Hoje deixo uma música. Imortal, de Rodrigo Leão, cantada ao vivo.
Nalguns momentos, é preciso deixar-se levar na confiança e no sonho, tomar consciência do dom que somos na vida das outras pessoas e como a nossa marca é imortal, quando feita com amor e entrega.
às
18:34
07 novembro 2009
Reencontro
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António Valério,sj
Passamos algumas vezes por tempos de resumo da nossa Vida, onde criamos espaço para descobrir rumos de acontecimentos e resultados de escolhas. É bonito quando se encontra paz naquilo que hoje somos. A paz é terreno fértil onde nascem futuros carregados de sonhos que se começam a cumprir.
O grande desafio da nossa Vida é que dificilmente tudo estará completo. Então resta-nos um esforço diário de construir aquilo em que acreditamos. A violência não é amiga dos nossos passos mais profundos, é necessária uma enorme paciência e um gosto na descoberta de pequenos pormenores que iluminam o sentido do que fazemos.
A vida em plenitude requer um optimismo grande perante o futuro, sem mais cálculos necessários do que a fidelidade de cada dia à nossa perfeição. Juntar o que somos e o que seremos, re-encontrar Belezas tão esquecidas que parecia impossível que tivessem resistido a tantos descuidos. No fim, somos privilegiados por viver, é a Beleza maior que temos para cuidar.
às
10:53
05 novembro 2009
Transformação
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António Valério,sj
Tenho andado há dias com uma pergunta que li. Porque será que, mesmo mantendo uma vida regular de oração, vamos percebendo que esta não nos transforma? Em muitas coisas não nos faz mais pacíficos, mais humildes ou mais tolerantes. E mais felizes.
Acredito que a questão do passar a oração para a vida não é nada linear. Talvez porque não acertamos com o mais importante e pensamos que a oração é um espaço de pensar coisas sobre Deus e sobre as nossas decisões. Parece que é importante falarmos de nós, pensarmos e rezarmos a vida. Isso também faz parte, mas falta algo.
O tempo de oração é também a possibilidade de Deus se dar exclusivamente. É um espaço aberto à confiança e a deixar que Ele faça o que entender. Não são os nossos desejos e os nossos objectivos, mas deixar que aconteçam os desejos e os objectivos de Deus. Oração é silêncio, e este é o que mais transforma, desde dentro, sem muitas palavras.
às
18:12
03 novembro 2009
Disposições
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António Valério,sj
Os nossos pontos de partida em relação ao futuro têm para trás histórias longas, por vezes pouco conhecidas por nós mesmos. Daí que seja fácil que sintamos medo ou confiança diante de um desafio, dependendo de como fomos capazes de ler o que foi acontecendo.
As nossas disposições abrem-nos ou fecham-nos a determinadas opções de acordo com o modo como lidamos com a nossa história. Daí podem nascer preconceitos ou falsas seguranças que não nos deixam confiar. Noutras alturas, um caminho feito bastante às claras ajuda-nos a encarar o futuro com outra consciência, muito mais realizada e feliz.
Um horizonte é um reflexo do nosso olhar, é tão grande como o quisermos contemplar. Ao ficar fechados, perdemos oportunidades de ir mais longe, tanto quanto nem possamos imaginar. Ficamos maiores. Iluminar sem medo a própria Vida é um meio de caminhar luminosamente no futuro. É um desafio, pode ser exigente, mas é muito autêntico.
às
11:01
02 novembro 2009
Amar tem muitas caras
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António Valério,sj
Hoje fiz uma visita por vários blogs amigos e confirmei uma coisa. Parece que há alturas em que há um maior número de temas recorrentes. E é curioso que seja também o tema que mais me ocupa interiormente. Talvez seja porque, em determinada altura do ano, o tempo nos faça frutificar diferentes sentimentos. E o sentimento de hoje é especial.
O amor é um apelo grande à verdade da nossa Vida. É ter consciência, e uma consciência mais afectiva que racional, que nos sentimos movidos por uma energia que faz com que cada coisa tenha um rumo. Em direcção a algo ou alguém que amamos. Não nos sentimos perdidos, mas por vezes quase que arrastados. É uma força pacífica e reconciliadora e, ao mesmo tempo, com uma violência que não nos deixa tomar o pulso à situação.
O amor tem a extraordinária capacidade de nos fazer "deixar andar", sem pensarmos muito nas consequências. Confiamos ingenuamente, perdemos tempo com tesouros que não custam ganhar. É felicidade e exigência. Quando a verdade do nosso bem faz bem, estamos entusiasmados. O amor é esta extraordinária capacidade de não sermos donos do tempo, nem de nós e, sobretudo, dos outros.
às
09:46
31 outubro 2009
Passagens
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António Valério,sj
Estamos continuamente em passagem. De um lugar a outro, de um coração a outro. De tempos passados esquecidos e nostálgicos, a futuros que trazem anseio e medo. O presente é passagem de mundos e sentimentos, com uma velocidade que é difícil digerir.
Talvez o maior sinal do nosso cansaço seja a simples incapacidade de parar em espaços de passagem. Não deixamos que o coração agarre o tempo e a experiência.
Mas quando isso acontece, a passagem torna-se paisagem para habitar e fazer frutificar. Por não nos deixar ficar parados, paramos no movimento e aceitamos a condição de ir mais fundo e mais longe. Podemos ficar perto de nós sempre que a profundidade dos nossos gestos e dos nossos olhares dá alguma unidade às nossas paisagens. Uma cor só nossa, um tempo acima do tempo, ou além do tempo. Onde em tudo somos nós, em tudo fazemos entrega.
às
20:30
Sugestão de Nise
29 outubro 2009
Devoções populares
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António Valério,sj
Sugestão de Nise
Quando falamos, ao menos em Portugal, de devoções populares, imediatamente nos vêm à cabeça imagens dos peregrinos em Fátima, sobretudo os que cumprem promessas de joelhos, ou então procissões com música e bandeiras, ou santos com muitas velas à frente. Imaginamos sempre pessoas de mais idade, ou com pouca cultura. E é quase irresistível dizermos: esta é uma Igreja muito diferente daquela que penso ser a correcta!
Isto em Portugal, mas um bocado por todo o mundo, da Polónia até ao México, vemos multidões que celebram a fé à volta de um santuário, uma imagem, ou uma determinada data. O que é um facto é que as devoções populares, mesmo que actualmente tenham tendência a estar mais ligadas a pessoas mais velhas, são uma expressão da fé de um enorme número de cristãos.
Em tudo isto, há dois aspectos menos positivos ligados às devoções populares: um é a falta de conhecimento teológico catequético, ou seja, uma fé pouco esclarecida e muito ligada a ritos exteriores e cumprimento de determinados preceitos. O outro aspecto, que vem ligado a isto, é a superstição, que é a parte mais "perigosa" de uma fé pouco esclarecida: estas devoções podem assumir um carácter comercial, de pagar favores a Deus ou fazer coisas para obter o seu favor. Como se fosse necessário recordar a Deus que Ele deve amar-nos.
Um aspecto que poderia fazer reflectir, principalmente a quem está mais responsável pelos centros onde tais devoções têm mais força, é se a quantidade de fiéis justifica o deixar passar sem grande problema uma série de hábitos que, no fim de contas, significam pouco para uma vida autenticamente cristã. Pode correr-se o risco de cumprir algo diante de Deus, fazer as contas com Ele e, depois, isso não se reflectir muito na vida concreta, a nível de opções de fundo. Faltaria um maior acompanhamento e envolvimento espiritual das devoções.
Pessoalmente, mesmo tendo consciência destes limites das devoções populares, dou-lhes muito valor , pois também têm muitas coisas que são extremamente positivas:
A devoção é uma expressão da fé muito mais existencial que racional. É um meio, entre muitos, de entrar em oração e relação com Jesus, mesmo através de Nossa Senhora ou de algum Santo. Por consistir normalmente em coisas muito práticas ( uma determinada oração, um gesto) faz usar na oração o próprio corpo e a própria sensibilidade, podendo rezar de forma mais integral. Uma oração reflexiva e simplesmente meditativa, se tem a vantagem de poder ser mais esclarecida e aplicada à vida concreta, tem também os seus limites. É importante falar, sentir, cheirar e tocar, pois o nosso corpo também entra na oração.
Em segundo lugar, a devoção é também uma expressão simples do coração, sem complicar muito as coisas. Estabelece-se entre o devoto e Deus uma relação afectiva, de súplica, louvor ou agradecimento. Tem uma ingenuidade própria que é muito frontal e transparente na relação com Deus. De coração a coração. Quando esta experiência de encontro pessoal com Deus é forte, seria então necessário o poder acompanhar o seu desenvolvimento, em direcção a uma vida mais cristã a partir de dentro.
Por isso, acredito que as devoções populares podem estar ao alcance de todos, mesmo de quem está mais "avançado" na catequese. A experiência alimenta a fé, e uma fé esclarecida também dá sentido à devoção. No fim de contas, na expressão da própria fé é bastante difícil tirar a devoção, pois faltaria uma parte muito importante da nossa vida espiritual: sermos mais carne e mais coração na nossa oração.
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