27 janeiro 2009

Paciência

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Estes dias têm sido muito ocupados com leituras e preparação de trabalhos e exames. Para além da pressão de ter de apresentar conteúdos, cada vez sinto mais uma espécie de frustração por não poder ter tempo nem espaço para parar e reflectir sobre aquilo que li. Ainda por cima, acredito que este é o objectivo principal de qualquer estudo; o resultado do exame é uma pequena parte do proveito. Mas enfim, datas e prazos são assim e o sistema obriga-nos por si mesmo a olhar a resultados mais que a profundidades.

De todos os modos, mesmo sem passar mais tempo em reflexões do que em leituras, não deixo de me interpelar por algumas questões. E hoje foi precisamente a questão dos resultados.

Faz falta ter presente a questão do facto de as coisas esistirem como são, e não ter pressa em as descrever. Um dos maiores problemas da velocidade dos nossos dias é esta pressa de dar nomes às coisas, num esforço de as tornar parte de mim. O facto de não deixar que elas sejam por um tempo elas próprias, faz perder a luz que irradiam.

Esta é a diferença principal entre contemplação e pensamento. Ao agirmos só com a cabeça e pensamentos elaborados, perdemos o pulsar das coisas e as cores da criação. Os pensamentos feitos por nós podem ser escritos, tinta negra em papel branco... poucas cores para dizer a totalidade da Vida.


26 janeiro 2009

Da amizade

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Da amizade não se pode dizer muito sem correr o risco de perder coisas importantes. Uma amizade é bonita, é das coisas mais preciosas que temos. Quando procuramos olhar apenas para a nossa paisagem, vemos que esta seria um deserto se não soprassem nela ventos de partilha e rios de confiança.

Se podemos considerar a nossa paisagem como um jardim, então veremos árvores plantadas com paciência, frutos que alegram o corpo e a alma. As amizades são sementes novas do nosso jardim, ajudam a tirar as pedras de um terreno a que somos já demasiado habituados, e a transformá-lo em solo fértil onde haja uma esperança muito concreta.

Na amizade, esta esperança está intimimamente ligada à confiança. Porque acredito em ti, confio que serás maior do que alguma vez pudeste imaginar. Tal como conhecer-te me fez ficar maior. Precisariamos recordar isto mais vezes...

PS: Se bem que este texto é escrito por alguém que, na distância, se alegra com a presença misteriosa dos amigos, hoje é dia de agradecer uma vida em especial. Parabéns! =) Aliás, agradeço a vida de todos, todos os dias.

25 janeiro 2009

Pensar além do óbvio

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Há determinados modos de pensar a que estamos tão habituados que nem sequer pomos a hipótese de que as coisas poderiam ser pensadas de maneira diferente. Há, por outro lado, lugares comuns que reflectem aquilo que acontece e que também não exigem que nos questionemos. Não é preciso desconfiarmos de tudo o que fazemos, não seria saudável! =)

Os lugares comuns a que me refiro tem a ver com o modo como exprimimos coisas importantes, em relação a Deus, em relação ao amor, à amizade, etc. Pergunto-me até que ponto viver uma relação de modo adolescente, imediato e auto-centrado, ou ter uma determinada imagem de Deus, que possa resolver os meus problemas, acaba por ser uma consequência do ambiente à nossa volta.

Acabamos por pensar num mundo e num deus feito à nossa medida, e como somos nós a olhar, este mundo é bastante mais pequeno que o que realmente é. Quando as seguranças são os meus amigos, uma relação íntima ao estilo do melhor cinema, ou uma busca de paz interior, mais psicologica que espiritual, não estamos a ter atenção à separação radical entre Eu e o Outro, que simplesmente não posso dominar. Também me devo deixar transformar!

Pensar que resolvo tudo sozinho acaba, mais tarde ou mais cedo, por me deixar perceber o óbvio de poder ter pensado um dia de modo diferente.

23 janeiro 2009

Aprender

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Uma das muitas coisas que me fascina nas crianças é a sua vontade de aprender. Por detrás desta vontade está a descoberta de um mundo enorme, que ainda não se conhece. Tudo é novidade! Entretanto, com o passar do tempo, as nossas paisagens repetem-se, mesmo que seja passear por outros lugares. No fundo, pode ser um fugir à rotina, sem, no fundo, acrescentar nada novo ao que se conhece.

Chega também uma determinada altura na nossa vida em que começamos a perguntar-nos acerca do que conhecemos e o modo como o mundo à nossa volta se encostou aos nossos hábitos ou continua a ser fonte de interpelação. A reflexão sobre o que nos acontece ajuda-nos a ver com outra claridade o modo como olhamos a Vida. Mas isso não é suficiente.

Não é suficiente pensar que eu sou suficiente, que o que sei basta para assegurar uma vida calma sem grandes sobressaltos. Creio que aqui podemos ficar a meio caminho, pessoas envelhecidas e que sabem muito, mas que não têm a vontade da surpresa, a verdadeira sabedoria das crianças.

21 janeiro 2009

Porquê perdoar?

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Falar de perdão é um tema aparentemente bonito... talvez porque todos temos a facilidade em falar dele, sem muitas vezes reparar que há conflitos não resolvidos em nós, que vão arrastando situações que acabam por nos desgastar.

Uma experiência de perdão, que certamente já tivémos, tem a característica de ser uma construção extraordinária, um encontrar caminhos perdidos, um fortalecer ainda mais profundo de laços quebrados. Por isso é tão fácil dizer que perdoar é bom. Mas estaremos dispostos a perdoar incondicionlemente?

O perdão faz-se entre o perder e o ganhar . Perdemos o nosso lugar lá no alto de nós mesmos, em que dominamos as situações e as relações, perdoar é inclinar-se para a verdade que sou e quero ser para outro. Uma outra maneira de dizer humildade. Perdoar, por outro lado, é uma surpresa que nos supera, porque implica um abrir de horizontes que dependiam da minha vontade, por vezes bem pequena, mas que acaba por ser uma verdadeira fonte de paz.

20 janeiro 2009

Procurar a alegria

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Depois de algo muito importante ter acontecido, algum momento que nos tenha preenchido a alma de modo quase total, temos dificuldade em regressar ao chão que pisamos todos os dias. Imagino uma festa preparada durante meses, em que tudo está pensado, e chega o momento da alegria de encontros, música, trocas de palavras que tragam o vento e as flores de outros tempos.

E quando termina, encontramos de novo a nossa casa vazia, desarrumada, com os restos de alegria ainda espalhados pelo chão, ou perdidos entre peças de mobiliário. O nosso espaço fica marcado por uma espécie de desarrumação desejada, e já carregada de nostalgia.

E vivemos entre coisas banais e desejos de sublime. Não seria inteligente esperar que a nossa vida fosse uma casa arrumada e programada, precisamos de espaços de festa, os momentos desejados em que arriscamos perder o comum para encontrar a novidade. A maior inimiga da nossa capacidade de nos surpreendermos é a rotina. Por isso, devíamos procurar a alegria que podemos construir, viver dela, antes e depois que aconteça; desejá-la e procurá-la é já uma forma de a viver.

19 janeiro 2009

O Tempo

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É muito comum ouvir dizer que se o dia tivesse 30 horas, seria óptimo. Daria para fazer tudo o que está programado, sem tirar horas ao sono. Eu próprio digo isso muitas vezes e sinto isso quando chego ao fim de um dia longo e vejo que ficaram por fazer muitas coisas urgentes, que se irão acumular indefinidamente.

Uma pergunta que nos poderemos fazer é se estaremos à espera de dar mais do que aquilo que podemos. Se estamos a acertar nas prioridades certas. A pressa é inimiga da perfeição, acabamos por nos gastar com coisas que não são feitas à altura dos nossos desejos.

Qual seria o remédio para podermos ter dias mais tranquilos? Não há receitas mágicas para isso, mas o facto de fazermos esta pergunta devia fazer-nos pensar. Ou então perguntar-me ao início e ao fim de cada dia: hoje, onde quero jogar a minha autenticidade, onde farei frutificar os meus dons, onde cuidarei melhor de mim e dos que estão à minha volta? Três respostas que dariam outra luz ao nosso dia.
 

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