14 março 2010

Agradecer

4comentários
É mesmo muito bom quando nos damos conta e experimentamos as coisas que já sabemos. Não há limites de tempo e espaço para as verdadeiras amizades, fazem parte de nós como o nosso respiro. Estes dias estive aqui com algumas visitas e foi o tempo de viver a sério a profundidade dos laços que criamos.

Todos temos imensa sorte com as pessoas bonitas que conhecemos, com as histórias que fazemos entre partilha, perdão, ajuda e consolação. É mesmo importante cuidarmos das pessoas que nos cuidam. Num estilo de vida como a que tenho, não é possível manter contacto frequente, mudo muitas vezes de sítio, outras vidas... agora é mesmo importante cair na conta que não vivemos de forma indiferente às vidas que tocámos e nos tocaram. É um dom e uma responsabilidade.

Ter amigos é o maior dom que podemos ter. Nisso percebo-me verdadeiramente abençoado. Fica o desafio de esta semana cuidarmos aqueles que são importantes para nós, abraçar tantos dons... a amizade é também livre, mas precisa de atenção. ;)


PS: Com estas visitas e o trabalho mais intenso para a tese, estou mais irregular na escrita. Estes tempos, vou escrevendo quando posso, mas está a correr bem. Boa semana! ;)


07 março 2010

Não desistir

5comentários

Certamente ouvimos já tantas vezes alguém que nos tenha dito: "Não desistas". Nós próprios já o dissemos a alguém e também a nós mesmos. O que está por detrás do não querer desistir?

Em primeiro lugar, isto só acontece quando nos confrontamos com um cansaço ou com uma dificuldade que põe em causa o nosso esforço. Parece óbvio dizer isto, mas estou convencido que muitas vezes desistimos sem perceber porquê, o que fizemos para ficar cansados, ou sem reflectir se a dificuldade é de tal ordem que seja suficiente para nos fazer parar.

Em segundo lugar, desistir esconde uma falta de energia e vontade. Não encontramos em nós a luz suficiente para manter um compromisso assumido e desmotivamo-nos com  a falta de frutos do que fazemos ou respostas ao nosso empenho. De todos os modos, parece-me que olhamos mais para fora de nós e para os efeitos da nossa acção do que propriamente para o que acontece dentro de nós.

Quando assumimos um compromisso, devemos ter consciência que aquilo que prometemos a nós mesmos ou a alguém nasce espontaneamente de um desejo de fazer algum bem, algo que nos faz sair de nós e traduz de uma forma concreta a nossa bondade. Quando desistimos, deixamos de ser nós nalguma parte do mundo das nossas relações, criamos espaços vazios e alguém fica a perder.

Finalmente, uma coisa é desistir, e outra é deixar um compromisso para dar lugar a um empenho mais completo. Desistir fecha uma estrada, escolher um outro caminho abre outros horizontes.

02 março 2010

Suavidade

4comentários


Não vale muito a pena tentar mudar coisas de forma violenta. Certamente, há aspectos na nossa vida que exigem algum corte ou mudança repentina, mas acredito que isto se aplica a uma parte bem pequena dos nossos momentos.

De facto, a nossa vida tem uma continuidade de sensações e impressões às quais devemos ir estando atentos e percebendo até que ponto todas as coisas nos ajudam a construir na autenticidade e na verdade. Isto faz-se com pequenos passos e certezas cada vez maiores.

A vida parece muitas vezes repentina e violenta, mas o passar do tempo é muito mais suave do que supomos. Ter consciência da suavidade do toque de cada acontecimento dá outro respiro àquilo que estamos a fazer, alimenta as nossas expectativas numa outra direcção. Faz-nos mais atentos, mais centrados, com maior respeito por mim e pelos outros, e maior liberdade. 

01 março 2010

2 anos!

2comentários
O essejota.net celebra este mês de Março 2 anos de vida! 


Este site é uma iniciativa da Pastoral Juvenil da Companhia de Jesus, levada pelos jovens jesuítas portugueses, juntamente com um bom número de amigos que colaboram. 

Neste mês, começa uma nova fase do site, que agora passa a ser quinzenal. Assim, cada 15 dias, terás oportunidade de ler, ouvir, reflectir, conhecer novos conteúdos que ajudem a entrar mais nesta proposta de um olhar actual e cristão sobre a vida, o mundo e a fé. Visita e bem vind@! ;)

25 fevereiro 2010

Começar

9comentários

Quando começamos a ter a impressão que o tempo nos falta para o que queremos, estamos a cair na conta de que os compromissos que assumimos, juntamente com os imprevistos de cada dia, nos ocupam a a mente e o coração de uma forma não organizada.

É inevitável que a vida, como a temos hoje, seja marcada pela pressa e pelo acumular de coisas, entre trabalho e descanso, família e amigos, lazer e compromissos. Se é verdade que a determinada altura, teremos de dizer não a algumas coisas, é certo também que muitas vezes não nos resta alternativa senão em fazer o que nos aparece à frente.

Existe uma sabedoria que nasce da consciência de que não podemos viver só em função da agenda, porque a Vida é muito mais que uma série de acontecimentos, é sobretudo a qualidade e a luz pessoal que pomos em todas as coisas. Se não temos o tempo e o espaço para ganhar contacto com aquilo que verdadeiramente interessa, acabamos por nos dispersar. É importante encontrar o ponto de partida de cada dia, que não nos deixe fugir a vida por entre os dedos. 

Porque não, em cada manhã, fazer o exercício de olhar o dia como oportunidade de completar o que sou em coisas pequenas? Em cada dia, eu me manifesto e não deixo que os ritmos me tirem a serenidade.

22 fevereiro 2010

Celibato

6comentários

Sugestão de Aprendiz

Depois de algum tempo, e com muitos temas atrasados, retomo as sugestões! Na altura em que surgiu este tema, recordo-me que era a propósito de um acontecimento muito falado nas comunicação social, em que um jovem sacerdote resolveu deixar o seu sacerdócio por se ter apaixonado. É inquestionável que o tema do celibato provoca muitas reacções, quer da parte de crentes, quer de não crentes.

O celibato é entendido pela Igreja como um sinal de consagração. Uma pessoa decide livremente entregar a sua vida a Deus e ao serviço dos outros, renunciando, não à sexualidade, mas sim ao seu exercício. Um consagrado não é um extraterrestre, é um homem ou uma mulher que vive a sua sexualidade e é chamado, como todos, a vivê-la de forma integrada e aberta à relação com os outros. Não se consegue viver sem afectos, nem a ninguém é pedido isso.

Uma coisa que creio que nunca fica clara é que se fala muitas vezes do celibato como uma imposição. O celibato é um convite a um determinado estilo de vida. Quem escolhe ser padre, ou religioso, sabe que o celibato faz parte da sua escolha e, na sua liberdade, opta por isso. Mesmo consciente da própria fragilidade e da possibilidade que não se possa alguma vez ser coerente com esse compromisso, a pessoa que escolhe ser célibe fá-lo com esse desejo. Uma pessoa que claramente vê que a sua realização pessoal e a sua missão não passa pelo celibato, não escolhe este tipo de vida. Do mesmo modo, a quem casa, não se lhe é imposta a fidelidade, mas é o ponto de partida básico da sua opção. Quem casa ou quem namora, quer verdadeiramente ser fiel, como base de uma relação autêntica e verdadeira. O que quero dizer com isto, é que o celibato nasce de uma opção livre e consciente das suas consequências, incluindo uma certa solidão. Tal como no casamento, se casa livremente e querendo ser fiel, consciente das suas consequências, de alimentar constantemente a relação, mesmo no meio das dificuldades, rotinas e cansaços.

Não quero estar a julgar o comportamento deste sacerdote, que só conheço a história por fora, ou de muitos religiosos que não são coerentes com a própria escolha. Importa é reflectir sobre o porquê de estas coisas acontecerem, se se deve à própria estrutura da pessoa ou falta de maturidade, a uma formação pouco atenta a estes aspectos, ou, a meu ver, a questão principal, o não cuidar o centro da própria vocação, que é a oração. Um padre ou religioso que não reze, não se poderá sentir totalmente apaixonado e centrado, enchendo de afecto de Deus o próprio coração. E sabemos todos como o coração precisa de estar preenchido e, se ficamos divididos nos afectos, acabamos por procurar outras coisas que preencham os nossos espaços vazios. 

Uma outra questão é sobre o porquê de a Igreja católica romana pôr o celibato como fazendo parte do sacerdócio. Esta indicação não é um dogma, nem algo impossível de poder mudar. Sabe-se, que nos primeiros séculos do cristianismo, existiam sacerdotes e bispos casados. Com o passar do tempo, por diversas circunstâncias da época, começou a crescer esta ideia de que o sacerdote devia ser célibe. Não existe uma data concreta em que isto se decidiu, foi um processo longo que a Igreja foi estabelecendo. Teria de escrever muito para explicar todas estas razões e, por isso, aponto-as brevemente e deixo a cada um a curiosidade de poder aprofundar.

Começa a desenvolver-se na mentalidade eclesial a consciência da consagração total a Deus, cuja modelo estaria sobretudo na vida eremítica e monástica, isto é, pessoas que deixavam as cidades para se retirar no deserto e nos campos para se dedicar à oração. Este modelo foi passando, pouco a pouco, também para o clero secular. Uma outra questão começou a ser a preocupação dos bispos nos casos de mau exemplo dos seus padres casados e também, numa altura em que a Igreja tinha poder político sobre diversos territórios, havia o problema da dispersão do património da igreja, por causa dos descendentes dos padres. São estes aspectos, misturados, que pouco a pouco criaram uma mentalidade de que o sacerdote teria de ser célibe e assim se estabeleceu a regra. Porque a Igreja não existe fora da história e experimenta, como todas as instituições humanas, a necessidade de se adaptar aos tempos e configurar o modo como se apresenta, mantendo o que lhe é essencial. 

O celibato, para além do aspecto central da consagração a Deus, tem, na Igreja, um carácter jurídico, isto é, o celibato faz parte do sacerdócio. Mas apenas na Igreja católica de direito romano. Na Igreja católica de direito oriental, em união com o Papa, os padres diocesanos podem escolher casar ou não. Os Bispos, porém, terão de ser célibes. Para poder aprofundar esta questão da igreja católica de rito bizantino (oriental), aconselho a leitura de um texto publicado há tempos, por um companheiro jesuíta, no essejota.net. Por outro lado, os religiosos vivem sempre o celibato, porque professam os votos religiosos de pobreza, castidade e obediência. Os padres diocesanos prometem viver a castidade, mas não tem o mesmo valor jurídico de um voto. Contudo, o essencial da castidade é vivido seja por padres diocesanos, seja pelos religiosos.

Uma última coisa, sobre a possibilidade de que os padres - diocesanos - possam vir a casar. Poderá ser, mas ainda é necessário um tempo de amadurecimento da questão e sobretudo ver se a mentalidade eclesial vai nesse sentido. Uma coisa que é óbvia na mentalidade ocidental, pode não o ser numa outra cultura. Uma lei da Igreja terá de ter em conta a diversidade das culturas onde está inserida, e uma mudança do género teria de vir acompanhada de uma aceitação pacífica e desejada por todos. Se, neste momento, o celibato dos padres fosse abolido, seria aplaudida por muitos, mas também não aceite por muitos. A meu ver, não seria uma questão pacífica na igreja universal, e é necessário que uma mudança sirva para congregar a todos numa única direcção e não para dividir e criar roturas. Mas certamente é uma questão que importa ser repensada e aprofundada.

21 fevereiro 2010

Superação

2comentários


Temos em nós fronteiras e limites que estabelecem a diferença entre o nosso espaço e aquilo que está fora de nós. Uma fronteira é um espaço de passagem ou de defesa, dependendo do modo como olhamos o que está fora do nosso horizonte.

É importante cuidarmos o nosso espaço, o santuário onde podemos contemplar e adorar a maravilha que somos e a nossa eternidade, aquele espaço ao qual só nós temos acesso. Algo que é verdadeiramente importante e não ganhamos nada se não cuidarmos, embelezarmos, visitarmos muitas vezes. 

Acredito que a beleza da nossa paisagem interior é aquilo que nos torna fascinantes e não precisamos de ir buscar continuamente fora de nós as coisas que nos fazem felizes, poderíamos correr o risco de sermos algo diferente do que somos, e é pena que isso acontece.

Nas nossas passagens além das fronteiras, saímos e deixamos entrar e, por isso, a comunhão, a amizade e o amor são pontos altos da nossa Vida. Apenas as pessoas que trazem em si algo de autêntico é que podem sair de si com uma atitude de verdade e simplicidade, sem defender os limites, mas convidando à participação e a fazer juntos algo grande.


 

Cidade Eterna © 2010

Blogger Templates by Splashy Templates