11 abril 2010

Outro olhar

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A vida faz-se de encontros. De facto, somos muito pouco quando estamos sós, não nascemos para a solidão. Aliás, é das coisas que mais nos assusta. As pessoas passam na nossa vida e constroem ali o seu lugar. Depois, passa o tempo e partimos para novas paisagens. É muito bonito perceber como aquilo que se construiu em relações positivas não se perde, somos também as nossas relações.

Nas relações existe um espaço de comunhão e intimidade que revela quem nós somos. A verdade necessita de um campo de manifestação, feito de confiança e abertura. Ser aquilo que se é constitui uma surpresa e um desafio. Aceitamos o outro, acolhemos, passamos a gostar e a amar. O que é defeito torna-se oportunidade de crescimento, muitas vezes através de diálogos que custam. Mas ninguém é amigo se ao menos uma vez não se tiver zangado. 

São passos que descobrem pessoas como são, com luzes e sombras. É bonito o mundo humano, um fascínio que nos ajuda a ser nós próprios. É preciso ser muito livre para ser amigo.

06 abril 2010

Grandeza

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O que significa ser grande ou fazer coisas grandes? Vivemos à procura dos momentos em que a nossa vida ganha um rumo novo, em que temos a impressão que deixámos uma marca significativa no mundo e na vida das outras pessoas. Deixar obra feita. É muito importante que existam metas na nossa vida, porque orientam aquilo que fazemos numa direcção que nos preencha e nos faça crescer.

O risco que temos de afrontar é não fazer depender a nossa grandeza daquilo que podemos vir a fazer de significativo e visível. Existe uma grandeza que significa crescimento contínuo sem estar directamente relacionada com os seus frutos. É o caminho de cada dia e o modo como somos grandes em pequenas coisas. A vida sabe a pouco quando não prestamos atenção e não valorizamos tudo o que acontece como oportunidade e surpresa.

Uma pessoa grande tem aquela simplicidade de não ser obsessiva com resultados. Sabe dar valor ao que merece ter valor. E assim a vida ganha outra qualidade. 

04 abril 2010

Boa Páscoa!

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"Porque procurais entre os mortos Aquele que está Vivo? Não está aqui, ressuscitou!"


26 março 2010

Emoções

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Sugestão de dúvida

Apesar de a questão colocada ser longa e não ter sido toda escrita, não deixa de conter alguns tópicos muito interessantes que espero tocar da forma desejada. A relação das nossas emoções com as nossas recordações.

A emoção é um dos campos mais complexos da nossa vida. Têm relação com os sentimentos, que são algo que não controlamos, simplesmente as coisas tocam-nos de determinada forma e fazem eco em nós sem que possamos evitar. Sentimos atracção por algo que não nos faz bem, sentimos gosto em pequenas coisas que nos acontecem, vibramos com os mesmos sentimentos de um amigo. As emoções entram na nossa vida como uma consequência do facto de estarmos constantemente em relação com os outros e com o mundo.

Muitas vezes podemos correr o risco de pensar que não devíamos sentir determinada coisa, quando não é aí que está o problema. Uma emoção é sempre um despertar de algo que nos toca e nos sensibiliza. Porque nos faz desejar algo, nos faz completar algum aspecto de que sentimos falta. É, por isso, um convite a olharmos a nossa vida e percebermos o porquê de sermos tocados afectivamente por algo. Aquilo que nos toca é o que poderá significar o que realmente é importante. O trabalho que podemos fazer na análise dos nossos sentimentos é reflectir sobre o bem que estes trazem à nossa vida. Se nos orientam num caminho que achamos ser correcto, ou se nos estão a afastar dele.

Tenho a certeza que somos fruto de uma memória afectiva que nos vai formando como pessoas. Somos muito fruto dos sentimentos dos outros em relação a nós e também daquilo que sentimos em relação aos outros. Porque é raro que um sentimento fique fechado sem nenhuma reacção da nossa parte. Precisamos de comunicar o que nos vai na alma e manifestar com gestos concretos o que sentimos. 

Podemos lembrar-nos de muitas emoções, mas recordar-nos de poucas. As emoções têm muito de passageiro, são pontuais e vamo-nos lembrando de muitas coisas. As emoções que recordamos são aquelas que trazemos ao coração, que fazem parte de nós. A raiz de re-cordar (re-cordis) é precisamente fazer voltar a fazer passar pelo coração. Sentimos falta de memórias que nos façam reviver momentos importantes. Se "recordar é viver", talvez fosse melhor dizer que "recordar é voltar a viver", sobretudo se tornamos presentes os pontos que nos fazem crescer, escrevemos a nossa história a partir de certezas que nos fizeram e continuam a fazer como pessoas.



23 março 2010

Cuidar

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Encontrei este vídeo, que mesmo sendo um pouco longo, é lindíssimo!
Fez-me pensar naquilo que podemos fazer por quem gostamos, cuidar pequenos detalhes de um mundo feito de forma bonita. Amor é criativo...

20 março 2010

A paz de Cristo

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Sugestão de anónimo

Como discernir a paz de Cristo? Este tema necessariamente será dirigido a quem já tem uma vida de fé e oração e pretende encontrar modos e critérios para descobrir esta paz que vem do encontro com Jesus.

Especialmente na oração, não há receitas infalíveis. Tal como, com os nossos amigos, temos um modo específico e particular de nos relacionarmos com cada pessoa, do mesmo modo, o encontro com Deus na oração é extremamente pessoal. Cada um terá de encontrar o seu próprio modo de rezar, de acordo com a sua sensibilidade, carácter, estilo de vida e circunstâncias. Há pessoas que rezam a partir dos acontecimentos da vida, ou a partir das leituras do dia, outras que preferem silêncio sem grandes palavras, outras que pedem luz para algumas decisões que têm que tomar.

Em todas estas circunstâncias, há algo comum que é importante ter em conta. O primeiro aspecto é que a oração consiste num encontro com Alguém que quer estar connosco numa relação de transparência, verdade, intimidade e amor. Não estamos diante de um juiz ou de um mago, mas de alguém que acolhe e ajuda a transformar, orienta tudo aquilo que temos de bom para um horizonte maior. O segundo aspecto é que a boa oração é uma graça que não depende só de nós. O desejo e o tempo que temos à disposição para a oração é essencial, mas os resultados da oração partem de Deus. E Deus tem os seus tempos e modos de se comunicar, que muitas vezes estão além das nossas expectativas. Esperar que a oração nos traga aquilo que queremos corre o risco de transformar o encontro numa espécie de mercado e retribuição, o que tira a gratuidade e a surpresa. A oração, por isso, é um encontro de disponibilidade para aquilo que for, um exercício completo de liberdade.

Um dos frutos da oração é a paz. E como fruto que é, devemos pedi-la constantemente. Não como um direito que temos, mas como disposição total de abertura a recebê-la. Receber a paz de Cristo não é criar um espaço de tranquilidade psicológica, que nos poderia fazer ficar numa ilha desligada da vida, mas receber a paz como dom que transforma o nosso ser e o nosso agir.

Vejo muitas vezes a necessidade que as pessoas têm de um espaço de paz e existem imensos locais que a propõem, do tipo da meditação transcendental baseada em métodos orientais. E isto é bom. Porém, também tenho visto que estas experiências correm o risco de criar o efeito de uma ilha de tempo e espaço desligada do resto. É um processo psicológico mais que um encontro. E quando se sai desta ilha, evita-se a todo o custo confrontar-se com as "más energias" dos outros, quando o óbvio seria que a paz que se tem fosse motor para afrontar tudo e todos num desejo de curar feridas e estabelecer relações de verdade.

A paz que vem de Jesus pode ser encontrada também num tipo de meditação com métodos orientais. É também o meu preferido, mas importa perceber antes que não é uma paz conseguida, mas uma paz recebida.  Quais são então os critérios que nos permitem discernir a paz que vem de Cristo?

É uma paz que cura as nossas feridas, porque é voz de perdão e acolhimento total da nossa pessoa. Quem se sente amado sem condições sai transformado, deixa para trás os bloqueios e acredita na própria vida como caminho concreto de bem. Quem tem esta paz não se isola do mundo, mas quer fazer aos outros a mesma experiência de perdão. Não condena facilmente, mas ajuda com verdade. A paz faz-nos estar centrados que as coisas que nos acontecem, por piores que sejam, não nos distraem do essencial, aprendemos a relativizar tudo e colocar cada coisa num projecto de crescimento.

É uma distância que aproxima e faz agir. Perante cada coisa, pergunto-me: e agora? Que possibilidade de amar me é dada? São as pessoas de paz que não desesperam, mas têm a força de encontrar soluções. Isto é um dom enorme, e o centro da qualidade da nossa Vida.

19 março 2010

As certezas

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Vivemos constantemente entre passagens, faz parte do caminho de cada dia e do caminho da vida. Passamos de um lugar a outro, de uma relação a outra. Sobretudo alternamos emoções e pensamentos, um mundo complexo que se desenha velozmente come se não fôssemos donos dos traços que fazemos numa folha em branco.

Existem momentos em que temos a possibilidade de ir além do que está diante de nós. Um desses momentos é o final do dia, a irresistível cor do fim da tarde. Esta é uma passagem do dia para a noite, o adormecer tranquilo das nossas actividades interiores. As cores do fim do dia escondem segredos e abraços profundos, que constituem as nossas histórias apaixonadas e as palavras que expressam o que nos vai na alma.

Expressar qualquer coisa de amor nas nossas vidas é uma aventura que nos leva para espaços desconhecidos. Dizer que se ama compromete-nos, porque a palavra é a resolução de uma história, um ponto de consciência que significa uma mudança total da nossa vida. Esta é uma certeza, sentir e fazer sentir amor é a criação de um espaço onde estamos radicalmente, onde nunca mais poderemos deixar de estar.

 

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