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24 janeiro 2011

Eternidade

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Passam os dias frios como vento, enquanto o sol aquece momentâneo, sinal de que ali está, pronto para o que for. Entre o movimento da estrada, uma banda sonora que se constrói de pequenos sons subtis, quase surdos. Um pulsar ao mesmo tempo intenso e sereno. Passaram as horas sem que me desse conta de que aconteceram imensas passagens, entre sentimentos e visões de imagens que teimam em desaparecer demasiado depressa.

Se pudéssemos congelar, por um momento, a eternidade que chegou a nós, para nos agarrar sem nos querer mais deixar. E teimosamente, preguiçosamente, descuidadamente, vamos caindo em peças frágeis, à medida que os nossos passos desenham sombras na calçada.

A eternidade tem um tempo preciso. É dom e é roubo. É tudo e nada. É olhar que sabe ver, horizonte que sabe permanecer. 

08 janeiro 2011

Movimento e leveza

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Depois de uma semana de arranque do ano, convivo com sentimentos serenos. É uma graça enorme podermos encarar o futuro com esperança e motivação. Não é que, muitas vezes, não nos faltem motivos de preocupação. Mas podemos gastar-nos inutilmente em antecipações que não nos ajudam a viver o presente. Faz falta saborear o que temos a cada instante.

Contudo, a expressão "Como se não houvesse amanhã" pode enganar-nos, porque nos fecha no limite do que simplesmente acontece. Falta-lhe promessa. Estar no presente não pode nem deve evitar um futuro que confiamos ser feliz. Sem esta esperança, o prazer presente pode chegar a ser aparente, ou até uma fuga. 

Daí que nos consideramos constantemente em passagem, como quem agarra flores pelo caminho, ficando apenas com a sua beleza diante dos olhos. É passagem contínua e paciente para algo bonito, por entre paisagens que descrevem o que realmente somos: eternidade.
 
 

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