04 maio 2010

Cuidar

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Uma das coisas que mais me impressiona na vida de Sto Inácio de Loyola é algo que é testemunhado por aqueles que contactaram de perto com ele. Diziam que qualquer pessoa que saísse de uma conversa pessoal com ele, saía com a impressão que era a pessoa mais importante no mundo para ele.

Penso muitas vezes nisso, quando reflicto sobre o modo como me dedico às pessoas que encontro. Criar esta atitude não é fingir que aquilo que a pessoa diz é importante, mas é sentir verdadeiramente o que está a acontecer. Em tudo o que nos é dado viver somos desafiados a estar presentes diante daquilo que está a acontecer.

Isso implica uma disponibilidade interior e uma consciência que as coisas urgentes podem esperar quando se trata de cuidar de alguém. No fim, não falta tempo quando ajudamos a construir uma paisagem melhor no coração de alguém.

29 abril 2010

Finalmente!

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Fui ontem entregar a minha tese na Faculdade, fechando três meses de trabalho mais intenso, com a recompensa de ter conseguido terminar a tempo e fazendo algo que me deu gosto, intelectual e pessoal! Para quem seja curioso, o tema sobre o qual escrevi tem a ver com o diálogo entre a fé e a Teologia e o nosso contexto cultural actual. A especialidade que estou a tirar, Teologia Fundamental, dedica-se a estes temas. 

O ponto central do meu estudo foi fazer uma descrição daquilo que as pessoas hoje vivem no dia-a-dia, encontrando os espaços onde cada um, na sua história pessoal, pode vir a pôr a questão de Deus, ou se existe algo para além desta vida e dos seus problemas que possa dar uma resposta e uma orientação à própria vida. Sendo assim, peguei nas duas etapas iniciais dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio (Principio e Fundamento e Primeira Semana) e procurei pôr em relação a proposta de Santo Inácio, e as graças espirituais que ele propõe, com os desafios que este percurso pode colocar ao discurso da fé e da Igreja para despertar e promover a disposição interior para a fé.

No Princípio e Fundamento, reflecti sobretudo sobre o modo como olhamos a nossa vida, como nos definimos, o que é a plenitude; o modo como olhamos o mundo e a nossa relação com as coisas que estão à nossa volta; e depois, neste relacionar-se com as coisas, o que significa ser livre. Como me vejo e o que quero da minha vida? Como vejo o mundo, a história e os outros? Que relação de liberdade tenho com as coisas? São as três perguntas a que procurei responder.

Na Primeira Semana, tratei da questão dos nossos limites, da nossa falta de liberdade, das desilusões e do sofrimento. Como estamos metidos num mundo onde há mal, pecado, injustiça e morte. A grande questão é assumirmos a nossa verdade de sermos frágeis e tantas vezes incoerentes com o que sabemos ser o melhor para as nossas vidas. E descobrimos que aquilo que nos restitui a vida e a liberdade é o facto que temos alguém, Jesus, que continua a acreditar em nós, nos perdoa, que é capaz de chegar ao ponto de morrer por nós.

No fundo, o que mais me ficou deste trabalho é que a fé é uma questão de reconhecer uma fronteira que somos chamados a passar sempre e todos os dias: a de viver apaixonados. Não acreditamos só com a cabeça e com aquilo que dizemos, acredita-se porque é algo natural a quem ama. 

Claro que o discurso não é assim tão simples, este resumo é uma tradução das ideias principais, para que se possa perceber. O bom resultado do trabalho intelectual é que se possa aplicar à vida concreta, nisto espero ter atingido o meu objectivo. Logo verei os frutos :)


21 abril 2010

Os nossos lugares

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A nossa vida desenha em nós espaços onde nos vamos acomodando e com os quais nos identificamos. Acontecem, porém, coisas, que nos fazem sair desses lugares, alguma contrariedade, uma surpresa, um novo desafio. 

Viver cada dia é fazer constantemente passagens de um lugar interior a outro. Onde entram novas relações e perspectivas. Muitas vezes, sentimos que não temos a força para grandes mudanças, porque podemos estar a mudar de um lugar conhecido, para um novo, onde não estamos à vontade.

Poderemos ter uma atitude essencial que nos prepara para estar constantemente em mudança, mesmo que seja partir de um espaço conhecido para uma paisagem que desenhe surpresas felizes. Afinal de contas, estar sempre no mesmo sítio não nos ajuda a crescer.

11 abril 2010

Outro olhar

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A vida faz-se de encontros. De facto, somos muito pouco quando estamos sós, não nascemos para a solidão. Aliás, é das coisas que mais nos assusta. As pessoas passam na nossa vida e constroem ali o seu lugar. Depois, passa o tempo e partimos para novas paisagens. É muito bonito perceber como aquilo que se construiu em relações positivas não se perde, somos também as nossas relações.

Nas relações existe um espaço de comunhão e intimidade que revela quem nós somos. A verdade necessita de um campo de manifestação, feito de confiança e abertura. Ser aquilo que se é constitui uma surpresa e um desafio. Aceitamos o outro, acolhemos, passamos a gostar e a amar. O que é defeito torna-se oportunidade de crescimento, muitas vezes através de diálogos que custam. Mas ninguém é amigo se ao menos uma vez não se tiver zangado. 

São passos que descobrem pessoas como são, com luzes e sombras. É bonito o mundo humano, um fascínio que nos ajuda a ser nós próprios. É preciso ser muito livre para ser amigo.

06 abril 2010

Grandeza

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O que significa ser grande ou fazer coisas grandes? Vivemos à procura dos momentos em que a nossa vida ganha um rumo novo, em que temos a impressão que deixámos uma marca significativa no mundo e na vida das outras pessoas. Deixar obra feita. É muito importante que existam metas na nossa vida, porque orientam aquilo que fazemos numa direcção que nos preencha e nos faça crescer.

O risco que temos de afrontar é não fazer depender a nossa grandeza daquilo que podemos vir a fazer de significativo e visível. Existe uma grandeza que significa crescimento contínuo sem estar directamente relacionada com os seus frutos. É o caminho de cada dia e o modo como somos grandes em pequenas coisas. A vida sabe a pouco quando não prestamos atenção e não valorizamos tudo o que acontece como oportunidade e surpresa.

Uma pessoa grande tem aquela simplicidade de não ser obsessiva com resultados. Sabe dar valor ao que merece ter valor. E assim a vida ganha outra qualidade. 

04 abril 2010

Boa Páscoa!

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"Porque procurais entre os mortos Aquele que está Vivo? Não está aqui, ressuscitou!"


26 março 2010

Emoções

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Sugestão de dúvida

Apesar de a questão colocada ser longa e não ter sido toda escrita, não deixa de conter alguns tópicos muito interessantes que espero tocar da forma desejada. A relação das nossas emoções com as nossas recordações.

A emoção é um dos campos mais complexos da nossa vida. Têm relação com os sentimentos, que são algo que não controlamos, simplesmente as coisas tocam-nos de determinada forma e fazem eco em nós sem que possamos evitar. Sentimos atracção por algo que não nos faz bem, sentimos gosto em pequenas coisas que nos acontecem, vibramos com os mesmos sentimentos de um amigo. As emoções entram na nossa vida como uma consequência do facto de estarmos constantemente em relação com os outros e com o mundo.

Muitas vezes podemos correr o risco de pensar que não devíamos sentir determinada coisa, quando não é aí que está o problema. Uma emoção é sempre um despertar de algo que nos toca e nos sensibiliza. Porque nos faz desejar algo, nos faz completar algum aspecto de que sentimos falta. É, por isso, um convite a olharmos a nossa vida e percebermos o porquê de sermos tocados afectivamente por algo. Aquilo que nos toca é o que poderá significar o que realmente é importante. O trabalho que podemos fazer na análise dos nossos sentimentos é reflectir sobre o bem que estes trazem à nossa vida. Se nos orientam num caminho que achamos ser correcto, ou se nos estão a afastar dele.

Tenho a certeza que somos fruto de uma memória afectiva que nos vai formando como pessoas. Somos muito fruto dos sentimentos dos outros em relação a nós e também daquilo que sentimos em relação aos outros. Porque é raro que um sentimento fique fechado sem nenhuma reacção da nossa parte. Precisamos de comunicar o que nos vai na alma e manifestar com gestos concretos o que sentimos. 

Podemos lembrar-nos de muitas emoções, mas recordar-nos de poucas. As emoções têm muito de passageiro, são pontuais e vamo-nos lembrando de muitas coisas. As emoções que recordamos são aquelas que trazemos ao coração, que fazem parte de nós. A raiz de re-cordar (re-cordis) é precisamente fazer voltar a fazer passar pelo coração. Sentimos falta de memórias que nos façam reviver momentos importantes. Se "recordar é viver", talvez fosse melhor dizer que "recordar é voltar a viver", sobretudo se tornamos presentes os pontos que nos fazem crescer, escrevemos a nossa história a partir de certezas que nos fizeram e continuam a fazer como pessoas.



 

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