30 maio 2008

As iniciativas

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De quem parte a iniciativa de fazer o bem? Se há uma marca própria de quem irradia felicidade é o facto de não conseguir deixar de fazer o bem, e fazer que cada dia seja melhor. Não acredito muito que fazer o bem seja só uma resposta ao facto de ser amado. Assim, seria fácil continuar um jogo de recompensas.

Fazer o bem tem de ter qualquer coisa diferente, tem de ser gratuito. Muitas vezes passa por ultrapassar orgulhos feridos, e também por dar sem esperar receber. Amar quem não merece? Isso às vezes parece mesmo impossível!

Se pensássemos em oportunidades passadas de plenitude, dar-nos-íamos conta de que ficámos felizes porque fomos autênticos na nossa capacidade de sair fora de nós e dos nossos limites. Assim, acho que dá para acreditar que não somos feitos de recompensas, mas de gestos entregues, é mais natural em nós sorrir e ajudar, e a recompensa vem mais tarde. Não é preciso que tudo seja imediato.

28 maio 2008

Diz-me palavras bonitas

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As surpresas maiores acontecem quando os acasos trazem motivos alegres, que façam cair na conta de que temos muita sorte. Estes dias tenho andado às voltas com um trabalho que se arrasta há que tempos, mas que, pouco a pouco, se vai esclarecendo. Cada página é uma conquista, sobretudo se se tem de escrever em italiano! =)

Por isso, as horas passam ora depressa ora muito devagar, a folhear livros, a adormecer 15 minutos, para depois voltar a escrever e, finalmente olhar contente para uma página impressa.

No meio dos esforços, sabem bem as palavras e os acontecimentos bonitos, mesmo que não tenham nada a ver. É uma espécie de olhar para fora de um mundo limitado e acreditar nesta bondade de fundo que nos rodeia. E não são precisas muitas coisas nem muito grandes... as palavras bonitas são cor e são paz. Até porque chega aí o tempo dos exames, seria uma óptima oportunidade de dizer palavras simples e cheias a quem precisa.

27 maio 2008

Mundo colorido

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É preciso deixar correr as cores e não ficar parado em paisagens cinzentas. Um artista pinta um quadro não deixando escapar a força da cor. Talvez para que fique gravado um momento em que quis significar um sentimento, uma abertura para o seu próprio mundo.

Cada dia experimentamos um excesso de algo que vai para além do que vivemos. Muitas vezes, o problema é não saber como lidar com ele, parecem desafios grandes de mais, ou desinstalam-nos de programas feitos e rotinas confortáveis.

Tenho-me dado conta que não é muito fácil viver de acordo com os desafios de ir mais além cada dia. Às vezes não é mesmo possível, mas o estar disponível para dar alguma cor nova a qualquer acontecimento do dia abre o coração para um modo de estar mais irrequieto e artista.

26 maio 2008

É o que trago

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O que temos para dar são coisas pequenas. Ao menos quando, cada dia, pensamos no que podemos fazer para mudar a nossa vida, ou a vida dos outros para algo melhor ou mais completo. Há outras alturas em que nos é pedido passos de gigante, mesmo que não seja preciso um gesto extraordinário, apenas uma aceitação confiada das coisas da alma.

De todos os modos, a nossa normalidade é cheia de coisas muito comuns, deste tipo de encolher os ombros e dizer que não foi nada de especial. Mas foi grande e foi bonito. Foi disponibilidade nossa de acreditar no bem possível das coisas boas que fazemos cada dia.

Um dia alguém perguntou se fazer sempre o bem é difícil. Acho que não, porque é muito mais natural em nós, é diferente o que se sente depois de fazer o bem, ou quando nos damos conta que o deixámos de fazer. O que é difícil é querer fazê-lo sempre, com uma disponibilidade de todos os dias, sem preguiça e com alegria. Mas a vontade e o sorriso também são naturais em nós...

23 maio 2008

Sozinho?

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Verdadeiramente, aquilo que mais me assusta é a solidão. Creio não haver pior experiência do que querer falar, partilhar, amar e não ter ninguém com que se possa fazer isso. Já me encontrei com algumas pessoas assim, sobretudo em visitas a lares de 3a idade, e é mesmo difícil confrontar-se com esta resignação triste de não ter ninguém.

Na vida do dia a dia, apesar de normalmente estarmos rodeados de pessoas com quem nos damos bem, pode faltar este espaço único de dar o melhor que temos a alguém. É uma questão muito delicada e em grande medida, pode ser causada por opções de vida, mudança de lugar, e tantas circunstâncias que nos afastam de quem gostamos.

Nas nossas mãos está a capacidade de podermos fazer algo. Primeiramente, gostar de estar connosco mesmos, saborear a riqueza que somos, maravilharmo-nos da nossa beleza interior. Aí se cria um espaço de autenticidade que não nos fecha em nós, mas procura coisas novas. E, fundamentalmente, apaixonarmo-nos por aquilo que nos é dado por Deus, sabermos estar com Ele, senti-lo sempre presente. O amor de Deus leva a uma comunicação de Vida para além dos limites das coisas que fazemos e das coisas que nos acontecem. Fica-se mais leve, mais disponível e mais corajoso.

21 maio 2008

Aquilo que somos

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Hoje, como vinha sozinho no metro, tive tempo para ir olhando o que estava à minha volta. Fiquei impressionado com as histórias escritas nos rostos e nas roupas das pessoas. Uma cidade como Roma tem uma diversidade enorme de raças e culturas. Uma senhora romena folheava o jornal da sua língua ao meu lado, à frente uma rapariga com uma expressão muito curiosa, quase seria óbvio ser obrigado a tirar uma fotografia.

O metro pára numa estação, saem pessoas e entram outras... no espaço de 20 minutos a carruagem torna-se um desfile de mundos e viagens, de desejos e lutas. É curioso como nos passam diante dos olhos em tão pouco tempo uma riqueza enorme que não se consegue ter toda.

Somos também aquilo que os outros vêem em nós, e transmitimos aquilo que pensamos, aquilo que vivemos, o que nos enche e esvazia a alma. Um olhar com luz é maravilhoso, um rosto desiludido aperta o coração. É um desafio grande este de poder falar de coisas importantes sem dizer nenhuma palavra. Já me aconteceu esclarecer dúvidas em relação a algum aspecto da minha vida por ter contemplado aquilo que procurava no rosto de alguém.

19 maio 2008

Escrever

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Uma folha branca e uma caneta é um mundo que se abre. Muitas vezes não sei o que irá sair dali. Agora já nem se usam as folhas... fica aquele nervoso miudinho de estar a frente de um ecrã branco do computador enquanto os dedos passam pelas teclas à espera de começar.

Depois começam a sair palavras, associadas com pensamentos velozes que se querem apanhar. Dizem que a primeira frase marca o livro. Por isso até acertar se tenta uma vez e mais outra vez. Quando se põe o primeiro ponto final, está começado o caminho, começa a viagem. Tudo isto tem muito de entrega, são palavras e fantasias que ficam reais para quem escreve e para quem lê.

Cada dia começa com esta primeira frase, ou um som de despertador, a maioria das vezes, que toca muito mais cedo do que devia e tem sempre um som irritante. O primeiro gesto e a primeira palavra dão sentido ao que quero fazer do dia, àquilo que vai ser escrito, o que traz fantasia e vitória conseguida a mim e a quem encontrar.

18 maio 2008

As coisas insólitas

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O meu dia foi-se construindo a partir de uma lista de coisas-a-fazer nunca completas. A não ser uma pequeníssima parte dos dias em que ficou tudo feito. Riscar compromissos tem sempre associada uma sensação de bem estar. Há vantagens em ser organizado, para poder fazer muitas coisas em pouco tempo.

Não deixo de sorrir quando vejo acrescentarem-se as coisas imprevistas, sobretudo se forem insólitas. Enfim, coisas de quem tem muito para fazer e gosta de sons diferentes. Não há cansaço que valha uma boa oportunidade para rir e fazer rir, olhar a Vida pelo lado positivo e dar-se conta que é preciso e é bom relativizar as coisas pequeninas.

Uma coisa insólita é como uma surpresa dentro da carruagem de metro. Uma música inesperada que faz desligar o tempo, assim, num estalar de dedos. Seria bom fazermos mais por sermos mais diversos, num olhar simples e despreocupado. Não é preciso estar a contar cada um dos nossos passos pesados.

16 maio 2008

Flexibilidade

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A sabedoria oriental tem coisas fascinantes. Falam a partir da experiência comum e revelam coisas muito particulares acerca do modo como estamos perante a Vida. Ajuda-nos a fazer um exame de consciência sobre aspectos concretos que podemos ver e melhorar.

Falavam da rigidez e da flexibilidade. Um corpo rígido está relacionado com a morte. Um corpo flexível está relacionado com a vida. Um corpo rígido não consegue aguentar muita pressão sem se quebrar, ao passo que um corpo vivo dobra-se e continua a viver.

Se às vezes somos intransigentes connosco ou com os outros, pode ser bom, na medida em que clarificamos algumas coisas que fazem parte de decisões que levam a consequências. Mas se nos mantemos permanentemente numa atitude de estabilidade férrea, acabamos por deixar passar ao lado as oportunidades que nos possam suavizar. A flexibilidade é um bom remédio para a disponibilidade, para estarmos atentos aos movimentos do vento e do que acontece à nossa vida, sem, contudo, perdermos as nossas raízes.

15 maio 2008

Momentos conseguidos

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O que tantas vezes nos faz falta são estímulos que nos animam. Apesar de, no fim de contas, estarmos dependentes daquilo que fazemos do nosso tempo, da energia que pomos nas coisas que pensámos um dia e agora vemos concretizadas, não deixa de haver um espaço próprio que está reservado a qualquer coisa exterior que motiva os nossos gestos.

Não é bom dependermos de "pancadinhas nas costas" mas são sinais de que fazemos algo que está a ser construído e se pode partilhar. Aquilo que alimentamos nos nossos sonhos fica mais real, quando vemos que é algo útil e ajuda alguém, para além da nossa satisfação pessoal.

A fronteira dos desejos de conseguir está entre a vontade de nos pormos em caminho e os efeitos que vêm desse esforço. Um momento conseguido é ficar contente com ambas as coisas. E o que é mais curioso é que conseguir algo parece quase sempre um começo de algo novo e mais completo.

13 maio 2008

Ter esperança

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Hoje numa aula consegui perceber uma coisa que há muito tempo estava à procura, apesar de parecer óbvio, mas há um conhecimento que ilumina aquilo que se estuda e se consegue passar para a Vida como um consequência. E, em termos de fé, é quase inevitável que isto aconteça.

Que a história que Deus tem para o Mundo não é algo abstracto, e que se poderia traduzir com palavras fáceis e pouco compreensíveis de que Deus salva a história. Porque, de facto, a história que vivo é a que sinto todos os dias, a que vejo na rua, a que leio nos jornais. É esta a história que me faz e à qual tenho acesso. E esta é cheia de perplexidades e contrariedades, misturada com momentos de amor e sentido. Vivemos nisto, cada dia que passa.

É esta a minha história que, desde dentro, é tomada por Deus para se realizar numa plenitude de alegria. De um modo visível e invisível às vezes, mas sempre presente. E é a esperança a que ajuda a ver tudo o que acontece como promessa de plenitude, de desafio a ser e a fazer melhor. Porque não estamos longe... Mais uma vez, isto não se faz apenas por palavras ou discursos bonitos, as nossas mãos e o nosso olhar serão a melhor mensagem que podemos dar desta certeza.

11 maio 2008

Espírito

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Hoje é o Domingo do Espírito Santo. Seriam precisas muitas palavras para explicar o que é, mas ao mesmo tempo, como as coisas de Deus falam de algo tão essencial, as palavras nunca chegam.

Espírito é vida e é presença. É o que nos anima desde o mais fundo a construir e aceitar o que somos. É aquilo que ajuda a nossa verdade a ser mais completa. É o que dá paz, alegria e consolação. Talvez não haja maior felicidade do que estar definitivamente marcado por um Amor que vem desde sempre, que não fica esgotado nas nossas oportunidades, mas que leva sempre mais longe e a querer fazer mais do que amarmos de forma pequena.

A grande riqueza do Espírito santo é que este não se dá em pequenas partes. Porque é de Deus, é total, e temos em nós todo o Espírito. Se verdadeiramente nos déssemos conta disso, a nossa Vida seria muito mais agarrada desde dentro, e os nossos olhos brilhariam com esta presença. Sermos felizes sempre e para sempre =)

E é bom, muito bom experimentar isto...

10 maio 2008

Tempo Breve

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A fronteira entre o nosso presente e o nosso futuro é muito breve. Vivemos continuamente em direcção a algo que projectamos e pensamos, mas que vem envolvido continuamente em incertezas e surpresas. Talvez seja esta a nossa condição principal e o saber que, de facto, não vivemos numa estabilidade plena. O que poderá trazer medos, mas também gestos de confiança. Sobretudo estes últimos são os mais importantes.

Estes dias tenho vivido, na escola em que dou catequese, uma experiência de confronto com o futuro, na circunstância da morte bastante rápida do Reitor, com um cancro. De como há quinze dias atrás não se supunha que o fim estaria tão próximo...

S. Paulo, numa das suas cartas, diz que o tempo faz-se breve. Não é que passe depressa, mas sim que este se recolhe, como as velas de um navio. O momento presente está carregado de todo o cumprimento futuro e, naquilo que hoje somos, está escondido o Mistério do que podemos ser, a nossa energia vital mais preciosa, o Bem que podemos ser já agora no mundo, independentemente do que projectamos.

09 maio 2008

Papéis soltos

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Há alturas em que temos em cima da mesa uma confusão de papéis e livros abertos, entre garrafas de água e listas com o que há para fazer. Sem poder decidir o que é mais urgente e quase na impossibilidade de calcular o tempo necessário para cada coisa.

Se pudesse encontrar um ritmo de fundo que seja marcado pela respiração e pela paz, de quem faz as coisas certas no momento certo, que abraça o relógio sem estar dependente da velocidade a que passa. Podemos sempre cuidar muito melhor de nós, sendo, em tudo, aquilo que podemos ser de modo completo.

E este espaço nasce da capacidade de levar a solidão como boa companhia, onde estejamos nós e a verdade de Deus, porque se estivermos divididos em pequenas partes pelo nosso mundo, estendemo-nos em fragmentos pesados que nos fazem andar devagar e de olhos no chão.

07 maio 2008

Não se dá o que não se tem

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Às vezes, as frases repetidas fazem muito sentido. Vivemos espontaneamente fora de nós, procurando oportunidades de realizar aquilo que sonhamos, de cultivar e cuidar as nossas relações, de fazer aquilo que gostamos e também aquilo a que a Vida nos vai obrigando. E apetece ficar em casa para não apanhar muita chuva, nem sentir o desconforto do que há para fazer e não apetece muito.

Mas continuamos a olhar para fora. O que em si é bom, porque ficar parado dentro de si a cultivar o bem-estar espiritual possível, acaba por nos trazer pouca luz.

Pelo contrário, se o nosso estar em casa é marcado por momentos de verdade que dizem de nós próprios aquilo que nos agarra por dentro, ficamos unidos a qualquer coisa que tem a ver com a profundidade dos nossos gestos fora de nós. Não nos podemos dar verdadeiramente, se primeiro não formos capazes de nos entregar ao que somos e temos entre mãos. Aí sabemos os nossos tesouros e o modo perfeito de os oferecer ao mundo.

06 maio 2008

Podemos voar!

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Porque somos capazes do melhor que podemos imaginar e sonhar. =)

05 maio 2008

Sermos todos

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O que mais nos divide são as nossas incertezas. Como quando começamos a andar, ou abrimos os braços para receber qualquer coisa, ou estendemos a mão para agarrar algo e, de repente, sem grandes explicações, voltamos atrás.

Vivemos de inspirações momentâneas e pomo-nos logo a agir. O que poderá estar na origem dos nossos avanços e recuos não é muitas vezes a preguiça ou as circunstâncias. É algo que vem de mais longe e mais fundo. Tem a ver com o facto de começarmos um gesto sem estarmos inteiros naquilo que fazemos.

Isto tem muito de ideal, e não temos a atenção suficiente para ver se temos todas as condições para começar coisas novas e grandes. Nisso joga um papel muito importante a confiança. Mas não será a confiança um espaço de unificar o que em nós é medo e coragem? O que nos faz perceber o sentido das coisas futuras e o que podemos, de facto, fazer de modo completo e autêntico?

04 maio 2008

Mergulho

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A autenticidade tem muito de corajoso. Por vezes é muito difícil perceber o que somos e aquilo que acontece dentro de nós. Talvez porque nos habituamos a ter uma determinada imagem de nós próprios e qualquer novidade obriga-nos a mudar os nossos esquemas e rotinas.

Muitas vezes, porque o queremos, a luz de qualquer coisa nova faz tanto sentido que nem sequer olhamos às consequências. Sobretudo quando este salto tem a marca do amor e da verdade, somos coerentes com os nossos desejos mais fundo e uma luz especial ilumina o nosso olhar.

Mas quando saltamos para um escuro pouco verdadeiro, imediatamente sentimos uma espécie de medo de que algo que nos pode magoar. ou magoar alguém. O tempo diz muito acerca do que acontece quando arriscamos. Mas se há algo a que nos podemos agarrar é a nossa história de sinais completos. Não é imediato percebe-la, mas é importante parar para a reconhecer. Talvez este seja o primeiro salto decisivo.

02 maio 2008

O esforço e a delicadeza

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Tenho aprendido nas metas que faço na minha vida, a respeitar os ritmos meus e dos outros, sem deixar de ser exigente com aquilo que deve mesmo mudar. Às vezes precisamos de uma paciência quase infinita, normalmente connosco próprios, já que lidamos continuamente com os nossos altos e baixos.

Podemos cultivar uma sensibilidade de fundo à nossa harmonia, que pretende ser completa e que nunca o está... para isso são importantes as decisões. As possíveis e as que levem sobretudo a gestos maiores, que nos espantem daquilo que somos capazes de fazer quando saímos de nós e fazemos o bem.

Equilíbrio, serenidade, ousadia... seriam aquilo que trazemos cada dia à luz do sol, que ajuda a arrumar a casa, a sermos nós próprios dentro dos nossos muros e a sermos dos outros nos nossos passos.

 

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