11 fevereiro 2009

Trabalho contínuo


(sugestão de antrópico)


Falar do modo como rezo. É sempre um modo de me expor, mas acredito não ser suficientemente íntimo para o não partilhar. Falar da nossa vida interior, para além de uma prudência necessária,por vezes é algo que nos devíamos sentir quase obrigados. O trabalho que Deus faz em nós é luz, e essa não se pode esconder. Transparece em gestos e modos de estar, mas também na forma e no conteúdo daquilo que podemos dizer. E assim, poder ser luz para alguém é colaborar com o desejo de Deus de estar com cada um.


Há diversos tipos de oração, que faço conforme as circunstâncias, mas um deles é o mais habitual. Todos os dias rezo a Liturgia da Horas, a oração oficial da Igreja, de manhã e à tarde, que consiste sobretudo na leitura orante de alguns salmos, um pequeno excerto da bíblia e rezar pelas intenções do mundo, juntamente pelas pessoas e intenções que tenho presentes no meu dia. Mas não é só isto.


Sinto que sou sempre pouco merecedor do que Deus faz em mim e por mim. E como o Amor dele por mim me supera infinitamente e não tenho realmente consciência do que isso é. Com o passar do tempo, fui descobrindo que o Espírito trabalha em nós continuamente. É a minha frase espiritual que me define: "O meu Pai trabalha continuamente, e eu também", no Evangelho de João. E tenho disso a certeza mais absoluta. O que fica da minha parte é abrir a porta do tempo, do espaço e do coração para que Ele esteja e trabalhe, como Ele quiser.


Faço uma oração de presença, sem palavras e sem pensamentos, durante pelo menos meia hora, em que dirijo as minhas energias para Deus, dispondo-me à sua vontade. Ponho aquilo que sou diante dele, sabendo que Ele sabe o que preciso para o momento que vivo e esperando e confiando que me dará a graça para o fazer. Não espero milagres, nem visões místicas, quero apenas estar e preciso de estar assim. O que tenho de mais precioso é a Vida, e é isso que procuro oferecer em liberdade todos os dias. Se eu ofereço e me confio, Deus não pode deixar de aceitar, e assim me vai transformando, iluminando aquilo que sou e aquilo que faço.


É apenas isto... continuo a ser teimoso e a não deixar mudar muitas coisas em mim. Mas o amor é paciente, e esta paciência de Deus é também exigente, não gosto de ficar sempre igual ao dia anterior. =)

4 comentários:

Carl@ Mesquita disse...

Um pouco off nestes últimos dias... e já tinha sede. Sede de ler os teus textos, a mensagem, a tua presença, pela mão de Deus.

Recordas-te daquele dia... tempo de faculdade, sexta-feira, no antigo cab, pediste - ao grupo fantástico - para escolhermos, particularmente, uma música... a minha "Avé Maria de Shubert".
A razão dessa escolha e não outra... na altura teve grande sentido e, por isso, mt especial. Coisas tão simples, mas que marcam a luz da nossa alma.

Uma construção que se faz fazendo.
Uma oração que se diz crescendo.

com mts saudades, obrigada;) Valérius

susana disse...

nós somos todos merecedores do amor de Deus. Todos, sem excepção. Tu não és excepção.
Um abraço muito grande
su

Cadu disse...

A oração das horas é uma riqueza. Eu tambem rezo sempre que posso. Mas na COmunidade em que participo, aprendemos a rezar ao ritmo da vida. Rezamos trabalhando e trabalhamos rezando...

É uma graça ímpar..

Parabens pelo blog...

antrópico disse...

Portanto, segundo pareces dizer, rezar é: unirmo-nos às intenções do mundo (das quais Deus nos faz comungar, acho) e estar com Deus até Ele nos ir tomando por completo, logo não é fazer nada, mas deixar fazer. Xiça, isso é muito complicado, acho que doi. Ainda por cima pq pareces amar o que dizes, e quem ama quer deixar-se fazer e tomar sempre mais. Obrigado por partilhares isto connosco, antónio. cumprimentos

 

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