26 fevereiro 2009

Fim de tarde



Muitas vezes temos a noção que o tempo é demasiado breve e tudo acontece rapidamente. São raros os dias em que chegamos ao fim e podemos dizer que conseguimos fazer tudo o que estava planeado. Mas começo a ter dúvidas sobre o facto de querer dominar o tempo. Porque me dou conta que o motivo principal de perder o tempo destinado ao que estava previsto se chama surpresa.


É como escolher ir a pé em vez de apanhar o autocarro. Demora mais e cansa mais. Mas é melhor em tantos sentidos. Entram na minha vida pequenas histórias com as quais não poderia contactar se corresse a olhar para o relógio. E estas histórias são depois motivos de boas conversas e anedotas entre amigos... uma parte da vida não prevista, mas à qual dou cada vez mais importância.


Ao mesmo tempo, sinto-me com isto na fronteira de uma certa irresponsabilidade, que para não acontecer, me obriga a estabelecer prioridades e a ganhar o tempo da maneira certa. O fim da tarde é um tempo que pessoalmente prefiro para me surpreender, é quando o dia já me deu bastante que fazer, agora é tempo de viver mais profundamente o que acontece e sentir mais concretamente o pulsar de emoções, desejos e sonhos.


9 comentários:

Nélson Ramires Faria disse...

Quanto tempo tiramos para saborear a vida pelo que ela é e pelo que nos acontece?

Estamos tão obcecados pela ideia de viver "fazendo algo" que nos esquecemos de desfrutar da viagem.

Rosa disse...

Vivemos a correr.
É uma frase batida, mas é também uma real constatação.
E no nosso "final de tarde" vamos olhar para trás e ter a percepção que, não vimos, não ouvimos, não entramos ou não fizemos parte das histórias... que preenchem e enriquecem as vidas de cada um...

Que no fim de cada tarde tenhamos presente o que nos diz o livro de Eclesiastes:

"Tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de abraçar e tempo de afastar-se; tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz."

António, tenha um bom fim de semana
Abraços

Carl@ Mesquita disse...

Bonita reflexão... é como me sinto muitas vezes... e neste momento parece que não tenho tempo de fazer o que tinha planeado ou tudo o que queria. Mas, também é verdade, no fim de tarde, há instante que permanecem, nas coisas simples da vida...

Mas, o tempo corre e não espera.Tanto se apressa, aproxima como afasta. O Tempo!!?? Uma 'figura de estilo' que nos faz crescer, viver ao saber do vento e ao sabor a(mar).
Grande Beijinho* lindo e bom fimdesemana=)

Carl@ Mesquita disse...

O tempo tb é de SURPRESAS!!...e de Nascimentos (recebi mm agora a mensagem do Papá Tino...:=)

Mais uma vez... o Tempo e a surpresa!

Grande xi-Abraço, Kita:)

Cortes disse...

Conhecço-te e ainda não consegui perceber de onde...

Antonio Valerio, sj disse...

Olá Cortes! Pois... eu também não estou a ver quem és... se fizeste alguma coisa com os jesuítas,se calhar encontrámo-nos. Mas fui ver o teu blog e gostei mto, vou voltar com atenção. =) beijinhos

Ni disse...

É também quando volto a casa que mais apre(e)ndo do mundo que não esperava. É bom... Ganhar quando já nos julgávamos demasiado cansados para sentir.

Bjinhos

Cortes disse...

Faço muita coisa com os jesuítas, com o CUPAV, melhor dizendo. Mas estou a pensar onde estive contigo... Mas como estás em Rma, também poderá ser daí, mas não me lembro de estar contigo :) Estive em Roma em Dezembro com o Cristóvão.

Claudia Maria disse...

Eu sinto isso tb....vontade de andar pois qdo ando, embora pelos mesmos lugares que passo desde há muito tempo, me parece que, naquele momento, ele é diferente. É estranho s isso...e bom também, pq esse sentimente que aparece, naquele instante é um misto de nostalgia e bem-estar diferente, nunca sentido. Assim, parece que estou descobrindo coisas novas em lugares conhecidos...e isso me estimula a andar por esses lugares, na buca da "novidade velha".
Parece um sonho...real.

 

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