14 janeiro 2011

Encontrar-se

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Temos a imensa capacidade de encontrar na nossa vida os espaços onde somos capazes de medir o pulso dos acontecimentos e de tudo aquilo que vai passando pelo nosso mundo interior. Mas esta capacidade fica por vezes tão adormecida... por vezes, pelas melhores razões, a maioria delas bastante aparentes.

Entre urgências, compromissos, coisas que não podem esperar e medos de parar, vamos ficando longe deste espaço onde ecoa a nossa imagem mais autêntica. A de sermos capazes de grandes coisas, boas acções, generosidades pouco complicadas.

Encontrar-me é viver uma verdade que está vestida com cores de simplicidade, ser muito autêntico, capaz de olhar sem mentir, sobretudo a mim mesmo. A compaixão com a minha história e a história dos outros consegue tirar-me do desânimo, percebo que o caminho está sempre a ser percorrido, e a maioria das vezes, recomeçado.

13 janeiro 2011

Por entre dúvidas

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Tendemos a olhar muito mais para as nossas dúvidas do que para as nossas certezas. Nunca poderemos evitar as indecisões, estamos constantemente a ser confrontados com escolhas, pequenas e grandes. E muitas das nossas certezas acabam por estar vestidas de algo provisório e experimental. Até ver o que dá, se resulta...

A dúvida acaba por estar intimamente ligado ao risco e às consequências. De que modo as nossas decisões acabam por marcar positiva ou negativamente os próximos tempos. O que mais precisamos, no momento de uma decisão é uma inteligência o mais clara possível das suas condições, das suas ciscunstâncias e dos seus efeitos.

Esta inteligência está, por seu lado, intimamente ligada com certezas de fundo. Cada decisão deve estar orientada por um bem que serve de chão à nossa vida e onde sabemos que, por mais variados que sejam os caminhos, pisamos o chão que escolhemos desde sempre. O mais fundamental é não perder o pé em coisas que sabemos serem essenciais e que não queremos de todo perder.

08 janeiro 2011

Movimento e leveza

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Depois de uma semana de arranque do ano, convivo com sentimentos serenos. É uma graça enorme podermos encarar o futuro com esperança e motivação. Não é que, muitas vezes, não nos faltem motivos de preocupação. Mas podemos gastar-nos inutilmente em antecipações que não nos ajudam a viver o presente. Faz falta saborear o que temos a cada instante.

Contudo, a expressão "Como se não houvesse amanhã" pode enganar-nos, porque nos fecha no limite do que simplesmente acontece. Falta-lhe promessa. Estar no presente não pode nem deve evitar um futuro que confiamos ser feliz. Sem esta esperança, o prazer presente pode chegar a ser aparente, ou até uma fuga. 

Daí que nos consideramos constantemente em passagem, como quem agarra flores pelo caminho, ficando apenas com a sua beleza diante dos olhos. É passagem contínua e paciente para algo bonito, por entre paisagens que descrevem o que realmente somos: eternidade.
 

25 dezembro 2010

Natividade

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Passei quase todo o Advento sem dar notícias, não tem sido muito fácil vir aqui!

De todos os modos, o dia de hoje amanhece de esperança e alegria. O Natal faz-nos regressar constantemente às nossas origens, àquilo que temos na memória e faz parte de nós.

O mais grandioso do mistério da Encarnação é o facto de Deus ter uma história que se cruza com a nossa. Se pensarmos bem, aquilo que hoje somos, o mundo tal como foi crescendo e desenvolvendo, parte deste acontecimento ocorrido há mais de dois mil anos numa pequena aldeia da Judeia.

Somos conscientes, ou poderíamos ser, de que Deus aproxima-se de tal modo da nossa vida que acaba por lhe dar uma transparência tão significativa. A vida pertence a Deus, é uma consequência do amor Ele estar eternamente e intensamente comprometido com ela. Por isso, este Natal aparece como a luz que faz ganhar cor e sabor a cada momento, afinal vivemos na e de eternidade.

Feliz Natal!

10 dezembro 2010

Profundidade

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Há tempo para pararmos tudo aquilo que fazemos e encontrar o espaço que nos faça viver algo semelhante ao nada. Vivemos não só entre imensos compromissos e ritmos exteriores, mas também - e sobretudo - envolvidos numa quantidade impressionante de ocupações e pre-ocupações da alma. Se, por um lado, é importante acompanhar com atenção o que nos acontece, acabamos muitas vezes por sermos arrastados pela corrente dos nossos pensamentos. 

E até pode acontecer que, pensando muito, acabamos por não pensar nada que valha a pena, algo que nos traga alguma luz mais concreta.

A sabedoria oriental tende para um aniquilamento da reflexão e do pensamento, para alcançar estados de silêncio interior. Todo esse esforço pode correr o risco de ser simplesmente um não estar presente na vida, o esforçar-se por sair dela. Quando, o mais importante do silêncio interior é, precisamente, entrar no ritmo da vida como o seu batimento mais profundo. O perceber onde estou completo, onde vivo em sintonia com tudo. Onde sou enviado no melhor que hoje tenho.

06 dezembro 2010

Alegre em dia de chuva

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Monotonia em dias de chuva. Obriga-nos a ficar mais por casa, em arrumações, planear coisas, procurar um abrigo mais quente que dê conforto. O Inverno tem esta capacidade de nos voltar mais para dentro. Mesmo não tendo lareira em casa, existe esta nostalgia de lugares de estar, sem complicar muito.

Depois, a criatividade nasce. E abre possibilidades para dias de sol. Uma espécie de hibernação interior, preparando o dia em que sai pela porta da rua e se fecha os olhos por causa do brilho do sol. Respiramos fundo e entramos na estrada com um sorriso e de cabeça erguida. 

Quando queremos realmente ter um sentido profundo da alegria, é importante criar espaço para que ela nasça, cresça e nos transforme. A alegria não é de todo uma experiência passageira e pontual, nasce em particular nas alturas em que nada nos motiva imediatamente para estar a sorrir. No fundo, é um estar bem connosco mesmos e com a vida que temos, quer em dias de chuva, quer em dias de sol.

05 dezembro 2010

Viver de encanto

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A admiração é o resultado de uma surpresa positiva. Quando algo nos invade com uma luz que desperta em nós ecos de histórias passadas e que nos orienta para coisas muito fundamentais. Muitas vezes, estas surpresas são sinal de que se foi criando um espaço para disposições, mesmo de forma pouco calculada.

O desejo é um dos maiores mistérios para mim. Entre o apetecer coisas imediatas e o desejar coisas que hão-de vir, movo-me muitas vezes entre o estar realizado e o estar incompleto. Parece-me, porém, que o desejar é já uma forma de plenitude, como um caminho que está a começar.

Desejamos coisas muito boas para nós. A maior delas devia ser a santidade. Então se desejas ser santo, começa já a sê-lo. O caminho começou. Talvez seja isto um pouco o Advento. Recordar uma iniciativa surpreendente, Deus entre nós, e isto, se pensarmos bem, é uma enorme surpresa. É um verdadeiro encanto este fascínio de Deus pelas nossas coisas.

 

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