13 novembro 2009

Além do desconhecido



O horizonte fascina-me. Não há nenhum lugar que mais me impressione interiormente que a planície. É um lugar ao mesmo tempo desértico e completo, com uma energia pacífica que consola e faz viajar além do que se vê. A montanha traz curiosidade, faz perguntar o que estará depois dela. A planície, pelo contrário mostra o conhecido, mas é um horizonte imenso que se vê, mas não acaba.

O caminho por entre a planície é uma metáfora de uma vida que sempre procurou alargar os próprios horizontes. Por entre poucas novidades, mas na confiança de que cada passo acrescenta um olhar novo ao que se conhece. E é tão importante ver quanto caminhar, são pequenas certezas construídas e nunca acabadas.

Não ser perfeito desgasta quem se arrasta incoerentemente por um  caminho que é obrigatório fazer. Aquilo que conhecemos não é suficiente para ficarmos instalados sem querer saber coisas novas. Um excesso de conhecimento é uma fantasia, fala apenas da parte mais pequena da vida. É o desconhecido além do horizonte que motiva o caminho livre e desprendido. Se formos capazes de alguma perfeição, então o grande sinal está na vontade com que ultrapassamos os próprios limites. E acredito que nisto somos perfeitos.

7 comentários:

Anónimo disse...

Caro Padre António SJ,

Muito obrigada!

concha disse...

Fez-me imenso sentido este post.Sempre gostei de olhar o horizonte líquido e sonhar com o lado de lá.Vencer a barreira desse horizonte foi em tempos um grande desafio que no entanto me abriu outros horizontes.Reconheço que nem todos foram os esperados mas fica a certeza de que eram os que eu precisava.
Um abraço

Nova Civilização disse...

Olá Antônio,

O que nos move no caminhar. A vontade de buscar algo que nos faça renovar!

obrigada,

Gisele.

disse...

Muito Belo!!!
Um abraço de saudades :)

Maria José disse...

Amigo. Sair de nossa zona de conforto é a melhor maneira de crescermos e evoluirmos. Belo texto. Gostei imensamente. Vou relê-lo, pois sei que ainda existem coisas a aprender nas entrelinhas. Grande abraço.

Liliana Vieira disse...

A imperfeição é a beleza da vida...
A procura da perfeição a causa da infelicidade.
O aceitar do que é imperfeito, como o que continuará a ser imperfeito é complexo.

A vida é simples. A forma como a olhamos é que a torna complexa.

Lídia disse...

Tenho sorte, vivo na Planície...

Realmente a Planície liberta-nos daquilo que somos, dando uma impressão conhecida mas perspectivando um crescimento e uma expansão do nosso ser. Abre-nos à liberdade, aumenta a nossa sede de conhecimento, oferecendo em simultâneo uma consciência do desconhecido, da surpresa... Uma vez, que estamos sempre a caminho sabemos que esse absoluto ultrapassa-nos totalmente e, talvez, nos aproximemos um pouco quando nos mostramos dispostos a aceitar o desafio... da Planície.
Beijinhos

 

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