24 outubro 2009

Gratuidade




Qual é o segredo ou o bem de ser gratuito naquilo que fazemos? É difícil dar sem esperar nada em troca, pergunto-me se alguma vez somos capazes de dar assim completamente. Quando fazemos o bem, esperamos pelo menos um gesto de reconhecimento. Sentimo-nos ofendidos ou magoados quando, numa atitude de boa vontade, fazemos algo que não teve nenhum resultado, a não ser indiferença.

Por isso, o que pode mover a gratuidade? Não quero dizer que a única gratuidade que interessa seja aquela que não se importa com o mau resultado da iniciativa. Mas há duas atitudes de fundo que podem fazer pensar na qualidade daquilo que damos:

A primeira é o gostar (amar) desinteressadamente. Fazemos o bem porque amamos aquele a quem fazemos esse bem, mesmo que não o reconheça. Não desistimos, dar é a nossa alegria. A segunda atitude é a alegria de dar. Quando a alegria de fazer o bem move as nossas acções, somos mais livres.

Mesmo que não sejamos completamente livres no dar, ter como fundo amor e alegria constrói-nos por dentro.

5 comentários:

Carolina disse...

É engraçado reconhecer situações e pensamentos meus aqui, nas tuas palavras. De facto, é duro expreimentar a indiferença quando damos tudo por amor... Mas faz pensar no objectivo maior para tudo o que fazemos e para tudo o que nos move, que é, absolutamente AMAR. É uma construção e é uma graça que eu gostava de ter mais do que tenho: gratuidade. Obrigada por essa partilha e por tudo o que me ajudas a pensar. :)
Beijinho e bom fim de semana.

Claudio Azevedo disse...

Também moro em Roma e procurando "Roma" no Google cheguei ao seu blog que fala do "amoR". Gostei. Obrigado por compartilhar seus pensamentos. Grande abraço.

Leonor disse...

A alegria e o prazer de dar, de oferecer desinteressadamente apenas pelo sorriso de satisfação do lado de lá, pode ser inebriante e muito compensadora.
Que o digam, todos os que se dedicam ao voluntariado ...

António Valério,sj disse...

Olá e obrigado pelos comentários! Ser desinteressado ajuda a dar mais valor ao que acontece quando se dá... tudo é um dom!

Cláudio, então temos de combinar um cafezinho! É bom encontrar residentes lusos em Roma! Grande abraço

Anónimo disse...

Não temos de pedir perdão também pelas ofensas que nos fazem, que podem abrir uma ferida maior ou mais pequena? Porque pela ferida pode sair amargura, divisão, ódio, etc. Ou pode sair a Misericórdia que Deus É.

 

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