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02 fevereiro 2012

Apresentação

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Apresentado. Entregue, disponível, inteiro. Eis-me aqui. São expressões de coragem e peito generoso, um modo de colocar a vida diante daquilo que for.

A chegada de uma vida ao mundo (ou a cada dia) traz consigo o nascimento de tantas possibilidades de grandeza e maravilha, e também tantas possibilidades de erro e becos escuros. Lugares de comunhão e lugares onde se fica sozinho. Espaços de comunhão e espaços de solidão. É quase inadmissível que uma vida que se deseja boa seja tão contraditória nos seus horizontes e nos seus destinos. Onde está o ponto onde os caminhos se dividem? Qual a fronteira entre a salvação e a perdição?

Cada vez me convenço mais que a questão das escolhas se decide nos seus antecedentes. É uma questão de ter definido um horizonte prévio de felicidade. Uma questão de escolher amar sem saber bem o quê em concreto. E isto tem riscos e tem consequências, mas tem, acima de tudo, uma vida que sabe onde quer estar e para onde quer ir.

13 janeiro 2011

Por entre dúvidas

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Tendemos a olhar muito mais para as nossas dúvidas do que para as nossas certezas. Nunca poderemos evitar as indecisões, estamos constantemente a ser confrontados com escolhas, pequenas e grandes. E muitas das nossas certezas acabam por estar vestidas de algo provisório e experimental. Até ver o que dá, se resulta...

A dúvida acaba por estar intimamente ligado ao risco e às consequências. De que modo as nossas decisões acabam por marcar positiva ou negativamente os próximos tempos. O que mais precisamos, no momento de uma decisão é uma inteligência o mais clara possível das suas condições, das suas ciscunstâncias e dos seus efeitos.

Esta inteligência está, por seu lado, intimamente ligada com certezas de fundo. Cada decisão deve estar orientada por um bem que serve de chão à nossa vida e onde sabemos que, por mais variados que sejam os caminhos, pisamos o chão que escolhemos desde sempre. O mais fundamental é não perder o pé em coisas que sabemos serem essenciais e que não queremos de todo perder.

04 novembro 2010

Qualidade

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Perguntamo-nos muitas vezes sobre a forma de ter qualidade de vida. Associamos qualidade ao bem estar, a que tudo nos corra bem e não nos falte nada. É bastante redutor fazer equivaler qualidade de vida com uma vida calma e sem problemas. Temos, aliás, a experiência que muito raramente vivemos momentos em que parece que está tudo arrumado.

A qualidade de vida tem mais a ver com atitudes de fundo e criação de espaços de gestão dos acontecimentos. Passa por aceitar e querer tirar de tudo oportunidades de viver bem, e viver o bem de cada momento. Mesmo que não seja óbvio. Uma das dificuldades principais em viver com optimismo é não conseguirmos ter tempo e disponibilidade para nos distanciar das coisas, não as ver como monstros e ameaças, mas como aquilo que é: a vida que me é dada viver. E se é dada, é dom.

Este espaço equivale ao silêncio, para quem acredita, à oração. Se há decisões importantes em relação à qualidade da nossa vida, sem tomar esta decisão do silêncio, as outras mais importantes ficam radicalmente diminuídas.

PS: Esta reflexão é feita a propósito de uma grande conversa no CAB com a Rita Negrão. Obrigado! :)

26 janeiro 2010

Tempo de estudo

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Tenho estado mais calado estes últimos dias, porque a minha fase de exames começa antes, com a entrega de vários trabalhos e, assim, estive numa maratona para conseguir entregar hoje dois e faltam mais dois, um exame na 5a feira e depois, dedico-me à tese! Espero ainda pelo meio ter alguma pausa!

É um tempo de maior concentração, em que vou lendo muito e expressando aquilo que vou descobrindo e intuindo. Por vezes, tinha imensa vontade de aqui vir partilhar pensamentos ;)

O que mais me maravilha no estudo da teologia é que não é apenas saber muitas coisas sobre a fé, a bíblia, o mistério de Deus, mas muito também sobre a pessoa humana. Gosto muito quando a teologia parte da experiência humana para falar do divino. Tenho a impressão e a certeza de que temos muito de eternidade e, como na nossa liberdade, somos continuamente a ser desafiados a ser maiores. Na autenticidade do que somos, sem comparações, sem juízos, na aceitação da nossa própria bondade, fazemo-nos melhores.

Acredito que estamos continuamente no limite da fronteira entre o banal e o grandioso. Muitas vezes, o facto de nos julgarmos pequenos pode paralisar-nos, e vivemos sem grande força interior. Quando não somos assim! É importante não ficar só pelo desejo, mas mostrar na acção a simplicidade de uma vida descomplicada. O grande passo está em queremos realmente ir além do banal e, ao decidirmos isso, damos um salto enorme na confiança. Porque certamente teremos recompensa do facto de sermos autênticos, mas o medo das consequências também nos imobiliza. E é pena que isso aconteça.

17 janeiro 2010

Continuidade

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É muito interessante fazer o exercício de vermos aquilo que se vai mantendo mais constante em nós. Há fases da nossa vida em que temos determinados pontos de esforço, um compromisso que assumimos e vamos procurando ser fiéis a ele. Acontece, a determinada altura que o esforço deixa de ser necessário, adquirimos um hábito que faz parte de nós.

Somo feitos de atitudes habituais e o problema é quando temos hábitos que não gostaríamos de ter e acabamos por ser algo que não nos é confortável. É impossível estar a analisar continuamente a qualidade das nossas pequenas opções diárias, mas reflectir sobre o que fazemos é necessário para sentir o pulso da vida.

Há pontos de esforço que vale a pena estarmos atentos. Um deles é precisamente o vivermos um compromisso grande que se traduza em atitudes concretas. Um desses compromissos poderia ser o evitarmos sofrimentos que não valem a pena, não nos gastarmos com coisas que não acrescentam nada à vida, mas aplicarmo-nos em fazer crescer atitudes que construam um dia bonito, mais nosso.

11 novembro 2009

O passo a dar

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Se estamos parados a meio caminho significa que estamos a ponto de partir nalguma direcção. Não nascemos para ficar habituados ao que sempre aconteceu, nem sequer a boas memórias. O encanto da Vida está nesse querer, por si mesma, ser tempo que passa e nos leva consigo.

É maravilhoso quando temos a experiência de arregaçar as mangas e dar-se ao trabalho para conseguir realizar o melhor de nós. Entra a coragem e a falta de certezas fazemos nascer o que somos já a partir de hoje. Damos valor a tudo sem querer que todas as coisas fiquem imóveis a contemplar-nos. Antes pelo contrário, acrescentamos Bondade e Alegria ao que está à nossa disposição.

Quando existe dúvida, então é sinal que temos entre mãos um dos desafios mais bonitos que podemos ter: o de fazer da nossa história um livro cheio de cores e desenhos, quase recordando os tempos em que, como crianças, desenhávamos um mundo de fantasia que era mais verdadeiro que o que vivíamos. Era uma fantasia de um sonho bem real, e o desejo de o conseguir ver presente.


03 novembro 2009

Disposições

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Os nossos pontos de partida em relação ao futuro têm para trás histórias longas, por vezes pouco conhecidas por nós mesmos. Daí que seja fácil que sintamos medo ou confiança diante de um desafio, dependendo de como fomos capazes de ler o que foi acontecendo.

As nossas disposições abrem-nos ou fecham-nos a determinadas opções de acordo com o modo como lidamos com a nossa história. Daí podem nascer preconceitos ou falsas seguranças que não nos deixam confiar. Noutras alturas, um caminho feito bastante às claras ajuda-nos a encarar o futuro com outra consciência, muito mais realizada e feliz.

Um horizonte é um reflexo do nosso olhar, é tão grande como o quisermos contemplar. Ao ficar fechados, perdemos oportunidades de ir mais longe, tanto quanto nem possamos imaginar. Ficamos maiores. Iluminar sem medo a própria Vida é um meio de caminhar luminosamente no futuro. É um desafio, pode ser exigente, mas é muito autêntico.


03 junho 2009

Tempo de qualidade

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Encontrar aquilo que queremos passa muitas vezes por nos perguntarmos acerca do que é mais importante em determinado momento do nosso dia. A fronteira entre o útil e o agradável por vezes não é nada óbvia. Até temos a desculpa de juntar o útil ao agradável. E acontece que seja assim em muitas ocasiões.

Tenho sentido necessidade daquilo que chamo tempo de qualidade. Quando acontecem muitas coisas ao mesmo tempo, sentimos que devemos dar resposta a tudo e, no fim, fica um sentimento que não estivémos à altura do momento. Mesmo que seja uma coisa simples, mas podámos ter estado mais completos e mais inteiros ali.


Não é possível estar constantemente a pensar sobre as consequências das nossas pequenas decisões. Se trouxeram ou não a minha própria bondade ao meu dia, mas acho que fazer de vez em quando este exercício pode ajudar a ter algum treino disto. O discernimento não é só para grandes decisões, porque essas acontecem poucas vezes. A qualidade do meu tempo e do que faço com ele joga-se em pequenos pormenores. Somos, de facto, construídos pouco a pouco, e isso requer paciência e muita disponibilidade para sermos melhores.

26 março 2009

Promessas

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Até que ponto construímos o nosso futuro a partir de promessas? Tenho a impressão que há muito poucas coisas na nossa Vida às quais lhes tenhamos dado esta importância. Um contrato de trabalho ou um teste exigem de nós um compromisso e uma série de deveres. Mas nunca nos passaria pela cabeça prometer ao patrão fazer tudo o que ele nos quiser mandar. Quando prometemos, estamos afectivamante envolvidos, voltar atrás seria falhar algo sério com alguém, ou com nós mesmos.


Uma promessa é um risco. E pergunto-me o que estará no fundo de nós que nos torne possível garantir um espaço do nosso futuro a favor de alguém ou de alguma coisa. De certa maneira, alguém toma conta de mim, não pertenço só aos meu desejos, mas faço parte do sonho de alguém, que sem mim não o poderá realizar.


E se tenho tantas dificuldades em, por vezes, prometer a mim mesmo vir a ser melhor, não desisto de arriscar coisas boas minhas. Com todas as consequências, nem que seja para toda a Vida. Isto supera-nos completamente. Prometer é desenhar na areia uma palavra que quer ser definitiva. Que a primeira maré apagará. Mas permanece o movimento da alma que me permitiu um dia ser gigante. E isto é exigente, mas é darmos todo o espaço à eternidade de que somos feitos.

11 março 2009

Mudanças

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Já não é pouco pensarmos que em determinados momentos da Vida somos desafiados a mudar coisas importantes, quem em nós próprios, quer nos ritmos de vida, lugares e relações. É um abrir de um mundo novo, alegria e esperanças misturadas com medos e sensação de estar perdido. Somos obrigados a certas ansiedades, fazem parte da vida, se não queremos ficar sempre iguais e adormecidos.


Contudo, existem mudanças que podem preparar o coração para coisas maiores. Cada dia é um dom enorme, em que posso escolher acrescentar algo de bom ao mundo, dar uma cor diferente à minha paisagem, nem que seja uma flor pequena e escondida no meio de uma planície cheia de pedras. Mas é a que chama mais a atenção a quem passe por ela. Fizémos algo bonito hoje e isso não é indiferente, pode até mudar tudo!


É uma mudança suave, passos pequenos e simples, que toquem a profundidade do dom que é ser eu próprio. Rezo sempre descalço, porque é o momento em que decido caminhar em terreno sagrado, transformo o mundo, deixo-me ser transformado. Mudo por dentro e faço mudar por fora.

03 março 2009

Dizer sim

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Quando aceitamos um pedido que alguém nos fez, ou quando assumimos um compromisso em relação a nós próprios, mesmo em coisas pequenas, dizemos sim. O sim é uma palavra poderosa. Fica-nos mal voltar atrás, significa um imprevisto ou uma incoerência. O sim implica-nos, a nossa Vida passa a contar com uma nova paisagem, que passamos a habitar e transformar.


O motor das nossas acções são as decisões. O agir ou o não-agir parte sempre de um sim, afirmado ou renunciado. É por isso que mesmo o não tem como referência o sim, tal como a sombra tem referência à luz, e o mal tem referência ao bem.


A minha questão tem sempre a ver com a qualidade do meu sim, porque também o podemos dizer ao mal ou à sombra. E ficamos menores. Mais tarde ou mais cedo nos damos conta se o sim que dissemos nos criou algo novo, que tenha a ver com o nossos sonhos de realização e felicidade, ou se ficou apenas por um momento imediato. Passou e tudo ficou na mesma, não acrescentei nada e, por isso, não cresci.

14 janeiro 2009

Decisão

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Hoje numa aula ouvi algo que me fez pensar e me marcou muito. Creio que nisto está muito daquilo que se pode dizer e, mais que isso, fazer, na nossa Vida. Que uma decisão parte da nossa liberdade que é interpelada por qualquer coisa exterior. Essa coisa é algo que nos é oferecido como dom e através do qual percebemos, julgamos e decidimos o nosso agir.


O que é mais central na decisão é que esta é situada num momento da nossa história muito preciso. E este momento não pode ser repetido da mesma exacta maneira. Mesmo que determinada decisão acabe por não ter consequências, eu próprio já me pus como presente a esse momento e algo nasceu, cresceu ou morreu em mim.


Numa decisão, por mais pequena que seja, joga-se a minha liberdade de modo completo, mesmo que seja em coisas comuns. Esta é a raiz da seriedade - e seriedade neste sentido, não é o oposto de alegria - que ponho em todas as minhas acções. Sobretudo se o dom que me interpela for beleza, amizade, disponibilidade, aí posso dar ao meu dia uma cor minha mais autêntica.

07 dezembro 2008

Consequências

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As decisões que tomamos são sempre marcadas por alguma mudança, pequena ou grande, na nossa vida. Por vezes dá mesmo a impressão que a dificuldade de escolher consiste em dar-se conta que, assumindo algo, se deixa de assumir outra coisa. É uma questão de ganhar e de perder, ter nas mãos coisas maiores e deixar para trás outras menores.


Por isso, muitas vezes a tentação é procurar manter a todo o custo um equilíbrio que não faça doer muito, perder o menos possível. Mas isso nem sempre acontece.


É preciso algum realismo para ter consciência que uma escolha tem uma parte maior ou menor de sentimento de perda, de hábitos ou de comodidades. As chamadas conseqências das nossas opções fazem parte do que acontece em nós quando olhamos para o mais-além. Mas uma consciência destas não é igual a tristeza, antes é uma certeza de que somos feitos para gerar criatividade e gestos mais alargados. Braços muito cheios de coisas pequenas não abraçam coisas grandes.

01 dezembro 2008

Re-conduzir

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A nossa vida vai-se fazendo entre momentos de acerto e desacerto. O mais difícil é quando não conseguimos ser muito objectivos e vamos continuando a teimar em justificar aquilo que fazemos com muitos argumentos, utilizando até palavras bonitas e profundas, mas que no fim acabam por dizer pouco do que realmente poderiam significar.


Por exemplo, acontece muitas vezes que temos diante de nós qualquer coisa que devemos resolver, um passo a dar, um perdão a comunicar, ou até uma ruptura a fazer. E vemos que vamos adiando soluções óbvias. Talvez por aquilo que é radical ser tão simples, que não estamos habituados a funcionar sem os nossos esquemas complexos. No fundo, vamo-nos defendendo... até que os frutos vão manifestando a qualidade das nossas raízes.


Por isso, o querer assumir uma coisa importante na nossa vida significa uma espécie de re-condução. Não é simplesmente tomar nas mãos uma decisão e avançar contra todos os ventos e marés. As coisas mais importantes são aquelas que nos escolhem e nos apelam irresistivelmente. Somos conduzidos pela e para a simplicidade. Daí vem toda a certeza...

02 novembro 2008

Ter o destino nas mãos

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Parecem coisas difíceis. Mas o essencial é tão inacreditavelmente simples, como uma iluminação que diga a certeza do nosso futuro. Mesmo sem tirar as dúvidas, mas agarrando a alma desde dentro. A experiência de não saber mais nada senão isto: que acontecem momentos em que temos a consciência que fizemos opções que mudaram completamente a nossa vida. Ou a consciência daquele dia em que ficámos atrás, em que deixámos de dizer sim, e não saltámos no escuro e a nossa Vida ficou mais pequena. Seria tão bom viver em dias grandiosos, dia-a-dia, momento a momento.


Quando o sol chegou aos subúrbios da cidade
Anunciando mais um dia igual aos outros
Ele acordou e pressentiu
Que hoje o seu dia ia ser diferente
Sentiu nos lábios o sabor
Dum sorriso finalmente triunfante
Escorregou da cama
E contemplou o espelho sorridente

Acabou-se a incerteza dos seus passos em volta
De um sentido que ele nunca encontrou
Pela primeira vez tinha o destino nas mãos
Desta vez ele não duvidou

Sentiu-se invadir por uma estranha lucidez
Que o conduzia pelas calhas do passado
Serenamente descobriu
Que afinal tudo tinha o seu sentido
Levou o olhar à janela
Lá em baixo a rua estava abandonada
Levantou o fecho
E de repente alcançou a liberdade

Acabou-se a angústia dos seus passos em volta
Dum amor com que ele apenas sonhou
Pela primeira vez tinha o futuro nas mãos
Abriu a janela e voou





Passos em volta - Mafalda Veiga canta Jorge Palma

20 outubro 2008

A tranquilidade

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A tranquilidade não é a ausência de problemas... de outro modo, estaríamos grande parte da vida sempre inquietos. A tranquilidade também não está associada à dimensão do problema, porque diante do mesmo obstáculo, alguns desesperam por verem uma montanha, outros vêem um pequeno muro. A tranquilidade também não está ligada a fases de altos ou baixos da existência ou do que acontece à nossa volta, seria mais ou menos o assumir que somos levados por uma espécie de destino que não nos perguntou antes se queríamos ou não que acontecesse determinada coisa.

A tranquilidade é uma consequência. É o que vem a seguir a um passo começado e decidido. O que mais nos pode tirar a paz é o facto de olharmos mil vezes a toda a velocidade à nossa volta, para ver se apanhamos o mundo todo... quando afinal, já fomos levados neste vento de pressas e desassossego. É saber voar sem saber para onde ir, mas saber que se voa porque se quer.

Aí, não há número, nem dimensão, nem acasos de problemas. É a Vida que temos entre mãos e escolhemos amar como ela acontece, porque se decidiu assim.

13 outubro 2008

Divisões interiores

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Por diversas circunstâncias, tenho andado à volta da questão sobre o querer fazer o bem e o conseguir fazê-lo. E, por caso, tenho até tido várias conversas sobre isso. Há uma frase de S. Paulo que sempre foi misteriosa para mim: "Não faço o bem que quero e faço o mal que não quero".

Chega a ser exasperante esta situação, de não conseguir ser simples no amor. Porque fazer o bem é tão óbvio, há uma espécie de mapa interior em cada um de nós que sabe perfeitamente para onde podemos andar nos gestos concretos de cada dia para poder alcançar as nossas metas de bem. E perdemos tempo, gastamos energias, perdemo-nos a nós mesmos em tantas coisas menos importantes e que acabam por nos fechar em ciclos pouco virtuosos.

Não somos máquinas, super-homens, totalmente perfeitos. Há que aceitar sem desanimar, mas esta situação às vezes é mesmo difícil de levar com serenidade. Por outro lado, o desejo do Bem é um dom enorme. Há muitas pessoas que nunca põem esta questão... Teria de caminhar na confiança, e dar-me conta de que são mesmo poucas as coisas que dependem exclusivamente de mim.

15 junho 2008

Certas coragens

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Quando dizemos sim, pomos em marcha uma série de acções que tem a ver com uma decisão. Há sempre um pensamento que faz decidir, pesa consequências, repara que dizer sim implica por vezes também dizer não. Talvez seja isso o mais difícil das decisões, querer dizer sim ao que aparece, sendo diplomata com os não.

Em coisas fundamentais, a concorrência é desleal, sentimo-nos de tal maneira invadidos por um desejo de plenitude que nos pomos inteiramente nas nossas respostas. Quando queremos manter o conforto de tornar uma decisão fácil, fica um desconforto de alguma inautenticidade que, quase de certeza, nos vai trazer alguns problemas.

Dizer sim, sim, ou não, não. Isto vem no Evangelho. E tem mesmo razão de ser. Não há sim sem dúvidas, mas também não há sim sem coragem. Para quê? Ser feliz e autêntico, generoso e coerente.... isso é um motivo gigantesco e um peso que se deve ter em conta.

05 junho 2008

Ao perto e ao longe

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A nossa condição passa-se entre o que somos e fazemos em cada momento e aquilo que projectamos e desejamos fazer no futuro. E podem acontecer três coisas: ou vivemos o presente com a serenidade de que estamos no caminho de um futuro escolhido por nós; ou vivemos desencantados porque o que fazemos não tem nada a ver com o que realmente queremos; ou, por fim, vivemos na indiferença e no desinteresse, porque não pensamos no que fazemos com horizonte de futuro.

Os dias são muito complexos e em tantas acções que fazemos, umas são felizes, outras tristes e outras indiferentes. O que poderia dar a qualidade maior e a unidade ao que faço? Muitas vezes passa por escolhas e opções de fazer sobretudo aquilo que realiza os meus desejos autênticos, se for possível hoje. Ou então, de olhar para o que faço agora sem esquecer o que quero vir a ser e a fazer.

Entre o perto e o longe, temos um movimento que nós podemos controlar ou podemos, pelo contrário, ser arrastados por ele. Acho que não é bom nem uma coisa nem outra. Prefiro falar de controlar como orientar e decidir, e arrastar como confiar e entregar. Cada gesto seria mais simples e mais autêntico.


09 maio 2008

Papéis soltos

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Há alturas em que temos em cima da mesa uma confusão de papéis e livros abertos, entre garrafas de água e listas com o que há para fazer. Sem poder decidir o que é mais urgente e quase na impossibilidade de calcular o tempo necessário para cada coisa.

Se pudesse encontrar um ritmo de fundo que seja marcado pela respiração e pela paz, de quem faz as coisas certas no momento certo, que abraça o relógio sem estar dependente da velocidade a que passa. Podemos sempre cuidar muito melhor de nós, sendo, em tudo, aquilo que podemos ser de modo completo.

E este espaço nasce da capacidade de levar a solidão como boa companhia, onde estejamos nós e a verdade de Deus, porque se estivermos divididos em pequenas partes pelo nosso mundo, estendemo-nos em fragmentos pesados que nos fazem andar devagar e de olhos no chão.

 

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