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10 dezembro 2010

Profundidade

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Há tempo para pararmos tudo aquilo que fazemos e encontrar o espaço que nos faça viver algo semelhante ao nada. Vivemos não só entre imensos compromissos e ritmos exteriores, mas também - e sobretudo - envolvidos numa quantidade impressionante de ocupações e pre-ocupações da alma. Se, por um lado, é importante acompanhar com atenção o que nos acontece, acabamos muitas vezes por sermos arrastados pela corrente dos nossos pensamentos. 

E até pode acontecer que, pensando muito, acabamos por não pensar nada que valha a pena, algo que nos traga alguma luz mais concreta.

A sabedoria oriental tende para um aniquilamento da reflexão e do pensamento, para alcançar estados de silêncio interior. Todo esse esforço pode correr o risco de ser simplesmente um não estar presente na vida, o esforçar-se por sair dela. Quando, o mais importante do silêncio interior é, precisamente, entrar no ritmo da vida como o seu batimento mais profundo. O perceber onde estou completo, onde vivo em sintonia com tudo. Onde sou enviado no melhor que hoje tenho.

04 novembro 2010

Qualidade

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Perguntamo-nos muitas vezes sobre a forma de ter qualidade de vida. Associamos qualidade ao bem estar, a que tudo nos corra bem e não nos falte nada. É bastante redutor fazer equivaler qualidade de vida com uma vida calma e sem problemas. Temos, aliás, a experiência que muito raramente vivemos momentos em que parece que está tudo arrumado.

A qualidade de vida tem mais a ver com atitudes de fundo e criação de espaços de gestão dos acontecimentos. Passa por aceitar e querer tirar de tudo oportunidades de viver bem, e viver o bem de cada momento. Mesmo que não seja óbvio. Uma das dificuldades principais em viver com optimismo é não conseguirmos ter tempo e disponibilidade para nos distanciar das coisas, não as ver como monstros e ameaças, mas como aquilo que é: a vida que me é dada viver. E se é dada, é dom.

Este espaço equivale ao silêncio, para quem acredita, à oração. Se há decisões importantes em relação à qualidade da nossa vida, sem tomar esta decisão do silêncio, as outras mais importantes ficam radicalmente diminuídas.

PS: Esta reflexão é feita a propósito de uma grande conversa no CAB com a Rita Negrão. Obrigado! :)

03 dezembro 2009

Ouvir

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Um dos cinco sentidos que mais aprecio é o ouvido. Entre o silêncio e o ruído ensurdecedor, passamos o dia com sons constantes. Temos vozes que nos despertam sentimentos diferentes, umas que nos acordam e outras que fazem adormecer. Temos momentos privilegiados em que deixamos que o ouvido toque sentimentos concretos e nos traga à memória lugares e pessoas. Histórias que são verdadeiras sinfonias.

Existe um som difícil de ouvir. O do próprio coração. No silêncio esconde-se uma obrigatoriedade de estar com o Vida no seu próprio ritmo e na sua própria respiração. A Vida, tal como ela é, na sua simplicidade e grandeza.

Muitas vezes a grande causa de ruído nem são gritos exteriores, ou o movimento da cidade. O ruído pode ser a velocidade dos meus pensamentos e a força deles. O pensamento também precisa de algo que o acalme, que o faça andar ao ritmo dos desejos e dos sonhos. Podemos criar uma sintonia entre ouvir o coração e pensá-lo de forma bonita. Estamos menos divididos e mais concentrados em nós.


PS: A propósito de uma música que ouvi ontem à noite e me fez recordar uma história bonita. Obrigado :)*

05 novembro 2009

Transformação

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Tenho andado há dias com uma pergunta que li. Porque será que, mesmo mantendo uma vida regular de oração, vamos percebendo que esta não nos transforma? Em muitas coisas não nos faz mais pacíficos, mais humildes ou mais tolerantes. E mais felizes.

Acredito que a questão do passar a oração para a vida não é nada linear. Talvez porque não acertamos com o mais importante e pensamos que a oração é um espaço de pensar coisas sobre Deus e sobre as nossas decisões. Parece que é importante falarmos de nós, pensarmos e rezarmos a vida. Isso também faz parte, mas falta algo.

O tempo de oração é também a possibilidade de Deus se dar exclusivamente. É um espaço aberto à confiança e a deixar que Ele faça o que entender. Não são os nossos desejos e os nossos objectivos, mas deixar que aconteçam os desejos e os objectivos de Deus. Oração é silêncio, e este é o que mais transforma, desde dentro, sem muitas palavras.


02 abril 2009

Silêncios

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São tantos os momentos em que ansiamos poder parar, descansar, reflectir sobre o que andamos a fazer, tocar a profundidade da vida. Contudo, se bem que as correrias normalmente não ajudam a ter tempo para isso, quando temos essa possibilidade assustamo-nos.


Porque é que o silêncio atrai e assusta? Não há nada mais desejado do que querermos ter a vida entre mãos. Talvez a nossa grande tentação seja estar à altura de todos os acontecimentos. Por isso, sabemos todas as notícias e estamos na crista da onda nas novas tecnologias de informação. Mas é tudo ruídos, e a vida corre à nossa frente, sem termos sequer a capacidade de levantar os olhos e as mãos e lhe acenar um olá.


Se tivessemos pela frente três ou quatro dias, uma semana ou um mês desligados de tudo, não saberíamos o que fazer. Até arranjar pensamentos profundos para fazer durante uma hora não é fácil. Já estaríamos a programar coisas ou a pensar em acontecimentos passados. E o presente? Onde posso estar e como me posso encontrar? Desejo tanto poder ter um espaço em que respire ar puro sem me perguntar de onde sopra o vento. E não posso ter medo desse espaço.

02 fevereiro 2009

Ver, sentir, confiar

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(sugestão da Carolina)

Se escrevesse num diário os sentimentos de cada dia, certamente iria visitar muitas vezes as páginas mais coloridas. Temos a necessidade de regressar aos tempos em que um dia ouvimos claramente o nosso nome e encontrámos a nossa casa perfeita, arrumada, na paisagem que criámos. Porém, à medida que passa o tempo, vamos escrevendo páginas com canetas gastas e as cores vão perdendo força, sem percebermos porquê.

A Vida faz-nos crescer, somos cada vez mais completos e mais complexos; e o que um dia seria óbvio acontecer, hoje é uma miragem, ou uma saudade. Temos nas mãos uma possibilidade de escrever cada dia a nossa história. Mas o que já existiu, não serve para escrever o que hoje sou e me acontece. Simplesmente vamos virando páginas... sucessivamente.

Acredito que aquilo que uma vez foi dado e conquistado não se perde nunca. É esta a nossa marca de eternidade, o poder criar a partir da matéria que são os nossos dias, mesmo que seja terra seca e vasos quebrados. A força que um dia moveu as minhas mãos não deixa de as fazer mover agora. O que tem de ser construído é mais exigente, mas confio que o resultado será uma obra mais perfeita do que posso imaginar.


PS: A questão da ausência de Deus, tenho-o sentido muito pessoalmente, aparece nas alturas em que as coisas se complicam. E quando mais precisaria de Deus, mais encontrei um silêncio incapaz de responder às minhas perguntas. Mas fui-me dando conta de que fui eu que mudei e deixei de estar atento à minha profundidade, sem a fazer crescer comigo. Entretanto a vida muda, mas as raízes permanecem pequenas e com pouca força para me agarrar quando há vento forte. Regressar à profundidade ajudou-me a descobrir respostas que nunca tinha pensado. E percebi que Deus falava, mas de um modo que eu já não conseguia ouvir. Falava-me daquilo que me assustava e preocupava, precisamente aquilo que evitava pensar. E Ele foi paciente comigo e eu fui paciente comigo. Amei o hoje. E as raízes cresceram...

11 dezembro 2008

Excesso

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Há várias formas de poder tocar e experimentar alguma da capacidade de nos maravilharmos. Em certos momentos da nossa vida, temos a impressão que soam em nós demasiados instrumentos e vozes, e nenhum deles é suficiente para expressar o facto de estarmos agradecidos, temerosos, apaixonados, desiludidos.

Sobretudo porque as emoções fortes são muito confusas e não deixam a nossa cabeça pensar em paz, e o nosso coração contemplar devagarinho. Por isso, a experiência de estarmos profundamente tocados, no bem e no mal, pela Vida exige tantas vezes mais do que aparentemente podemos estar dispostos.

E podemos talvez fazer duas coisas: ou ser mais um instrumento ou mais uma voz entre todos e ser arrastado no que me acontece. Ou arriscar um corte, um silêncio, que contraste com a força dos acontecimentos e ao mesmo tempo os conduza à sua verdade. A parte sublime da Vida acontece, quando estou disposto a deixá-la acontecer no meu silêncio, que lhe dê lugar.

09 dezembro 2008

Silêncios

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Há três tipos de silêncio.


O silêncio da cidade, que não é igual à falta de barulho e movimento. Sou um entre muitos, não apelo niguém e ninguém me apela. Uma forma moderna de solidão, uma peça do puzzle.


O silêncio construído, do meu quarto, ou o espaço de uma igreja. Onde posso parar para pensar, rezar, arrumar coisas por dentro e desenhar caminhos na imaginação.


E o silêncio oferecido, o da Natureza, que não é igual à falta de ruído e melodia, onde sou mais escolhido do que posso escolher.


Em tudo isto, gostaria de poder encontrar Presença e motivação. Grande parte dos nossos pensamentos são solitários. Mas é no silêncio onde me encontro com maior verdade, é com o silêncio que posso dizer o que as palavras não fazem soar.

08 junho 2008

Atentos

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Li ontem um fragmento de um texto, feito por um padre italiano, que diz mais ou menos isto:

"Piazza Venezia. 12.31h. Um jovem acabado de cair do planeta adolescência está parado no passeio, junto à estrada, com o volume do Ipod no máximo. Nas mãos o telemóvel já quente de tantas mensagens que não acabam de chegar. Olha para o visor, sem se dar conta de nada. Chega o 64. O motorista apita, zanga-se. Pára junto dele. A meu lado, uma senhora de idade diz-me: São os novos surdos"

Uma vez experimentei ir a ouvir música enquanto caminhava. Parecia que assistia ao que estava à minha volta como se fosse um filme. E muito bonito. Mas foi estranho, porque eu via de fora o que acontecia à minha volta... talvez por isso não voltei a repetir.

O isolamento que o ruído faz esconde o silêncio de tocar o mundo à minha volta. Gostaria de aproveitar melhor os dias que me são dados viver, e chegar ao fim de cada dia com a alegria de cheiros e cores autênticas, quando não ficou nada de bonito por fazer. A atenção ao mundo à minha volta é um desafio para o agradecimento. E a melhor forma de o fazer é cuidar do que tenho e do que me acontece, com a força de olhar para além do real, com a luz de ter sido privilegiado em poder assumir tudo com simplicidade e maravilha.

30 abril 2008

Regresso

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A paz dentro de nós é o que permite deixar acalmar a poeira e ver o caminho que temos pela frente. Não se consegue a paz sem esforço, se bem que não deixa de ser um dom. Mas passa também muito por aquilo que decidimos acerca de nós próprios, da verdade que queremos e ousamos ter diante de nós. Sem medos, sem preconceitos, rodeados de certezas felizes, como se fossem abraços.

Porque estamos rodeados de coisas melhores do que imaginamos e podemos sentir o quanto fazemos parte delas. E do quanto podemos fazer por elas.

Há um regresso que cada dia podemos fazer dentro de nós, para nos rir das mil voltas que fazemos, perdendo tempo com inutilidades por vezes tão urgentes. Somos assim... mas sabemos ser tão melhores, e fazer aquilo que sonhamos.

22 março 2008

O dia de hoje

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Um dia longo, muito longo... Faz parte da Vida fazer uma experiência de profundo silêncio e comunhão com Deus para depois ser entregue à velocidade do mundo e dos acontecimentos plenos sem esperar estar preparado.

O chão que pisam os passos da alma é suave, mas os horizontes provocam sorrisos e lágrimas, vontade de abraçar palavras de consolação e gritos de alegria, no meio da maior serenidade.

Contive as lágrimas enquanto esperava que os pais e irmão passassem pela porta de chegada do aeroporto, sem saber o que dizer quando os visse... meses de preparação de um encontro, e eis que chegavam... E a alegria de amigos que trazem saudades do passado realizado em toques de transformação do espírito, uma comunhão feita no meio de brincadeiras sérias, porque ficam marcas para sempre.

Finalmente, um coração meu que se sente inacreditavelmente amado, sem hipótese de ficar sozinho... ficam-me perguntas que me resta aceitar sem muitas respostas... é assim a Vida.

PS: Agradeço a todos a presença amiga e a oração. É mesmo bonito e grande chegar e perceber como se levam pedidos do coração a Deus a partir de tantos lugares e pessoas... se aqui existe comunidade virtual, parece-me e sinto-a como muito real... Também rezei e rezo por todos =)

03 janeiro 2008

Na distância

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Olho no mais alto de mim para ver o fim de todas as coisas. No cimo de uma nuvem que me transporta nas memórias feitas desde os tempos antigos, em que eu era palavra e desejo.

E construi-me em pétalas de mal-me-quer, escolhidas por um quase-acaso com uma resposta de sim e de entrega. Fiquei sozinho entre o caminho e o horizonte. Mais presente que nunca na minha verdade. Não desisti de fazer de cada dia uma casa completa, cheia de flores e cores bonitas.

No momento do silêncio chego ao mais alto de mim mesmo. Soa a felicidade, um oco eterno cheio de música, um tapete de cores que voa até ao outro lado do mar.

Se apenas por um momento ouvisse aquela voz que me faz falta, tudo seria dourado, o mundo seria sempre o meu sol. E espero enquanto não a escuto...

08 agosto 2007

Vento de seda

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Em tempos em que se tem a oportunidade de parar, em tempo de férias, ou estando em locais mais descansados, há sempre um desafio.

Deixar acalmar o ritmo interior do ano, passar tempo de qualidade. Ser ao mesmo tempo mar tranquilo e vento forte. Um tempo de paragem é poder ter a oportunidade de deixar assentar a poeira e ver as coisas como estão à nossa volta. E, ao mesmo tempo, deixar a janela aberta, para que um vento fresco possa iluminar a casa.

Há um parar que significa ficar apático e ligado à televisão. Há outro que é criativo, um espaço de silêncio onde entrem as cores e os sons do mundo que quero construir a partir de agora. Nem uma coisa nem outra são fáceis e lineares... Parar parece ser perda de tempo, mas pode ser também uma revolução escondida, como um deslizar de seda, que desvele o Mistério. Entre a calma e a coragem, a qualidade do meu tempo de férias pode ser decisiva no ano que aí vem...

17 junho 2007

Vem

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Quando há medos da verdade... a resposta é um encontro autêntico. O que vem antes de algo fundamental é sempre tão desviado do que fica depois de ter estado ali.

A imaginação leva-me até uma capela, bonita e cheia de luz. Onde se ouve ao longe os rumores da Cidade. E onde a vida passa através das memórias, e através de compromissos de agenda. Tão fácil perder-se em divagações.

E há um momento, às vezes, alguns segundos, em que se tem a graça de poder parar a velocidade do passado e do futuro e se fica num momento simples e vazio. E ao mesmo tempo, cheio de luz e verdade.

-Vem, ouço dizer... Fica comigo e traz o que tens contigo, não as coisas feitas ou os sonhos bem programados. Apenas o desejo. E este desejo é uma praia cheia de mar, onde se voa a grande altura... sem se perder com o "fundamental" daquilo que não é, mas viver de um sopro que leva a uma experiência de Amor pleno e gratuito.

Que transforma e torna livre, que faz ser simples... Saio da capela com um sorriso de alma... Nem é preciso ficar à espera de sensações "quentinhas", às vezes o que acontece é duro, mas é verdadeiro...

07 abril 2007

À espera

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O momento antes de nascer, antes de ouvir o primeiro grito de Vida. O momento antes do primeiro raio de sol, que surge atrás da montanha. O momento em que o maestro levanta os braços, antes da orquestra tocar.

Não há silêncio mais completo que o instante antes daquilo que se espera. Quanto mais se isso for pensado desde sempre. Quanto mais se o que vier transforma radicalmente o mundo e o que somos. Para sempre.

Não deve ser possível imaginar o silêncio do último instante, o preciso momento em que Jesus volta à Vida. O Universo deve ter caído, completo, no contemplar e acolher aquilo que estava a acontecer.

Hoje, nesta noite....

06 abril 2007

Sentido

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Procurar e encontrar um sentido para a cruz é difícil. Sinto-me movido a não dizer nada, e ficar numa contemplação simples, sem palavras. No fundo é o que todos experimentamos quando vivemos os momentos difíceis.

Fico apenas com o sentimento de saber com que Deus posso contar. Não é distante, porque sabe o que é sofrer, na alma e no corpo, os limites a que estamos sujeitos.

A sabedoria do coração vive sozinha quando não tem respostas. Às vezes nem é capaz de pôr questões. Uma experiência de deserto. É ao mesmo tempo tão árido e tão completo. Quando não há mais nada, é porque há todo o espaço para acontecer tudo. O mais incrível, é que o deserto das emoções e dos sentidos é o que possibilita o conhecimento mais puro.

O conhecimento que só a alma é capaz de ter.

12 março 2007

Aqui

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Aqui, onde tudo acontece, fala-me a força do que quer ganhar vida. Aqui, neste lugar quente e arriscado, onde se joga o meu mundo, onde tenho a força de, com o mesmo gesto, poder amar ou poder destruir.

Aqui neste sítio de silêncio, onde nada acontece como quero, mas onde quero que aconteça aquilo que não posso fazer por mim.

Aqui, neste lugar onde acontece tudo o que sou, quando consigo entrar em tudo o que desejo de mais eterno. O mesmo sítio, aqui, onde posso deitar fora as oportunidades mais completas. E ficar cheio de coisas pequeninas, atafulhado até não me poder mexer.

"Quando uma só coisa é necessária"... complicamos tanto o nosso coração...

31 janeiro 2007

Em branco

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Fecho os olhos dentro de uma paisagem branca. Será um pressentimento de que tudo se perde? Um voo sem limite de procura, sem lugar a certezas...

Caio num abandono total ao ritmo de um respirar sempre constante, aceitar não ser, viver numa Vida tão maior que eu. Encontro-me no lugar onde não há palavras nem expressões, onde se sente além de todos os sentidos, onde se ouve além de todo o rumor, onde se vê para além da luz do sol e da lua.

Será este silêncio o gesto primeiro da minha Criação? Em que se pensa segundo os movimentos do Amor, muito para além das teorias e desculpas, mais concreto que moldar o barro.

Regressar cada dia ao meu silêncio fundamental faz-me chegar e partir. Se um momento assim pudesse sempre multiplicar a Vida....

09 dezembro 2006

O Mundo meu

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Vou tornar o meu mundo bonito. Em silêncio, sentado no espaço mais bonito do eu coração, com todas as coisas diante da minha mesa.

Trago a música, as paisagens, a poesia, os quadros, a luz que brilha em todos os acontecimentos. E vou colorindo os sons, escrevendo casas e pessoas, cantando os caminhos. Ouvir bater o coração ao ritmo de um Absoluto quase impossível de descobrir no tempo em que tudo corre a grande velocidade.

Na calma e na paz construo um sim gigantesco, de entregas e mãos abertas, de abraços recebidos mais que dados. Com humildade na minha inteligência e descoberta dos desejos mais bonitos da existência.

E faço castelos de chegada e partida, sempre abertos e em festa. Com lume aceso e mesas preparadas para o banquete.

Como Maria, que num sim mudou a sua vida e a Vida dos homens. E a minha própria Vida. O Advento é o tempo da construção mais bonita dos meus passos e da minha espera. O tempo do Sim e da fidelidade, o tempo do abraço que me espera desde sempre.

31 outubro 2006

Silêncio?

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Será que temos sempre mais medo do silêncio quanto mais pensamos na sua necessidade? Tenho estado a pensar nisso estes dias, também a partir de alguma conversas. Que é tão fácil dizer que é tão importante parar, nem que fosse quinze minutos por dia... que estava mesmo agora a precisar de um retiro...

O silêncio é um espaço de encontro muito fundamental. E talvez o desejo de que esse momento seja total e possa mudar coisas na nossa vida, nos faça perder o tempo. Porque o coração tem de estar preparado, tenho que saber que coisas devo pensar, que objectivos estabeleço para estes momentos.

E assim vão passando as horas, esperando pelo sopro e pela inspiração de que agora é o momento.

E não me dou conta de que não sou dono do meu silêncio, quando deixo que o deserto seja o meu lugar e que seja ele a falar e não eu. Isso deixa-me sozinho, ao sol e à chuva, dependente do que vier a acontecer. Sentir-me pequeno por ter a possibilidade de ser chamado a coisas tão grandes, talvez por não querer ter capacidade para elas!?

Mas o desejo do deserto já é a certeza de que Alguém ali me espera. Ao encontrá-lo, não poderei fazer muito mais que ficar sentado e escutar....
 

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