02 setembro 2006

De novo...

Estava sentado na sala. O sol começava a por-se e as paredes iam-se tornando amarelo poente, à medida que a luz do fogo ia dando vida às sombras das coisas. O tempo tinha parado por instantes, naquela melancolia própria dos dias de alma parada.

O seus olhos iam-se detendo nas mudanças de luz, sem grandes pensamentos, como que deixasse que as coisas existissem independentemente de as perceber.

E a nostalgia foi-se tornando cada vez mais pesada, com os braços cansados em cima do sofá. Passeava por entre os móveis da sala, tornando-se dona de tudo.

E ele sentiu que ali não era o seu espaço. Levantou-se e encaminhou-se para o quarto. Entrou sem acender a luz nessa sombra conhecida e foi buscar sem hesitação aquele objecto que estava em cima da mesa das coisas preciosas. Uma pedra recolhida do mar, no dia mais importante da sua vida.

E saiu. Frente à casa, percorreu descalço a areia, ate molhar os pés no mar. Olhou as estrelas, suspirou, e atirou longe, longe, aquela pedra.

Voltou a casa, pegou na guitarra e cantou. Chorava de felicidade... começou uma nova etapa.

2 comentários:

Jobim disse...

Romper com o passado. Eis aquilo que nao sei fazer muito bem. nao a explicaçao como, quando, porquê, simplesmente vai-se fazendo. abraço

ceci disse...

Mudar de lugar/tempo fisicamente mas nunca sair de onde "saimos", é mais fácil do que pode parecer...

Precisamos tantas vezes de uma força extra para nos libertar-mos, para amarmos mais ainda que pareça menos... é uma logica estranha e díficil de ser vivida, mas traz grandes recompensas. ;)

 

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