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23 janeiro 2009

Aprender

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Uma das muitas coisas que me fascina nas crianças é a sua vontade de aprender. Por detrás desta vontade está a descoberta de um mundo enorme, que ainda não se conhece. Tudo é novidade! Entretanto, com o passar do tempo, as nossas paisagens repetem-se, mesmo que seja passear por outros lugares. No fundo, pode ser um fugir à rotina, sem, no fundo, acrescentar nada novo ao que se conhece.

Chega também uma determinada altura na nossa vida em que começamos a perguntar-nos acerca do que conhecemos e o modo como o mundo à nossa volta se encostou aos nossos hábitos ou continua a ser fonte de interpelação. A reflexão sobre o que nos acontece ajuda-nos a ver com outra claridade o modo como olhamos a Vida. Mas isso não é suficiente.

Não é suficiente pensar que eu sou suficiente, que o que sei basta para assegurar uma vida calma sem grandes sobressaltos. Creio que aqui podemos ficar a meio caminho, pessoas envelhecidas e que sabem muito, mas que não têm a vontade da surpresa, a verdadeira sabedoria das crianças.

15 janeiro 2007

Aprender

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Há poucos dias, andando no metro, aconteceu algo que é muito comum, mas que desta vez foi diferente. Entram dois músicos com acordeão, um senhor de meia idade e uma rapariga, perto dos vinte anos, que devia ser sua filha. Ela acompanhava-o no seu acordeão e ele tocava no outro. Impressionante. Via-se que eram emigrantes e que certamente, pelo menos ele, se teria dedicado à música, pois poucas vezes vi alguém tocar acordeão assim.

E o que mais me tocou foram os olhares deles. O Pai via-se claramente que gostava do que fazia e tinha um olhar feliz. A rapariga comovia. Porque olhava distraída para os lados, com um olhar tao triste. E tão contrastante com a melodia... Num momento, olhou nos olhos o pai e sorriu, como se encontrasse neles um motivo de conforto naquilo que ela certamente preferia não estar a fazer.

Acabaram a música, recolheram as moedas e, como o comboio estava quase vazio, sentaram-se os dois e o pai começou a ensinar uma música nova à filha. Muito bonita... e aprendida com carinho.

Custa-me tanto ver pessoas assim, artistas de alma a viver do que os outros podem dar enquanto correm para coisas inúteis. Aqueles olhares e aquela música, sobretudo a que se ensina, fez-me cair na conta de que um olhar pode ser tão verdadeiro e tão salvador, que é tão bom ser transparente, mesmo no desconcerto da Vida.

01 dezembro 2006

Escrita

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Encontrei um livro de frases soltas. Sem nexo aparente, algumas frases sublimes, outras incompreensíveis, outras apenas se resumiam a uma palavra. Umas tinham datas precisas, e outras parecia que permaneciam durante semanas... e até meses.

Não foi preciso pensar nem investigar muito, era a história de uma Vida. Também a minha própria história.

Passar para o papel as impressões digitais da Vida, para que nunca se apaguem, para que sejam públicas a meus olhos e aos olhos de quem as puder vir a ler. São sempre palavras de terra, pedra, mar, nuvens e sol. Tocadas com abraço, com lágrimas ou simplesmente deixadas no abandono de não darem nehuma resposta.

Escrever é para mim o mistério de deixar marcado o instinto de perceber a minha Viagem mais profunda. Percebo o que me move, o caminho que quero fazer, e vivo nesta certeza insegura de não saber o que amanhã será escrito na página seguinte. Não interessa muito.

Daqui a um tempo, a muito tempo, saberei ler o que escrevi, daquilo que a Vida me fez e foi ensinando. E é isso que me faz pensar que nada é banal, quando se exprime em profundidade.
 

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