09 março 2009

Dócil



Hoje numa conversa que tive, surgiu a palavra docilidade acerca do modo de estar na Vida. A pessoa que a referiu falava disso como a coisa com que mais se identificava. Fiquei a pensar nisso. Talvez porque tenha mexido mais comigo, e tocado num dos meus medos principais, uma daquelas coisas que nos assustamos só de pensar que possa vir a acontecer connosco.


Ter a docilidade como modo principal de estar na Vida desperta em nós a sensação de simplicidade, aceitação e acolhimento. Os doces são a alegria de uma refeição, dá a nota de festa, surpreende e causa elogios e bem-estar. Uma pessoa dócil tem esta mesma alegria como ponto de referência. E não quer dizer que seja ingénua, ou afastada da realidade, ou alguém que esteja continuamente a ser ultrapassada. Tem uma força especial... e fascinante.


O contrário do doce é o amargo. Uma pessoa amarga está continuamente desiludida, critica tudo e todos, nada está bem. E alguém que critica continuamente não ajuda a construir, parece que é o único que tem todas as soluções e, no fundo, é um incompreendido. Acredito que isso deve ser uma enorme fonte de tensão. Mais tarde ou mais cedo, acaba por não ser levado a sério. Já se sabe o discurso que virá... Uma pessoa dócil, pelo contrário, dá mais importância ao que a vida oferece, para a fazer própria e bonita, não destrói presentes logo à partida. E para isso é preciso coragem, coração e olhar grandes e alegria.

5 comentários:

susana disse...

:) agora sorri porque é assim que me definiria, por menos humilde que possa parecer... não me sinto nem mais nem menos bonita por ser assim, nem mais nem menos ingénua... gosto de ser como sou e já aceitei que apesar de às vezes querer ser mais dura, não o sou. Porque não consigo. Por mim vivia a vida rodeada de amor, de paz de espirito, de solidariedade de pro-actividade emocional. Mas ainda me falta tanto para lá chegar António... também gosto da forma como escreves, muito. Quanto ao pensar/ agir com o coração há coisas práticas em que a questão não está tão ligada ao coração mas sim à razão/intuição. São essas as minha dúvidas agora. Questões práticas. Normalmente escolho sempre o coração. Filosofias de vida...
Um abraço grande para ti
su

Nélson Ramires Faria disse...

O que eu precisava de ler isto hoje. Não sou uma pessoa particularmente dócil, mas tenho feito um esforço há já uns meses para me acalmar.

Obrigado.

Antonio Valerio, sj disse...

Que bom que podemos ir percebendo que a docilidade é um caminho que não tem nada a ver com o ser fraco,antes pelo contrário...faz-nos ser mais autênticos. Obrigado!

Mlee disse...

Lá está um esteriótipo, uma etiqueta em potência - "quem é doce é fraco" ou como já tenho ouvido no meu meio profissional, a docilidade e a advocacia não grudam pois o advogado quer-se com mau feitio...mal sabem as portas que se abrem à frente de um sorriso e as conquistas que se conseguem com a doçura (sim, isso mesmo) da tentativa de compreender de forma genuína e interessada os dois lados da questão ...

*Vanessa* disse...

Bem que demorei bastante tempo a perceber as vantagens da docilidade...acho que era uma pessoa bem amarga, sempre a criticar tudo, a stressar com tudo, a preocupar-me com tudo...no fim do dia percebia que pouco ou nada desfrutava das coisas e das pessoas...Tantas coisas bonitas, pequenas coisas que deixei escapar...é dificil mudarmos, exige muita paciência e esforço, mas com o tempo percebe-se como é compensador ter, nem que sejam, pequenos momentos de docilidade.
Obrigada =)
Eu já sou fã à mais tempo =P*

 

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