29 novembro 2006

Através dos olhos

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Tive ontem uma das conversas mais bonitas dos últimos tempos. Com uma pessoa com quem não falava há bastante tempo e que por acaso, no meio de sabermos como estávamos, fomos recuando a tempos de uma partilha muito especial.

E ver depois de tudo o que somos agora e como nos tocámos mais do que supúnhamos. Foi ter a noção clara que ajudamos tanto mais quanto aquilo que fazemos e dizemos aos outros nos fazem sair de nós mesmos.

E das coisas profundas e com sentido que às vezes digo, tenho a certeza que as digo a mim mesmo. É comprometer-me a fundo naquilo que expresso. E depois descubro um único lugar de encontro, que é tão frágil, mas que constrói Vidas de força.

E sinto-me pequeno naquilo que faço, não sei ser boa pessoa sem os outros... são como o nosso próprio espelho, e recebo tantas mais lições de entrega e optimismo que aquelas que algum dia poderei dar.

É um olhar para além das distâncias, que é previligiado no face a face, mas vive-se verdadeiramente e para sempre naquilo que dois corações sabem que foi decisivo. E sempre sem fazer demasiadas perguntas....

28 novembro 2006

Trouxe refresco!

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É tão bom estar ao sol! =)


Fotografia e título de Pedro Moreira.

Quando não houver mais nada

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O que fica no fim de tudo? E, afinal, o que é o fim de tudo?

Será o fim da minha história, não o fim dos meus dias. Talvez exactamente o contrário. Que o posso ver hoje, sim, é possível, e não me assustou. Apesar de não ser confortável ver-me aqui parado e sozinho a olhar para cada uma das minhas mãos. Uma tem o medo, outra a confiança.

No fim de tudo, é o medo de perder aquilo que fui, aquilo que fiz e aquilo que tive. Ainda por cima porque são coisas muito importantes, verdadeiros dons do céu. Atira fora o medo.

Olho a outra mão. No fim de tudo, a confiança de que não sei o que foi feito dos meus tesouros. Nunca me pertenceram. A confiança é o chão que pisam os meus pés. Aquilo que verdadeiramente é o meu sustento. O que não me deixa deixar de ver. Abro a mão. A confiança cai como uma pedra na água. Fez-se o mar.

Dei um passo.

27 novembro 2006

Marcas

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Definitivamente, não fomos feitos para viver sozinhos. Desde que somos sonhados para a Vida, desde que nascemos, enquanto crescemos, temos sempre junto a nós pessoas que nos ajudam a ser aquilo que somos hoje.

E da minha experiência pessoal, não posso negar que sou aquilo que as pessoas com quem vivi fizeram de mim, os meus pais, especialmente.

Depois, chega a altura em que o facto de tomarmos a nossa Vida nas mãos, nos faz responsáveis por nós mesmos, ao cumprir de alma e coração o sonho que acreditamos ser o nosso.

E pouco a pouco surgem pessoas, mais novas e mais velhas, a quem o nosso sonho e a nossa Vida não são indiferentes. Antes pelo contrário, temos a noção de estarmos a ajudar a construir o sonho de alguém. Às vezes de uma forma que nos ultrapassa. Como jesuíta sinto isso de uma forma particular.

E encho o meu coração de Deus para o poder dar, sem me querer dar a mim mesmo. Livre e completo. E quanto mais entrego a minha experiência de Deus aos outros, mais sinto que sou eu, no fundo, que me dou... por ser mais d'Ele.

26 novembro 2006

O Momento

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É um exercício tão simples, mas tão difícil de ir percebendo o que é realmente. Sobretudo o que pode vir a ser e onde pode levar.

Nos últimos tempos tenho feito o exercício de tomar em cada dia um momento e fazer dele algo. O que se pede da minha parte é um pouco de atenção e algum tempo para o amadurecer. Podem ser tantas coisas, que acontecem a partir de uma frase que se ouviu, de um rosto que passou por nós na rua, de algo bonito que fiz ou senti. De algo até que me fez sofrer. E reter esse momento como uma fotografia, para a ver depois, mais tarde, no coração.

No fundo o olhar que descobre é o mesmo que é capaz de amar o que descobriu. É um mistério de pegar num momento da Vida e transformá-lo em existência plena, que vai do mais fundo ao mais pleno, do mais sensível ao mais eterno.

É deixar que o coração leve este momento a uma entrega ao plano de Deus para nós. Somente deixar que a Vida seja amada. E o que acontece não se percebe nos nossos sentidos, só se sabe que é esta mesma força que nos vai modificando e santificando. E os momentos multiplicam-se, até chegarem a ser a totalidade da Vida.

24 novembro 2006

Tesouros

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Fazer uma viagem dentro de nós mesmos é um mundo de descobertas.
Passear tranquilamente pelo nosso coração, fazendo perguntas a quem passa por nós, maravilhando-nos com os quadros do passado, descansando em tantos lugares de abrigo, onde sempre existem fontes de água fresca, sobretudo quando os nossos passos estão cansados.

Existem dentro de nós tantos caminhos percorridos, alguns tão difíceis, que parece impossível que um dia fomos capazes de passar por eles, autênticos desertos.

O que mais me maravilha é uma infinidade de caminhos dos quais não se vê o fim, tantos e tão diversos. Uns que nos levam para o fundo da nossa terra, outros que se perdem longe no céu. E há uns que parecem tão bonitos e tão fáceis e outros que me chamam irresistivelmente a percorre-los, esses mais desanimadores à partida.

Fazer uma história dos meus caminhos é perceber que os mais bonitos não são necessariamente os que levam as grandes paisagens da Vida. E alguns de tão áridos que foram, acabaram por ser a chegada aos locais mais importantes dentro de mim, os verdadeiros tesouros meus.

23 novembro 2006

Ressurreição

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"Alguém me sorri, do balcão corrido, alguém que me faz sentir:
Que há lugares que são pequenos abrigos para onde podemos sempre fugir".


Entrei no meu lugar de todos os dias, o espaço das visões passadas, das contemplações agitadas de ventos trocados, mas de olhares serenos em metas sonhadas e já feitas em caminho.

E não foi preciso ir muito longe para além do mais fundo, de não me procurar nas paisagens onde me pudesse perder, mas de me deixar cair de braços abandonados em cima do colchão e ficar ali, quieto, a ouvir bater o coração. E sentir-me só, sem a percepção de nada para além de uma vitalidade que está presa a limites tão frágeis para quem tem a coragem de romper com dor as ilusões coloridas e seguras.

E no fim, ao entrar no meu lugar de todos os dias, cansado, mas desejoso, deixar que lágrimas felizes fizessem brilhar os meus olhos. Para ver através delas Quem me olhava. Está Vivo!

21 novembro 2006

Fragilidade segura

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Na comunidade onde vivi o ano passado, havia uma jarra de água com um formato muito estranho. Quase sem sítio para se pegar, que parecia que a qualquer momento se iria romper. O que era um facto, é que já durava há mais de dois anos. E interrogavamo-nos como era possível!?

E cheguei à conclusão que pelo facto de ser assim tão frágil, sempre pegava nela com todo o cuidado, enquanto a enchia de água ou a lavava.

No meio de todas as nossas grandezas de alma, temos sempre a noção que nos acompanha uma fragilidade grande, que às vezes parece partir-nos por dentro e tudo o que foi sendo construido e arrumado corre o risco de se perder.

Estou convencido que a nossa fragilidade é aquilo que nos faz maiores. Porque nos é dedicada uma atenção especial, somos levados com carinho, preservados neste desejo de servir a Vida com todas as nossas forças. O que podemos fazer é a nossa força. E o até onde podemos levar a força na fragilidade está nas mãos de quem nos leva.

E essas mãos sabem bem de que somos feitos e para que fomos feitos.

20 novembro 2006

Casal Estátua

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É preciso estar na vida de uma forma muito diferente! Passar por uma das avenidas de Roma, cheia de pessoas, com o risco permanente de ser atropelado por mapas da Cidade que passeiam abertos à frente de olhos encantados. E ao longe, uma pessoa-cor. Dourada. A puxar um carro com caixas e flores de papel. Douradas. Pintado dos pés à cabeça! Ia para o seu trabalho, como tantas pessoas na mesma rua.

Não é normal encontrar alguém assim, mas fiquei a pensar em quantas almas coloridas estariam a passar por ali também! Reconheço-me como uma delas, com cores bonitas.

Quando regressei pela mesma rua, mais de uma hora depois, o homem-ouro já não andava, e nem estava sozinho! Era agora uma estátua, acompanhado por uma senhora da mesma cor, e oferecia-lhe uma flor, de ouro apaixonado.

Já soube o que é estar apaixonado por alguém. Mas nunca soube o que é querer viver um sonho para uma Vida dois a dois. O que é algo a que não me sinto chamado. Só tenho a experiencia de pessoas grandes que o vivem há muito tempo e de tantas outras que sonham verdadeiramente com isso.

É um mistério difícil de tocar, o que é partilhar tudo até ao fim? Quando os dois forem uma só alma e uma só carne. É algo tão consolador e grande, pensar que o Amor tem no mesmo gesto o esquecimento e a entrega, e que o Sonho não é nem de um nem do outro. Não é só uma vida nova, é uma só vida nova.

Felicidades a quem sonha juntamente =)

19 novembro 2006

À tua espera (oração)

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Porque às vezes custa tanto acreditar que há sempre um lugar de abrigo, onde o tempo se encontra a deixá-lo passar no seu ritmo. E a espera torna-se sentido e comunhão. De quem nunca se perdeu, porque sempre preparou o nosso lugar. E da melhor maneira possível.

Uma imagem como essa cresce o desejo de estar simplesmente, olhar e deixar-se olhar, ouvir e deixar-se ouvir, tocar e deixar-se ser tocado.

18 novembro 2006

Outono

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O Outono é a despedida mais bonita. Como se a Natureza resolvesse dizer um até já e deixar um presente. Despede-se em cada dia de sol quente e céu frio, com o calor do Verão ainda impresso nas folhas caídas.

E estas cores lembram o aconchego e a presença de uma luz acolhedora que nos vais preparando para uma ausência fria, mas branca como a neve. Até que as flores tímidas aparecem a dizer olá! e vão plantando alegrias pequenas nas nossas paisagens.

Uma despedida adivinha um tempo de distância, mas deixa as marcas do que se viveu. E um tempo mais tarde, aparecem as mesmas sementes mais desenvolvidas e esperadas, e acompanha-nos de novo um sol onde se percorrem planícies ainda há pouco desertas e que oferecem agora espigas para serem tocadas nas palmas das mãos. E levadas pelo coração até onde for possível, que é sempre muito longe, para quem gosta da cor.

16 novembro 2006

Sereno

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Não querer ter pressas. Quando tudo à nossa volta parece querer ser para ontem, e quando os nossos desejos nos parecem longe ainda de serem concretizados. Vivemos nesta tensão entre o querer e o esperar.

Porque é bom querer e desejar, no fundo é que nos faz avançar, sobretudo quando temos metas claras do que queremos para nós. Mas é também uma fonte de instatisfação e impaciência, é difícil esperar os momentos em que tudo será perfeito!

Até lá, vivo na serenidade. De uma busca abraçada pelo sonho, dos sinais de que as coisas vão sendo diferentes e melhores, mesmo sem saber porquê. Desconfio e acredito que é uma força amorosa e paciente que nos vai enchendo ao seu ritmo.

Amo o ritmo da minha espera. E isso é serenidade. E é tão bonito perceber isto como uma meta, que não se consegue por querer, mas consegue-se por ter sido dado, assim, tão simplesmente, tão próprio das grandes surpresas escondidas.

15 novembro 2006

A Vida

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Hoje alguém mais velho da minha comunidade me dizia: "Eu já vi o que a tinha para viver durante todos estes anos! E com o que vejo estou muito feliz! Tu ainda tens tudo para ver..."

E vejo tantas coisas... hoje memórias e promessas.

Memórias que se fizeram de conquistas e opções, e outras, a maior parte, de deixar acontecer. Quantas coisas na vida, às vezes as mais significativas, não dependem de nós. As oportunidades levam a agir e a optar. E as minhas opções e acções fazem-me o que sou hoje. Sempre optei por me sentir conduzido, e continuo a optar por me deixar conduzir. Porque este sonho de ser grande e feliz depende de mim em tão poucas coisas...

E hoje vivo sobretudo as promessas... de acreditar em mim, e num destino infinito e pleno. Que não o descubro todos os dias, mas que se pode intuir a partir de uma visão do coração cada vez mais honesta comigo e cada vez mais simples no toque. Quero tanto ser uma atitude pessoal de agradecer e confiar!

Um sonho infinito de Deus para mim... a Vida!

14 novembro 2006

Avó Emília

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Hoje lembrei-me da minha avó Emília, que já está no Céu. O último contacto que tive com ela foi o seu postalinho de aniversário, a dar-me os parabéns pelos meus 16 anos, quando eu fazia 17! =) Morreu poucos dias depois...

É a pessoa mais próxima a quem posso pedir ajuda quando preciso. Sempre a recordo viva, faladora, comprometida em tudo o que fazia. Tão simples no seu modo de ser, tão grande no acolher quando íamos visitá-la pelo menos uma vez por mês à sua casa, perto da Covilhã. E a alegria que ela tinha por eu querer ser padre. Nunca me viu como Jesuíta, agora sinto-a como fazendo parte da minha vocação.

E isto faz-me pensar e rezar nas ausências da minha vida. E de como se pode ir vivendo com a dor e a saudade de não termos quem amamos sempre ao nosso lado. As que já partiram e as que ainda cá estão e que vamos deixando de ter contacto. E não é de todo uma experiência triste.


É olhar para um céu bonito e perceber que memórias não são coisas perdidas, são lugares de encontro com existências felizes que nos completaram e nos completam eternamente. Olho este céu e alegro-me sem rir, e consolo-me nesta certeza de ser verdadeiramente Amigo, Companheiro, Filho, Irmão e Neto.

13 novembro 2006

Querer Bem

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Quase sempre acontece. Receber na segunda feira de manhã algum mail ou mensagem a desejar uma boa semana. E isto também sucede mesmo em dias normais em que alguém diz tem um bom dia, ou um dia muito feliz!

E é algo assim gratuito, sem querer saber nada, sem perguntar o que se está a fazer. Apenas desejar o bem para alguém que se quer bem.

E fiquei a pensar quantas vezes o gostar de uma pessoa e quere-la bem passa por isto, que é tão pequeno, mas que pode ser tão profundo. Desejar-te bem, que te aconteçam coisas boas, que faças o bem, no fundo, que me alegro com o teu Bem.

Quando já não existem muitas palavras nem possibilidade de demostrar o quanto uma pessoa é importante para nós, alegrar-se com o seu Bem faz-me bem. É uma força de comunhão, vivida em oração, que aqui até nem é tanto de súplica, mas de agradecer e confiar em anticipação a Bondade de cada dia.

Boa semana! =)

11 novembro 2006

Conformismo? ... Nem por isso!

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Há acontecimentos que são tão habituais na nossa vida. E memórias que nos vão levando nos anos, que deixam de nos impressionar como no primeiro momento, mas que trazem sempre as mesmas sensações, vistas com outra experiência.

Esta imagem da bola no telhado é uma das mais recorrentes da minha infância. Uma linda tarde de jogo acabava subitamente num espectáculo de olhar para um telhado, e já farto de atirar pedras a ver se resolvia o problema, até que se fazia noite.

E passam as semanas e o espectáculo desiludido do acessível inacessível permanece. Mas a vida continua, até que uma bola nova e mais bonita faz esquecer a antiga.

E são estas as emoções pequenas da Vida. Particulares de uma existência que se vai afastando do impossível e que se quer centrar cada vez mais em abraços mais completos e mais reais. E horizontes acima dos telhados das casas. Para o Mundo, para um Universo chamado a ser transformado pela criatividade que me foi confiada.

É de alguma maneira participar de uma Criação impossível para as minhas forças, mas capaz de ser verdadeira quando é muito sincera em gestos pequenos de fazer o Bem.

10 novembro 2006

A Bondade

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É um facto do qual cada vez mais estou convencido. Que a Bondade de Coração é a qualidade que mais aprecio nas pessoas.

É como se fosse o chão de onde nasce um abraço que acolhe o mundo e as outras pessoas, que faz possível ser humilde, ser simples, ser generoso, ser alegre, apesar das dificuldades.

Por vezes é fácil confundir bondade e ingenuidade. Acho que é porque a Bondade sabe esperar e não retribui o mal com o mal, que está mais pronta a perdoar do que a reagir com amargura.

E mais uma coisa... quem é verdadeiramente bondoso no seu coração sabe que o é. E não se orgulha disso, mas tem a capacidade de o agradecer cada dia. Porque a Bondade não é conquista, é um Dom que se pede e acolhe. É a das marcas mais simples do Amor de Jesus por cada um, e é muito consolador olhar para si mesmo e rever-se nesta Bondade.

08 novembro 2006

Saber Esperar

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São assim coisas pequenas. Estar à tarde com um amigo, sentados nas escadas da fonte da praça do Panteon, como turistas. A comer um gelado ao sol de Novembro.

A falar da vida, de preocupações agarradas por sonhos e desafios futuros, de querer acertar mais com coisas essenciais.

São assim as coisas pequenas, momentos privilegiados de uma Vida que se procura e se encontra na paixão de ser cada vez mais pronto para Ser Tudo.

Esperar é uma sabedoria. Esperar que o coração pouco a pouco se vá arrumando nas memórias e sonhos que um dia o alimentaram. E que as memórias sonhadas vão sendo cada vez mais momentos de agradecer com simplicidade, sem querer complicar muito.

E é assim um tempo de procura e encontro de Paz, de cultivar novos espaços. Espaços esses que nos vêm ao encontro cada dia, com novas partilhas, novos projectos, novas dimensões.

A espera vem sempre associada com a confiança. Deixar-se levar na confiança de um Sonho de Deus para a minha Vida, pouco a pouco, quase sem dar por isso, vai alargando o meu coração para aceitar tudo. É quase imperceptível, mas é a experiência mais completa destes meus últimos dias.

07 novembro 2006

O Menino que queria ser Poeta

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Era sempre o esforço de todos os dias. Fazer cada dia uma coisa nova, procurar ser original, surpreender aqueles que o acompanhavam. E conseguia-o muitas vezes, o que ainda mais o confirmava nesta opção de vida, ser o Sr. Novidade.

O facto é que aos poucos se começou a cansar. Sobretudo quando via que tinha cada vez menos paciência para as coisas pequenas do dia a dia. E quanto mais ia pensando nisso, menos energia tinha quando se levantava de manhã da cama. E a fonte da criatividade começava a secar, pensava ele, nos momentos inspiradores de pôr do sol ou de lua cheia.

Estava a deixar de ser menino e queria ser poeta. E tinha toda a sensibilidade para isso, papéis de paisagens coloridas e memórias de desenhos tão completos. E uma caneta de inspiração que o podia fazer escrever as linhas mais belas da literatura mundial.

Faltava-lhe só a força para olhar as suas mãos e perceber o que podia fazer com elas. E as mãos não se perdiam em papéis, mas pediam-lhe Corações e Vidas.

Foi só uma questão de arrumar a escrivaninha. E sorrir para quem encontrou ao sair da porta de casa. E não foi nada fácil este primeiro passeio ao Mundo Humano. Mas regressou cheio de ideias para o seu próximo livro.

06 novembro 2006

Dar a Vida

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Ainda estou abalado com a notícia que recebi hoje do assassinato de um jesuíta brasileiro, o P. Waldyr e de uma Leiga para o Desenvolvimento, a Idalina, na Missão de Fonte Boa, em Moçambique. E de mais um jesuíta ferido, de Moçambique.

Não consigo dizer nem pensar muitas coisas... deixar sentir a revolta pela injustiça, de não perceber o sentido destes acontecimentos. O facto é que não os conheci, mas sinto a sua morte como a perda de alguém muito querido. Porque partilho com eles o mesmo sonho e o mesmo desejo de entregar a Vida a Jesus.

E é tão fácil ter discursos bonitos sobre dar a Vida, até ao momento em que nos sentimos pequenos perante os limites, que nos tiram a existencia em situações extremas. Que nunca chegam a ser verdadeiramente queridas nem desejadas... mas que acontecem, de forma que nos tiram o alento e nos deixam sem reacção possível...

E olho para mim, para os meus desejos de ser mais de Jesus, de dar a Vida Toda. E como sou pequeno na minha oferta, em como digo com gestos, pensamentos e palavras, tantos nãos.

Há uma frase que diz: "Sangue de mártires é semente de cristãos". São duas vidas que vejo dadas assim, e que todos preferiamos que não fossem. Mas agora são caminhos e intercessões para ser mais Crist(ã)o, mais igual a Jesus, menos preocupado com o meu mundo pequeno e os meus nãos ridículos, e a pedir a força de ser Mais.

Mesmo sem perceber, olhar as minhas mãos e perguntar-me se posso tocar tudo o que a Vida mais completa me pede.

05 novembro 2006

Razões para a felicidade

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Ontem tive uma conversa com um amigo pela internet, com o qual não falava há algum tempo. E deixou-me muito consolado. Por duas coisas: que os laços profundos não se perdem na distância e no tempo, porque o que se construiu, mesmo sem se dar por isso, mantem-se sempre, quando as relações nascem a partir da relação com Jesus. E senti essas marcas...

E porque lhe fui contando o que tenho feito e como tenho vivido. Foi assim uma espécie de repassar as consolações. E no fim tinha uma lista enorme de coisas tão bonitas para partilhar. A maior parte delas são as coisas do quotidiano, que tem a sua novidade, mas que são oportunidades tão preciosas de amar e ser amado, todos-os-dias.

Acho que não é de todo impossível termos em cada dia mais coisas a agradecer do que a pedir perdão. A questão está em olhar para elas. É inevitável que os pequenos - e também grandes - desassossegos nos perturbem... Mas se não me deixar limitar o olhar, se olhar para a planície mais preferida que encontro, quando quero, nas paisagens da alma, e agradeço.

E se quiser, não posso fugir a ser feliz todos os dias. Como o sou hoje.

03 novembro 2006

Limits are options

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Não foi assim num contexto muito profundo que ouvi esta frase. Mas faz pensar.

Limites são opções. E quando vivemos o limite, é quando nos sentimos mais movidos a optar. E não é nada fácil algumas vezes.

Querer superar o limite é sempre um instinto de vida, às vezes quase de sobrevivência. Mas é um terreno tão escorregadio. O querer sair depressa demais do limite, pode fazer-nos tomar opções de modo precipitado e acabamos por nos (des)iludir e constrir novos limites. Ou tomamos opções que não têm tanto a ver com outras opções fundamentais tomadas em momentos anteriores.

Tenho visto que na minha vida a grande opção perante o limite é parar... olhar e escutar. Tomar consciência dos traços deste desenho, de como se chegou aqui. E seguir a inspiração daquilo que me leva a ser consequente com o que quero para a minha felicidade.

O limite parece um obstáculo a ser feliz. Talvez seja mais uma oportunidade de confirmar as minhas escolhas. Aí um verdadeiro limite, por maior que seja, não me deve levar ao desespero, mas sim a querer ser mais firme. Isso exige calma e paciência... mais que isso, exige amor à Vida.

02 novembro 2006

Além de tudo

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Tens a atitude saudável perante a vida! =)





03 - singin'in in the rain
03 - singin'in in ...
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01 novembro 2006

Santidade

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O mês de Novembro é o meu preferido. É o mês do Outono, em que começa o frio, mas que é cheio de cor e luz. Também faço anos este mês. Inspira-me coisas bonitas.

Lembro-me sobretudo dos meus dias preferidos, de muito frio e o céu completamente azul. Em que se agradece cada raio de sol, em que todas as viagens são momentos de contemplação, olhando pela janela e vendo passar paisagens de árvores, campos e casas que transmitem aconchego.

E há uma paisagem acima de tudo. Em que se percorre a planície e se toca a cor com alegria. Os sentidos e o coração completam-se com o que rodeia cada passo que dou.

Viver este caminho completo da Vida é ir percebendo pouco a pouco que a santidade é possível. Que tudo parte de uma possibilidade que nos é oferecida cada dia, de viver em comunhão com os ideais sonhados para nós desde sempre. Que a atitude mais coerente é a alegria profunda, a humildade de amar e ser amado, a capacidade de agradecer cada coisa que acontece.

E fazer da Vida uma oferta tão simples como inconcebível, vivida na fidelidade de cada dia, num abraço ao Mundo até sempre.
 

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