31 março 2007

Mundial

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Ontem à noite, vieram aqui falar na comunidade dois australianos, um senhor e uma senhora. Vieram divulgar e incentivar a colaboração na preparação das próximas Jornadas Mundiais da Juventude, na Austrália, em 2008. Os jesuítas organizam um mês de actividades em vários países da Ásia, que inclui a participação nas Jornadas. Chama-se Magis 2008.

Mais que o programa que, de facto, está muito original e bem pensado e me deixou uma vontade enorme de participar, tocou-me outra coisa.

Eles não eram religiosos, eram pessoas dedicadas a isto, com as suas famílias e trabalhos. E estão este mês a fazer uma viagem por todo o mundo para explicar o que vai ser o Magis 2008.

De repente, ver duas pessoas que vêm do outro lado do mundo e falam de coisas tão comuns, como a fé, a descoberta de Jesus, a espiritualidade de Santo Inácio. E o entusiasmo com que falavam disso, deixava ver o que são, brilhava a luz própria de pessoas entregues a Deus.

Há qualquer coisa misteriosa nos caminhos da fé... o que é isto de viver Jesus em línguas e culturas tão diferentes? Tem muito sentido, isto de nos dizermos os mesmos filhos e os mesmos irmãos.

PS: Já agora, aconselho a visita ao website do Magis08. Vale mesmo a pena =)
www.magis08.org

29 março 2007

Angel

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Existem anjos?

Mensagem, protecção, sinais. Um olhar de Deus mais próximo e dedicado. Não é uma figura, é algo que tenho comigo desde que fui sonhado. Pronto para tudo, uma colecção de cores ou um álbum de memórias. A vela de um barco, uma escada para subir e ver o fim do caminho.

Não estou sozinho por causa de um anjo. Personagem de louvor e agradecimento. A contemplação mais completa. A música mais forte, que enche o vento que me leva do passado ao presente. Sem medo da tempestade que venha...

Saborear esta Amizade é firmeza de coração. Só a segurança nos traz estabilidade. Ser capaz de ouvir: estou aqui, sempre... é a mensagem mais perfeita.

28 março 2007

Sabes o que te fiz?

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Não sei... sinceramente é difícil perceber a totalidade daquilo que me ultrapassa. Tenho sentido esta intuição e esta pergunta nos dias antes da Semana Santa.

Olhar para a cruz é o que me move a ser feito. Sem perguntar nada nem querer saber nada, com uma só pergunta... Sabes o que te fiz?

Quando recebemos algo grande de mais, ou não acreditamos, ou não somos capazes de ver tudo. Às vezes por medo ou preguiça de corresponder.

Nas coisas do amor, não se devolve nada. Apenas se pode transformar. Isso é grandioso... Um mistério de alguém que morre por mim, só pode fazer mudanças em mim. Não me deixa indiferente, senão, seria uma pedra, ou um lago de águas paradas... E não quero mesmo ficar com esta ideia de que já tenho tudo e preciso fazer pouco.

Não estaria a responder à pergunta.

27 março 2007

Caminhos

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Tenho estado, estes dias, a sonhar e a preparar uma peregrinação a pé, a Santiago de Compostela, para o Verão. E fui recordando as que fiz, que me lembre, 14 até hoje. A peregrinação do Noviciado, (a grande), outra com a minha irmã à sra do Almortão, uma a Xavier, a Vila Viçosa, duas vezes à sra da Lapa, seis vezes a Fátima, uma vez ao Sameiro e outra a Santiago.

Em comum, caminhar ao sol, à chuva ou à neve, dores nas pernas e muitas bolhas nos pés. A entrada nos lugares, acompanhado por um grupo ou só por uma pessoa. Horas de conversas e silêncio, tempos de Deus...

O facto é que não imagino passar um ano sem fazer uma peregrinação. É quase uma purificação de tudo o que me fez andar longe do meu caminho, e passar por uma experiência de dor física, faz-me acertar, uma e outra vez, em coisas tão fundamentais, só minhas e Deus.

São os caminhos que se fazem por dentro. Acho curioso. Constrói-me no ser cristão. Participo em cada passo nas peregrinações de milhões de pessoas durante milhares de anos, algumas vezes pisando as mesmas pedras. Ser caminhante, da esperança e da certeza. Para ser feliz, sempre mais feliz...

Partilho um segredo de um ritual meu... antes de começar a andar, toco, sem ninguém ver, a porta da casa ou da Igreja de onde parto. É indescritível voltar a tocar a porta do lado de lá, no momento em que se chega...

26 março 2007

Tempo de memórias

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Numa história de passados e presente,
há luzes que caminham connosco,
pelo resto da Vida.
Ao meu futuro,
fica tão fácil entregar a alma...

25 março 2007

Peregrinação

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Vi ontem, por acaso, o calendário do próximo ano. Daqui a um ano, neste mesmo dia, será terça-feira depois da Páscoa, o dia em que serei ordenado diácono, aqui em Roma, se Deus quiser.

Senti-me a começar uma conta-atrás no tempo, em que se vão concretizando os momentos daquilo que serei no futuro. É muito consolador sentir o presente, adivinhando a força do futuro. E tantas coisas ainda acontecerão...

Há dez anos atrás, estava no processo de descobrir se vir para Jesuíta era o que eu queria da Vida. E fui passando por paisagens de dentro e de fora, Leiria, Coimbra, Braga, Porto, Santo Tirso, Bilbao, Roma. Ser, depois de dez anos, uma pessoa diferente, continuando a ser a mesma. E mais um ano, novas transformações, que melhorem e dêem sentido ao que sou hoje.

Hoje é um dia de peregrinação pelo passado, que vê chegar o futuro sem saber o caminho até lá... A vontade e o desejo de acertar é o que, definitivamente me constrói.

Desejo hoje também, a um grupo muito querido de amigos, que acabam hoje um fim de semana de Exercícios Espirituais, um bom regresso de si mesmos, e aquela vontade de ser Luz e Vida peregrina.

24 março 2007

Ritmos

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É bom fazer o que quero... e ter tempo para isso e possibilidade de o fazer. No final de um tempo de descanso, a fazer o que se gosta ou estar a falar com algum amigo, sente-se que não se perdeu tempo.

Ficam algumas coisas "urgentes" para trás. Aí está o equilíbrio do meu ritmo. Há alturas em que há tempo para tudo, menos para nós próprios... E é tão importante cuidarmos de nós. Entre o ter alguns minutos, poucos, de paragem interior e exterior, ou nenhum, porque se não for a sério, não dá, o coração vai-se gastando fora de si.

E, por outro lado, fazer o que quero, não é igual a fazer o que me convém. A outra parte do meu ritmo. No fim, fica um vazio de poder ter aproveitado melhor aquilo que verdadeiramente quero da Vida.

São as duas coisas importantes, a qualidade e a quantidade do meu descanso e do meu tempo de cuidar de mim. É uma prioridade esse tempo. Nas possibilidades da quantidade, escolho a maior qualidade. E as coisas "urgentes" vêm transformadas.

Bom fim de semana, e bom descanso! =)

22 março 2007

De sombra e de Luz

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Escuta... depois de correr à chuva, com os cabelos molhados, cansado. Ouve-se o respirar ofegante que abre a porta. - Entra!

Dão-lhe uma toalha para se secar. - Está tão quente aqui, é bom voltar a casa. - Onde estavas? - Por aí... longe de mim, às vezes... - É bom encontrar-Te.

- E é bom estar à tua espera! Senta-te aqui. Conversas de música e fotografias... tanto do que a Vida fez de nós. Estás bem? - Sim, agora estou... Se te quisesse dizer porquê, não saberia. É como se estivesse a andar de carro por uma estrada no meio de planícies. Onde tudo é igual, mas de repente, há um sítio escolhido.

Onde vi o pôr do sol ou um céu de estrelas... Não escolhi o momento em que tudo pode acontecer. Consola tanto como faz doer... abrir os braços e fechar os olhos, deixar-se levar no vento...

Com grandes certezas, com maior vontade de ser a luz da minha sombra. Gosto de te ver aqui... Tens razão, és o meu lugar...

20 março 2007

Orgulho?

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Hoje preparei a Oração Comunitária que fazemos aqui em casa antes de almoço. Escolhi, quase por acaso, um texto da Carta aos Romanos (5, 1-5).

E falou-me de tantas coisas, enquanto lia e pensava nisto. Quem acredita, orgulha-se nos seus sofrimentos, porque o sofrimento produz a constância, a constância produz a virtude, e a virtude produz a esperança.

É o círculo completamente oposto. Porque tantas vezes o sofrimento produz a fuga, a fuga produz uma vida artificial e uma vida artificial produz o desencanto com a Vida.

Sinto em mim estes dois caminhos, consoante o que mais me convém, e o que é mais fácil, segundo o tipo de sofrimento. Às vezes encara-se e outras foge-se. O resultado de um ou outro caminho, a médio ou longo prazo, é sempre este, a esperança ou o desencanto.

Não posso viver sem momentos de sofrimento. Sinto-me capaz de ter este "orgulho" neles?

19 março 2007

Dia do Pai

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Sim, hoje escrevo sobre o dia do Pai. =)

Ser Pai compromete pelo menos duas pessoas. O Pai e o Filho. Não existe um sem o outro, como não existe sem a Mãe. É um dia bonito para agradecer a Vida que recebi, e a pessoa que a deu.

Vejo o meu Pai como alguém precioso, que fez cumprir um sonho de Deus para uma pessoa, que começa por a apoiar nos primeiros passos, que a ensina a viver e conviver, que a vai vendo crescer até que um dia sai de casa e começa a própria vida.

Ser Pai deve ser uma história feita tanto de ganhar como de perder. E é tão bonito ir vendo como se deixa um filho na sua Vida sem nunca deixar de o ter. Porque é seu desde sempre.

Tem sido isto que aprendi e continuo a aprender com o meu Pai, uma das pessoas mais extraordinárias que conheço. Se tenho alguma dívida para com ele, nunca a poderei pagar, pois sou eu mesmo. Parabéns! =)

18 março 2007

Esperar

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Qual é esta capacidade desconcertante do Amor? Aquela genialidade de procurar caminhos novos nas coisas de sempre.

É tão diferente viver por obrigação ou viver levado pelo entusiasmo. Acho que isto é um dom, de quem reconhece que quer ter um coração capaz de ser simples com as coisas maiores.

É um trabalho de paciência o que nos leva a não flutuar à deriva, mas estar na vida como se assim fosse. Entre o ser levado e o querer ser levado. Saborear uma cor como se tudo dependesse dela para poder ver o mundo. Mas ter um abraço de arco-íris, entre dois tesouros, um de cá, o outro, de um mundo que não conheço, mas ao qual sei que pertenço.

O que é mais importante? É tudo... como se não fosse nada. Amar somente... é isto? Não sei o que é, mas percebo-o em coisas muito concretas.

17 março 2007

A experiência

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Sei olhar para fora da minha janela... é grande um horizonte de mar e deserto, talvez os dois juntos... enfim! Desenhar fábulas encantadas no ar, como se pegasse num lápis com todas as cores e pintasse os caminhos, para serem sempre novos.

Talvez alguém os olhasse, e perdesse tempo com os passos que se dão. É tão bom olhar para trás e sentir-se construído...

Alguém precioso recebe um tesouro precioso. Faz o teu céu, não do que gostarias de ter, mas aquele que já conseguiste. Aquelas coisas que duram milhões de anos, mais que a memória, as que são como estrelas. Que já levantaram os olhos de quem atravessou mares de água e areia, e que hoje servem para ficar feliz, porque estão hoje ali para nós, quando se está deitado no chão a sentir o rumor do tempo.

Felicidade... a tanto obrigas a quem te recebe?

16 março 2007

Sol

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Esta fotografia fez-me lembrar a minha terra. Não seria estranho ver alguém assim por lá. Quando o sol é mesmo forte, é preciso defender-se. =)

Mas sem medo de estar na rua, vê-se o que passa, anda-se metido no vai-vem das pessoas e das coisas. Um dia de sol é um chamamento a estar fora da nossa casa, a descobrir novos caminhos, a trazer a nossa alegria para a rua.

Tudo é mais completo quando é quente e quando é luminoso. Nota-se na disposição das pessoas. E acredito tanto que somos feitos para a luz... Alguém que se reconheça como capaz de dar algo, de contribuir para o Bem, sabe o que significa um raio de sol, quando se está sentado sem fazer nada...

Porque somos capazes de dar mais do que supomos, quando sabemos o que somos e o que podemos fazer com a nossa luz.

15 março 2007

Olá!

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Há uma coisa que, se calhar, tenho que trabalhar a minha sensibilidade. De facto, não gosto assim muito de receber aqueles mails colectivos para todos os amigos, com fotografias e frases bonitas a dizerem que sou essencial e que tenho que o mandar de volta... Pode fazer sentido, mas acho que no fundo é um problema estético =).

Gosto de, num dia qualquer, a uma hora qualquer, olhar o céu e o sol e encher-me de pensamentos bonitos, para quem é importante, mesmo que já não saiba quase nada... E fazer um sorriso que se veja e chegue até essa pessoa de mil e uma formas.

Será uma forma de rezar por elas, ser feliz em pensar na felicidade que chega às mãos de outras pessoas, assim simplesmente.

14 março 2007

Deus Terrível

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Estive há pouco a falar com um companheiro sobre a linguagem utilizada na Liturgia das nossas missas, que tem termos e coisas muito difíceis de perceber e, por isso, não ajudam a viver o mistério de Amor que é a celebração da Missa. E é um facto que, muitas vezes, não ajuda, porque se ouvem coisas que doem nos nossos ouvidos.

Uma das que mais chama a atenção é a expressão: "Deus Terrível". Como falar a Deus que é Amor e Bondade, chamando-o Terrível? Podia perder-se imenso tempo em explicar o que este termo pode significar a nível da Bíblia, e que até seria melhor não a usar, mas fico-me por uma coisa que fiquei a pensar.

Seria fácil substituir "Deus Terrível" por "Deus Grande". É mais carinhoso =). Mas quando Jesus diz: "ama o teu inimigo, a ponto de dar a Vida por ele", não estou diante de um Jesus enfeitado com cores bonitas. Se levar isto a sério, estou diante de um verdadeiro Deus Terrível, que abala o meu mais profundo sentido de auto-suficiência.

Ser Cristão é exigente, mas tenho a experiência que quando consigo viver tudo no Amor mais completo, também consigo rezar a este "Deus Terrível". Mais, até acho que pode ser uma necessidade.

13 março 2007

O que falta

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Estes dias tenho estado em contacto com uma sensação. Este tempo de Quaresma pode ser mesmo um desafio enorme, se deixarmos que as perguntas surjam com naturalidade, sem ter medo delas, mas vê-las como caminhos de certeza, rumo a nós próprios.

Porque é tão fácil termos medo das coisas melhores que temos...

A Conversão está ligada a uma verdade e a um desejo. Tenho-a feito para mim mesmo assim: Que me falta para ser perfeito? É uma mesma verdade, a daquilo que me falta e a da possibilidade de a ter agora. É um grande desejo que se joga numa opção por coisas concretas.

Para ser perfeito, falta-me um coração mais simples, mais encantado. E isto é muito consolador. Se tenho um bom desejo de simplicidade e encanto com a Vida, é porque tenho um coração capaz disso. Isso é um dom, só me falta acertar com a minha possibilidade, já dada, de perfeição.

12 março 2007

Aqui

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Aqui, onde tudo acontece, fala-me a força do que quer ganhar vida. Aqui, neste lugar quente e arriscado, onde se joga o meu mundo, onde tenho a força de, com o mesmo gesto, poder amar ou poder destruir.

Aqui neste sítio de silêncio, onde nada acontece como quero, mas onde quero que aconteça aquilo que não posso fazer por mim.

Aqui, neste lugar onde acontece tudo o que sou, quando consigo entrar em tudo o que desejo de mais eterno. O mesmo sítio, aqui, onde posso deitar fora as oportunidades mais completas. E ficar cheio de coisas pequeninas, atafulhado até não me poder mexer.

"Quando uma só coisa é necessária"... complicamos tanto o nosso coração...

10 março 2007

Tele-Pontes

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Estar aqui em Roma tem sido um privilégio para poder ter algumas experiências do que é a dimensão do Mundo. Só o passar pelas ruas e ouvir linguagens desconhecidas a todo o momento é algo disto.

Hoje assisti a uma oração do Terço com o Papa, para Universitários de Roma. Este ano teve a novidade de haver uma ligação por satélite que ligava Roma em tempo real com outras cidades da Europa e da Ásia, Manchester, Bologna, Coimbra, Cracovia, Praga, Calcuta, Tirana, Hong Kong e Manila. Os mistérios do Rosário iam sendo rezados por pessoas de cada cidade, com o Papa a dirigir a oração.

Num momento, milhares de quilómetros de distancia física, linguística e cultural, se juntaram no mesmo espaço para rezar. O que os avanços humanos podem fazer para nos por cada vez mais perto.

Numa das orações falou-se do Espírito como tele-ponte, a partir desta experiência que estávamos a fazer. O que é um facto, é que o entusiasmo de viver isto, fazia-me sentir em comunhão com aquelas pessoas que estavam tão longe. E isto não se dava só por causa de um satélite. O que vivi foi muito diferente de uma experiência de romper barreiras tecnológicas, foi muito mais que isso.

O Espírito Santo é mesmo fenomenal, o mais perto divino de nós.

09 março 2007

Confio em Ti

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Gosto de Te olhar assim, só por saber que és feliz por isso... =)

08 março 2007

Saber ver

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Olhar para a Vida a partir de uma janela bonita é ver o mundo como ele é? Pode ser um vidro transparente, ou um vitral de cores aquecidas pelo sol. Um vidro sujo, esse certamente distorce a minha visão...

E que coisa é sentir-me no meio do mundo? Sem olhar da varanda e ser capaz de me misturar com a Terra que piso?

É fácil viver longe de mim, quando olho pelo vidro da janela mais bonita do mundo, ou quando até penso que sou transparente ao sentir o vento a passar pelos cabelos.

Olhar para fora de mim pode ser tão comprometedor como evasivo. Tenho-me dado conta que nenhum olhar meu é mais transparente do que aquele que faço com a minha verdade. E olho-a sem medo, até ser capaz de a amar. Será a partir daqui que sinto que os meus olhos são as janelas perfeitas... desde as quais olho para tudo, sem me distrair com os vidros que tenho à minha frente.

06 março 2007

De quem eu sei

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O modo como Jesus nos conhece é tão insondável. Vê tanto para além de nós mesmos. A minha história vai sendo pouco a pouco descoberta num lugar secreto. Ao qual preciso ir todos os dias.

Já se tornou parte do meu presente ouvir no meio do silêncio e deixar entrar os ruídos do dia, fazendo deles uma música que faça sentido.

Muitas vezes, há coisas de fora que levo para este lugar que teimam em desarrumar a casa. E procurava fechar portas e janelas para estar convencido de que isto não era tão importante. Deixar desarrumar a casa foi um tempo de transformação, mais profunda do que imaginei. E não consigo viver já sem esta desordem. É a minha mais simples verdade...

Consegui ser com tudo o que acontece, e sem perder nada do que me pode tirar a ordem e a paz. Sinceramente, seria ingénuo querer viver num mundo perfeito, quando fora do meu lugar existe uma confusão constante. Este lugar é tão profundo e radical, tão quente e acolhedor, como aberto a todos os ventos e tempestades.

Diz Deus: "Porque confias, deixas-me ser a tua tempestade, tu, de quem eu sei tudo..."

04 março 2007

Tapete mágico

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A vida é um mundo de surpresas. É tão encantador fazermos viagens pelos mundos uns dos outros. Porque não é por acaso que duas vidas se encontram. Há algo no mais fundo que fala de uma história passada muito antes de termos consciência dela.

E no mundo e na história vão-se cruzando caminhos que a certo ponto se encontram, num gesto de saudação novo e ao mesmo tempo tão antigo... Como se um tesouro escondido aos olhos tivesse sido aberto, assim de repente, no coração.

É uma responsabilidade o conhecermo-nos uns aos outros. Conhecendo sou conhecido, como sou, com coisas bonitas para dar e outras menos boas para serem percebidas e melhoradas.

Porque Deus vai pondo pessoas essenciais em momentos essenciais. É uma viagem feita de tapetes mágicos, de cores garridas e felizes, em mundos de fantasias tão reais, que consolidam os desejos de sermos cada vez mais próximos uns dos outros, para nos transformarmos, sendo capazes de transformar.

02 março 2007

Pequeno

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Hoje fui fazer um exame ao médico... e foi estranho. Senti-me terrivelmente pequeno, vulnerável, sujeito a máquinas que desconheço. Um ponto minúsculo no universo. Sentir-se assim sem poder ter controlo das situações não é definitivamente uma experiência agradável. Gostamos de saber o que se passa à nossa volta e de algum modo poder agir para ter aquela segurança de que se sabe como tudo vai acabar.

É fácil, mesmo em tempo de Quaresma, falar e sentir na oração que Deus nos conduz, que não precisamos de nos preocupar com o que virá e o final da história é sempre feliz.

Esta é a nossa esperança, mas hoje percebi que há alturas em que também é importante sentir na pele o limite e o não ser como se queria. Estar nas mãos de Deus conforta a alma, estar nas mãos dos homens, não tanto, e custa confiar a Vida a isso.

Se para além da alma, fosse capaz de entregar o corpo a Deus com a mesma facilidade? Não ter medo de uma entrega de coração, mesmo que isso implique a Vida toda... é um desafio que me está a fazer pensar. E a atrair.

01 março 2007

Perdão

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Sentir-se salvo é uma experiência inacreditável. E é a única atitude que nos leva a salvar. O perdão tem uma cara gratuita, leva nos braços o esquecimento e a recuperação.

É difícil perdoar porque as mágoas criam em nós lugares vazios, de onde foi arrancado por qualquer motivo o amor. E não é confortável viver com vazios mais ou menos grandes. Não sabemos o que fazer com eles, desejamos enche-los de qualquer coisa... mas se doí porque algo fugiu de nós, também nos custa acreditar que podemos recuperar o perdido.

Há coisas que tiramos a nós próprios, quando somos incoerentes com o desejo da Vida plena que temos consciência de ter. Há outras coisas que são tiradas por outras pessoas, e isso já não depende tanto de nós.

O perdão é uma superação de medos e uma confiança consciente dos limites. Quando me confesso, tenho a experiência de ter sido perdoado sem medo e sem limite. E por isso, também quero perdoar assim, sem medo e sem limite. É dar a volta ao desânimo das coisas de sempre por um gesto criativo de amor.
 

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