
às
16:58

29 abril 2009
Crescer com alguém
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António Valério,sj

Estou mais irregular na escrita, estes dias, por causa da canonização de S. Nuno, que trouxe a Roma muitos portugueses e, por isso, estive a acompanhar alguns amigos que vieram cá. Foi uma cerimónia muito bonita, e ouvir falar português pelas ruas é sempre uma experiência original!
O facto de ter estado com algumas pessoas e, sobretudo, a experiência de recordar momentos e tornar presente amizades, fez-me cair na conta de algo tão importante, que é pena que não me lembre disso mais vezes.
Creio ser praticamente impossível fazer uma lista completa das pessoas que fomos tocando nas nossas vidas. Talvez porque o bem que fazemos, por vezes não nos damos conta disso. Um abraço ou uma certa palavra num determinado momento da Vida de alguém pode ser uma experiência muito libertadora. Mas aqueles com quem vamos construindo uma relação, vamo-nos apercebendo, com o passar do tempo, que vamos ficando pessoas diferentes.
Não só porque cada dia acrescenta coisas novas, mas porque eu cresci com algumas pessoas e algumas pessoas cresceram comigo. E, por ser exactamente com essa pessoa, sou diferente e mais completo de um modo que não seria se fosse uma outra pessoa. Isso é uma responsabilidade e um dom. Deveríamos perguntar-nos qual a qualidade daquilo que damos e fazemos pelos outros, como alguém fica melhor, e brilha mais, por nossa causa.
às
20:45

(Sugestão de Catarina)
A primeira imagem que me veio foi sobre ouvir histórias de jesuítas de antigamente que, quando iam para a teologia, que se fazia também no estrangeiro, levavam com eles apenas uma mala de mão com tudo o que precisavam. Também é verdade que na altura se usava a batina e bastava uma para vestir enquanto a outra estava a lavar =). Mas quando vim para Roma mandei por transporte nove volumes de coisas... e que é muito, talvez exagerado, vendo colegas meus que chegavam com duas malas, já que vinham de longe. E cada vez que vou de férias, é uma dificuldade enorme gerir os 20 kg de peso a que tenho direito! Sempre me pergunto nessas alturas porque preciso de tantas coisas?
A vida de hoje, estou convencido que nos obriga a ter muitas coisas: computador, roupa para diversas ocasiões, livros, objectos que nos fazem falta, para além daqueles que levamos connosco para todo o lado. Creio sempre que o grande desafio está no modo como nos relacionamos com as coisas, sobretudo como a falta de determinada coisa pode perturbar a minha paz interior. Tudo o que é perturbação interior é sinal de falta de liberdade. Talvez esse seja o critério que me pode ajudar a ter mais claro o que é essencial e o que é acessório. Se tenho medo de perder algo, é porque, de certo modo, a minha felicidade não está a passar pelo caminho melhor.
Tenho o hábito de fazer peregrinações, porque me ensinam muito sobre a Vida. A recomendação que se faz para quem caminha vários dias com a mochila às costas é: levar 10% do próprio peso. Tudo aquilo que for a mais, durante o caminho vai ser um fardo cada vez mais difícil de levar. E é bem verdade! Por duas vezes levei peso a mais e reparei que, no fim, levei coisas que não cheguei a usar e paguei um maior cansaço por isso. Aprendi que aquilo que é a mais não me ajuda a caminhar, distrai-me, torna-me mais lento, fico menos livre para olhar o que está à minha volta sem me estar a lamentar.
É por isso que o despojamento é algo irresistível para uma vida de maior qualidade. E despojamento pode não ter um significado de austeridade ou privação voluntarística. É uma questão de ir percebendo que uma vida mais simples me deixa mais espaço para a alegria e para estar comigo e com os outros de uma forma mais luminosa. Faz-nos menos calculistas. Mais agradecidos.
O despojamento material e psicológico estão ligados. Talvez seja mais fácil ter noção daquilo que posso ou não posso ter, o que ajuda à minha sobrevivência, ao meu trabalho,à minha cultura e ao meu divertimento. Mas acredito que fazer o exercício de um dia deixar de ter algo, ou não comprar alguma coisa, ou então dar a quem precise, mesmo que doa cá dentro, isto prepara o coração para uma atitude mais aberta e livre. Se me habituar a perceber nas coisas materiais que o essencial chega para aquilo que preciso, também irei perceber que a Vida tem outro sentido e outra alegria se for mais simples, mais directa, sem tantas distracções.
Isso também vale para o despojamento no modo de nos relacionarmos com os outros. Se não calcular propostas e respostas, se for eu próprio no modo como me dou, talvez me exponha mais, mas sou mais transparente. É tão bom não sermos pessoas complicadas!
23 abril 2009
Despojamento
4comentários
Publicada por -
António Valério,sj

(Sugestão de Catarina)
Regresso aos temas que me vão sugerindo, estes últimos dias ainda não tinha tido tempo para reflectir um bocado sobre eles, e hoje escrevo sobre o despojamento, que pessoalmente é um tema que me questiona muito!
A primeira imagem que me veio foi sobre ouvir histórias de jesuítas de antigamente que, quando iam para a teologia, que se fazia também no estrangeiro, levavam com eles apenas uma mala de mão com tudo o que precisavam. Também é verdade que na altura se usava a batina e bastava uma para vestir enquanto a outra estava a lavar =). Mas quando vim para Roma mandei por transporte nove volumes de coisas... e que é muito, talvez exagerado, vendo colegas meus que chegavam com duas malas, já que vinham de longe. E cada vez que vou de férias, é uma dificuldade enorme gerir os 20 kg de peso a que tenho direito! Sempre me pergunto nessas alturas porque preciso de tantas coisas?
A vida de hoje, estou convencido que nos obriga a ter muitas coisas: computador, roupa para diversas ocasiões, livros, objectos que nos fazem falta, para além daqueles que levamos connosco para todo o lado. Creio sempre que o grande desafio está no modo como nos relacionamos com as coisas, sobretudo como a falta de determinada coisa pode perturbar a minha paz interior. Tudo o que é perturbação interior é sinal de falta de liberdade. Talvez esse seja o critério que me pode ajudar a ter mais claro o que é essencial e o que é acessório. Se tenho medo de perder algo, é porque, de certo modo, a minha felicidade não está a passar pelo caminho melhor.
Tenho o hábito de fazer peregrinações, porque me ensinam muito sobre a Vida. A recomendação que se faz para quem caminha vários dias com a mochila às costas é: levar 10% do próprio peso. Tudo aquilo que for a mais, durante o caminho vai ser um fardo cada vez mais difícil de levar. E é bem verdade! Por duas vezes levei peso a mais e reparei que, no fim, levei coisas que não cheguei a usar e paguei um maior cansaço por isso. Aprendi que aquilo que é a mais não me ajuda a caminhar, distrai-me, torna-me mais lento, fico menos livre para olhar o que está à minha volta sem me estar a lamentar.
É por isso que o despojamento é algo irresistível para uma vida de maior qualidade. E despojamento pode não ter um significado de austeridade ou privação voluntarística. É uma questão de ir percebendo que uma vida mais simples me deixa mais espaço para a alegria e para estar comigo e com os outros de uma forma mais luminosa. Faz-nos menos calculistas. Mais agradecidos.
O despojamento material e psicológico estão ligados. Talvez seja mais fácil ter noção daquilo que posso ou não posso ter, o que ajuda à minha sobrevivência, ao meu trabalho,à minha cultura e ao meu divertimento. Mas acredito que fazer o exercício de um dia deixar de ter algo, ou não comprar alguma coisa, ou então dar a quem precise, mesmo que doa cá dentro, isto prepara o coração para uma atitude mais aberta e livre. Se me habituar a perceber nas coisas materiais que o essencial chega para aquilo que preciso, também irei perceber que a Vida tem outro sentido e outra alegria se for mais simples, mais directa, sem tantas distracções.
Isso também vale para o despojamento no modo de nos relacionarmos com os outros. Se não calcular propostas e respostas, se for eu próprio no modo como me dou, talvez me exponha mais, mas sou mais transparente. É tão bom não sermos pessoas complicadas!
às
19:28

Não é possível chegar àquele ponto em que podemos ver num dia tudo resolvido, arrumado e escrito, e estarmos prontos, sem mais nada, para aquilo que virá. Há sempre algo que acontece e que rompe uma programação já feita. Insistir demasiado em conseguir fazer tudo o que está pendente ajuda a evitar a preguiça e o deixar-andar, mas também nos sujeita a gastar energias que não vale a pena.
O elemento surpresa tem sempre esta coisa de ser boa e menos boa. Quando nos convém, não há nada melhor que um bom imprevisto... mas nem sempre é assim, as coisas que nos ocupam e nos dão mais cansaço tendem a arrastar outras. E quando tudo estava encaminhado, abre-se mais uma janela de uma paisagem que não me apetece ver.
E como viver com isto? Descansar. Não se preocupar mais com o que o dia já de si oferece. Ter um tempo perdido e ganho para mim, ver além das surpresas a certeza quotidiana de dons que tenho só porque respiro e novidades que acontecem só porque caminho.
22 abril 2009
Descanso
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António Valério,sj

Não é possível chegar àquele ponto em que podemos ver num dia tudo resolvido, arrumado e escrito, e estarmos prontos, sem mais nada, para aquilo que virá. Há sempre algo que acontece e que rompe uma programação já feita. Insistir demasiado em conseguir fazer tudo o que está pendente ajuda a evitar a preguiça e o deixar-andar, mas também nos sujeita a gastar energias que não vale a pena.
O elemento surpresa tem sempre esta coisa de ser boa e menos boa. Quando nos convém, não há nada melhor que um bom imprevisto... mas nem sempre é assim, as coisas que nos ocupam e nos dão mais cansaço tendem a arrastar outras. E quando tudo estava encaminhado, abre-se mais uma janela de uma paisagem que não me apetece ver.
E como viver com isto? Descansar. Não se preocupar mais com o que o dia já de si oferece. Ter um tempo perdido e ganho para mim, ver além das surpresas a certeza quotidiana de dons que tenho só porque respiro e novidades que acontecem só porque caminho.
às
20:18

19 abril 2009
Salto
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António Valério,sj

Tenho andado a pensar muito estes dias acerca da confiança. Há determinados momentos da nossa Vida que sentimos alargar de tal forma o nosso horizonte que tudo nos parece ao mesmo tempo próximo e distante. Aquilo que apreendemos nos olhares sobre o nosso futuro são apelos a situações onde nos veremos daqui a uns dias, semanas, meses ou anos. Temos presentes paisagens diurnas e nocturnas, praias, desertos, cidades e montanhas. Algumas onde brilha o sol que nos aquece e outras onde o vento frio nos faz perder a coragem. Corremos e recuamos, observamos e damos gritos de força.
Vemos tudo sem ainda possuir nada. É um motor e uma energia do nosso amor e das nossas capacidades criativas. E assustamo-nos com sombras e fantasmas que sabemos poderem ser bastante reais. E o nosso aqui e agora perde em profundidade. Ficamos situados numa linha de tempo que nos atira como uma flecha para lado nenhum.
A confiança é a atitude do presente. É um salto sobre um abismo, com o risco de cair, antes de alcançar um horizonte possível, sonhado ou imaginado. Um salto é um risco, e é cair em profundidade. Espaço da alma onde posso acolher e pacificar um olhar sereno sobre tudo aquilo que sou agora. Seja o que for, virá, hoje quero ser o que me compete.
às
11:31

A minha casa é o lugar onde posso arrumar as coisas como quero. Deixo as obras de arte na prateleira, os diplomas na parede e as coisas feias escondidas em caixas debaixo da cama. Convivo entre ilusões e poucas coragens, para ver tudo e abrir cada significado da Vida. Uma casa bem arrumada pode implicar escondimento, ambientes de visita, mostrar o que sou, mas não tudo.
Porém, não consigo esquecer aquilo que escondo e cada dia desejo ir lá, tirar para a luz, limpar, colocar no centro da mesa. E perguntar: porque te assustas? Temos medos muito ridículos, quando não sabemos olhar com gestos corajosos e uma alma enorme. Perfeito. Não sei porque não posso admitir que o sou. Nada é pesado, nada é feio, nada fica escondido, se... se quiser que todos os pedaços de mim sejam meus, e se quiser que toda a luz que tenho ilumine.
Como a luz do sol, que acaricia todas as coisas.
18 abril 2009
O que sou
2comentários
Publicada por -
António Valério,sj

Hoje gostaria de me tentar convencer a mim mesmo que a perfeição não é um trabalho e uma luta constantes. Custa a acreditar que a meta está próxima, quando cada dia nos damos conta que alguma parte de nós perdeu algo importante. Não avançamos completos, mas no esforço de trazer atrás de nós pedaços de Vida que gostaríamos de ter deixado para trás há muito tempo.
A minha casa é o lugar onde posso arrumar as coisas como quero. Deixo as obras de arte na prateleira, os diplomas na parede e as coisas feias escondidas em caixas debaixo da cama. Convivo entre ilusões e poucas coragens, para ver tudo e abrir cada significado da Vida. Uma casa bem arrumada pode implicar escondimento, ambientes de visita, mostrar o que sou, mas não tudo.
Porém, não consigo esquecer aquilo que escondo e cada dia desejo ir lá, tirar para a luz, limpar, colocar no centro da mesa. E perguntar: porque te assustas? Temos medos muito ridículos, quando não sabemos olhar com gestos corajosos e uma alma enorme. Perfeito. Não sei porque não posso admitir que o sou. Nada é pesado, nada é feio, nada fica escondido, se... se quiser que todos os pedaços de mim sejam meus, e se quiser que toda a luz que tenho ilumine.
Como a luz do sol, que acaricia todas as coisas.
às
19:21


15 abril 2009
Regresso
2comentários
Publicada por -
António Valério,sj
Ontem foi a ordenação diaconal dos meus companheiros de comunidade, aqui na Igreja do Gesù. Foi também ordenado o Afonso, que é o jesuíta que viveu mais anos comigo na mesma comunidade, o que acrescentou muito a minha alegria! =)
Desta vez, eu não estava nos bancos da frente, mas do outro lado do altar, a celebrar como diácono. É inevitável que não viajasse um ano atrás, ao dia da minha ordenação e não recordasse aquilo que vivi e rezei, como sonho e promessa cumprida. Ao mesmo tempo, dei-me conta dos poucos progressos que fiz, mas sobretudo do muito que Deus fez em mim.
O momento mais importante, para além da emoção de os ver a serem ordenados, foi quando desci com o bispo para dar um abraço aos novos diáconos, como sinal de boas-vindas à ordem. É um gesto de acolhimento numa história que ultrapassa os séculos e que se faz presente ali. Somos pequenos e ao mesmo tempo tão privilegiados! São os nossos dons que entram ao serviço dos outros, e isso desafia-nos a ser melhores e mais eternos. Parabéns! =)

Foto dos neo-diáconos. Atrás, da esquerda para a direita: P. Joseph Daoust (Delegado das Casas Romanas), Marjan (Eslovénia), Petr (República Checa), Sebastian (Alemanha), Mons. Piero Marini (Bispo), P. Janez (Reitor da comunidade), Flavio (Itália) e Afonso (Portugal). À frente, da esq para a direita: Léonard (Madagascar), Paul (Estados Unidos), Oleksiy (Ucrânia), Rogério (Brasil), Gabriele (Italia) e Joachin (Madagascar).

E, já agora, também eu! ;)
às
22:05

Mas olhando a história simplesmente, dá-se conta que não houve nenhum movimento religioso que, no espaço de 50 anos, se tivesse espalhado por todo o mundo conhecido da altura. O que teria acontecido para que um grupo de homens e mulheres judeus, de baixa condição social, tivessem anunciado que alguém com quem contactaram fisicamente tinha ressuscitado e este era o Filho de Deus? Na mentalidade judaica, isto era impensável. Além disso, este anúncio era feito no meio de perseguições e quase todos os apóstolos morreram mártires por causa disso. Deveria ter sido uma experiência de tal modo forte, que os obrigava a não estar calados, mesmo à custa da própria vida. Esta para mim é uma prova muito grande da ressurreição.
Mas o que isso poderá dizer-me hoje? Faz-me crescer num optimismo sem fim, acreditar que serei feliz e completo, apesar de tudo. A ressurreição não é uma espécie de momento mágico que apaga a dor e a tristeza. O corpo de Jesus ressuscitado tem as marcas da paixão. É toda a nossa história, e a história de cada dia que pode ser hoje, já, transformada em Vida Nova, com criatividade, entrega e desejo de nos superarmos. São estes os sinais mais claros que podemos viver já como ressuscitados.
12 abril 2009
Vida Nova
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Publicada por -
António Valério,sj

Qual é a certeza que temos da ressurreição? Há uns anos atrás, era esta a minha questão principal. Às vezes, é bom pormos em questão as coisas que nos habituamos a acreditar sem nos termos perguntado o porquê. De facto, a ressurreição de Jesus não teve testemunhas, para além do grupo dos discípulos que depois tiveram algumas experiências de O terem visto vivo. Mas isso poderia ter sido qualquer ilusão...
Mas olhando a história simplesmente, dá-se conta que não houve nenhum movimento religioso que, no espaço de 50 anos, se tivesse espalhado por todo o mundo conhecido da altura. O que teria acontecido para que um grupo de homens e mulheres judeus, de baixa condição social, tivessem anunciado que alguém com quem contactaram fisicamente tinha ressuscitado e este era o Filho de Deus? Na mentalidade judaica, isto era impensável. Além disso, este anúncio era feito no meio de perseguições e quase todos os apóstolos morreram mártires por causa disso. Deveria ter sido uma experiência de tal modo forte, que os obrigava a não estar calados, mesmo à custa da própria vida. Esta para mim é uma prova muito grande da ressurreição.
Mas o que isso poderá dizer-me hoje? Faz-me crescer num optimismo sem fim, acreditar que serei feliz e completo, apesar de tudo. A ressurreição não é uma espécie de momento mágico que apaga a dor e a tristeza. O corpo de Jesus ressuscitado tem as marcas da paixão. É toda a nossa história, e a história de cada dia que pode ser hoje, já, transformada em Vida Nova, com criatividade, entrega e desejo de nos superarmos. São estes os sinais mais claros que podemos viver já como ressuscitados.
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