13 outubro 2009

Plenitude interior

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(sugestão de a)




É a grande questão da nossa Vida. Como podemos encontrar a plenitude no nosso interior? Os grandes temas existenciais não têm uma resposta óbvia, porque cada pessoa é uma história e um conjunto de circunstâncias. Acontecem-nos diariamente coisas que nos fazem repensar as nossas opções, momentos de confirmação e outros em que as nossas certezas mais profundas ficam abaladas.

A plenitude interior é uma questão de integração e unificação de todas as dimensões da nossa Vida. Corremos o risco de dividirmos a existência em vários sectores. O que mais nos desgasta é verificarmos que há campos na nossa Vida onde conseguimos fazer progressos e outros que parece que não saímos do mesmo. Ao mesmo tempo, vivemos muito dependentes dos factores externos, ou seja, o que acontece fora de nós, o que pensam e dizem de nós condiciona-nos de tal maneira que fazemos determinadas opções só porque é suposto, ou porque todos fazem assim, ou porque não faço mal a ninguém se fizer determinada coisa.

O grande segredo está em encontrarmos um espaço de verdade que seja o início e o fim da nossa existência. Estou plenamente convencido que as coisas mais importantes da vida se resumem a muito pouco. É uma espécie de luz interior que ilumina tudo, que faz olhar para tudo o que sou e o que me acontece com o olhar correcto. Chega uma altura em que percebemos na nossa Vida que o essencial é uma palavra só nossa, algo que não nos pode ser tirado e que nos desafia constantemente.

Não há experiência mais profunda no ser humano do que aquela de ser amado. Só o sentir-se amado transforma, faz perdoar-me a mim mesmo, aceitar o que sou, querer ser o que sou. As comparações e as utopias fazem-nos, muitas vezes, olhar na direcção errada. Se o desejo comanda a Vida, então que esse desejo seja movido pelo amor a mim mesmo, com uma transparência e simplicidade que me faça dizer sem complexos: esta é a minha perfeição. Uma conquista de todos os dias, mas esta é a minha conquista.

O amor a si mesmo é tudo menos egoísta, porque é uma visão realista das próprias falhas, mas sobretudo um olhar simples e humilde sobre aquilo que sou. A humildade é reconhecer a nossa bondade e ficarmos extremamente felizes por isso. Mais uma vez, encontra-se no fundo desta dinâmica o amor, e o sentir-se amado.

Para quem acredita, é um passo fundamental dar este salto: acreditar que Deus me ama sempre, acredita sempre em mim, não desiste. Ter alguém que sempre apoia o meu desejo de perfeição é a base de todo o movimento em direcção à plenitude.

Sentindo-se amado, e reconhecido como se é, torna a pessoa mais autêntica no modo de estar perante o mundo e os outros. Move-a o desejo de simplesmente ser, fazer crescer o bem, ser radicalmente optimista, porque nada está perdido, mesmo que o pareça. Deste modo, aquele que é amado ama como a expressão mais própria da Vida. Tudo o que sente e faz se confronta com o desejo que a Vida e os outros se sintam amados como eu me sinto amado.

Por ser tão simpels este caminho, é difícil percorrê-lo, porque pensamos que as coisas importantes precisam de enciclopédias para serem explicadas. Quando pensamos e classificamos demasiado, estamos a estragar tudo. Como quando amamos alguém, não o conseguimos explicar, simplesmente é assim.

Quando vivemos em plenitude, tudo é uma oportunidade grande, desejamos afastar as coisas menos boas de nós, e desejamos só que tudo seja bonito... é o único caminho que verdadeiramente interessa.


12 outubro 2009

Tesouros

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Existe uma palavra italiana que não consigo traduzir bem em português: custodire. Poderia ser guardar com cuidado, mas significa algo mais. Há coisas que guardamos como um armazém, sejam coisas materiais, sejam as nossas memórias. E há outras coisas que guardamos com sentimento, fazem parte de nós, quer coisas materiais, quer as nossas memórias.

Normalmente, aquilo que guardo (custodisco) são objectos sem valor, que cabem no bolso. Aquilo que é verdadeiramente importante, vai connosco para todo o lado, não ocupa espaço, mas significa uma parte muito importante da Vida. O que importa não pesa, nem atrapalha.

As memórias que guardo (custodisco) são poucos momentos em que pude dizer: Aqui está, é isto que quero ser, é isto que significa verdadeiramente, é isto que Tu és para mim. Não são necessárias enciclopédias de definições que expliquem os nossos passos maiores. Simplesmente acontecem.

Tesouros que têm valor por si mesmos, não pelo que se pode classificar exteriormente. Fazem parte de nós, somos nós.


08 outubro 2009

Mudar o coração

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Esta noite passei por uma zona mais fora do centro da cidade, por detrás da estação principal dos comboios. Não sabia que ali se encontrava a cantina da Caritas e viam-se muitas pessoas por lá. O que mais me impressionou foi a quantidade de gente a dormir, na rua, por todos os lados. É uma realidade que o centro histórico não mostra.

E dei agora por mim a pensar na impossibilidade de fazer algo, de me perguntar o que fazer para mudar estas situações, para além de ajudas pontuais. É sempre pouco. Percebo que vivemos num mundo com uma injustiça estrutural. O que posso fazer?

Na nossa vida podemos ser continuamente desafiados a construir justiça à nossa volta, vivendo relações de verdade, sem explorar o outro, sem estar acima de ninguém, no fundo, estando mais disposto a acolher e servir do que a dominar. Não se mudam estruturas sem antes mudar o próprio coração. Ao sermos mais justos, então estamos a fazer algo, a ser exemplo, a mostrar que há alternativas. Uma gota no oceano, mas que é a nossa parte mais autêntica.

07 outubro 2009

Re-conhecido

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Encontrei-me finalmente num lugar onde não valia a pena encontrar desculpas nem procurar justificações. Toda a liberdade tem um preço difícil de verdade. Mais tarde ou mais cedo, somos levados a admitir aquilo que somos, a assumir o que fizemos. Creio que nunca ninguém será capaz de exigir tanto de nós como a nossa própria consciência.

E a verdade é que somos hábeis a mentir a nós mesmos. Reconhecer isso é difícil. Mas quando se reconhece o que somos, temos duas opções. Ou nos entristecemos, ou viramos página.

Uma experiência de verdade tem também cores de perdão e optimismo, se não fosse assim, não ganharíamos muito em nos re-conhecermos como somos. Seria acrescentar dor à mágoa ou fazer chover no molhado. Pelo contrário, aceitarmo-nos é acreditar numa promessa melhor. Que somos nós, que é a nossa Vida.


05 outubro 2009

Estar disposto

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Qual é a distância que temos de percorrer entre o querer e o fazer? A nossa vontade encerra um mundo de possibilidades, como se fossem promessas diárias que fazem com que cada dia seja mais verdadeiro e mais nosso.

Fazer aquilo que queremos fica por vezes bastante longe de coincidir. E à medida que passa o tempo sem vermos resultados concretos dos nossos desejos acabamos por desanimar, até desistir. Muitas vezes, penso que desejamos muito coisas impossíveis e desejamos pouco coisas possíveis. Vivemos neste equilíbrio entre dar passos de gigante ou passos mais pequenos. E, ao mesmo tempo, vivemos este equilíbrio de dar passos novos, ou não dar nenhum passo.

As nossas acções terão de ser motivadas pela nossa disposição interior para as levar a cabo. Quando verdadeiramente queremos estar dispostos a algo que faça cumprir a nossa Bondade no mundo, então a criatividade sai-nos das nossas mãos e do nosso olhar. É um nascer cada dia em profundidade e desejar ser, e deixar acontecer.


04 outubro 2009

Mais uma secção

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Inaugurei hoje mais uma secção do Blog. No separador de cima, pus mais um link para as reflexões que cada Domingo, ou dias importantes, faço a partir das leituras.

Pode ser uma ajuda para quem quiser viver melhor a liturgia do Domingo. A ideia é nos dias anteriores, na sexta-feira ou no sábado, colocar lá a reflexão.

Bom proveito! =)


Generosidade

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Um dos desafios que constantemente nos bate à porta do coração é o modo como olhamos aquilo que temos que fazer. Quando começam as rotinas, fica difícil encontrar alguma frescura em paisagens conhecidas. No meio do ruído do dia-a-dia é possível passar por todas as coisas como se nada nos tocasse.

Um exemplo disso são os desertos das grandes cidades, onde todos somos anónimos, onde nos sentimos a fazer parte de estruturas que não pensam em nós e naquilo que nos move. Podemos viver um dia sendo e fazendo aquilo que é suposto, sem nada de original.

E depois, cansamo-nos, a vida já não nos preenche. O grande desafio é mantermos sempre o coração aberto e disponível para acolher tudo, mesmo que sejam coisas iguais. Existe uma generosidade em cada um de nós que nos permite levar a Vida para além das fronteiras do conhecido e criarmos espaços originais onde somos cada vez mais completos. Isto pode tocar tantos aspectos da nossa vida, como o empenho nos estudos, a qualidade das nossas conversas, a atenção aos outros.

Uma das nossas marcas de bondade mais autêntica é a generosidade, de darmos o melhor em tudo, todos os dias.

 

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