de existir, que toma parte irresistível naquilo que hoje somos. A ponto de não nos deixar falar de outras coisas.

Entre a memória e o esquecimento, entre o agradecimento e a esperança, às vezes custa tomar uma opção que seja verdadeiramente existencial no presente que hoje somos.

São importantes as memórias. Mas também nos atam os braços e fazem perder palavras que contruam algo de radicalmente novo. Basear na promessa do presente a criação de uma nova paisagem, capaz de ser visitada hoje e para sempre, de um modo criativo. Único no tempo,como as coisas simples.

14 novembro 2006

Avó Emília

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Hoje lembrei-me da minha avó Emília, que já está no Céu. O último contacto que tive com ela foi o seu postalinho de aniversário, a dar-me os parabéns pelos meus 16 anos, quando eu fazia 17! =) Morreu poucos dias depois...

É a pessoa mais próxima a quem posso pedir ajuda quando preciso. Sempre a recordo viva, faladora, comprometida em tudo o que fazia. Tão simples no seu modo de ser, tão grande no acolher quando íamos visitá-la pelo menos uma vez por mês à sua casa, perto da Covilhã. E a alegria que ela tinha por eu querer ser padre. Nunca me viu como Jesuíta, agora sinto-a como fazendo parte da minha vocação.

E isto faz-me pensar e rezar nas ausências da minha vida. E de como se pode ir vivendo com a dor e a saudade de não termos quem amamos sempre ao nosso lado. As que já partiram e as que ainda cá estão e que vamos deixando de ter contacto. E não é de todo uma experiência triste.


É olhar para um céu bonito e perceber que memórias não são coisas perdidas, são lugares de encontro com existências felizes que nos completaram e nos completam eternamente. Olho este céu e alegro-me sem rir, e consolo-me nesta certeza de ser verdadeiramente Amigo, Companheiro, Filho, Irmão e Neto.
 

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